Quando a coevolução passa dos limites

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“- Então, porque nós estamos usando a plataforma novamente?
- Presas se adaptam – então nós precisamos encontrar novas maneiras de caça-las.
- O que foi isso?
- O som da adaptação.

Nada melhor do que ler o B.C. todos os dias e entender melhor os nossos antepassados.

Criação: o filme sobre Darwin

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O seguinte texto apresenta spoilers do filme, quem preferir, assista antes de ler.

Para começar, o filme é muito bom. A história de “Criação” compreende o período em que Darwin já havia voltado de sua viagem ao redor do mundo. O período anterior a viagem somente é mostrado em alguns “flashbacks”. Sendo assim, para quem achava que ia encontrar Darwin coletando ou passando por aventuras dentro do Beagle vai ficar decepcionado. Mas acredito que por pouco tempo.

O filme mostra as crises de consciência que Darwin teve durante a interpretação dos dados coletados e do começo da redação de “A Origem das espécies”. Em alguns momentos, o filme fica mais próximo das ciências humanas do que das ciências biológicas. As crises existenciais e, em alguns momentos, os surtos de Darwin. O filme se prende muito ao duelo entre acreditar ou não em Deus. Um exemplo disso é que a única aparição Huxley (no início de filme) é marcada pelo tentativa do Buldogue de convencer Darwin de que a publicação de sua obra acaba por matar Deus. E aí mesmo que nosso querido naturalista entra em parafuso, pois se vê em uma sociedade altamente regulada pela Igreja, além sua esposa, Emma, ser extremamente religiosa.

Em seus surtos mais fortes, ele conversa com sua falecida filha Annie (que pela conversa com minha noiva que é psicóloga, seria uma representação artística de seu alter-ego). Nas conversas, Annie pressiona seu pai a escrever o livro, representando assim, o Darwin livre de suas questões religiosas. Além dela, seu amigo, Joseph Dalton Hooker, se mostra outro entusiasta de que Darwin escreva logo o livro. Entretanto, Darwin somente volta com todo o gás para terminar sua obra quando se trata psicologicamente com os primórdios do que viria a ser a psicanálise. Um parenteses para admirar como a ciência se desenvolvia de maneira primorosa, pois os primórdios de linhas de pensamento atuais tão importantes das ciências humanas e biológicas nasceram naquela época.

Porém, antes de seu tratamento psicológico, Darwin recebe a carta de Alfred Russel Wallace. Nesta parte tenho que contar que cheguei a rir: Darwin sentado em um banco no jardim lê a carta e diz que Wallace conseguiu resumir em 20 páginas o que ele vinha tentando fazer em 250 e não tinha terminado. Sendo este também um dos fatores que fez ele procurar tratamento e, assim,conseguir terminar seu livro.

Resumindo, o filme é muito legal, porém se fixa mais no homem Charles Darwin e não no cientista ou nas suas histórias ao redor do mundo. Quem acha que vai aprender sobre seleção natural vendo o filme, pode esquecer. Por mais que o filme não apresente erros conceituais, pelo contrário, nas partes onde Darwin aparece tentando explicar sua teoria são bem interessantes, mas poucas. Faltou também a reunião na sociedade Lineana, onde foram lidos os trabalhos de Wallace e Darwin. Entretanto, nada disso tira o encantamento de pode assistir uma produção tão bem feita de parte da vida de uma pessoa que mudou a maneira com que o homem se enxerga na economia da natureza. Assistam!

Mais uma “hora do planeta”… e a balela continua…

Nos aproximamos mais uma vez do dia em que a organização WWF nos convoca a desligar por uma hora as luzes de nossas casas, dos monumentos, das repartições públicas…

 

No sábado, 27 de março, entre 20h30 e 21h30 (hora de Brasília), o Brasil participa oficialmente da Hora do Planeta. Das moradias mais simples aos maiores monumentos, as luzes serão apagadas por uma hora, para mostrar aos líderes mundiais nossa preocupação com o aquecimento global.”

