Superexploração de anfíbios (rãs): um novo peso no evento de extição em massa

Não são recentes as pesquisas que mostram o grande pesadelo pelo qual os anfíbios ao redor do mundo estão vivendo. Estes animais apresentam características que possibilitam grande vulnerabilidade a fatores externos: primeiro, a permeabilidade de sua pele possibilita contaminação por substâncias tóxicas; e segundo, como o próprio nome diz, estão mais expostos devido dependerem tanto do ambiente terrestre quanto do aquático para sobreviver.

Muitas são as possíveis explicações para essa extinção em massa. Mudanças climáticas globais, perda de habitat, contaminação ambiental por substâncias tóxicas, doenças, disseminação de espécies invasoras e caça excessiva para alimentação. Sendo todas estas bastante discutidas em artigos científicos, algumas sempre foram tidas como as grandes vedetes das soluções, como por exemplo, mudanças climáticas globais (como não poderia deixar de ser). Entretanto, um artigo científico na revista Conservation Biology requantificou a importância da caça e comércio de rãs (principalmente para exploração de suas patas) nesse contexto de extinção em massa
Warkentin e colaboradores observaram que sapos são importantes componentes da culinária de alguns países, sendo os EUA, França, Bélgica e Luxemburgo os maiores importadores. Além dos países asiáticos que utilizam esses animais na sua culinária normal. Na outra parte, Indonésia aparece como o maior exportador de anfíbios do mundo, seguido pela China. Somente os EUA importaram 4000 t de patas de rã entre 1998 e 2002, visto que seus produtores já não dão mais conta do mercado. Já a Europa, saiu de 6000 t em 1990, para 9700 t em 1999, a mesma situação encontrada nos EUA. Deste modo, podemos observar que as inocentes patinhas de rãs usadas em culinárias locais, passaram a ser uma mercadoria super consumida por vários países do mundo. 
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Invariavelmente, quanto maior a demanda, maior é a exploração do recurso natural e maior seu valor de mercado. Entretanto, não só de ranários legalizados é abastecida a exportação de anfíbios na Ásia. Pelo contrário, criação de alguns tipo de rãs na Indonésia não foram bem sucedidas, restando somente a coleta de indivíduos selvagens para o abastecimento do mercado exportador. E é ai que mora o perigo! Em um cenário de pesquisas escassas sobre anfíbios, aliado a superexploração, é fato que encontraremos um grande perigo para as populações selvagens desses animais. Em uma estimativa de outro artigo científico (Kusrini, 2006), acredita-se que entre 31 a 160 milhões de rãs foram mortas para exploração de suas patas entre 1989 e 1998. 
Sendo assim, é extremamente necessária uma regulação do mercado explorador dessa iguaria. Primeiramente, com estudos sobre as populações desses países que agora são os maiores exportadores. Pois ao que parece, este ritmo de exploração é insustentável para esses animais em estado selvagem. É tão impressionante, que devido a falta de pesquisa nesses países algumas espécies que não são conhecidas pelos pesquisadores estão sendo extintas pela superexploração. E segundo, a regulamentação de leis procedência desses animais para importação, a criminalização da venda de rãs que não forem de cativeiro deve ser uma das medidas de controle desse prática.
Bem, agora somente com mais pesquisa é que poderemos saber qual o real peso de cada interferência humana nos eventos de extinção em massa de anfíbios. Pois a situação desses animais é extremamente preocupante.

Referências:
Ian G. warkentin, David Bickford, Navjot S. Sodhi, and Corey J. A. Bradshaw. 2009. Eating frogs for extiction. Conservation Biology. Published Online: Feb 6 2009 4:51PM DOI: 10.1111/j.1523-1739.2008.01165.x
Kusrini, M. D. R. A. Alford. 2006. Indonesia’s exports of frogs’ legs. Traffic Bulletin 21 :13-24. Link para o artigo.

 

Anfíbios, pesticidas e fertilizantes: Uma interação complexa

A algum tempo cientistas de todo mundo têm observado um desaparecimento de várias espécies de anfíbios. Muito tem sido discutido sobre as causas destes fenômeno de extinção em massa. Até o aquecimento global já foi sugerido como possível causa.

Em um outro contexto, mas ainda falando sobre anfíbios, cientistas têm relacionado o uso de pesticidas com o supressores imunológicos. Ao analisarem brejos próximos a fazendas, foi encontrado uma maior incidência de animais infectados por fungos patogênicos, quando comparados com brejos sem a influência de fazendas (ScienceNOW).

Recentemente, pesquisadores da Universidade de Illinois observaram uma outra influência negativa das fazendas sobre os anfíbios. Eles observaram que fertilizantes usados nas plantações e que eram lixiviados até brejos próximos estimulavam o crescimento algal destes corpos d’água. Entretanto, estas algas servem de alimento para caramujos que são fonte alimentares dos anfíbios. Só que, quanto mais caramujos, maiores são as chances deles serem infectados por platelmintos chamados trematodos. Estes vermes parasitas de caramujos aumentam a mortalidade dos anfíbios. Isto ocorre, pois ao se alimentar destes animais contaminados, os anfíbios são infectados pelos vermes. Eles afetam os rins dos anfíbios, além de deformar seus membros.

Assim o sistema imunológicos debilitado por causa dos herbicidas e a maior densidade de trematodos (causada indiretamente pelos fertilizantes) atuam em conjunto na maior mortalidade de anfíbios. Assim, não basta desenvolvermos medidas de mitigação somente para pesticidas (o que é mais óbvio), mas devemos agora levarmos em consideração a possível influência dos fertilizantes no ambiente natural.

Fonte: ScienceNOW

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