Quem é o “descobridor” da teoria da evolução?

Um dos fatos históricos mais comentadas quando estamos falando de Teoria Fato da Evolução é a discussão de quem seria o verdadeiro “descobridor” do mecanismo pelo qual as espécies evoluem. Por algum motivo gostamos de rotular pessoas, criar heróis ao invés de entender o processo histórico. Vide a discussão “Porque Darwin não descobriu as leis de Mendel?“. Existem vários artigos dedicados especificamente a discutir a possível rixa Darwin-Wallace. Muitos argumentam que Darwin foi o único a ser reconhecido publicamente como “Pai da teoria da evolução” pelo seu grande poder aquisitivo, o que realmente não era pouco. Segundo levantamentos recentes ele teria deixado um patrimônio de 20,5 milhões de dólares. Outros falam sobre a grande pressão que Hooker, Asa Gray e Lyell teriam feito para Darwin publicar o mais rápido possível o seu livro assim que eles descobriram a famosa carta de Wallace onde foi descrita uma teoria muito parecida com a proposta por Darwin. Quem trabalha com ciência sabe que essas pressões por publicação e autoria são comuns e que isso não indica um desvio de carácter. O interessante neste contexto é o espanto que o próprio Darwin mostrou depois de ter contato com as ideias de Wallace.

Down Kent Bromley

18 de junho

Meu caro Lyell

Há mais ou menos 1 ano atrás, você me recomendou ler um artigo de Wallace nos anais [da Sociedade Lineana], que lhe interessou e como eu estava escrevendo para ele, eu sabia que isso iria lhe agradar muito, então eu lhe disse. Ele enviou-me hoje o anexo e me pediu para enviá-lo para você. Parece-me que vale a pena a leitura. Suas palavras que eu deveria me prevenir tornaram-se realidade. Você disse isso quando eu expliquei aqui muito brevemente a minha opinião de “Seleção Natural”, dependendo da luta pela existência. Eu nunca vi uma coincidência mais impressionante. Se Wallace tivesse meu esboço escrito em 1842, não poderia ter feito um resumo melhor! Até seus termos constam agora nos títulos dos meus capítulos. (…)

Trecho de uma carta escrita por Darwin para Lyell
Fonte: Darwin Correspondance Project

“Down Bromley Kent
4 de julho – 1858

Meu querido Gray

(…)

Wallace, que agora está explorando-Nova Guiné, enviou-me um resumo da mesma teoria [Seleção Natural], a maioria, curiosamente coincidente até mesmo em expressões. E ele nunca poderia ter ouvido uma palavra do meu ponto de vista. Ele dirigiu-me a enviá-lo para Lyell .- Lyell que está familiarizado com a minha consulta ao Hooker, (que leu uma dúzia de anos atrás, um rascunho longo escrito em 1844) me pediu com muita gentileza para eu não deixar de ser prevenido e que lhes permita publicar junto com o artigo de Wallace um resumo da minha [teoria]; e como a única coisa breve que eu havia escrito era uma cópia de minha carta para você, que mandei-o e, creio eu, acaba de ser lido, (embora nunca tenha sido escrita ou feita para este propósito) (…).”

Trecho de uma carta escrita por Darwin para Asa Gray
Fonte: Darwin Correspondance Project

Polêmicas históricas a parte, hoje em dia todos sabemos que o Fato da Evolução deve ser descrito tendo como base uma co-autoria Darwin-Wallace. É assim que o trabalho destes dois naturalistas foi lido perante a Sociedade Linneana e é reconhecido até hoje pela mesma sociedade. Em um especial recente a própria Sociedade coloca Darwin e Wallace na capa com o subtítulo “Teoria da evolução de Darwin-Wallace”. Então o problema da autoria está resolvido? Não. Muitos questionam a ordem da co-autoria. Ao invés de “Darwin-Wallace” vários autores defendem que Wallace deveria ser o primeiro autor e levantam os motivos do possível preterimento. Eu já falei um pouco sobre estes motivos no post “Alfred Wallace – O evolucionista esquecido“.

darwin-wallace-evolucao.jpg

A eterna questão da autoria. Crédito: Research School of Biological Sciences

Acho que o argumento final para esta discussão está em escutar a pessoa que seria a mais prejudicada no caso. Vamos tentar fazer uma comparação com um exemplo fictício. Duas pessoas publicam um artigo e, por vários motivos, dizem que o segundo autor (ou autora) do artigo é o que realmente trabalhou e desenvolveu a ideia principal do artigo. O segundo autor tem um passo triste, veio de uma família pobre e tinha que vender parte do próprio material de pesquisa para sobreviver. O primeiro autor é uma pessoa rica, que nunca trabalhou na vida. Começa então uma grande polêmica que gera vários teorias conspiratórias. Para acabar com essa polêmica, jornais e revistas procuram o segundo autor e pedem que ele fale sobre o caso. No dia seguinte todos os jornais publicam a notícia de que o segundo autor confirma que eles tiveram a mesma ideia em lugares distintos, mas que o primeiro autor foi o que realmente desenvolveu a teoria, merecendo ser primeiro autor do trabalho.

