Um pouco sobre o Quinto Relatório do IPCC

Já comentamos muito aqui sobre o IPCC. Como se sabe, seus relatórios  (estamos na 4º edição) reúnem o estado da técnica sobre a ciência do aquecimento global. Ele se divide em 3 grupos de trabalho (“Bases científicas físicas”, “Impactos, adaptação e vulnerabilidade” e “Mitigação das mudanças climáticas”) e um Relatório final.

ipcc

Neste momento, tal organização está na preparação do seu quinto relatório, sendo que o Grupo 1 liberará seus dados e relatório entre os dias 23 e 26 de setembro deste ano. Entretanto, o mais esperado (“Impactos, adaptação e vulnerabilidade” – Grupo 2) deve sair somente entre os dias 25 a 29 de março de 2014.

Mas o que quero reforçar aqui é a natureza colaborativa de tais documentos. Por exemplo, no dia 28 de março foram abertas as inscrições para a segunda chamada para revisão por especilaistas das minutas do Grupo 2. Isto é, abre-se uma chamada para que especialistas do mundo inteiro se cadastrem para revisar os textos.

Como exemplo, na primieira chamada se inscreveram 563 especialistas de 60 países, gerando por volta de 19.000 comentários sobre o texto. Isso sim é revisão por pares. Não é vedada a participação de ninguém. Negacionistas são muito bem-vindos para exporem suas opiniões e apresentar seus dados. O IPCC divulga após todo esse trâmite tanto os comentários feitos pelos revisores, como as respostas dos autores.

É nesse contexto de ciência colaborativa que negacionistas criticam os relatórios do IPCC e desconfiam se realmente existe aquecimento global antropogênico. Chega a ser hilário a posição de algumas dessas pessoas, os dados nos mostram como tem se dado a evolução da concentração atmosférica de gases estufa e da temperatura no último século.

Os próximos 18 meses serão bastante esclarecedores e polêmicos. Aguardemos as publicações.

Concentração de CO2 na atmosfera tem novo recorde de aumento

Um estudo publicado na revista Science (que pretendo analisar em mais detalhes em um posto futuro) revela que em 2012 tivemos um aumento de 2,67 ppm na concentração de CO2 atmosférico, pulando para um concentração total de 395 ppm.

Basicamente os autores avaliam que este aumento se deu devido ao aumento de uso de combustíveis fósseis. Por exemplo, aqui no Brasil, a partir de outubro, o nordeste teve 40% de sua energia elétrica produzida por termelétricas. Além disso, devido a falta de chuvas no final do ano passado, algumas termelétricas desativadas começaram a funcionar de novo.

Neste contexto, a perspectiva de manter o aumento da temperatura global dentro de uma faixa de até 2ºC (considerado menos perigoso pelos cientistas) está cada vez mais distante.

Uma comparação feita pelo NOAA mostra que de fevereiro de 2012 a fevereiro de 2013 houve um aumento de 393,54 ppm para 396,80 ppm no observatório de Mauna Loa (Havaí), como mostrado pelo gráfico abaixo:

TendÊncia da concentração de CO2

Sendo que os registros completos são apresentados no gráfico abaixo:

Evolução da concentração de CO2 na atmosfera

Isto é de se assustar, uma vez que o aumento médio nos níveis de CO2 desde 1958 foi de 1,49 ppm/ano.

Mesmo com todos os “esforços” que os países fazem atualmente para tentar controlar essas emissões, observamos, ano após ano, um aumento cada vez mais rápido na concentração de gases estufa na atmosfera.

Como os níveis de CO2 que variam sazonalmente dentro de um mesmo ano (com os picos geralmente no mês de abril), o debate sobre aquecimento global também.

Este ano teremos o o 5º relatório geral do IPCC sobre mudanças climáticas, sem contar o relatório especial publicado agora sobre gestão de rsicos de eventos extremos e disastres. É claro, que nesse momento milhões de “ambietalistas” vão aparecer na TV falando que a situação está horrível e que todos devemos temer o futuro, analistas do governo vão dar declarações de que estão trabalhando muito em suas “comissões” e que nas próximas semanas serão publicados relatórios de políticas públicas nessa área, resumindo a mesma ladainha de sempre.

