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Uma grande polêmica foi gerada neste blog com um post do Luiz Bento. O post sobre o papel dos mosquitos na natureza teve comentários bastante legais e com visões diferentes. Seres repugnantes tem algum papel importante para nós? E para o ambiente em geral, eles “prestam” para alguma coisa?

Neste contexto de bichos escrotos (não poderia perder a piada), a barata é outro personagem bastante polêmico. Odiada pelas mulheres e ignorada pelos homens (pelo menos a maioria), as baratas são insetos pertencentes a ordem Blattodea. Já habitam nosso planeta a 300 milhões de anos e possuem por volta de 5.000 espécies. Apresentam a habilidade de pressentir o perigo pela mudança nas correntes de ar a sua volta, cientificamente chamado de Sentido Barata (mentira! é só uma paródia com o Homem-Aranha).

Cockroach_8_cm_long_Ku-ring-gai_Chase_National_Park.jpgBaratinha de 8 cm encontrada nas florestas chinesas. Você mataria pisando?

São onívoras, isto é podem se alimentar de mais de um nível trófico. Trocando em miúdos, podem comer restos de vegetais e animais. Possuem um papel importante na natureza, pois são saprófagas (se alimentam de organismos mortos). Uma matéria muito interessante publicada no Boletim Faperj comenta um projeto intitulado Baratas: procuradas vivas ou mortas. Ele tem um objetivo muito interessante de desmistificar as baratas e mostrar sua importância por meio de vídeos e visitas a escolas.

barata.jpgEssa é conhecida nossa!

Alguns fatos científicos se misturam a mitos criados em torno da figura da barata. Procurando na rede, observei muitas curiosidades sobre as baratas como: “Podem prender sua respiração por 40 minutos, seu pulmão é distribuído pelo lado do corpo e respiram por ele, e não pelo nariz“. Bem essa doeu. Baratas, como todos os insetos, não tem pulmões. As trocas gasosas se realizam através de canais bastante finos chamados traqueias, que se ramificam dentro do corpo da barata. Este tipo de respiração é o que impossibilita baratas e formigas do tamanho de cachorros ou dos filmes de terror. A superfície de contato seria muito pequena para a difusão de oxigênio para todo o corpo do imenso inseto.

Agora um fato divulgado pelos pesquisadores do projeto é que em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, a proporção baratas/humanos é de 200 indivíduos. Isto é, para cada pessoa que você vê na rua, existem 200 baratas escondidas esperando uma migalhinha para sobreviverem. Sendo assim, utilizando a população de 2009 do Rio de Janeiro, temos umas 123.734.200 de baratas convivendo com a gente. Por habitarem esgotos, podem ser vetores de doenças também, além disso, restos e fezes de baratas são um dos componentes mais abundantes da poeira doméstica, causando alergias respiratórias.

Na natureza, por serem saprófagas, ajudam na aceleração da decomposição dos organismos mortos. Servindo de alimento para outros animais da teia trófica. Em alguns países, elas entram na dieta humana, junto com outros insetos. As baratas são ubíquas nos habitas onde insetos são encontrados. Além disso, por mais que sejam encontradas no deserto, procuram micro-habitas com características climáticas específicas. Ainda mais as fêmeas, que necessitam substratos característicos para colocar seus ovos. Por serem ovíparas, sofrem grande predação durante a embriogênese (gestão externa e pouco cuidado parental). E o mais legal, podem ser componentes da dieta humana. Observem os espetinhos no mercado chines:

Vai um espetinho desses?

Procurando artigos sobre a composição nutricional da barata, encontrei esta pérola:

composição nutriconal.jpg
As baratas são ricas em gorduras e carboidratos, diferentes dos vermes terrestres que são riquíssimos em proteínas. Enquanto formigas são riquíssimas em fibras. Já a composição de minerais:

minerais.jpg
Os insetos (formigas e baratas) são ricas em cálcio podendo ser usadas como suplementos de baixo custo para mulheres na menopausa. Além disso, apresentam quantidades satisfatórias de magnésio, potássio e ferro.

E aí alguém tem dúvida agora da importância das baratas? É só incluir na sua dieta.

Referência:

Abulude, F.O., O.R. Folorunso, Y.S. Akinjagunla, S.L. Ashafa and J.O.
Babalola, 2007. Proximate compositions, mineral levels and phytate
contents of some alternative protein sources (cockroach, Periplaneta americana, soldier ants Oecophylla sp. and earthworm Lubricus terrestics) for use in animal feed formulation. AJAVA., 2: 42-45.DOI: 10.3923/ajava.2007.42.45

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