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Crédito: Hellvetti

Crédito: Hellvetti

Muitas vezes, ao trabalhar em alguma área da ciência, não paramos para pensar na beleza da nossa tarefa diária. Para alguém da biologia como eu, a beleza pode estar em todas as escalas. Desde a visão de blooms de microalgas que podem ser maiores do que países inteiros, passando pela paisagem de uma lagoa costeira até a micro escala. Essa última fica escondida em nossos arquivos digitais coletados de microscópios e lupas, que muitas vezes só são revelados em preto e branco – colorido é mais caro – por artigos publicados em periódicos científicos. Que, certamente, são muito restritos a pares do mundo acadêmico e não mostram a beleza da ciência de forma completa e democrática.

Para não deixar a face artística da ciência restrita ao pequeno mundo das universidades, uma ótima iniciativa está disponível de forma gratuita e online. A ArtBio, mostra de arte científica Brasileira. Navegando pela mostra virtual temos acesso a verdadeiras obras de arte criadas em pequenos e grandes laboratórios de várias partes do Brasil. Ao clicar em uma imagem temos acesso a mais informações sobre o objeto/organismo registrado, o processo de obtenção da imagem e autoria. A variação de cores, padrões e contrastes das fotografias mostra como o mundo científico também é esteticamente interessante e pode ser uma ótima porta de entrada para uma discussão sobre ciência. Como o apelo estético não envolve conteúdo complexo podemos usar a arte na ciência como ferramenta da divulgação científica, para atrair olhares que não estão acostumados com o tema. A área é tão interessante que chamou a atenção até de profissionais de fora da ciência, como o caso do fotógrafo Fabian Oefner que trabalha com materiais simples do nosso dia-a-dia de uma perspectiva artística. Ele falou mais sobre o seu trabalho em uma TED talk.

Uma pena que um grande astro da arte científica não foi contemplado pela ArtBio 2014. Estou falando das diatomáceas, esse simpático grupo de microalgas que apresenta mais de 100 mil espécies e que tem uma característica peculiar. Seus membros possuem uma parede de sílica que ao longo de milhões de anos de evolução foram selecionadas, resultando em diferentes formas, tamanhos e cores. Assim como Darwin gostava de colecionar besouros devido a grande biodiversidade, taxonomistas profissionais e amadores da Era vitoriana também praticavam a arte de colecionar e arranjar diatomáceas. O resultado é simplesmente fenomenal. Esta antiga arte britânica ainda é realizada hoje em dia por Klaus D. Kamp e foi registrada pelo documentarista Matthew Killip em um curta. Assim como no curta sobre plâncton que eu já falei aqui no blog, eu recomendo que o leitor aumente o som, selecione o modo tela cheia e aprecie a arte de arranjar diatomáceas.

The Diatomist from Matthew Killip on Vimeo.

Via D-Brief

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