Prós e contras da domesticação

Lendo o último livro do Dawkins “O maior espetáculo da Terra” (em breve
farei uma resenha aqui no blog) encontrei exemplos interessantes do
poder da seleção artificial, mais conhecida como domesticação quando
falamos em animais. Um dos exemplos citado por Dawkins é da evolução de aspectos domésticos no lobo selvagem. Esta pode ser muito mais rápida do que podemos imaginar. Experimentos realizados na Rússia mostraram que em apenas 6 gerações de raposas selvagens selecionadas artificialmente características como avidez pelo contato com humanos, “choro” por comida, farejar e lamber os tratadores, etc já se mostravam dominantes.

Não pude deixar de lembrar da tirinha abaixo.


Clique para ampliar

- Domesticação é uma grande afronta a minha natureza predadora.
- Quem é o bonitinho, fofinho, lindo da mamãe?
- Claro, ela pode ter suas vantagens.


Do ótimo B.C.
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Discussão - 10 comentários

  1. Alex.. disse:

    ..desviando um pouco o assunto (ou nem tanto…), penso aqui nos desdobramentos do que fala o ‘manuel’ logo antes, sobre o adestramento humano, que me parece, vem sendo “selecionado” atualmente pelo menos capaz de crítica e etecetera e tal… mas enfim… ..ahh e ta aí a nossa medicina também, o maior meio de seleção artificial de todos os tempos, que beneficia inclusive os cãezinhos e gatinhos domesticados… mas enfim… lo que sea…

  2. Luiz Bento,
    Sim, pode. Mas como pode ser que não, isso mostra a distinção entre domesticação e seleção artificial.
    A seleção artificial é um dos modos de se produzir a domesticação. Nem é o único modo, nem se sinonimiza com ela.
    []s,
    Roberto Takata

  3. glenn disse:

    ao que entendo, a seleção artificial é uma forma de direcionar uma linhagem para uma finalidade específica, tal finalidade depende do que aquele que seleciona pretende (de maneira geral no sentido de melhorar a eficiência de alguma atividade ou mesmo possibilitá-la), e por isso (em última análise) a domesticação tem vários sentidos.
    as tradições sociais (que acabam gerando os valores morais mais profundos – e mesmo os superficiais) não seriam de alguma forma (ou até propriamente) a seleção artificial no próprio homem, já que moldam as formas, comportamentos e tudo mais?
    um adendo em relação a domesticação em cães, dito numa aula pelo prof césar ades:
    os cães são capazes de entender certas informações como o apontar do dedo ou a indicação de uma direção por meio dos olhos de seu dono, sendo resultado de uma coevolução conosco. animais filogeneticamente mais próximos de nós como os chimpanzés, não apresentam a mesma capacidade.

  4. manuel disse:

    Caro Luiz Bento
    Muito grato pela sua atenção. Porque a matéria me parece muito importante,as minhas desculpas por nela insistir.
    Não foi brincadeira,Luiz,foi uma coisa muito séria. A forma
    condiciona os comportamentos,e de que maneira,todos o sabemos.
    E o essencial reside nos comportamentos,e enquanto não se puderem domesticar nada feito,ou seja,continuará tudo na mesma,ou pior.
    Mas aqui,levanta-se outra essencial coisa. Domesticar em que sentido,se há vários?,para não dizer tantos,talvez como o número de cabeças. Quem o determinará? Com que autoridade?
    Depois,há as muitas “famílias”,as muitas “sensibilidades”,
    dos muitos cantos deste pequeno-vário mundo.
    Enfim,Luiz,uma matéria para excelsas cabeças,como a de Dawkins.
    Muito boa saúde,e muito bom trabalho.

  5. Luiz Bento disse:

    Olá Manuel,
    Quanto a avidez eu não sei, mas quanto ao uso da seleção artificial em humanos Dawkins fala bastante no livro. Claro que existem aspectos morais, mas ele não acha difícil que se começarmos a selecionar mulheres que tem naturalmente seios maiores poderemos alterar o tamanho de seios em mulheres de uma população. E despedir os cirurgiões plásticos :)
    Brincadeiras a parte, isso mostra a força da seleção artificial. Independente do grupo aplicado.

  6. manuel disse:

    Caro Luiz Bento
    Muito interessante este seu novo texto. Uma perguntinha. Como é que se poderão domesticar os humanos de modo a perderem a avidez? Será que Dawkins já por tal se interessou?
    Muito boa saúde.

  7. Luiz Bento disse:

    Fala Takata,
    A própria argumentação do Dawkins depois deste trecho mostra que a seleção natural “pode” ter atuado apenas no início do processo e mostrou a força da seleção artificial. Essa é apenas uma visão de um grupo que trabalhou neste sentido.
    Estou com preguiça de pegar o livro para fazer citações, vamos deixar para o post da resenha :)

  8. Nem tão difícil. Basta não pensarmos nas raças derivadas atuais como são-bernardos e chiauas. Pensemos nos cães mais ou menos selvagens.
    Ou como Dawkins resume: “The idea is that the evolution of the dog was not just a matter of artificial selection. It was at least as much a case of wolves adapting to the ways of Man by natural selection.” – “at least”, pelo menos tão importante quanto, talvez mais.
    Sim, pode não ter sido assim. Aliás, o fato da maioria das raças ser bem recente – não mais do que algumas centenas de anos indica não apenas o poder da seleção artificial, mas tb como pouca seleção deve ter sido feita de modo sistemático desde a domesticação há uns 9.000 mil anos até tempos tão recentes. (E isso é padrão repetido em vários outros casos.)
    []s,
    Roberto Takata

  9. Luiz Bento disse:

    Grande Takata,
    Acho que a sua colocação não invalida a minha frase, na verdade é um complemento que eu faria apenas em um post falando sobre o livro. Aqui eu quis apenas introduzir um cartoon. Como você mesmo disse (e claro, o tio Dawkins), a seleção natural pode ter sido uma das vias apenas iniciais do caminho da domesticação dos lobos. “Pode” e “inicial” está bem longe de ser um caminho mais importante do que a seleção artificial. O caminho de um lobo ser domesticado até um cachorro doméstico apenas por seleção natural é algo realmente difícil. Por isso eu consideraria minha frase no post apenas coloquial, mas não acho que esteja longe da realidade.
    Abraços.

  10. Na verdade, mesmo em animais, domesticação e seleção artificial são coisas distintas.
    É possível haver domesticação sem seleção artificial – uma das possíveis vias de domesticação do lobo (ao menos nos passos iniciais) comentadas em “O maior espetáculo da Terra” envolve uma seleção *natural*: lobos mais mansos tinham mais acesso a alimentos das sobras dos humanos.
    []s,
    Roberto Takata

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