Em raríssimas ocasiões pude presenciar um momento como este. Uma diretora de revista escrever uma autocrítica tão brilhante da prática jornalística no que se refere à cobertura de descobertas científicas deve ter ocorrido umas, sei lá, zero vezes.
O fato é que a senhora Ruth de Aquino, em sua coluna na revista Época, foi direto ao ponto e apertou todas as feridas abertas do jornalismo de ciência. Se pondo no lugar de um leitor comum, sem intimidade como o processo de produção científica, Ruth apresentou todas as possíveis más interpretações que se pode ter dos resultados de pesquisas na forma como são apresentados pelo péssimo jornalismo de ciência brasileiro.
Esse jornalismo que divulga resultados iniciais ou parciais de forma engraçadinha como se a obtenção daquele dado fosse tudo o que a pesquisa pretendia. Ou ainda, divulga resultados de Ciência Básica de forma desdenhosa, insinuando desperdício de dinheiro, quando na verdade é a pesquisa básica que permite que as comodidades tecnológicas apareçam mais tarde.
A jornalista então "comete" tais erros (para ilustrar a confusão que o leigo faz) e ainda, para ser mais realista, pontua seu texto com os mais diversos clichés, como "Quanto tempo perdido" ou "Para provar o que todo ser humano já sabe".
Um retrato perfeito do Caos que é o jornalismo de ciência no país. Só posso bater palmas para uma atitude tão ousada da senhora Ruth de Aquino por enfrentar de forma mordaz não só seus colegas jornalistas, em especial os de ciência, como todos na grande mídia.
O quê? Não foi de propósito? Ela acha mesmo aquilo? Putz... pára...
Bom, se ela precisar inventar uma desculpa para tapar a burrada que disse, ela pode usar o que eu escrevi acima.
Fica a dica.

Comments (11)
Renan, eu odeio vc!
Não posso mais usar essa veia...
=¦¤þ
Posted by: Igor Santos | março 24, 2009 9:43 PM