A correta discussão com os negacionistas

Já faz algum tempo que a questão das mudanças climáticas não aprecem nos nossos telejornais.

Ainda mais em ano de eleição, qualquer outro assunto que não envolva algum escândalo político não vai ganhar atenção da TV aberta brasileira.

Mas nesse contexto, me veio à cabeça como a discussão entre a responsabilidade humana pelo aquecimento global é tocada pela grande imprensa. Quando dão espaço para tal, por vezes, proporcionam grande destaque para os negacionistas.

Mesmo diante de toda a evidência científica demonstrada por trabalhos publicados e revisados por pares, os debates dão a mesma “importância” para as duas partes.

O vídeo abaixo é uma boa maneira de como realmente deveríamos conduzir um debate entre negacionistas e cientistas.

Para quem tem dificuldade com o Inglês, acione as legendas. Mesmo também sendo em Inglês, elas ajudam bastante. Certos assuntos devem ser abordados com o viés da comédia para que fique bastante claro a proporção das coisas.

Que falta que faz humor de qualidade para um país. Aqui ainda estamos na fase de fazermos graça com minorias, vide os talk shows de merda disponíveis na TV brasileira.

Ebola e Ecologia, tudo a ver

Ebola virus virion.jpg
Ebola virus virion” por CDC/Cynthia Goldsmith – Public Health Image Library, #10816
Licenciado sob domínio público via Wikimedia Commons.

ResearchBlogging.orgEstamos passando neste exato momento pelo pior surto de Ebola de todos os tempos, pelo menos que já foi registrado. Já são mais de 1848 casos e um impressionante número de 1013 mortos. Sim, isso mesmo que você leu. A mortalidade desse surto está em quase 60% dos casos. O que aparentemente parece um contra senso já que uma mortalidade tão grande dificultaria a transmissão do vírus, na verdade não é. E explicações relacionadas a ecologia e fatores sociais podem ser muito importantes para entender melhor o surto atual.

Primeiro, antes de continuar a ler, recomendo o ótimo episódio 39 do Scicast com o Atila sobre o tema. Após entender o contexto do Ebora com o Atila, vamos discutir um aspecto muito relevante, que se relaciona com a temática do blog. A base para a discussão é um editorial do periódico PLOS Negleted Tropical Diseases, que coloca duas importantes perguntas em pauta, sobre onde o surto está acontecendo e o motivo dele estar ocorrendo agora. Os autores defendem que essas duas perguntas podem ser respondidas por motivos socioeconômicos e ecológicos.

Diferente dos surtos anteriores, o atual chegou até a África ocidental, mais especificamente na Guiné. Existe uma grande discussão se o ebolavírus sempre esteve lá de forma não perceptível – causando mortes apenas locais não registradas – ou se ele foi recentemente introduzido. Como o surto é muito recente, ainda existem dados um pouco contraditórios sobre o caso. Na hipótese de que o vírus foi introduzido recentemente, os grandes responsáveis poderiam ser os morcegos. Isso porque esse tipo de transmissão já foi registrado em surtos anteriores e porque o vírus encontrado na Guiné teria vindo do Zaire, uma distância muito grande para ter sido trazido por seres humanos infectados. Tendo como base o tempo de incubação até a morte ser rápido (1 semana) e a falta de estrutura rodoviária na região, a transmissão via seres humanos seria improvável.]

Transmissão

Simples. Tente pensar na realidade de boa parte da África. A pobreza extrema faz com que pessoas aumentem cada vez mais a sua área de busca de alimentos e madeira, aumentando a frequência de humanos em áreas de floresta virgem. Esse problema social acaba aumentando o risco de exposição das pessoas ao ebola virus, que poderia estar circulando na população de morcegos a mais tempo. Ao retornar para suas vilas e procurar ajuda médica (se existir), existe uma grande chance dela ser feita de forma precária, sem luvas ou agulhas esterilizadas. Causa direta de um sistema de saúde de baixa qualidade, resultado de governos autoritários e muitas vezes corruptos. A pressão do homem em ecossitemas intocados e problemas socioeconômicos podem ser causa direta não só deste surto, mas de todos os anteriores.

O maior de todos

A explicação ecológica e social pode até fazer sentido, mas temos ainda que entender porque esse é o maior surto de todos. Uma hipótese é que o surto atual começou em uma época de seca prolongada, causada possivelmente pelo maior desmatamento das últimas décadas na região. Maior desmatamento, maior pressão sobre ecossitemas intocados, maior contato com morcegos infectados com ebolavírus. Roteiro perfeito para um filme de terror, mas que por muitos anos se manteve fora da grande mídia e do foco da ONU por matar pessoas em uma região quase esquecida pelo resto da humanidade.

O Ebola não é uma doença nova, mas só agora notícias sobre uma possível vacina começam a sair na mídia. Talvez porque só nos preocupamos com o problema quando ele bate na nossa porta, o que me faz refletir sobre o nome do periódico científico que foi publicado o editorial discutido aqui. Triste e trágica constatação.

