Fotografia científica: Macrófitas aquáticas

Gostaria de comunicar a estréia no nosso blog de um espaço destinado a fotografia científica. Eu e o Breno publicaremos fotos que tenham uma temática científica, preferencialmente ecológica, no blog apartir de hoje. Tentaremos buscar fotografias de diferentes fontes como contato pessoal (como é o caso da fotografia de hoje), através de sites da internet, envio por nossos leitores, etc. A idéia é que além da foto em si, teremos uma pequena descrição da mesma, trazendo assim um contexto científico a imagem.

Aquatic macrophytes
A fotografia de hoje foi feita por quem escreve este post. Ela mostra de perto a realidade da região marginal de uma lagoa costeira tropical (Lagoa Cabiúnas, Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, Região Nordeste do estado do Rio de Janeiro).

Podemos vizualisar em primeiro plano a inflorescência de cor branca da macrófita enraizada Nymphaea ampla L., conhecida em bom português como ninféia. Esta planta é caracterizada pelas largas folhas que se localizam no espelho d´água (não confundir com Victoria amazonica, a famosa Vitória-régia, que é da mesma família Nymphaeaceae). Podemos ver também mais ao fundo outra macrófita enraizada que normalmente é confundida com a ninféia, mesmo pertencendo a uma ordem diferente. Ela apresenta uma flor branca pequena e folhas acima do espelho d´água. Esta é a Nymphoides indica L.

A macrófita que aparece mais no primeiro plano e apresenta folhas pequenas e hidrofóbicas é Salvinia auriculata. Ela é uma macrófita flutuante muito abundante em toda a lagoa.

Por último mas não menos importante temos a macrófita aquática emersa do genêro Eleocharis. Ela apresenta grande parte de sua biomassa fotossintetisante fora da coluna d´água, sendo enraizada no sedimento.

Espero que este seja o primeiro de muitos posts com fotografias científicas.

PS.: Desculpem-me por sublinhar as espécies e gêneros citados neste post, mas preferi colocar link para outros sites que apresentam mais informações e fotos das macrófitas para quem quiser saber mais sobre o assunto.

Quanto mais quente pior

Na edição de 18 de setembro (7211) da revista Nature a matéria de capa é bastante preocupante.Um grupo de cientistas americanos publicou um artigo entitulado “Prolonged suppression of ecosystem carbon dioxide uptake after an anomalously warm year”. Esses pesquisadores observaram que os efeitos de um ano com temperaturas elevadas pode afetar o quanto de CO2 é seqüestrado pelo ambientes terrestres neste ano e no ano seguinte. Em termos quatitativos, o potencial de seqüestro é 30% menor nos ambientes que foram expostos a maiores temperaturas.


No ano quente em questão, a produtividade primária é reduzida devido a seca causada pela altas temperaturas. Já no ano seguinte, existe uma alta estimulação da respirção bacteriana do solo. Estes dois fenômenos são responsáveis pela redução da capacidade de seqüestro dos ecossistemas terrestres em questão. Sendo necessário mais dois anos para que o o ecossistema volte ao seu estado normal.
Vale lembrar que este experimento foi feito em grandes câmaras de vidro (184 metros cúbicos) e com espécies comuns da pradaria americana. Deste modo, outros ecossistemas devem ser estudados para ver se apresentam o mesmo tipo de comportamento.
Entretanto, nada disso anularia a importância de uma descoberta como esta. Pelo contrário, somente confirma a importância do tema em questão. Fica de aviso para todos nós, quanto mais estudamos como nosso planeta reage as mudanças climáticas atuais, mais deveríamos ficar preocupados!


Televisores LCD e o aquecimento global

Com o bom momento econômico em que o Brasil está, a venda de tv’s LCD é cada dia maior. Esse eletrodoméstico se tornou um símbolo de status e sonho de consumo de muitos. Entretanto, existe um porém. A fabricação deste tipo de televisor utiliza um gás chamado trifluoreto de nitrogênio NF3. Esse gás é 17.ooo vezes (isso mesmo! 17 mil vezes) mais forte que o famoso CO2 no que diz respeito ao efeito estufa. Uma molécula desse gás equivale a 17.000 moléculas de gás carbônico.



Deste modo, com a demanda cada vez maior por tv’s LCD e a demanda infinita de monitores de computador LCD, teremos que ter atenção com a utilização deste gás. O estudo da revista Geophysical Reaserch Letters diz que se todo o NF3 produzido no ano de 2008 fosse emitido para atmosfera, equivaleria a 67 milhões de toneladas de CO2 ou a emissão anual de um país como a Áustria.

