Bate-papo com um cientista: ciência, vida e poesia

Prof_Kleber_UFU_entrevista

Prof. Kleber Del Claro durante a entrevista ao projeto “Tubo de Ensaio”

 

É engraçado como às vezes tropeçamos com coisas na internet. A maioria delas você vai esquecer no dia minuto seguinte, outras não. Com certeza o vídeo abaixo faz parte das coisas que você têm que assistir e repassar para o maior número de pessoas possível.

Não consegui achar muitas informações, mas a entrevista/documentário abaixo faz parte do projeto “Tubo de Ensaio”, composto por 12 vídeos com cientistas da Universidade Federal de Uberlândia. O interessante é que não é uma entrevista burocrática onde o cientista fala somente sobre seus dados e de como podemos salvar a humanidade através do conhecimento científico. A entrevista mostra o lado humano do pesquisador e faz com que os 28 minutos de duração passem bem rápido. A ideia do programa lembra muito a iniciativa do vizinho Rafael, o diaLOGOS. Fugir do estilo tradicional de entrevista e buscar uma maior humanização e interação do cientista com a sociedade. Uma pena que a iniciativa do Rafael não foi financiada no portal Catarse, mas tenho certeza que ela não será esquecida!

Uma descrição legal do projeto Tubo de Ensaio eu encontrei no blog Paiol d´Ideias:

De forma direta esta é a função do programa “tubo de ensaio”: deixar que o conhecimento siga seu destino, não fechar-se em si. A troca proporcionada pelo encontro entre ciência e arte acontece nos três principais campos do conhecimento [humano,biomédico e exato], o que enriquece em muito as discussões sobre o presente, passado e futuro da sociedade e os reflexos de suas ações. É necessário que saibamos o quanto a ciência tem a contribuir, não apenas como sociedade enquanto conhecimento, mas também como ativo modificador da realidade cultural e artística da cidade.

De forma poética, humana e partindo de estéticas menos convencionais, o programa propõe abordar o ser humano cientista como aquele ser que pensa não apenas tecnicamente, mas também filosófica, artística e socialmente.

Registrar de forma documental foi deixar a história construir-se por si. Que os elementos surgissem de forma limpa e natural, abrindo possibilidades para resultados muito menos esperados. O acaso, principal elemento da arte e, por que não dizer, parte considerável dentro da construção cientifica.
A ciência em forma de pesquisa, a vida em forma de pesquisador, a poesia recitada pelas lentes da câmera.

 

O único vídeo que eu encontrei da série foi feito com o Prof. Kleber Del Claro, do Laboratório de Ecologia Comportamental e de Interações da UFU. Tive o prazer de conhecer o Kleber na banca de doutorado da minha esposa e ele é uma figura sensacional. Além de um cientista competente, consegue transformar qualquer assunto científico em um verdadeiro papo de bar. O que para mim é um pré-requisito para a divulgação científica.

 

 

Uma pena que apenas esse vídeo foi disponibilizado (aparentemente de forma não oficial). Se alguém conhecer mais o projeto por favor deixe um comentário. Com certeza os outros vídeos merecem ser divulgados. Alguns dados extras sobre o projeto:

Carlos Segundo [direção e fotografia]
Paulo dos Santos [direção e produção]
Umberto Tavares [apresentação e produção].
Guimarães Lobo [comunicação]

Entrevistados:
Profª. Drª. Beatriz R. Soares; Prof. Dr. Alberto Martins; Prof. Dr. Guimes R. Filho; Prof. Dr. Eduardo Takarashi; Prof. Dr. Alcimar B. Soares; Prof. Dr. João Marcos Alem; Profª. Drª. Sandra A. De Amo; Prof. Dr. Antonio Eduardo; Prof. Dr. Carlos Henrique; Profª. Drª. Elise B. Mendes; Prof. Dr. Kleber Del Claro; Prof. Dr. Julio Penna; Profª. Drª. Luciana Arslan

Continuando a questão “Malafaia”: um imbecil!

Como já levantamos nestes blog, a participação da Malafaia no programa de Marília Gabriela trouxe à tona o que este indivíduo prega como sendo “religião”.

No vídeo abaixo temos os comentário de Izzynobre sobre a “resposta”do pastor pseudo cientista.

 

Como o Izzy disse, no mínimo, o pseudo pastor deve ter mandado um “rebanho” de pseudo cientistas que frequentam sua igreja para fazer um resumão:

-Porra, faz um resumão aê para eu poder responder ao geneticista…

-Mas pastor, teremos que explicar o método científico, e assim, acho que as pessoas vão concordar com ele!

-Porra! Pode deixar que eu saco dessa merda e tudo o que eu fala as pessoas acreditam. Ciência é o caralho…

Desculpem o palavriado, porém só assim para tentar entender como se deu a montagem do roteiro do vídeo do pseudo pastor cientista.

Obrigado Izzy, por dar uma ótima contribuição no esclarecimento ao pessoal do que é uma teoria e o que é uma hipótese! Coisa que o pseudo pastor cientista tem grave dificuldade de entender.

Por fim, o engraçado é que ele pede provas científicas para o Eli, para que o que ele disse seja caracterizado como uma “verdade científica”. Mas e as provas para existência do que ele prega? Para isso não precisa de “verdades”? Se meter no que os outros fazem em suas vidas privadas precisa, agora, para o que ele ganha dinheiro falando, não?

Esse é o comportamento típico dessas pessoas. Os outros tem que provar “cientificamente”o que estão falando. Mas as porcarias dos “líderes espirituais” não. Basta o que esta “comprovadamente” declarado na bíblia.

É neste contexto, que eles vão passar vergonha sempre. Pois, qualquer cientistas  já está craque em argumentar com base em dados empíricos.

A resposta do cientista ao pastor: mais um exemplo do mundo em que vivemos

Muita polêmica foi gerada com a entrevista do Silas Malafaia para o prgrama da Marília Gabriela. Todos temos direitos de nos expressarmos, porém sem que isso ofenda alguma outra pessoa ou grupo. Neste contetxo, o perigo mora quando alguém tenta travestir um discurso de liberdade de expressão com propagação de ódio.

Além disso, o uso de uma suposta “base científica” para determinadas afirmações e a malandragem de associação com grupos tais como assassinos ou criminosos, demostram inegavelmente a má fé deste argumento.

Ainda, afirmar “nenhuma das verdades científicas da bíblia foi derrubada” só nos mostra o nível raso da discussão. Quais verdades científicas? É necessário que a Bíblia seja comprovada cientificamente? Isso faria os religiosos serem mais religiosos? Não basta eles crerem?

Acredito que o Eli Vieira tenha divulgado este vídeo não para esfregar ciência na cara do Silas, mas sim para demonstrar que não basta você discussar como se tivesse dominasse os temas soltando dados núméricos, é preciso saber do que está falando. É preciso ter se dado ao trabalho de pelo menos ler o artigo científico, pois fica claro que se tivesse lido, saberia interpretar os dados de maneira melhor.

Na própria carta de resposta do Silas para o Eli, a primeira coisa escrita foi um ataque a sexualidade do cientista. Mais um fator que demonstra a insegurança e a aversão a opinião contrária que o lider religioso possui. Não se mantém uma argumentação atacando a vida pessoal do outro. O que vai mudar a orientação sexual do outro? Isso influencia na veracidade dos argumentos de alguém? Por ele se denominar pastor, seus argumentos teriam mais confiabilidade do que de uma pessoa normal?

Por fim, me pergunto, porque cuidamos tanto da vida dos outros? O cara quer ir a Igreja? Vá! O cara que ser Punk? Seja! O casal gosta de swing? Vai para a suruba. O individual hoje em dia é coletivo.  Esses sistemas de controle que sismam em querer encaixar a gente na dita normalidade. O problema é termos a maldita pretensão de que podemos escolher o melhor para os outros, sendo que muitas das vezes não sabemos nem escolher para nós mesmos.

 

A Proibição do uso das sacolas plásticas: polêmica nacional

Diante desta polêmica do banimento das sacolas plásticas nos mercados de São Paulo, o assunto da “sustentabilidade” volta aos holofotes da mídia. Neste sentido apresento aqui uma restrospectiva dos posts que acho interessantes sobre esse assunto.

No site da Pesquisa FAPESP, já em outubro de 2008, apontava pesquisas de um grupo paulista, nas quais era testada a ineficácia dos plásticos oxibiodegradáveis.

No Coluna Zero, nosso colega Bruno destrincha muito bem a falácias das Ecobags em um post bastante inspirado.

No Ecodesenvolvimento, a Cláudia Chow discute muito bem o uso do BIOPLÁSTICO e o papel das grandes empresas em busca de um identidade “verde”.

Aqui, no Discutindo Ecologia, Luiz publicou um post que é quase um manifesto a favor do USO DAS SACOLAS PLÁSTICAS. E, por fim, eu escrevi este post em que um pesquisa indica que sacolas de papel e de plástico oxidegradáveis, podem ser mais poluentes que sacolas plásticas ao levarmos em conta toda a via de produção, uso e descarte.

