Resenha de livro: A Tirania do Petróleo

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Dos Rockfellers aos Bushs, Antonia Juhasz nos mostra a obscura e poderosa dinâmica das companhias de petróleo. Um histórico rico do ínicio da era do petróleo com a Standart Oil, até sua dissolução em várias empresas que foram os primórdios das famosas companhias que nos são tão familiares (como Exxon-Mobil, BP e outras). A Tirania do Petróleo
mostra que dependência de petróleo da nossa sociedade não tem como
principal fator a eficiência energética em si, mas sim questões
políticas de grupos que controlam desde eleições para presidentes em vários países (principalmente os EUA) até
vidas de populações inteiras.

Mas se engana quem acha que o livro é somente um histórico, este livro nos mostra uma faceta desses companhias que não são reveladas para o grande público com frequência. Tráfico de influências, guerras sangrentas, exploração de países miseráveis e, claro, destruição do ambiente. Por mais que este não seja o foco do livro (e não é mesmo), impactos ambientais das industrias petrolíferas são abordados em alguns capítulos, mas sem caráter científico. Em busca do ouro negro cada vez mais raro, essas gigantes são capazes de destruir o que e quem for preciso para alcançar mais um poço. E é nessa interface que se encontrar os ambientes naturais de nosso planeta, principalmente, a exploração de águas profundas oceânicas (a meu ver, um dos ecossistemas mais inexplorados e ameaçados de nosso planeta).

Entender como funciona por completo uma empresa desse tipo e como elas se relacionam entre elas e entre os governos dos países mais poderosos é vital para o esclarecimento das políticas públicas de proteção ambiental. E isso esse livro faz de maneira muito competente. Sendo assim, diante do poder delas, a proteção ao meio natural se mostra como uma pedra no sapato dos grandes industriais, mas que com dinheiro e influência pode ser facilmente contornada.

Este livro foi uma cortesia da Editora Ediouro para este blog.

James Lovelock sobre histeria verde e energia “limpa”

O ambientalista James E. Lovelock, autor da hipótese religiosa pseudo-científica de Gaia e visto como uma espécie de semi-deus pelos “verdes” comentou sobre o que acha das fontes de energia consideradas “limpas”. Depois de publicar uma carta no periódico científico Nature com a ideia no mínimo questionável de construir tubulações gigantes no fundo do oceano para bombear água com nutrientes e estimular a fixação de CO2 por algas (?) para “salvar o planeta”, Lovelock concedeu uma entrevista ao jornal britânico The Guardian para refletir sobre os seus 90 anos de vida. De forma surpreendente, a entrevista me agradou. James Lovelock criticou o uso de sua teoria mais famosa por Hippies e religiosos, reforçando que ele nunca achou interessante o posicionamento destes grupos perante o seu discurso. Ainda mais interessante foi o que ele respondeu sobre a sua opinião em relação as energias consideradas “limpas”:

“Parte da mais recente histeria verde é simplesmente errada. Eu sei o que deve ser motivo de preocupação e o que não deve. Voar não é um grande problema, não quando comparado com todo o CO2 sendo liberado a todo momento por nós e por nossos animais de estimação. (…) Muita gente tem fechado suas mentes para argumentos contra parques eólicos. Mas elas são monstruosamente tolas! Uma base suporte de concreto de 500 toneladas, sendo 4 mil delas necessárias para igualar a produção de uma estação de queima de carvão – como isso está ajudando? Uma reportagem na Der Spiegel mostrava que na Alemanha, onde existem 17.500 daquelas coisas, a quantidade de CO2 que agora está sendo produzida no país é maior do que nunca. (…) Energia produzida pelo movimento das marés é uma boa ideia, sim. Mas isso levaria tempo. Nós não temos tempo. Nuclear é a resposta. Muito, muito menos perigoso do que qualquer propagandista já alegou.”

Críticas a hipótese de Gaia a parte, um posicionamento desta forma em relação as energias consideradas “limpas” vindo de um símbolo ambientalista como James Lovelock é muito bem vindo. Investimento em energia eólica e solar sem planejamento somente pela imagem e pela pressão do público verde é inconsistente. Devemos investir em pesquisa básica para diminuir o custo e o impacto deste tipo de energia. Quando o ambientalismo vira modismo

Para ler mais sobre energia “limpa”, clique aqui.

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