 Referência:

Bausch DG, & Schwarz L (2014). Outbreak of ebola virus disease in Guinea: where ecology meets economy. PLoS neglected tropical diseases, 8 (7) PMID: 25079231

Cosmos, em uma gota d´água

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Finalmente um vídeo onde sou o personagem principal!

 

Tivemos o prazer de acompanhar este ano a estréia da nova versão da aclamada série de divulgação científica Cosmos, estrelada pelo astrofísico e meme científico ambulante Neil deGrasse Tyson. Muita gente gostou da nova versão pela boa adaptação aos novos tempos, com modificações em alguns temas, no ritmo da narrativa e adição de desenho animado. Para entender um pouco mais sobre as duas versões da série Cosmos eu recomendo ouvir os capítulos específicos sobre este tema gravados pelo Dragões e Scicast, e os episódios 156 e 169 do Fronteiras da Ciência.

Cosmos, diferente do que o nome pode passar, não fala só sobre estrelas. É muito mais do que isso. Temos desde evolução biológica até história da ciência sendo tratada na série, o que é muito legal considerando-se que estamos falando de uma série relativamente curta. Além disso, no original Carl Sagan conseguiu levar a divulgação científica a outro patamar, trazendo doses de arte, emoção e poesia a fatos corriqueiros da ciência, coisas que os cientistas estão acostumados a ver todos os dias mas têm muita dificuldade de conseguir convencer o resto do mundo de como isso é legal.

O legado de Carl Sagan foi seguido a risca pelo Biólogo marinho Tierney Thys, que conseguiu em um vídeo de apenas 6 minutos trazer todos estes sentimentos a tona. Claro que é difícil fazer comparações com a série Cosmos, mas eu acho que ele conseguiu traduzir em pouco tempo como o mundo microscópico do plâncton marinho pode ser tão fascinante. Clique no símbolo da engrenagem abaixo e coloque o vídeo em 720p. E claro em tela cheia. Vale cada segundo.

Mais informações sobre o vídeo aqui: http://ed.ted.com/lessons/the-secret-life-of-plankton

Legislação ambiental, a esquecida

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Se tem um grande furo na grande maioria dos cursos de Ciências Biológicas no Brasil é com certeza a legislação e gestão ambiental. Claro que existem outros furos causados principalmente por uma grade de disciplinas pouco atualizada e voltada em grande parte para a formação de novos pesquisadores (vagas para todos?), mas formar biólogos que nunca viram nada sobre legislação ambiental é um absurdo em um país com a nossa realidade. Ainda mais em bacharelados de Ecologia como o que eu cursei na UFRJ. Parece inacreditável, mas estamos formando ecólogos que nunca viram (pelo menos na agrade do seu próprio curso) como aplicar o conhecimento teórico na prática da conservação e gestão ambiental. E eu me incluo neste grupo.

Por isso gostaria de indicar o episódio número 34 do podcast do Dragões de Garagem que fala sobre Legislação ambiental. Se você é biólogo (ou quase) e tem interesse na área de gestão e conservação ambiental (na prática e não só na teoria) tem que ouvir este episódio. Para fazer isso é só adicionar o Dragões de Garagem no seu iTunes, assinar o feed ou baixar diretamente o arquivo mp3 do episódio. Porque para um biólogo trabalhar com este tema no Brasil tem que fazer que nem o convidado do programa, o Luiz Araújo. Correr atrás do prejuízo e fazer cursos e até outra graduação nas áreas de direito e gestão. Se depender dos professores que montam os cursos de graduação em Ciências Biológicas continuaremos a reclamar que os engenheiros estão “roubando” nossas vagas…

Selfie científica

Na entrega do Oscar deste ano uma selfie tirada pela apresentadora Ellen DeGeneres ficou muito famosa por contar com a presença de vários astros de Hollywood. E claro que foi um sucesso instantâneo, sendo a mensagem mais compartilhada de todos os tempos no twitter.

Mas ontem, na minha segunda semana de trabalho no Museu Ciência e Vida, consegui registrar uma Selfie bem mais interessante. Uma Selfie espontânea, que teve como personagem um senhor de 76 anos e uma dezena de alunos de ensino médio da baixada fluminense. Este senhor era o suiço Kurt Wüthrich, ganhador do prêmio Nobel de química em 2002, após uma conversa com o público no evento “De frente com cientistas”.
Nobel-selfie on Make A Gif

Não sei quanto a vocês, mas eu acho muito melhor ter uma foto com um Nobel do que com um ator de Hollywood. E o mais legal é ver alunos do ensino médio tão animados para apertar a mão e tirar uma foto ao lado de um cientista.

Só consigo tirar uma conclusão deste acontecimento: estamos no caminho certo da divulgação cientifica.

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