Em escala menor sem os recursos midiáticos foi mais o menos o que aconteceu com Darwin e Wallace. Além de Wallace ter dado o nome de “Darwinismo” a um dos seus livros pós “Origem das espécies”, outra prova nos indica que ele mesmo defendia que Darwin teria uma contribuição muito grande para o desenvolvimento da teoria. Após a leitura perante a Sociedade Lineana, os artigos de Darwin e Wallace foram publicados. Wallace fez algumas anotações na sua cópia dos artigos, que hoje em dia se encontram no Museu de História Natural de Londres.

100_4196
Cópia dos artigos publicados pela Sociedade Lineana que pertenceram a Wallace. Anotações feitas por Wallace na página da direita. Crédito: darwinsbulldog

Para facilitar a leitura segue abaixo a transcrição do que foi escrito por Wallace na sua cópia dos artigos (tradução livre):

1860. Fevereiro

Depois de ler a admirável obra de Darwin “A Origem das Espécies”, acho que não há absolutamente nada aqui que não esteja em quase perfeita concordância com os fatos e opiniões deste cavalheiro.

Seu trabalho porém toca e explica em detalhes vários pontos que eu mal tinha pensado – como as leis de variação, a correlação do crescimento, a seleção sexual, a origem dos instintos e dos insetos neutros, e a verdadeira explicação de afinidades embriológicas. Muitos de seus fatos e explicações na distribuição geográfica são também completamente novo para mim e do mais alto interesse.

Nada poderia ser mais simples e direto. Wallace reconhecia de forma notória que Darwin desenvolveu muito mais sobre a evolução das espécies do que ele próprio. Não que isso tire os méritos de Wallace, mas não podemos também diminuir o papel de Darwin. Wallace foi um naturalista muito importante não só para o desenvolvimento do pensamento evolutivo mas para vários outras áreas da biologia como taxonomia e biogeografia (Wallace é chamado por muitos estudiosos de “Pai da geografia animal”).

Não podemos fechar os olhos para o legado de Wallace, mas temos que fazer jus a grandiosidade de Darwin para o Fato da evolução.

Palestras sobre Darwin e evolução

Em 1959 foi comemorado o centenário de publicação do livro mais famoso de Charles Robert Darwin, chamado por nós de forma resumida de “A Origem das espécies”. Para marcar esta data matematicamente curiosa (porque 99, 101 ou 103 anos não faz a mínima diferença em termos de importância) foi organizado na Universidade de Chicago uma grande conferência. Dentre os palestrantes nomes que vemos em todos os livros texto sobre evolução como Julian Huxley, Theodosius Dobzhansky, Ernst Mayr e G. G. Simpson. Rolou até a composição de músicas especialmente para o evento que foram apresentadas em uma espécie de musical, dentre elas “I was born, my friends–Darwin“.

Mesa_evento_Darwin_1959_Mayr.jpgBela mesa “redonda” realizada na conferência em 1959. Fonte: Darwin/Chicago 2009

Cinquenta anos depois o pessoal da Universidade de Chicago resolveu repetir a dose e realizar um grande evento para comemorar os 150 anos de publicação do famoso livro. Ele foi realizado em outubro do ano passado mas só agora os vídeos das palestras foram colocados no ar. Dentre os palestrantes deste ano posso destacar Richard Lewontin, Douglas Futuyma, Jerry Coyne, Daniel Dennett, Neil Shubin e Michael Ruse. Claro que é covardia comparar com o pessoal de 1959, mas o evento do ano passado merece ser assistido. Por algum motivo os organizadores preferiram disponibilizar as palestras em arquivo .mov para serem baixadas do site e não colocar em um youtube ou outro site genérico. Mas assim pelo menos facilita baixar e salvar para futuras consultas. Lembro que os vídeos das palestras do Lewontin e Numbers ainda não estão no ar devido ao tamanho, como explicou Jerry Coyne em seu ótimo blog “Why evolution is true“.

Resenha: Richard Dawkins – O maior espetáculo da Terra

richard_dawkins_capa_livro.jpgPara quem nunca leu um livro de divulgação científica de Richard Dawkins e apenas conhece este biólogo queniano (sim, ele nasceu no Quênia) pelas críticas fervorosas ao seu livro mais midiático intitulado “Deus, um delírio” (Companhia das letras, 2007) e pelo seu famoso bom humor, uma recomendação: Comece sua trilha através do seu último livro “O maior espetáculo da Terra” (Companhia das letras, 2009). Neste livro, toda a destreza de um dos maiores divulgadores de ciência de todos os tempos é demonstrada, através de uma argumentação simples, direta e convincente. Considero esta mais recente empreitada de Dawkins como uma aula por escrito, onde o leitor/aluno sente-se preso ao escritor o tempo todo, até o último parágrafo, como em toda boa aula.