Isto me lembra a histório dos CFC’s e o buraco na camada de ozônio. Quando percebemos quem causava a destruição da indispensável camada, nosso cotidiano já estava impregnado com esse gás (desde tubos de desodorantes até geladeiras). Porém esse mesmo exemplo me dá esperanças. Pois, a substituição dos CFC’s na industria é um dos exemplos mais positivos de comoção e ação mundial. Hoje em dia, somente a China continua usando esses tipos de gases.

A necessidade de estudos sobre esse gás é urgente. O NF3 não é levado em consideração pelo Protocolo de Kioto, fica aí o alerta!

Fonte: The Guardian, CNet News, The Press Association

Dedos limpos de ontem podem se tornar dedos sujos de óleo no futuro

Terça-feira, 3 de junho de 2008
“Dedos apontados contra o etanol estão sujos de óleo, diz Lula”
Fonte: Estadão

Terça-feira, 2 de setembro de 2008
“Lula: meter a mão no óleo foi sensação única”
Fonte: Terra

Nada como um dia após o outro…

Não tenho nada contra uma maior diversificação da matriz energética do Brasil, mas acho que essas duas frases do Presidente Lula mostram como Economia e Meio Ambiente percorrem caminhos contrários. Mesmo um presidente que tem a utilização de biocombustíveis como tema recorrente de sua plataforma política, a possibilidade de termos muito petróleo para queimar se torna um pecado quase impossível de ser colocado de lado.

Se o presidente Lula estiver lendo este texto, um bom investimento do dinheiro ganho com a extração de petróleo seria em energias renováveis, principalmente eólica e solar que tem grande potencial em nosso país. Fica aí a minha dica.

Muito além do Aquecimento Global: o efeito do excesso de nitrogênio

Gostaria de começar agradecendo meu grande amigo Breno pelo convite e dizer que gostaria de contrubuir a este blog falando não só de assuntos ligados a ecologia, mas também sobre ciência em geral. Acho que o papel dos blogs como divulgadores de ciência para o grande público têm crescido cada vez mais e em países como os EUA, blogs de ciência como Pharyngula e The Loom têm um público de milhares de pessoas que os acompanham diariamente. Desta forma, a importância de transmissão de conhecimento científico destes blogs certamente é muito relevante.

Com certeza um assunto muito recorrente neste blog e em toda a mídia (pelo menos nos últimos anos) tem sido o Aquecimento Global. Muito se fala sobre emissão e sequestro de gases estufa como o gás carbônico (CO2) e um pouco sobre emissão de metano (CH4). Mas tenho certeza que muitos nunca ouviram falar no óxido nitroso (N2O). Este gás, como sua fórmula molecular já indica, é nitrogenado. Será que o famoso “gás do riso” pode nos trazer alguma preocupação nada engraçada em termos de aquecimento do planeta?

Óxido nitroso. Fonte: wikipedia
Tenha certeza que sim. Em termos potenciais, o dióxido nitroso apresenta um potencial estufa 300 vezes maior do que o dióxido de carbono. Além disso, esta molécula pode reagir diretamente com o ozônio, trazendo conseqüências ainda mais graves para o nosso planeta. As principais fontes naturais deste gás são os processos de desnitrificação (respiração do nitrado) e nitrificação (respiração da amônia). Mas como adiantei no título, o problema do nitrogênio e de outros nutrientes é quando ele se encontra em excesso na natureza.

A maior parte das formas nitrogenadas adicionadas ao solo pela agricultura acaba sendo lixiviada para corpos aquáticos, gerando uma série de conseqüências para estes ecossistemas. Além do aumento da emissão de N2O, a fertilização de rios, lagos, lagoas e estuários pode gerar uma grande perda de biodiversidade (pelo processo de eutrofização artificial), chuva ácida, dentre outros.

Um número que nunca consegui realmente entender é a eficiência do uso de fertilizantes na agricultura. Qual porcentagem de nitrogênio que adicionamos ao solo seria razoável terminar nas plantas? 90% ? 80% ? Na verdade, o número mais correto seria próximo a 35%, em plantas muito eficientes na absorção de nitrogênio. Se vocês querem mesmo ficar assustados, a eficiência da fertilização por nitrogênio em ração de gado é ainda mais baixa. Cerca de 6% do nitrogênio adicionado a ração chega a carne do gado.

Desta forma, o papel do nitrogênio tanto na mídia quanto em trabalhos científicos tende a aumentar cada vez mais. Um artigo do New York Times do começo deste mês trata muito bem deste assunto, entrevistando cientistas muito destacados na área do ciclo do nitrogênio como Vitousek (ecólogo da universidade de Stanford) e Galloway (professor da universidade de Virginia).

Espero que tenham gostado deste post. Com certeza este assunto estará de volta em pouco tempo.

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