Recurso renovável, pero no mucho

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Venda de atum em um mercado japonês. Crédito: Wikimedia commons

Alunos do curso de graduação em Ciências Biológicas tem que estudar temas que vão desde microbiologia até Ecossistemas e nem sempre conseguem uma resposta fechada para todas as perguntas que podem ser geradas dentro desse espectro. Muitas vezes temos que apreender na marra que nem tudo é 8 ou 80 em Biologia e, quando estamos tratando de Ecologia, o buraco pode ser bem mais embaixo.

Um destes tópicos é a classificação de recursos em renováveis e não renováveis. Na teoria tudo parece bem simples, mas quando começamos a pensar na prática vemos que existem muitas exceções à regra. Um exemplo que foi tratado pelo pessoal do Geófagos é o da água. O ciclo hidrológico parece perfeitamente renovável, mas muitas vezes podemos dar uma ajudinha e acabar quebrando o ciclo renovação. Outro exemplo é o das nossas presas, mais especificamente os recursos pesqueiros. Na teoria este seria um recurso renovável, já que os peixes ocorrem em grande quantidade nos oceanos e se reproduzem de forma relativamente rápida. Bem, seria assim se não fosse pela nossa grande habilidade de desregular os sistemas ecológicos.

Um dos principais problemas para a manutenção do estoque pesqueiro está na pesca ilegal que retira anualmente cerca de 5 milhões de toneladas de peixes por ano da nossa área costeira. Pesca feita de forma descontrolada pode diminuir e muito o estoque de algumas espécies, se tornando um risco para a sua manutenção. O problema é tão grande que no final do ano passado o Governo Federal lançou o Programa Nacional de Combate a Pesca Ilegal. Segundo informações do Ministério do Meio Ambiente e da Pesca, o foco será na fiscalização, mas também na conscientização dos pescadores por meio de campanhas públicas. Outro ponto importante é o da conscientização da população em geral sobre o pescado vendido no Brasil. Muitas das espécies frequentemente encontradas em mercados e em peixarias estão sobre-exploradas, ou seja, seus estoques estão se reduzindo, chegando até a possibilidade de se esgotarem. E é aí que entra a inventividade do pós-graduando brasileiro.

Cansado de ler artigos científicos sobre o tema e ver que eles nunca seriam lidos pelas pessoas fora da torre de marfim da academia, o Fernando Tuna (belo nome para quem trabalha com peixe, hein?) que é biólogo da UFRJ e atualmente cursa Mestrado em Biologia Marinha na UFF e MBE executivo em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ resolveu tomar uma atitude. Porque não traduzir os artigos científicos mais recentes que tratam de estoque pesqueiro de uma maneira amigável e prática, e de uma forma acessível para qualquer pessoa interessada? Daí surgiu a ideia do aplicativo Fish List.

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Imagina chegar em um mercado e ver que tem um peixe em promoção. Mas você não sabe se aquele peixe pode estar com o estoque reduzido e que a sua compra pode acabar estimulando a possibilidade dele se esgotar. O Fish list é um aplicativo simples, mas que traz informações que podem ajudar você a decidir sobre quais peixes comprar, trocar ou até mesmo recusar. As instruções para baixar o aplicativo podem ser encontradas aqui. A criação do aplicativo e da página do Facebook do projeto foram produtos do MBA em Gestão Ambiental do Fernando na COPPE/UFRJ. Uma ideia simples, mas que mostra como temos um oceano de informação na academia que precisa de uma ajuda de pessoas como o Fernando para conseguir ser realmente útil para toda a população.

Você conhece os museus brasileiros de ciência?

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Em viagens de turismo para o exterior costumamos sempre incluir museus em nossa agenda, mas visitar instituições que podem ficar bem perto da nossa casa é algo que sempre fica em segundo último plano. Os motivos para a baixa visitação dos museus brasileiros são muitos e, segundo pesquisas do Observatório de Museus e Centros Culturais (OMCC), eles podem variar desde problemas com transporte até violência. Para diminuir o problema do acesso físico aos museus, iniciativas como o Google Art project para museus internacionais e do Era Virtual para museus brasileiros são bem interessantes, mas ainda um pouco limitadas principalmente quando estamos falando de museus de ciência.

Como é difícil visitarmos uma instituição que não conhecemos, uma iniciativa da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), TV Escola – Ministério da Educação (MEC), Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e Fundação José de Paiva Netto (FJPN) resultou na criação de 52 documentários sobre diversos museus brasileiros, incluindo alguns com a temática científica. Os documentários têm 26 minutos de duração e estão sendo exibidos pela TV Brasil desde 2012. O mais legal da iniciativa é que todos os episódios da série estão disponíveis online e podem ser acessados tanto pelo site oficial quanto pelo canal no YouTube. Os museus de ciência contemplados pelo projeto são (clique no link para assistir ao documentário):

Em uma primeira edição – com perfil mais didático e voltada para servir de material em escolas – o Museu de Zoologia da USP e o Museu Paulista da USP também fizeram parte do projeto. Essa primeira edição conta com 15 museus e só está disponível no canal do YouTube. Tanto a primeira quanto a segunda edição estão disponíveis de forma completa (total de 67 documentários), mas infelizmente contam com um número baixo de visualizações.

Para mudar esta situação assista aos documentários sobre os museus de ciência brasileiros, curta e compartilhe com os amigos, e depois não deixe de conhecer fisicamente as instituições. Ciência faz parte da cultura e o papel destas instituições é muito importante na sua popularização.

Sobre beagles, ativismo e divulgação científica

Animal Use in Research - Brazilian Campaign

Cartaz de uma campanha da FAPERJ que eu registrei em um post de 2008.

Depois de um puxão de orelha do Takata e da recente mobilização dos blogs de ciência causada pela Mariana, não poderia deixar de dar os meus dois tostões sobre a invasão do Instituto Royal. Para saber mais sobre o que os blogueiros de ciência estão comentando sobre o assunto recomendo este post do Takata.

Para mim o evento que testemunhamos no último final de semana foi um sinal de como a ciência está completamente afastada da cultura, como muito bem destacou C.P. Snow no meio do século passado. E com certeza os maiores culpados por isso são os próprios cientistas. Boa parte deles não considera a divulgação científica relevante e acaba se fechando em um mundo isolado. Isso é inaceitável, ainda mais levando em consideração as ferramentas disponíveis na web que facilitam ainda mais o contato direto com a população. O resultado disso é que casos como o do Instituto Royal demonstram que os cientistas precisam de uma opinião pública crítica e que entenda como e porque a ciência é feita, já que são eles que financiam os estudos através dos impostos. Não podemos achar que assuntos delicados serão abraçados pela população sem que os cientistas sejam totalmente transparentes e didáticos sobre o que fazem e porque fazem. Lembro de um trecho do artigo do Ildeu de Castro institulado “A inclusão social e a divulgação de C&T no Brasil“:

 

“(…) Um dos aspectos da inclusão social é possibilitar que cada brasileiro tenha a oportunidade de adquirir conhecimento básico sobre a ciência e seu funcionamento que lhe dê condições de entender o seu entorno, de ampliar suas oportunidades no mercado de trabalho e de atuar politicamente com conhecimento de causa.”

 

Para uma atuação politica consciente levando em consideração que na sociedade moderna boa parte dos temas mais polêmicos são relacionados a ciência e tecnologia (aquecimento global, transgênicos, uso de células-tronco), a divulgação científica é a base para que todos tenham critérios na hora de dar o seu voto, participar de passeatas e até para discutir o assunto em redes sociais. Já discuti com alguns ativistas ambientais que não basta convencer as pessoas sobre a importância da sua causa de forma superficial. Os ativistas que ontem invadiram um instituto para salvar animais podem amanhã ser contra o uso de células-tronco, utilizando a mesma energia e pressão que utilizaram para o que muitos consideram uma “boa causa”. Divulgação científica é muito mais do que isso.

Acho sim que o ativismo animal é válido. Provavelmente sem eles não teríamos leis rígidas que regulam a experimentação animal, como a Lei Arouca no Brasil. Mas acho também que a invasão do instituto Royal aumenta mais ainda a distância entre ciência e sociedade. Assim como os cientistas devem se preocupar mais com divulgação científica, os invasores deveriam ter provas reais antes de uma atitude tão radical.  De acordo com uma reportagem da Record, os ativistas que começaram o protesto não tinham a intenção de invadir o prédio. Isso mostra que a invasão foi causada por uma histeria coletiva, devido ao calor do momento. Toda a discussão que surgiu após a invasão é um desdobramento positivo de uma atitude infeliz, que com certeza destruiu anos de pesquisas sérias. Todos os testes que com certeza causaram sofrimento aos animais (independente de seguirem a legislação) foram feitos em vão. Mesmo sem maus tratos sabemos que os animais sofrem com os testes e por isso temos que lutar para que isso seja minimizado, tanto em relação a percepção dos animais (analgésicos e tratamento adequado) quanto no número de animais necessários para uma pesquisa.

Temos atualmente um órgão responsável pela regulação do uso de animais em pesquisa. É o CONCEA. Todos os institutos que usam animais em pesquisa tem que ter uma autorização do CONCEA e devem passar por comissões de ética locais que avaliam o estudo antes dele acontecer. O CONCEA inclusive atuou na proibição do uso de animais pelo curso de medicina da UFSC, devido a provas de maus tratos. Não é perfeito, mas podemos cobrar mais atuação do CONCEA ao invés de destruir um instituto que aparentemente usa de forma correta animais em pesquisa. Iniciativas de divulgação científica sobre o assunto são aparentemente pequenas, mas posso citar um site interessante sobre ética na pesquisa. Pouco atualizado, mas mostra pelo menos uma tentativa de passar a informação de forma mais fácil para o público. Falta divulgação da iniciativa, já que eu só descobri o site depois da invasão do Instituto Royal.

Quanto aos beagles, realmente é difícil ser apenas racional. No meu caso o que me choca mais é o uso de macacos. Mas devemos lembrar que só uma pequena parte dos estudos é feita com animais de grande porte. E eles só são submetidos a medicamentos que tiveram sucesso em etapas anteriores em ratos e camundongos. Dados vazados pelo jornal da bandeirantes mostram que apenas 1,3% das pesquisas feitas no Instituto Royal eram para fins cosméticos. E em um pronunciamento oficial, a Dra. Silvia Ortiz afirmou que todas as pesquisas com cosméticos do instituto são feitas com cultura de células. Então o uso que é realmente questionável de animais em pesquisa feito pela indústria cosmética não era realizado no Instituto Royal, de acordo com as informações que temos até agora.

Não é um assunto fácil. Acho que os ativistas sérios são de grande importância para denunciar abusos e cobrar leis mais rígidas. Vamos brigar pelo uso mínimo de animais (pois vários testes ainda são insubstituíveis) e pelo desenvolvimento de testes alternativos. Para isso foi criada a Rede Nacional de Métodos Alternativos, que busca estimular e validar métodos alternativos de teste de medicamentos. Como o Pirulla discutiu em um vídeo, uma boa dica para os ativistas é buscar financiamento para pesquisas na área de métodos alternativos ou mesmo trabalhar diretamente nessa área. Com certeza seria uma grande contribuição para tentarmos diminuir ao máximo o uso de animais em pesquisa. Em um debate recente sobre o assunto, a Profa. Rita Leal Paixão da UFF declarou que temos que parar agora com todos os testes em animais para que isso estimule a criação de métodos alternativos. Acho que temos sim que estimular métodos alternativos, mas atitudes radicais como essa podem atrasar e muito avanços importantes na ciência e na medicina.

Como a Web 2.0 está mudando a ciência. Para melhor.

Ontem estive presente no Campus do Centro Universitário de Volta Redonda, no interior do estado do Rio de Janeiro, para falar um pouco sobre como as novas ferramentas da Web 2.0 estão mudando a ciência. Vou fazer neste post um pequeno resumo das ideias que tentei passar para o público. A mudança que a Web 2.0 pode causar na comunicação da ciência não é pequena e pode ser maior até do que a introdução dos periódicos científicos no século XVII. Talvez pela primeira vez iremos fazer uma divulgação científica verdadeira, onde não precisamos convencer o público que ciência é importante. O público atualmente pode participar ativamente tanto do financiamento de trabalhos científicos como da análise e produção de dados que servem como base para muitos artigos publicados recentemente.

A introdução dos primeiros periódicos em meados do século XVII trouxe várias vantagens sobre a forma como a ciência era comunicada até então. Cartas mantinham as descobertas de uma forma privada, livros eram caros para serem editados e demoravam muito tempo para serem publicados e as reuniões das recém criadas sociedades científicas ainda não atingiam um grande público. Os primeiros periódicos científicos diminuíram os custos, diversificaram o conteúdo por publicaram experimentos e descobertas de vários cientistas diferentes e introduziram um controle de qualidade pela revisão por pares. Essa importante ferramenta para a comunicação da ciência foi muito importante, mas pouco evoluiu nos últimos séculos. As vantagens que a introdução dos periódicos trouxeram no século XVII se transformaram em grandes problemas.

O controle da editoração dos periódicos passou de sociedades sem fins lucrativos para empresas, que cobram caro pelo serviço, mesmo sendo o trabalho de revisão por pares ainda feito de forma gratuita pelos cientistas. Além disso o tempo entre a conclusão de um experimento até a publicação do artigo pode levar de meses até anos para ser concluído. Como o número de cientistas aumentou e as ferramentas modernas multiplicaram a velocidade de análise dos dados e escrita dos manuscritos esse tempo se transformou em uma eternidade. Quanto a revisão por pares, o controle de qualidade dos artigos pode não ser tão isento, privilegiando artigos submetidos por certos autores de certas instituições. Pode também suprimir novas ideias, já que o financiamento da própria ciência depende dos artigos publicados, aumentando a guerra entre cientistas e laboratórios pelo pouco dinheiro destinado a ciência.

Com a popularização da Web, muitos acharam que essa seria a salvação para a comunicação da ciência. Diminuição dos custos de editoração, distribuição do conteúdo, aumento da velocidade da revisão por pares…eram promessas que não aconteceram. A ciência manteve os seus velhos hábitos, agora em um meio eletrônico. As novas ferramentas que podem – e estão – alterando a ciência de forma avassaladora: como publicamos, como fazemos, como se ensina/aprende e como divulgamos ciência.

Novas maneiras de se pensar a publicação e distribuição de artigos científicos como os portais ArXiv e PLoS, de contribuir diretamente com a ciência sem intermediários como os exemplos do projeto Genoma do Mexilhão Dourado e do Programa Alexa, de ajudar na geração e análise de dados científicos sem sair de casa  através da computação distribuída do projeto BOINC e de jogos como o Foldit, de mudar efetivamente como encaramos o ensino de ciência pela Khan Academy e o Veduca. E claro, novas maneiras de reinserir a ciência na cultura através de iniciativas como o Science Blogs Brasil, despertar a curiosidade científica através do Manual do Mundo ou mesmo participar de uma conversa de bar sobre ciência realmente entendendo o que está sendo falado como no Dragões de Garagem e no Fronteiras da Ciência.

A Web 2.0 pode trazer a ciência não só para perto do grande público, mas fazer com que ele participe em tempo real e ativamente do processo científico. Acho que não existe uma melhor maneira de fazer divulgação científica do que colocar o público dentro dos nossos muros e não apenas dizer para eles como a ciência é importante através de cartas e vídeos enviadas da nossa torre de marfim.

 

Textos complementares (todos de acesso aberto, claro):

Redes sociais, artigos científicos e novas métricas. Post do Atila no Blog Rainha Vermelha.

A ciência acontece fora do papel. Artigo de minha autoria publicado no site da Ciência Hoje.

Comunicação da ciência e Web 2.0. Dissertação de mestrado do Thiago Henrique Santos, publicada no blog Polegar Opositor.

Scholarly communication – Historical development and new possibilities. Artigo de Nancy Fjällbrant, da Universidade de Tecnologia Chalmers, Suécia.

Science 2.0 — Is Open Access Science the Future? Artigo da revista Scientific american.

Open science: policy implications for the evolving phenomenon of user-led scientific innovation. Artigo de Victoria Stodden da Universidade de Columbia sobre várias iniciativas de participação do público na construção da ciência.

Open Access and the Progress of Science. Artigo de Alma Swan na American Scientist a revolução que o acesso aberto pode causar na comunicação da ciência.

Moving from Script to Science 2.0 for Scholarly Communication. Artigo dos indianos Khaiser Nikam e Rajendra Babu H. publicado no periódico Webology.

 

Atualização (07/09/2013)

O jornalista Bruno de Pierro da Revista Pesquisa FAPESP fez um post em seu blog pessoal comentando e ampliando a discussão sobre o papel da web 2.0 para a comunicação da ciência. Não deixe de ler.

 

Poluidores podem ser condenados a pena de morte na China

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Árvore fazendo sua parte contra poluidores. Crédito: Centre of Criminology Library Blog

 

Pelo menos essa é a promessa de uma nova interpretação judicial feita pelo governo chinês, relatada em um artigo publicado pela Reuters. Na China a pena de morte é algo bem comum, mas nunca foi levantada para casos ligados ao meio ambiente. Segundo o portal Death Penalty Worldwide a China executa entre 4 e 5 mil pessoas por ano. Com mais esse crime sendo considerado e tendo em vista o histórico “sujo” da indústria chinesa em termos ambientais essa conta pode subir mais um pouco.

Realmente um dos gargalos na contenção do impacto ambiental está na punição efetiva e exemplar dos poluidores. Mas será que o uso da pena de morte realmente assustaria grandes empresas? E no caso de um crime ambiental, a cabeça de quem iria rolar? A realidade é um pouco distante da encontrada em nosso país. Aqui tentamos pressionar grandes empresas com multas salgadas, que foram até aumentadas no ano passado. Mas de que adianta aumentarmos o valor das multas se elas não são pagas? Segundo um relatório do IBAMA, somente 0,75% das multas emitidas por crimes ambientais entre 2005 e 2010 foram realmente pagas. E isso é uma média. Se considerarmos apenas 2010 esse percentual não passa de 0,2%. Talvez um foco mais produtivo estaria em aumentar a fiscalização para que os impactos não ocorram e que o dinheiro das multas fosse realmente pago e reinvestido em medidas ambientais.

Não sou a favor de cortarmos cabeças em troca de árvores, mas uma medida mais efetiva do que emitir multas milionárias que não são pagas tem que ser feita. Urgentemente.

 

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