Fuck Yeah Fatores Extracientíficos!

Olha só que interessante.

No início de maio, a colaboração do experimento XENON100 para a detecção de Matéria Escura soltou no arXiv (o principal repositório de pré-prints de Fìsica) um artigo com resultados que invalidavam o que outros dois experimentos, CoGeNT e DAMA, haviam encontrado: sinais dos chamados WIMPs (Partículas Massivas Fracamente Interagentes, em inglês) de determinada massa. O que o XENON100, que supostamente seria mais sensível que os outros, encontrou foi que não há evidência para essas partículas.

Dois dias depois veio um comentário discutindo a suposta sensibilidade do experimento e apontando diversas fontes de incertezas nos dados.

Já no dia 14, a colaboração subiu uma resposta esclarecendo a analise estatística do grupo e comentando as críticas.

E ontem, dia 20, uma nova contestação à resposta da colaboração foi feita.

Não tenho conhecimentos experimentais nem sobre matéria escura para avaliar a sutileza das discussões, mas estou achando essa pequena guerra no arXiv muito divertida e com certeza o que move os dois lados não é simplesmente a busca pela verdade científica. Cada um deles deve ter um alinhamento muito claro com determinadas vertentes teóricas da hipótese de Matéria Escura e inclusive o interesse de defender seus próprios experimentos frente aos financiadores. 

O primeiro a gritar “Meu Kuhn” nos comentários, perde. =P

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Discussão - 3 comentários

  1. Sibele disse:

    Bem, se eu fosse um físico teórico de Matéria Escura, eu não só faria questão de ler como acompanhar e quiçá participar dessa briga de comadres com diploma – a despeito do egotrip escancarado ali, e talvez mesmo por conta dele, com certeza eu só aprenderia mais sobre WIMPs e que tais.
    Mas meu métier faz meu interesse acompanhar outras brigas de comadres online, com diploma ou não, que aliás só me é possível graças à evolução de iniciativas como essa do ArXiv, lançada nos idos dos anos 90 pelo Los Alamos National Laboratory, e fruto do desenvolvimento de comunidades digitais como a antiga Usenet e o BBS, popularizando de tal forma a possibilidade de presença online que posso, se quiser, não só ler e acompanhar, como participar de brigas de comadres como essa aqui, essa, ou mesmo essa, por que não?
    Mas é claro que há os que preferem não só não acompanhar as muitas brigas de comadres diplomadas ou não que existem por aí, achando que sua opinião é absoluta e não carece de quaisquer contestações e reconsiderações, e se fecham em copas no recôndido de seu mundinho imutável.
    E também há os que preferem briguinhas de comadres tergiversando sobre os rumos da novela das oito ou quem será o próximo vencedor do BBB… Enfim, cada um adota a briga que melhor lhe convém.

  2. Igor Santos disse:

    Você lê mesmo isso?
    Briga de comadres com diplomas…

  3. Sibele disse:

    Renan!
    O que você está nos relatando é um peer-review que está ocorrendo em tempo real online! Essa é a grande sacada do ArXiv: desconstruir os pareceres feitos à surdina, em que todos os “alinhamentos”, os vieses e as disputas entre as partes ficam nas sombras e os autores dos artigos são alijados da discussão sobre o aceite ou não de sua pesquisa.
    Com esse novo sistema, tudo fica às claras em intensos debates online e no fim, quando finalmente o artigo deixa de ser pre-print para ser “publicado” (no que a gente entende por publicação oficial) está muito mais consistente graças às discussões travadas às vistas de todos.
    Eu só tenho a agradecer aos Físicos (inclusive a Paul Ginsparg, o grande idealizador do ArXiv) por esse avanço na Comunicação Científica!
    E, cá entre nós, não fica tudo muito mais divertido? Acompanhar essa fogueira das vaidades é o máximo! 😀

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