Salvem as lampreias!

“Meu nome é Silva e eu faço parte de uma ONG ambientalista. Estamos muito preocupados com o futuro do planeta, com as mudanças climáticas, com os transgênicos, a água, os oceanos, as lagoas, as florestas e, é claro, com os organismos que habitam o nosso planeta. Eles precisam de nossa ajuda! Nós, seres humanos malvados matamos centenas e até milhares de espécies! Precisamos fazer algo para mudar isso! Eu tenho uma ideia. Conheço uma ave que vive na Ásia e que está ameaçada de extinção. Por não fazemos uma campanha para levantar fundos para salvarmos esta espécie? O nome dela é Rhinoplax vigil. Podemos fazer camisetas, faixas, canecas…assim as pessoas podem comprar nossos produtos e arrecadamos dinheiro para salvar esta espécie ameaçada!”

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Fazendo simbiose com o inimigo

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“- Crianças, nós somos a única fonte de higiene oral para o crocodilo e, sendo assim, nós sempre estaremos seguros.
- Fábrica de fio dental. Estamos funcionando.
- Quanto relações simbióticas vão mal.”

Você é metade do papai e metade da mamãe? Para lampréia não é bem assim

Sempre escutamos nas aulas de embriologia ou genética, que nosso genoma é composto por metade vinda do pai (espermatozóide) e metade da mãe (óvulo). Isso deve ao fato que estas células realizam a divisão celular do tipo meiose, na qual ao final de sucessivas divisões, são geradas células (germinativas) com metade do material genético de uma célula normal (somática).

Pesquisadores da Universidade de Washington observaram que isso não é bem assim. Em um trabalho com embriões de lampréias marinhas, no qual tentavam marcar células que possuíam DNA “quebrado” (isto é, faltando pedaços), constatram que todas as células eram marcadas. Era como se toda célula recebesse um rótulo “morrendo”. Isso intrigou bastante os cientistas.

Após isso, esse gruppo se juntou a outros pesquisadores (Instituto de Pesquisa Benaroya, Seattle) para tentar enteder o que estava acontecendo com este animal marinho. Assim, detectaram que algumas sequencias de DNA encontradas no esperma da lampréia não se faziam presentes no embrião. Eles se concentraram em um pedação de DNA que se repete muito (GERM1) no genoma do esperma. Monitorando a quantidade de sequências GERM1, constaram que esta vai diminuindo drasticamente com o desenvolvimento do embrião. E quando a larva nasce, a sequência quase que foi perdida por completo, restando pouquíssimos “exemplares”. Ao anlisar genes espécificos, focaram no SPOPL (ajuda a estabilizar o complexo DNA-proteínas na cromatina). Este gene, presente no genoma do esperma, não era mais encontrado em células, por exepmlo, do fígado destes animais. Este comportamento, também foi observado com algumas partes do DNA dos óvulos.

 
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Possíveis explicações: estes animais podem estar poupando energia ao diminuirem seu genoma, menor quantidade de DNA, menos trabalho (energia gasta) na replicação do mesmo. Ou ainda, ele retira genes que estão ligados com o rápido crescimento e proliferação das células germinativas (a liberação de espermatozóides é na casa de milhões de células por vez), assim, estariam as lampréias estariam se protegendo de possível desenvolvimento de tumores (caso esses genes percam o controle sobre sua transcrição) eliminando grandes quantidades deles.

Esse fato ainda merece bastante pesquisa, mas pode revolucionar a maneira como vemos o desenvolvimento embrionário. Será que isto ocorre com nós humanos? Será que isto pode estar por trás da maior propensão de algumas pessoas a determinados tipos de câncer? Bem, perguntas a serem respondidas com muita ciência hard core.

Fonte: ScienceNOW

Desmatamento não leva ao desenvolvimento!

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Na última edição da revista Science, foi publicado um artigo de extrema importância para a Amazônia brasileira. Pesquisadores brasileiro (IMAZON) em colaboração com pesquisadores estrangeiros avaliaram o impacto da avanço do desmatamento no desenvolvimento econômico e social nos municípios amazônicos afetados. Mas antes de tudo, o artigo mostra dados impressionantes. Nosso país abriga 40% da do que sobrou de floresta tropical no mundo, porém do ano de1998 a 2008, nós desmatamos a uma taxa de 1,8 milhões de hectares por ano (quase que um terço de todo o desmatamento global de florestas tropicais), liberando por volta de 250 milhões de toneladas de carbono. Nosso país desmata seguindo basicamente duas receitas: ou retiramos as madeiras nobres, depois queimamos e, em seguida, fazemos pasto, ou retiramos as madeiras nobres e desenvolvemos plantações. No nosso caso em particular, estamos fazendo essas conversões de habitat em questão de décadas, sendo que em outros países, esse mesmo ciclo durou séculos ou mesmo milênios.

Todo esse avanço no desmatamento tem como bandeira principal o melhoramento do nível de vida dos habitantes dessas grande floresta. Isto é, degradação ambiental em nome da melhoria na qualidade de vida. Nesse contexto, os pesquisadores dividiram 286 municípios amazônicos em 7 classes relativas ao tempo do avanço da fronteira de desmatamento (levando em consideração a extensão e atividade do desmatamento) indo da classificação pré-fronteira (floresta intacta e sem sinal de desmatamento se aproximando), elevando gradualmente a taxa de de desmatamento, até áreas de pós-fronteiras (onde o desmatamento severo já ocorreu a algum tempo e outras atividades são os carros chefes). Junto a isso, foi medido o índice de desenvolvimento humano (IDH) de cada município, indicando o grau de desenvolvimento do município. O IDH é o valor médio de outros três subíndices: expectativa de vida, alfabetização e padrão de vida (baseado na renda per capita).

 

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Observem o IDH e a taxas das parâmetros levados em consideração na medida do IDH. Da classe A (mais preservada) G (devastada a tempos)

 

Como vocês podem observar, existe um padrão no valor do IDH e de seus componentes. Logo, após os estágios iniciais de desmatamento observa-se um rápido aumento no grau de desenvolvimento, isto é, em um primeiro momento ocorre realmente uma melhoria nos índices dos municípios. Porém, após algum tempo de desmatamento e superexploração dos recursos naturais, ocorre a queda nesse índice, não havendo diferença estatística deles entre a classe A e G (como se fosse um antes e depois da exploração). O que isso nos diz? Que em um curto espaço de tempo pode haver desenvolvimento, mas após algum tempo e esgotamento dos recursos naturais (virou pasto ou plantações). Os autores observam que houve um aumento do IDH do Brasil como um todo nesse período, porém os resultados apontam é que houve um aumento mais rápido da expectativa de vida, alfabetização e padrão de vida nos estágios iniciais de avanço da fronteira de desmatamento. Já nos municípios localizados antes e depois da fronteira houve diminuição.

Mas a que se deve isso? Especulou-se que esse aumento na taxa de desenvolvimento era devido a imigração de pessoas para munícipios nas classes intermediárias de desmatamento. Pessoas com melhor educação e condições financeiras chegariam a tal localidades. Porém, essa fato não explica o rápido crescimento nos estágios iniciais, visto que nessa fase, o maior montante de imigrantes são de pessoas pobres em busca de uma vida mais digna. A explicação mais condizente consiste no desenvolvimento do município mesmo: construção de estradas, lucro com ô comércio de bens naturais em abundância, acesso melhor a aparto médicos, e outros. Mas esse desenvolvimento é transitório, esse declínio reflete a exaustão dos recursos naturais que deram suporte ao boom inicial. A exploração da madeira não é mais rentável e ocorre a degradação do solo por causa das grandes áreas de pasto.