 

Muito eficiente, nossa preocupação com o meio ambinete será mostrada desligando as luzes de nossas casas. O Luiz já escreveu um post sobre isto no ano passado, deixando bem claro como é possível ser mais eficiente em um tipo de mobilização destas, até porque:

 

No Brasil, mais de 12 milhões de pessoas não tem acesso a energia elétrica em suas casas, sendo 10 milhões no meio rural. O índice de exclusão elétrica no Acre e no Amazonas ultrapassa os 70% da população do campo. No nordeste, 58% dos domicílios rurais não são atendidos pela rede elétrica.

 

E aí? E essas pessoas? Não podem dar seu voto? Pelo visto não, ainda mais quando vemos o site da campanha. Ao lado do link para entender melhor o aquecimento global, temos a venda do Kit “A hora do Planeta”. Repetindo o título de um post antigo: que parte de “consumir é a maior ameaça ao meio ambinete” eles não entenderam? Uma campanha em prol da preservação ambiental que mais parece uma ação de marketing. Vamos observar a descrição do Kit:

 

“Já está à venda, no site do Submarino, o kit da Hora do Planeta, movimento simbólico que mostra a preocupação da população de todo o globo terrestre com o aumento nos níveis médios de temperatura. No último século, os termômetros registraram um acréscimo de 0,8ºC. Caso a Terra seja comparada com o corpo humano – ambos são organismos vivos-, pode-se dizer que ela está com febre.”

 

Que qualidade de divulgação científica (me lembra a sugestão de erotização do aquecimento global feita pelo representante do instituto Akatu no MTV debate). Nosso planeta está com febre, com isso, entendemos que o planeta como um todo está aquecendo. Fato este errado! Algumas localidades estão tendo acréscimo de temperatura e em outras diminuição. E o mais interessante é o preço: R$55,00, uma bagatela! Olha como somos perversos: criamos uma campanha com a pseudo intenção de preservar a natureza (acertamos em cheio nos ambientalistas baratos e público desiformado, mas que quer ser cool), depois fazemos com que os governos entrem nessa também, pois a pauta ambiental tem que ser levada em consideração pela esfera pública também (mais ampla divulgação de graça. Como uma prefeitura pode ficar de fora dessa?) e, por último e mais diabólico, vendemos um kit para “mergulharmos de cabeça” nessa campanha. Esses caras são uns gênios.

Quer mesmo proteger o meio ambiente, não tenha filhos ou estude mais. Além disso, consuma menos e não entre na onda dos “produtos verdes“. 

Oficina de divulgação para cientistas na UFRJ

As próximas sextas-feiras na UFRJ serão premiadas por palestras sobre divulgação científica. A iniciativa é do Instituto de Ciências Biomédicas,  sendo organizada pelo diretor de pesquisa deste instituto, Stevens Rehen. Todas as oficinas serão realizadas no horário de almoço (12 às 13h), no auditório do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas da UFRJ (Ilha do Fundão, UFRJ, ICB, CCS, Bloco F). Claro que é tudo de graça e aberto ao público. Então não tem desculpa para não ir!

A programação é bem interessante e pelo visto o nosso vizinho voltará mais uma vez ao Rio. Ontem eu esbarrei com o Reinaldo no Fundão. Ele estava cobrindo para a Folha uma palestra do Steves Hehen no mesmo auditório que serão realizadas as oficinas. Tentarei estar presente todas as sextas-feitas, se o meu doutorado deixar.

  • 12/03: A divulgação científica no Brasil (1980-2010): do Paleolítico ao  Neolítico

Roberto Lent (ICB-UFRJ)
 

  • 26/03: Nos bastidores da notícia, a divulgação científica sob ótica da assessoria de imprensa

Claudia Jurberg (Programa de Oncobiologia IBqM-UFRJ)

  • 16/04: Ciência, história em quadrinhos e o jogo do genoma

Milton Moraes (Fiocruz)
 

  • 30/04: A Neurocientista de plantão

Suzana Herculano Houzel (ICB-UFRJ)
 

  • 07/05: Por que divulgar Ciência?

Franklin David Rumjanek (IBqM-UFRJ)
 

  • 14/05: Como a ciência vira notícia

Reinaldo Lopes (Folha de São Paulo)
 

  • 28/05: Bioletim e Blogs de ciência

Mauro Rebelo (IBCCF-UFRJ)
 

  • 25/06: Histórias e estórias da divulgação científica

Alysson Muotri (UCSD e colunista do G1)

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