A conscientização e a divulgação de todos os PRÓS e CONTRAS do uso das sacolas plásticas é o grande ponto em comum em todos estes textos. Este fato se torna ainda mais importante quando em um programa como o fantástico apresenta um especialista em sustentabilidade ensinando a fazer “sacolinhas em dobradura de papel” para serem colocadas em lixos de banheiro e cozinha. Como somos ingênuos… Realmente, a solução era o jornal e ninguém tinha se dado conta disso.

Mais uma vez usamos premissas errradas para tomarmos atitudes erradas. Como a ídeia genial de proibir a garupa em motos, pois isso diminuiria os crimes cometidos por motoqueiros, visto que são os caronas que assaltam. Gênio! Premissa errada, ação errada e a não resolução do problema.

Vamos observar como se dará o andamento desta lei e seus desdobramentos no cotidiano das pessoas.

Desistir dos pandas? Não, salvar algo mais importante

ARKive species - Purple frog (Nasikabatrachus sahyadrensis)

Você daria dinheiro para salvar a rã púrpura da Índia? Ela está ameaçada de extinção.

ResearchBlogging.orgMuita gente pode ficar chocada ao ler o título deste post, mas um artigo publicado recentemente no periódico Conservation Biology traz revelações interessantes sobre uma ideia que eu levantei em 2009. No post “Salvem as lampréias!” eu comentei como espécies “feias” ameaçadas de extinção são normalmente deixadas de lado por ambientalistas, que preferem sempre bichos “fofos” como urso polar e pandas para dedicarem seu esforço e dinheiro. Em uma análise crítica, usei o argumento da triagem para mostrar que devemos ser mais realistas em relação a este tema, levando em consideração que em um mundo onde o dinheiro para a conservação das espécies é finito, temos que tomar decisões. É a difícil escolha sobre quais espécies devem receber mais esforços para serem salvas. Então não estaríamos deixando os pandas morrerem, mas apenas investindo o esforço limitado que temos para salvar algo mais importante. Alguém poderia me perguntar: “Mas como decidir o que é mais importante?” Realmente não é uma tarefa fácil. Existem vários estudos tentando estabelecer uma escala de importância ecossistêmica das espécies, tentando diferenciar quais seriam mais relevantes dentro do seu contexto ecológico. Mas claro que não é nada simples. Mas para isso ser realmente levado em consideração temos que dar uma passo a frente na discussão.

O pesquisador Murray Rudd fez uma pesquisa por email com 583 cientistas da área de conservação, escolhendo apenas pessoas que publicaram artigos em periódicos internacionais revisados por pares. Dentre vários dados interessantes, o que mais chamou a atenção da grande mídia (todos gostam de polêmica, não é?) está ligado a triagem. Segundo o estudo, 60% dos entrevistados responderam ser a favor ou fortemente a favor da triagem, que é a escolha de quais espécies devem ser priorizadas para a conservação. Em uma entrevista ao jornal The Independent, Rudd fez uma declaração interessante sobre o resultado da pesquisa:

 

“Ao considerar os valores de conservação e prioridades os cientistas disseram que compreender as interações entre as pessoas e a natureza era uma prioridade para a manutenção de ecossistemas. No entanto, eles largamente rejeitaram  razões culturais ou espirituais como motivações para a biodiversidade biológica. Eles também rejeitaram ‘utilidade humana’, sugerindo que muitos não têm pontos de vista utilitarista dos serviços dos ecossistemas”

 

Esta frase é interessante pois um dos argumentos mais utilizados pelos ambientalistas para tentarmos salvar todas as espécies é de que a extinção delas é culpa do homem e que todas tem um valor intrínseco, tendo o “direito de viver”. Esta posição é muito bonita no papel e no discurso, mas não é nada realista. Um argumento interessante para não deixar de lado as espécies “bonitas” apenas por serem “bonitas” está na arrecadação de dinheiro para pesquisa. No pesquisa com os cientistas da área da conservação muitos disseram que se usarmos apenas a lógica para escolher quais espécies devem ser prioridade de conservação muitas pessoas podem parar de doar dinheiro, pois querem que o mesmo seja investido na conservação do urso polar e não das lampreias. Este argumento pode até ser verdade, mas não deixa de ser muito triste. Podemos até perder dinheiro para conservação das espécies, mas pelo menos o debate sobre isso poderá trazer um ponto de vista mais crítico para a sociedade.

A referência está logo abaixo, mas quem quiser o artigo completo é só ir direto para o site da Conservation Biology. Ele foi publicado de forma aberta, como toda a ciência deveria ser feita.

 

Referência:

RUDD, M. (2011). Scientists’ Opinions on the Global Status and Management of Biological Diversity Conservation Biology, 25 (6), 1165-1175 DOI: 10.1111/j.1523-1739.2011.01772.x

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