Cosmos, em uma gota d´água

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Finalmente um vídeo onde sou o personagem principal!

 

Tivemos o prazer de acompanhar este ano a estréia da nova versão da aclamada série de divulgação científica Cosmos, estrelada pelo astrofísico e meme científico ambulante Neil deGrasse Tyson. Muita gente gostou da nova versão pela boa adaptação aos novos tempos, com modificações em alguns temas, no ritmo da narrativa e adição de desenho animado. Para entender um pouco mais sobre as duas versões da série Cosmos eu recomendo ouvir os capítulos específicos sobre este tema gravados pelo Dragões e Scicast, e os episódios 156 e 169 do Fronteiras da Ciência.

Cosmos, diferente do que o nome pode passar, não fala só sobre estrelas. É muito mais do que isso. Temos desde evolução biológica até história da ciência sendo tratada na série, o que é muito legal considerando-se que estamos falando de uma série relativamente curta. Além disso, no original Carl Sagan conseguiu levar a divulgação científica a outro patamar, trazendo doses de arte, emoção e poesia a fatos corriqueiros da ciência, coisas que os cientistas estão acostumados a ver todos os dias mas têm muita dificuldade de conseguir convencer o resto do mundo de como isso é legal.

O legado de Carl Sagan foi seguido a risca pelo Biólogo marinho Tierney Thys, que conseguiu em um vídeo de apenas 6 minutos trazer todos estes sentimentos a tona. Claro que é difícil fazer comparações com a série Cosmos, mas eu acho que ele conseguiu traduzir em pouco tempo como o mundo microscópico do plâncton marinho pode ser tão fascinante. Clique no símbolo da engrenagem abaixo e coloque o vídeo em 720p. E claro em tela cheia. Vale cada segundo.

Mais informações sobre o vídeo aqui: http://ed.ted.com/lessons/the-secret-life-of-plankton

Biodiversidade: temos que nos importar com isso?

Palestra Espaço Ciência Viva

Vemos todos os dias (bem, nem todos os dias) o tema biodiversidade ser abordado na mídia e nas escolas. “O Brasil tem uma grande biodiversidade!”, dizem todos aos quatro ventos. Bem, mas o que é biodiversidade? Isso é importante para nós? Faz alguma diferença na nossa vida termos uma grande biodiversidade?

Esta e outras questões eu espero discutir com todos os presentes no próximo Sábado da Ciência, no Espaço Ciência Viva. O Espaço Ciência Viva fica localizado no bairro da Tijuca (Rio de Janeiro), bem próximo ao metrô. Ele é o primeiro museu participativo de ciências do Brasil e foi criado em 1982. O sábado da ciência reúne diversas atividades, incluindo desde os tradicionais módulos interativos até palestras e exibição de vídeos. O próximo sábado (26/04) terá como tema “Ecologia, Reciclagem e Biodiversidade” e a minha palestra será intitulada “Biodiversidade: temos que nos importar com isso?”. Mais informações sobre as atividades no site do evento.

Como o evento é gratuito aguardo a presença de todos, inclusive das respectivas famílias. Até lá!

A polêmica da vacinação contra HPV em adolescentes

A grande polêmica sobre vacinas, atualmente, reside na vacinação contra o HPV humano. Neste contexto, temos duas posição contrárias e distintas: início precoce da vida sexual de adolescente, visto que a vacinação é para a faixa de 11 a 13 anos; e os possíveis efeitos adversos da vacina.

A primeira posição é defendida por alguns líderes religiosos, sendo, no mínimo, patética. Declaram que a discussão sobre a doença causada pelo vírus e suas formas de contágio poderiam “estimular” as adolescentes a iniciariam precocemente sua vida sexual. Não, novela da globo com grande apelo sexual, não, BBB com sexo explícito, não, carnaval na sapucaí, não, essas coisas não estimulam a precocidade sexual, mas sim debates escolares sobre doenças sexualmente transmissíveis. Por favor, declarações dessas deveriam ser passíveis de cadeia. Justamente na faixa etária mais desinformada e de difícil passagem que é adolescência, existem pessoas que não querem promover o diálogo sobre vida sexual.

A segunda posição reside nos efeitos adversos da vacina. Para começar, toda vacina pode gerar algum tipo de feito adverso, mesmo em vacinas da gripe é comum. Na vacina contra HPV não poderia ser diferente. Entretanto, o CDC ainda recomenda a vacinação. A suposta correlação entre a vacina e a síndrome de Guillain-Barré não tem qualquer base científica, pelo contrário, artigos científicos declaram não haver esta correlação.

Além disso, ainda declaram que bastaria o exame de papanicolau para a a detecção e tratamento do câncer. Entretanto, como dito pela matéria, este exame é indicado para mulheres de 25 a 64 anos. Uma adolescente contraindo o vírus com seus 14 anos, por exemplo, teria muito tempo para o mesmo desenvolver as infecções e, posteriormente, o câncer. Justamente por isso a vacinação precoce. Existem artigos científicos (1 e 2) que recomendam a vacinação das adolescentes, uma vez que, após levantamentos sanitários, o número de meninas infectadas precocemente pelo vírus era muito maior do que imaginavam.

Por fim, argumentam que a vacina não cobriria todos os tipos de vírus circulantes na população. Só que isso vacina nenhuma faz. Mais uma vez, cito a vacinação da gripe, que deve ser feita anualmente para a atualização dos vírus novos. Geralmente, os vírus cobertos pelas vacinas são o de maior prevalência.

Este é um tema de grande importância, ainda mais quando relacionado a questões de saúde pública. Temos que ter bastante critério ao fazer qualquer tipo de contra indicação de vacinas. Espero fazer alguns updates sobre este tema neste mesmo post mais para frente.