Um exemplo claro disso foi a Rio+20, a qual eu achei um fracasso e o Luiz não concordou (viva a liberdade de expressão, mesmo dentro do mesmo Blog!). Porém, eu (Breno) reintero: continuo achando um fracasso! Concordo que só pelo fato de as pessoas estarem conversando e debatendo sobre o assunto, isto é um bom passo, porém dessas conversas não sai nenhum resultado. Grandes potências continuam não ratificando protocolos, nenhuma política global de controle e redução de emissões consegue properar, entre outros. No fim, pareceu uma reunião de condomínio querendo influenciar no orçamento do governo federal.

É claro, que essas conferências precisam ocorrer, até porque, pelo menos naquele momento, o tema das mundanças climáticas é discutido na grande mídia. Mas, ainda acho que a maioria dos meios de comuncação e a até mesmos as grandes ONG’s ambientais tratam esse assunto como modismo.

Se nem conseguimos regular o desmatamento na Amazônia (somente de agosto a novembro de 2012 1.206 Km² foram desmatados) que é uma coisa tangível, imagina querer estabelecer políticas públicas de controle de emissão. Estamos muito atrasados para um bonde com velocidade de trem bala. Aguardemos o relatório do IPCC.

O protocolo de Kyoto fracassou?

Este final de ano será de grande importância para as políticas de controle das mudanças climática globais. Semana passada teve início a Conferência das Partes da Convenção do Clima de Durban, a COP-17. Representantes de 195 países do mundo estão reunidos em Durban (África do Sul) para discutir os rumos dos acordos e tratados assinados (Bali 2007, Cancun 2010 e COP 15 Copenhague) para prevenir e mitigar os problemas causados pelo aquecimento global com origem antropogênica. Todos esses encontros tiveram como linha mestre o protocolo de Kyoto.

Agora em 2012, vencerá o primeiro período demarcado para avaliação de redução das emissões de gases estufa para atmosfera para os níveis de 1990. Isto é, será discutido a manutenção ou não do tratado, bem como alternativas para o mesmo. Bem, não precisamos dizer que esta mobilização tende, como as outras, ao fracasso. Como um dos objetivos da COP-17 é desenhar as formas de um novo tratado para redução de taxas de emissão, porém menos ambicioso que Kyoto, então como acreditar que este novo tratado será cumprido? Desde seu início, quando nem todos os países assinaram o comprometimento com suas metas (leia-se EUA e Austrália), Kyoto já dava sinais de que não iria “vingar”. Na Europa ele chegou a funcionar, sendo que alguma metas de redução das emissões foram atingidas. Porém, a divisão da responsabilidade entre as potências e os países emergentes e a contribuição histórica e atual de cada país foram questões que, no geral, fizeram que com Kyoto tenda ao fracasso.

Mesmo com a crise financeira ter dado uma leve freada nas emissões (nada animador), EUA e China simplesmente não deram a mínima para o tratado. Com isso, um artigo publicado na revista Nature Climate Change revela o resultado global: Com base nas emissões de 1990 (linha de base para o protocolo de Kyoto), as emissões aumentaram em 49%. Isso mesmo, ao invés de retomarmos para as taxas de 1990, nós aumentamos em quase que 50% este índice. Nesse contexto, este novo acordo climático será discutido em Durban, o que na minha humilde opinião, também está fadado ao fracasso. Mal posso esperar o próximo relatório do IPCC (2013/2014) para termos noção atual do impacto.

Como reduzir, se os processos que emitem estão tão enraizados no funcionamento financeiro global. Diminuir capacidade industrial? Duvido que algum país faça, principalmente agora com o crescimento econômico dos emergentes. Reduzir desmatamento? O principal vilão do mundo neste quesito, nós Brasil, não damos uma pontinha de esperança, dados mais atuais para o ano de 2010 dão conta de área de desmatameto na Amazônia igual a 4 cidades de São Paulo.  Fontes alternativas? Na maioria, inviáveis econômica e, mesmo, ecologicamente. Claro que algo deve e precisa ser feito. Discussões e protocolos são necessários como geradores de metas e, mesmo, de mobilização de opinião pública. Enquanto o problema estiver totalmente ligado ao modus operandi da nossa sociedade, a solução fica cada vez mais difícil.

