O que palestras de biologia e shows de rock tem em comum?

Ron Vale gig poster
“Como motores moleculares funcionam”. Poster-convite para uma palestra. Crédito: gigpsforscis


Tudo, segundo o Departamento de biologia da universidade da Carolina do Norte. Eles convidaram uma dupla de designers para fazer posters de palestras realizadas pelo departamento. Até aí, nada demais. O diferencial estava em que não eram designers comuns. Eram especializados em fazer posters e camisas de bandas de rock. O resultado desta parceria você pode conferir aqui. Fica a ideia para congressos brasileiros. O público com certeza iria aumentar muito, somando os desavisados que gostariam de assistir ao show da banda “Ron Vale” como no poster que ilustra esse post.

Mais sobre os posters no sítio da revista The Scientist.

Darwin estava certo

Bem, parece que não fui só eu que fiquei decepcionado com a capa da revista de divulgação científica americana New Scientist sobre Darwin. O filósofo Daniel Dennett, o biólogo Richard Dawkins e dois outros autores também não gostaram nem um pouco de ver em uma revista de grande circulação internacional da frase “Darwin estava errado”. Eles demostraram esta decepção em uma carta publicada na última semana pela mesma revista. Para entender melhor o problema, leia o meu post comentando o deserviço prestado pela capa infeliz da New Scientist.

Eles começam de forma bem forte: “O que vocês estavam pensando quando produziram uma capa gritante proclamando que ‘Darwin estava errado’?”. Os argumentos da carta são bem parecidos com a minha reclamação. Além de ser uma afirmação falsa, ela é sensacionalista. Não acrescenta em nada o que já era conhecido. As ferramentas recentes da biologia molecular não invalidam a idéia da árvore da vida. Ela aumenta a complexidade da árvore e a transferência horizontal em eucariotos ainda é um assunto muito polêmico para se tornar um fato consumado. É claro que dar a faca e o queijo na mão dos criacionistas não poderia ser esquecido nesta carta inflamada. Segundo os autores, “(…) horas depois da publicação, membros da secretaria de educação do Texas estavam citando o artigo como a evidência que os professores precisavam para ensinar ‘fraquesas da evolução’ inspiradas em criacionismo (…)”.

Para terminar, Dennett, Dawkins e colaboradores reafirmam a infelicidade da última edição da New Scientist: “Vocês deram muito trabalho extra, desagradável para os cientistas cujo trabalho vocês deveriam estar explicando para público geral. Todos nós agora devemos tentar corrigir todo o mal-entendido que sua capa produziu”.

Assino embaixo.

Vantagens e desvantagens de ser uma planta


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- Ahhh. Você deve ter inveja.
- Porque?
- Fotossíntese! Você tem que andar por aí para conseguir comida, e eu só…fico aqui no sol.
- Ei, o que é aquilo ali?
- O que? O que é? O que ? Onde? Volte aqui e… Droga.

Não deixe de conhecer o Bird and Moon.

Google Maps + artigos científicos = AuthorMapper!

Em seu caminho para dominar o mundo, o Google lançou a ferramenta “Google Maps“. Além de fazer a tradicional busca por endereços, a ferramenta ainda permite a vizualização de fotos da Lua, do céu e até do planeta Marte. Dentro deste contexto, a Springer, gigante da editoração científica mundial, teve uma ideia simples e interessante. Temos uma base de dados com milhares de artigos científicos e este número aumenta a cada dia. Porque não colocamos a localidade dos autores na ferramenta de mapas do google? E assim foi criado o AuthorMapper.
Visão dos últimos 100 artigos publicados na base Springer.

Podemos ver no mapa uma escala de cor à direita. Quanto mais vermelho, maior é o número de artigos publicados por autores de determinada região. Além disso é importante lembrar que uma marcação no mapa pode agrupar artigos de localidades próximas, indicando mais de um artigo. Aumente o zoom do mapa para refinar a escala. Além da visão dos últimos cem artigos publicados na base Springer, podemos ver também os artigos divididos por assunto (Química, biomedicida, filosofia, etc). Outra opção de filtro mais avançada é a busca por autor, instituição, periódico, país e data de publicação. Enfim, uma ferramenta interessante para aqueles dias em que não conseguimos passar da primeira linha daquele artigo engavetado.
Visão dos últimos 100 artigos publicados na base Springer. Detalhe: América do Sul

No horário em que visitei o sítio do AuthorMapper, dentre os 100 últimos artigos publicados na base Springer podemos reparar que 4 são do Brasil, sendo 2 do Rio de Janeiro e 2 do Paraná. Temos um artigo do Departamento de física teórica da UERJ, outro da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e dois da Universidade Estatual de Maringá. Lembre que temos só uma marcação no Paraná porque os dois artigos foram publicados por autores da mesma Universidade.

As possibilidades mais interessantes podem ser a exploração de padrões de publicação de artigos, entender novas tendências e histórico das publicações, dentre outras. Mas a que eu acho mais interessante seria achar uma pessoa lá no Casaquistão que publicou um artigo sobre o mesmo tema do meu doutorado ou mestrado. Alguns cliques no google e posso chegar ao email do autor. Coisas da internet.

Países desenvolvidos: Maiores emissores de gases estufa e ainda se dão bem!

Os EUA foram por muito tempo os maiores emissores de gases estufa para atmosfera. Junto com os países que passaram pela revolução industrial dos séculos XVIII e XIX, podem ser os responsáveis pela intensificação do efeito estufa no planeta. Isto é batido. O papel de cada país industrializado é bem sabido. O problema é global.
Entretanto, estudos realizados pela equipe do cientista atmosférico Darryn Waugh chegaram a conclusões impressionantes e, por incrível que pareça, injustas! Através de modelagens de dinâmica atmosférica e transferência de energia observaram que a parte mediana do hemisfério sul sofrerá uma diminuição das taxas de produção de ozônio, atrasando a recuperação da camada do referido gás sobre esta parte do planeta.

Esta foi a parte impressionante da conclusão, a injusta vem agora. Na parte mediana do hemisfério norte (EUA, Canadá e Europa), o padrão é inverso. Lá as taxas de produção de ozônio na estratosfera estão aumentando, havendo assim uma recuperação mais rápida desta camada sobre esta parte norte do planeta. Mas o que existe de injusto nisso? Vocês me perguntam. O injusto é que estes padrões de recuperação acelerada e retardada se devem ao aumento de CO2 e outros gases estufa na atmosfera. Com o aumento, padrões de circulação global de ar foram alterados. Assim, a estratosfera sobre o hemisfério norte está ficando mais gelada, diminuindo a degradação do ozônio. Já na parte sul do planeta, a estratosfera está mais quente, prejudicando a recuperação da camada de ozônio.

Volta de uma prainha no feriadão

Assim, além de gerarem um problema global, os países desenvolvidos podem aumentar as taxas de incidência de câncer e problemas oculares nos habitantes do hemisfério sul. Pois a camada de ozônio, como bem sabemos, funciona como um filtro solar para nosso planeta diminuindo a incidência de raios UV-B na superfície terrestre.

Eles causam o aumento da temperatura do planeta e nós tupiniquins saímos com menos roupas e frequentamos mais nossas praias. Assim ficaremos por mais tempo sujeitos ao câncer de pele, por exemplo, pois nossa camada de ozônio vai demorar mais tempo para atingir sua espessura normal (antes da invenção dos gases CFC’s). Malditos yankes! Prejudicam até nosso lazer!

Fonte: ScienceNOW

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