Recurso renovável, pero no mucho

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Venda de atum em um mercado japonês. Crédito: Wikimedia commons

Alunos do curso de graduação em Ciências Biológicas tem que estudar temas que vão desde microbiologia até Ecossistemas e nem sempre conseguem uma resposta fechada para todas as perguntas que podem ser geradas dentro desse espectro. Muitas vezes temos que apreender na marra que nem tudo é 8 ou 80 em Biologia e, quando estamos tratando de Ecologia, o buraco pode ser bem mais embaixo.

Um destes tópicos é a classificação de recursos em renováveis e não renováveis. Na teoria tudo parece bem simples, mas quando começamos a pensar na prática vemos que existem muitas exceções à regra. Um exemplo que foi tratado pelo pessoal do Geófagos é o da água. O ciclo hidrológico parece perfeitamente renovável, mas muitas vezes podemos dar uma ajudinha e acabar quebrando o ciclo renovação. Outro exemplo é o das nossas presas, mais especificamente os recursos pesqueiros. Na teoria este seria um recurso renovável, já que os peixes ocorrem em grande quantidade nos oceanos e se reproduzem de forma relativamente rápida. Bem, seria assim se não fosse pela nossa grande habilidade de desregular os sistemas ecológicos.

Um dos principais problemas para a manutenção do estoque pesqueiro está na pesca ilegal que retira anualmente cerca de 5 milhões de toneladas de peixes por ano da nossa área costeira. Pesca feita de forma descontrolada pode diminuir e muito o estoque de algumas espécies, se tornando um risco para a sua manutenção. O problema é tão grande que no final do ano passado o Governo Federal lançou o Programa Nacional de Combate a Pesca Ilegal. Segundo informações do Ministério do Meio Ambiente e da Pesca, o foco será na fiscalização, mas também na conscientização dos pescadores por meio de campanhas públicas. Outro ponto importante é o da conscientização da população em geral sobre o pescado vendido no Brasil. Muitas das espécies frequentemente encontradas em mercados e em peixarias estão sobre-exploradas, ou seja, seus estoques estão se reduzindo, chegando até a possibilidade de se esgotarem. E é aí que entra a inventividade do pós-graduando brasileiro.

Cansado de ler artigos científicos sobre o tema e ver que eles nunca seriam lidos pelas pessoas fora da torre de marfim da academia, o Fernando Tuna (belo nome para quem trabalha com peixe, hein?) que é biólogo da UFRJ e atualmente cursa Mestrado em Biologia Marinha na UFF e MBE executivo em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ resolveu tomar uma atitude. Porque não traduzir os artigos científicos mais recentes que tratam de estoque pesqueiro de uma maneira amigável e prática, e de uma forma acessível para qualquer pessoa interessada? Daí surgiu a ideia do aplicativo Fish List.

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Imagina chegar em um mercado e ver que tem um peixe em promoção. Mas você não sabe se aquele peixe pode estar com o estoque reduzido e que a sua compra pode acabar estimulando a possibilidade dele se esgotar. O Fish list é um aplicativo simples, mas que traz informações que podem ajudar você a decidir sobre quais peixes comprar, trocar ou até mesmo recusar. As instruções para baixar o aplicativo podem ser encontradas aqui. A criação do aplicativo e da página do Facebook do projeto foram produtos do MBA em Gestão Ambiental do Fernando na COPPE/UFRJ. Uma ideia simples, mas que mostra como temos um oceano de informação na academia que precisa de uma ajuda de pessoas como o Fernando para conseguir ser realmente útil para toda a população.

Você conhece os museus brasileiros de ciência?

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Em viagens de turismo para o exterior costumamos sempre incluir museus em nossa agenda, mas visitar instituições que podem ficar bem perto da nossa casa é algo que sempre fica em segundo último plano. Os motivos para a baixa visitação dos museus brasileiros são muitos e, segundo pesquisas do Observatório de Museus e Centros Culturais (OMCC), eles podem variar desde problemas com transporte até violência. Para diminuir o problema do acesso físico aos museus, iniciativas como o Google Art project para museus internacionais e do Era Virtual para museus brasileiros são bem interessantes, mas ainda um pouco limitadas principalmente quando estamos falando de museus de ciência.

Como é difícil visitarmos uma instituição que não conhecemos, uma iniciativa da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), TV Escola – Ministério da Educação (MEC), Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e Fundação José de Paiva Netto (FJPN) resultou na criação de 52 documentários sobre diversos museus brasileiros, incluindo alguns com a temática científica. Os documentários têm 26 minutos de duração e estão sendo exibidos pela TV Brasil desde 2012. O mais legal da iniciativa é que todos os episódios da série estão disponíveis online e podem ser acessados tanto pelo site oficial quanto pelo canal no YouTube. Os museus de ciência contemplados pelo projeto são (clique no link para assistir ao documentário):

Em uma primeira edição – com perfil mais didático e voltada para servir de material em escolas – o Museu de Zoologia da USP e o Museu Paulista da USP também fizeram parte do projeto. Essa primeira edição conta com 15 museus e só está disponível no canal do YouTube. Tanto a primeira quanto a segunda edição estão disponíveis de forma completa (total de 67 documentários), mas infelizmente contam com um número baixo de visualizações.

Para mudar esta situação assista aos documentários sobre os museus de ciência brasileiros, curta e compartilhe com os amigos, e depois não deixe de conhecer fisicamente as instituições. Ciência faz parte da cultura e o papel destas instituições é muito importante na sua popularização.

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