Claro que para leitores mais acostumados com a escrita Dawkiniana, o estilo sarcástico e divertido do autor não podem ser considerados como “grandes novidades”. Mas neste livro podemos encontrar várias cartas na manga, o que o torna uma leitura interessante para todos os públicos, mesmo os fissurados por biologia e, principalmente, evolução. Então vamos começar do princípio, com o objetivo do livro. Mais uma vez, Dawkins coloca um grande objetivo por trás de um dos seus projetos. Este é colocado de forma clara na contracapa de “O Maior espetáculo da Terra”:

“A evolução é um fato, e este livro o demonstrará. Nenhum cientista que se preze o contesta, e nenhum leitor imparcial fechará o livro duvidando disso.”

Richard Dawkins – O maior espetáculo da Terra, 2009 (contracapa)

Para quem acompanha o autor, este objetivo claro e forte em relação aos leitores não é novidade em um livro de Dawkins. Comparem com esta frase do seu livro “Deus, um delírio”:

“Se este livro funcionar do modo como espero, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem.”

Richard Dawkins – Deus, um delírio, 2007 (divulgação)

Com toda a certeza a previsão feita no livro mais recente é mais factível do que em relação aos leitores religiosos. Desentendimento com religiosos a parte, o fato da evolução é defendido por grande parte dos crentes em algum tipo de religião, descontando os mais fanáticos. Desta forma, tenho certeza que grande parte das pessoas fechará “O maior espetáculo da Terra” sem dúvidas sobre o fato da evolução.

Dentre os vários pontos altos deste livro posso citar a interessante crítica ao uso do termo “teoria” para se referir tanto a evolução quanto ao criacionismo, no capítulo intitulado “Apenas uma teoria?”. Uma busca rápida no google com o termo em português “teoria do criacionismo” resulta em quase 80.000 entradas, que podem ser encontradas em grandes jornais e até em sítios educativos como “Brasil escola” e “Mundo educação”. O que mostra a importância desta discussão. Exemplos do poder da seleção artificial como no caso da pesquisa feita com lobos na Rússia, associados a evolução “Bem diante dos nossos olhos” dos experimentos de longa duração com E. coli feitos por Richard Lenski, mostram ao leitor que a evolução está longe de ser “apenas uma teoria”. O trabalho de mais de 20 anos realizado por Lenski é tão emblemático que foi descrito ao longo de quase 20 páginas do livro e também foi lembrado pelo Breno aqui no blog no início do ano passado. Vale ressaltar outro ponto interessante do livro que é a relevante discussão sobre o que os criacionistas consideram como os “furos” da evolução no capítulo intitulado “Elo perdido? Como assim, ‘perdido’?”. Os “elos perdidos” estão mais “achados” do que muita gente imagina.

Um ponto curioso do livro está no parágrafo em que Dawkins faz uma coisa um pouco incomum em seus textos, que é uma “autocrítica” bem humorada, que resultou em boas risadas quando li:

“Quando a teoria neutra da evolução molecular foi proposta pela primeira vez, entre outros pelo grande geneticista japonês Motoo Kimura, ela era polêmica. Hoje muitos aceitam alguma versão desta teoria, e, sem esmiuçar as evidências aqui, irei aceitá-la neste livro. Dada a minha reputação de “arquiadaptacionista” (alegadamente obcecado pela seleção natural como a principal e até única força propulsora da evolução), o leitor pode ter confiança de que, se até eu apoio a teoria neutra, é improvável que muitos outros biólogos oponham-se a ela!*

*Já fui, inclusive chamado de “ultradarwinista”, um motejo que considero menos insultante do que talvez tivesse em mente quem o proferiu.”

 Richard Dawkins – O maior espetáculo da Terra (Páginas 311-312)

Claro que este parágrafo não foi uma verdadeira “crítica”, como as que tomaram conta até de um livro inteiro, intitulado “The Selfish Genius: How Richard Dawkins Rewrote Darwin’s Legacy” da especialista em “comunicação da teoria da evolução”(?) Fern Elsdon-Baker. O livro ainda não foi publicado no Brasil, mas já trouxe bastante controvérsia lá fora. Acho que o Dawkins é um pouco avesso a “novidades”, como demonstra na página 204 ao chamar a “Epigenética” de “…um termo pomposo atualmente gozando dos seus 15 minutos de fama na comunidade biológica“, mas nada disso pode manchar a sua importância como divulgador do legado de Darwin, Wallace e muitos outros evolucionistas.

