Cientistas do clima: escutem mais antes de falar

"Pare, olhe, escute. Cuidado com trens". Ou com a desinformação científica.

 

ResearchBlogging.orgFui surpreendido esta semana por um editorial no mínimo “forte” do periódico Nature Geoscience intitulado “Diálogos da mudanças climática”. O texto  demostra como a comunicação científica está cada vez mais em alta no meio acadêmico. Entre trechos “batidos” como dizer que os cientistas devem discutir mais o tema para o espaço vazio não ser preenchido pelor vozes não científicas, achei que a conclusão geral do editorial foi bem interessante.

Casos como a onde de calor de 2003 na Europa foram citados como sucessos da divulgação feita por cientistas e outros como o da onda de calor na Rússia de 2010 como um certo fracasso. Isso ocorreu princialmente pela complexidade do evento e em como a percepção do público de que os “cientistas não se entendem” pode atrapalhar a discussão sobre um efeito em longa escala de tempo. Artigos vistos pelo grande público como contraditórios foram divulgados na época, o que dificulta o entendimento do fenômeno, principalmente de um assunto tão complexo como a ciência do clima. Reproduzo abaixo o parágrafo final do editorial:

“(…) os cientistas do clima devem fazer todos os esforços para expor-se às questões da sua audiência - sejam políticos, jornalistas ou o público em geral. No final das contas, ouvir vai ajudar os cientistas a se comunicarem de forma mais eficaz, e pode estimular ideias para pesquisas relevantes para a sociedade.”

Muito interessante esta convocação final do editorial. Divulgação científica unidirecional tente ao fracasso. Precisamos entender as dúvidas e o conhecimento do público sobre o assunto, antes de dizer que o problema é que “ninguém entende ciência”, como muitos colegas acadêmicos gostam de ressaltar. Existem sim deficiências na educação científica, mas usar isso como desculpa para um fracasso na divulgação científica não me parece uma justificativa coerente.

 

Referência:
Editorial (2012). Climate change dialogues Nature Geoscience, 5 (5), 301-301 DOI: 10.1038/ngeo1474

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Discussão - 6 comentários

  1. Juliano disse:

    p/ Luiz Bento:

    Quando assisti a entrevista também não gostei de vários argumentos (não concordava no modo e no conteúdo usado nos argumentos) e também fui atrás do CLattes dele (pra ver algo interessante). Mas acho q usar o CLattes para desdenhar de seus pontos é argumento ad hominem…

    • Luiz Bento disse:

      Discordo completamente. Uma pessoa que não é da área não pode passar a ideia que é um especialista no assunto quando não tem nenhuma expressão acadêmica na área de mudanças climáticas. Ele usa o argumento de ser professor da USP e que trabalha na área mas não tem nenhuma produção acadêmica (em qualquer área). Se ele dissesse que é um curioso e que está só falando o que acha eu não usaria este argumento.

      Isso é um complemento da argumentação e não uma argumentação em si. Só seria ad hominem se eu não quisesse argumentar os pontos da entrevista, o que já foi feito.

      Além disso eu não disse que o lattes dele invalida qualquer coisa que ele fale sobre o assunto. O Takata já atacou os pontos da argumentação. O lattes dele não ter nenhuma publicação é uma demostração de que os argumentos deles não podem ser encarados como válidos apenas por ele ser professor da USP.

  2. João Marx disse:

    Obrigado. Eu me preocupei com o pessoal que viu isso no Jô, pq eles não iram pesquisar nada, nem buscar outras fontes pra tentar entender o que ele disse, só iram acreditar pq ele alguém da USP e etc.
    Ele disse muita coisa sem sentido, e pior desvalorizou a conservação,a biodiversidade, sustentabilidade e educação ambiental com ar de deboche e sarcasmo.
    Eu quando defendo a Biologia da Conservação digo mais biodiversidade, bioprospecção, equilíbrio ecológico, e algo de comportamento humano etc.

  3. João Marx disse:

    Olá, gostaria de comentários sobre esse link.
    Dps eu comento tbm!

    http://www.youtube.com/watch?v=winWWplmyMk

  4. massacritica disse:

    Fazer do limão uma limonada.

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