Isso nos mostra o quão errada é a mentalidade atual da exploração desordenada. Além disso, o discurso “Estamos levando desenvolvimento para a Amazônia” é mentira. Como em tudo no Brasil, os mais ricos são os que se beneficiam do rápido desenvolvimento e acumulam essa riqueza. Após a exploração, sobram os restos para os mais pobres. Desmatar não levou a um aumento na qualidade de vida dos habitantes da floresta. Com isso, em um primeiro momento devemos parar com esse modelo, traduzindo, para o desmatamento e a expansão agropecuária. Depois, reflorestamento de áreas degradas e, em seguida, estímulo a exploração “sustentável” (se é que isso existe!). Os autores propõem também o incentivo a exploração do mercado de sequestro de carbono, visto que possuímos imensos estoques de carbono e capacidade comprovada de monitoramento de mudanças na floresta. Quando o governo brasileiro entender que a floresta vale muito mais em pé do que tombada, aí sim, veremos o que é desenvolvimento. 

Dica do Carlos Hotta do Brontossauros

Referência:

Rodrigues, A., Ewers, R., Parry, L., Souza, C., Verissimo, A., & Balmford, A. (2009). Boom-and-Bust Development Patterns Across the Amazon Deforestation Frontier Science, 324 (5933), 1435-1437 DOI: 10.1126/science.1174002

Por que não existem pássaros gigantescos?

Atualmente, nas grandes cidades, pombos são sempre um problema sério. Princpalmente quando estamos bem arrumados, indo para um compromisso sério. Somos alvos móveis para aquela numerosa artilharia aérea. Mas nem tudo é trevas. Imaginem pássaros maiores que condores voando, diariamente, sobre nossas cabeças.

Os maiores pássaros que existem atulamente, pesam por volta de 15 Kg no máximo. Pelicanos, gansos, condores e outros. Eles possuem em comum grandes asas e penas, sendo um grande peso que eles tem que levantar para sair do chão. Porém, um comportamento típico de todos os pássaros pode ser o responsável por não existir pássaros maiores do que os top de linha de hoje. A muda! Todos os pássaros perdem penas em determinadas épocas do ano, ou melhor, trocam as penas velhas por penas novinhas em folha.

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Periquito na muda. Observem a plumagem incompleta.

Quando se é um pássaro pequeno, por mais que ele perca várias penas, ainda é possível voar. Um passarinho comum (que vendem em pet shops, canário belga por exemplo) pesam 100 gramas ou menos. Assim, fica fácil não perder sua capacidade de voo. Agora imaginem um ganso de 10 Kg perdendo as grande penas de suas asas? Isso impossibilitaria, sem dúvidas, o voo deles. E, em um ambiente natural, isso seria um prato cheio para os predadores. Uma grande ave andando pelo chãos, ainda por cima, andando de maneira tosca.

Assim, pássaros maiores, mudam seus padrões de muda. Isto é, ao invés de 1 vez por ano, fazem mudas 1 vez a cada 2-3 anos. Outros não perdem penas de ambas as asas ao mesmo tempo, fazem mudas de cada asa em épocas diferentes. Já o maior pássaro que já voou nos nossos céus (um raptor de 70 kg, a 6 milhões de anos atrás), acredita-se, que fazia a sua muda de uma só vez e ficava quietinho sobrevivendo de suas reservas corporais enquanto suas penas voltavam a crescer.

Então esse balanço entre perder penas e ser pesado o bastante para ter seu voo comprometido drasticamente, pode ter sido o gargalo da não existência de pássaros enormes como esse de 70 Kg. Quanto mais tempo no chão, maior a probabilidade de um pássaro ser predado. Então pássaros muito grandes, por mais que tentassem regular suas mudas, não conseguiriam levantar tanto peso do chão devido a falta de penas (mesmo que poucas). E ainda, é mais fácil achar um pássaro enorme andando, do que um de menor tamanho.

Esse post me faz lembrar de um continho: “O pato nada, voa e anda. Porém, faz de maneira tosca os três”. Será que temos que nos especializar cada vez mais em determinados assuntos ou a cultura geral é mais importante? Fica a pergunta.

Fonte: ScienceNOW  

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