O aumento da temperatura já era, agora só nos resta poupar o ártico

Desde da era pré-industrial até os dias de hoje, a concetração de CO2 na atmosfera cresceu de 284ppm para 380ppm. O CO2, junto com outros gases (óxido nitroso, metano e trifluoreto de nitrogênio) possuem capacidade de reter calor da atmosfera, sendo por isso chamados de gases estufa. Atribui-se o aumento na concentração dessses gases ao processo de aquecimento global (1 grau centígrado desde o período pré-industrial até agora), isto é, quanto maior a concentração desses gases na atmosfera, maior a temperatura média global.

Um estudo realizado pelo Centro Americano de Pesquisas Atmosféricas (NCAR) que será publicado na próxima semana na revista Geophysical Research Letters aponta que uma concentração de 450ppm de CO2 pode ser uma meta rasoável para estabilização até o final desse século. É claro, esse cenário se realizará se forem colocadas em prática ações de redução das taxas de emissão atual. Se o ritmo continuar como o atual, as previsões são para patamares de 750ppm até o final desse século.

No cenário de 450ppm, a temperatura média global deve sbir 0,6 graus. Menor que os 2,2 graus se mantido o ritmo atual de emissões. O que isso quer dizer? Bem, o aumento de temperatura global já não dá mais para parar.

Quais são os outros impactos? Serão 14 cm de aumento do nível (contra 22 cm com 750ppm) do mar devido a expansão térmica da água do mar, não contabilizando o aumento causado pelo derretimento de geleiras. Outro impacto seria a perda de 1/4 da camada de gelo do ártico e depois a estabilização dessa área até 2100, diferente dos 3/4 de perda e a não estabilização no cenário de 750ppm.

Poupando o ártico, grandes estoques pesqueiros podem ser salvos, bem como populações de aves e mamíferos aquáticos. Porém o resultado que mais me chamou minha atenção foi a redução da precipitação na parte sul dos EUA e um aumento na parte norte. Bem, a parte norte, como sabemos é fria e neva muito. Clima que não é propício para agricultura, diferente da parte sul que possui clima mais ameno. Está me parecendo medo do futuro, mas agora com perigos locais reais e não mais perigos globais. Ainda mais, quando o centro de estudos responsável pela pesquisa é americano e não de outros paises.

Fica aí mais resultados de mais simulações de mais super-computadores. Ainda bem que está vindo por aí mais um relatório de IPCC para juntar e analisar isso tudo. Não querendo dizer que o resultado desse resumão seja mais confiável que qualquer outro.

Fonte: EurekAlert

Presidente do IPCC no roda viva

Hoje (02/03/09), o programa Roda Viva reapresentará a entrevista com Rajendra Pachauri. Rajendra é o presidente do IPCC (Painel intergovernamental de mudanças climáticas). Sendo que em 2007, o IPCC e o fanfarrão do Al Gore ganharam o prêmio Nobel da paz.
RAJENDRA PACHAURI

O IPCC não faz pesquisas científicas, isto é, não produz os dados utilizados em suas projeções. Para ser o mais imparcial possível, ele se utiliza dos dados da literatura científica mundial, deste modo, o que ele projeta é somente o que é consenso científico mundial. É claro que existirão opiniões contrárias e, até, possíveis erros, pois como sabemos (ou deveríamos saber) ciência não é a verdade, e sim um apanhados de hipóteses, alguns fatos e possíveis explicações para isso. Mas, na minha opinião, algo muito melhor que dogmas, mas isso deixemos para lá.

O IPCC faz parte do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) e da Organização Metereológica Mundial.

Vale muito rever essa entrevista, para quem puder, o programa começa às 22:10 na TV Cultura.

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