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Manifestação que reuniu quase 3 mil pessoas em Paris contra a política de energia eólica. Fonte: Coletivo 4 outrubro

Um dos principais argumentos dos ambientalistas é de que a mudança do comportamento de cada um (contestado pelo blog em outro post) e a utilização de fontes de energia consideradas “limpas” são a salvação do mundo perante o desastre do aquecimento global. O fato é que cada vez mais vemos que algumas iniciativas deveriam ser tomadas com cuidado e não de forma precipitada. Às vezes uma medida que poderia ser considerada “verde” ou “ecológica” acaba tendo resultados muitas vezes catastróficos. Isto é o que grupos franceses e de vários outros países do mundo estão defendendo no caso da energia eólica.

No último dia 4 de outubro uma manifestação reuniu quase 3 mil pessoas em Paris contra a política de utilização em larga escala da energia eólica, que vem sendo realizada em vários países europeus. Este grupo de pessoas formaram o Coletivo 4 de outubro contra a indústria eólica, nome dado devido ao primeiro protesto, que ocorreu na mesma data no ano de 2007.

Um dos principais argumentos levantados pelo movimento seria de que os lugares onde estão sendo implantados os aerogeradores não apresentam ventos constantes, fazendo com que sejam necessários centros produtores de energia reserva. Estes centros normalmente utilizam óleo ou carvão como fonte de energia, trazendo resultados, em termos de emissão de carbono, não tão positivos como os divulgados pela mídia. Além disso, problemas ligados ao grande investimento feito com dinheiro público sem consulta à população, alterações das paisagens, desvalorização dos imóveis e até problemas ecológicos (também já discutidos aqui no blog em outro post). Em uma carta oficial assinada por várias associações européias ligadas a este movimento, as demandas feitas por eles seriam a suspenção imediata de todos os projetos ligados a fazendas de energia eólica, para que estes sejam discutidos por orgãos independentes.

Como levantado por Rui Moura, não podemos desprezar a energia eólica. Isto também é verdade para outros tipos de energia como a solar e as que utilizam a maré. Mas estas alternativas devem ser encaradas como complementares e não como projetos independentes. A matriz energética de um país forte deve ser a mais diversificada possível por motivos estratégicos. Por motivos ecológicos esta diversificação deve privilegiar fontes de energia menos impactantes ao meio, o que nem sempre significa privilégio apenas às consideradas “limpas” ou “renováveis”. Para utilizar apenas este tipo de fonte de energia é necessário uma área muito grande (muitas vezes inviável) e também “fontes reservas” em ocasiões onde não há sol ou vento. Como mostrado em um cartoon francês abaixo, antes eles tinham só energia atômica. Agora, energia atômica e um complemento (muitas vezes não significativo) de eólica. Pelo menos agora eles podem ser chamados de “verdes”…

“Antes e depois. Vejam a diferença!”

No caso do Brasil, políticas de contrução de reservatórios com melhor relação área alagada/ energia gerada, o aumento da eficiência de hidrelétricas mais antigas e a não repetição de casos lastimáveis como Balbina podem ser muito mais relevantes, tanto ecologicamente quanto estrategicamente, para o nosso país do que um investimento sem estudos prévios em “energias limpas”

Conheci o movimento lendo o blog português Mitos Climáticos, crítico ferrenho do movimento ambientalista.

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