“O maior espetáculo da Terra” não termina nesta discussão. Dawkins passa ainda por embriologia, movimento dos continentes, críticas diretas ao que ele chamou de “Design desinteligente”. E ainda existem dados de pesquisas alarmantes da influência do criacionismo na população da Europa e dos EUA, no apêndice “Negadores da história” (ótima analogia, como a utilizada atualmente para descrever os antigamente rotulados “céticos do clima”).

Para fechar esta resenha gostaria de compartilhar um parágrafo que pareceu um pouco perdido no meio do texto, mas que me despertou para a importância da divulgação científica como um todo. É uma ideia simples, mas parece que muita gente não pensa desta maneira:

“Causou-me certa irritação ler um folheto, no consultório do meu médico, alertando sobre o perigo de parar de tomar comprimidos de antibiótico antes do tempo prescrito. Não há nada de errado no aviso em si, mas a justificativa apresentada preocupou-me. O folheto explica que as bactérias são ‘expertas’ e aprendem a lidar com antibióticos. Presumivelmente os autores acharam que o fenômeno da resistência aos antibióticos seria mais fácil de entender se eles o chamassem de aprendizado em vez de seleção natural. Mas falar em esperteza e aprendizado para bactérias é confundir o público, e sobretudo não ajuda o paciente a compreender por que ele deve seguir a instrução de continuar tomando comprimidos até o fim. (…) Folhetos como aquele da sala de espera do meu médico não ajudam nessa educação – uma lamentável oportunidade perdida de ensinar algo sobre o formidável poder da seleção natural”.

Richard Dawkins – O maior espetáculo da Terra (Página 130)
Muita gente por aí acha que o público precisa de informação, não importa como e em qual formato ela chegue ao público. Sinto isso principalmente com os ambientalistas em geral. Dizem que devemos “erotizar” a informação, travesti-la de uma roupagem que faça com que as pessoas se interessem mais. Na maioria dos casos, como exemplificado por Dawkins, uma informação passada de forma simples demais, travestida para ser mais palatável, pode trazer mais problemas do que soluções. Passar a informação de forma simplificada mas sem subestimar a inteligência do nosso público alvo não é fácil. Mas nunca, jamais este objetivo deve ser transfigurado. Precisamos atingir um maior público, mas sem perder a qualidade da informação. E neste sentido, Richard Dawkins dá uma aula em “O maior espetáculo da Terra”.

Biografia de Darwin em quadrinhos

Darwin: A Graphic Biography

A biografia de Darwin não só foi transformada em quadrinhos de alta qualidade, como foi distribuída de graça (claro que apenas na Inglaterra). O texto é de Eugene
Byrne e o desenho de Simon
Gurr, totalizando 100 páginas de conteúdo. No sítio do desenhista podemos ver como funciona a distribuição dos quadrinhos, que incluiu livrarias e museus como distribuidores. Abaixo podemos ver uma página da biografia, registrando uma conversa entre o Dr. Robert Waring Darwin (mais conhecido como pai de Darwin) e Charles em sua juventude, discutindo sobre o rumo profissional do futuro naturalista. Robert insiste que seu filho deve se tormar um sacerdote. Argumenta que ele teria tempo para fazer outras amenidades, como pegar besouros e caçar (passatempos preferidos de Charles).

 
Robert Darwin's career advice

Para ver outras páginas da biografia de Darwin em quadrinhos, visite o flickr do desenhista.

Fonte: The Beagle Project Blog

Especial da Sociedade Lineana sobre Darwin e Wallace


Capa do número especial

No ano passado comemoramos 150 da leitura perante a Sociedade Lineana de um texto que é pouco conhecido pelo público em geral. Ele reunia o artigo de Alfred Wallace “Sobre a tendência das variedades a afastarem-se indefinidamente do tipo original“, techos do “A Origem das espécies” de Darwin e uma carta de Darwin a Asa Gray (botânico norte-americano) de 1857 comprovando que as conclusões de Wallace e Darwin sobre a origem das espécies foram feitas de forma independente. A leitura deste texto por Charles Lyell e JD Hooker foi realmente um marco histórico.

Em comemoração aos 150 anos da Teoria da evolução de Darwin e Wallace a mesma Sociedade Lineana preparou um número especial que está disponível de forma gratuita (clique aqui para baixar o pdf). Além do texto original lido perante a sociedade há 150 anos atrás, temos uma reunião de vários artigos sobre a vida e obra de Wallace e Darwin. Particularmente interessante são os artigos relacionados a Wallace, sempre bem vindos em uma situação de certa escassez de material sobre este grande naturalista. Este realmente não é apenas mais um especial lançado este ano sobre Darwin. Vale a pena a leitura completa.

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM