Post de repúdio a liberdade de ignorância

Ameba Facepalm. É implícito, já que ela não tem mãos.

Respeito a liberdade religiosa. Todos podem acreditar na religião que preferirem. Mas não tenho nenhum pingo de respeito pela liberdade de ignorância, ainda mais quando estamos falando de um ministro.

O novo ministro da pesca Marcelo Crivella despejou neste discurso na tribuna do Senado um conjunto do pior lado do criacionismo. Apelar para um jogo de palavras (é “apenas” uma teoria), exigir fósseis metade anfíbios, metade aves [sic], dentre outros.

Mas eu tenho que concordar em um ponto com o nosso senador. Acho um absurdo essa teoria que todos os seres vivos evoluíram a partir de uma ameba. Não sei quem é o autor desta teoria, mas eu também não concordo.

Post inspirado neste twitt.

Céticos estão sendo pagos para negar aquecimento global: Será um “céticosgate”?

As pesquisas sobre aquecimento global e a influência do homem neste processo, sofreram ataques dos negacionistas (climate sceptics) no famoso “escândalo” do ClimateGate (acesse aqui e aqui para saber mais). Basicamente, eles alegaram que, ao “obterem” troca de e-mails entre pesquisadores, dados sobre modelagem climáticas estavam sendo manipulados para que fossem confirmadas hipóteses de aumento da temperatura da Terra.

Não preciso dizer que foi o auge para os céticos. Para eles, o relatório do IPCC era lixo. Porém, o blog DeSmogBlog recebeu (por engano) vários documentos do Instituto HeartLand. Recebeu mesmo, pois o próprio instituto confirmou que os e-mails foram enviados incorretamente para uma terceira parte “anônima”. Este instituto se diz ser um grupo de especialistas sem fins lucrativos que questiona a veracidade do Aquecimento Global, problemas causados por tabagismo passivo e outros assuntos que requerem regulamentação governamental. Eles dizem não serem afiliados de nenhum partido político, negócio ou fundação. Este instituto patrocina diversas palestras e encontros de céticos do clima nos EUA. 

Os documentos dizem respeito aos planos e orçamentos para as ações do instituto e, o mais importante, que o patrocina (isso aí, grandes empresas petrolíferas e da industria do tabaco são financiadoras do Heartland). Basicamente, este documentos revelam planos que tem como objetivo patrocinar negacionistas (blogueiros, professores universitários, jornalistas, entre outros) tais como o Anthony Watts (editor do blog Watts up with that?) e o professor Fred Singer (afirma que o CO2 não é um poluente), comprar editorais em importantes jornais e até influenciar o que é ensinado nas escolas americanas sobre o clima.

Resumindo, o instituto lidera uma campanha para desacreditar as pesquisas sérias relativas ao clima e, assim, provocar uma dúvida falsa na sociedade. O jornal The Guardian fez o perfil dos maiores beneficiados com este financiamento.

Não defendo que não deva existir contrapontos contras as pesquisas sobre aquecimento global e que estes sejam também financiados. Para mim, a ciência só evolui com discordância entre partes. Não existe consenso em ciência. Entretanto, surge como o ser mais despresível aquele que patrocina a divulgação de mentiras ou aquele que contesta sem mostrar argumentos sólidos, baseado em pesquisas sérias e publicadas. Isto ainda se intensifica quando estamos falando de possíveis problemas que afetarão a vida de milhões de pessoas, principalmente as mais pobres.

Para saber mais, acesse também este artigo do The Guardian (em inglês).

Discutindo Ecologia na Revista do Brasil: A polêmica das sacolinhas continua

É com grande orgulho que indico o artigo muito interessante da Revista do Brasil sobre a polêmica da proibição das sacolinhas plásticas. Esta revisa faz parte de rede Brasil Atual. Dentre vários entrevistados, um deles sou eu. Veja abaixo a parte específica da matéria onde Luiz (camisa cinza) e eu (camisa preta e do ScienceBlogs Brasil) aparecemos posando sob latas de lixo. Aparecer na mídia tem seu ônus… Já estou preparado para as brincadeiras.

 

Não deixem de acessar a reportagem completa e acompanhar a rede Brasil Atual.

Fim do mundo e seu último carnaval: onde no laboratório para ter sua última transa!

O dia do apocalipse chegou! Isso mesmo, caro cientista! O fim do mundo é agora, sendo que este é seu último carnaval e, você pesquisador brasileiro, preso no seu laboratório terminando seu experimento. Nesse momento a primeira coisa que passa pela sua cabeça é: não posso morrer sem ter meu último coito! (não estranhem a linguagem, cientistas são estranhos assim mesmo).

É claro que 99% da população está curtindo o carnaval em blocos, micaretas, bailes, praias ou viagens. Mas como um raio de Sol, você olha para sua companheira(o) de laboratório, esquece todos os bate-bocas que vocês tiveram durante todos esses anos de convívio dentro do pequeno ringue que é o laboratório de vocês, quer dizer, de vocês não, do seu orientador! Dentre os quais podemos citar:

  • briga para estabelecer qual reagente é mais importante destinar o dinheiro de um projeto, o seu ou o dele;
  • quem vai orientar aquele IC sem noção;
  • quem tem o melhor Lattes;
  • falta de respeito ao agendamento do termociclador (fura-fila, no popular);
  • o infeliz faz comentários só para aparecer quando você está apresentando a sua prévia de algum trabalho;

No momento do desespero, você esquece isso tudo, agarra a mão da pessoa e saí em direção… Bem, direção de onde? O objetivo deste post é sugerir o ninho do amor científico de vocês!

5. Sala escura de revelação de gel

Todos que já tiveram que utilizar esta sala já tiveram essa ideia, porém 5 segundos depois de entrar na sala, já estavam desesperados com o resultado do gel a ser revelado e esqueceram do assunto. Esta sala é um quasi-motel: ar condicionado, luz vermelha, clima caliente… Avaliação: Bom para tímidos e calorentos, porém cuidado com o brometo de etídeo, ninguém vai querer um intercalante de DNA nas partes íntimas!

4. Salas climatizadas de cultivo

Dependendo da linha de pesquisa, pode ser de células, vegetais, algas…. Geralmente bem iluminadas, com variedades de frascos coloridos. Dão um aspecto meio futurista. Possuem boa refrigeração também (não é só porque é a última vez que você precisa passar calor). Avaliação: Bom para pessoas que gostam de fazer com luz acesa e privacidade, porém deve-se ter cuidado com a vidraria.

3. Sala de reagentes

Esta sala quase sempre vazia, com um aspecto meio sombrio, pode ser um bom lugar para para sua última cópula. Sugiro distância dos frascos de ácido PA, pois em um momento de empolgação, um esbarrão poderá ser fatal!

2. Sua própria bancada!

Você dividiu tantas emoções com essa pequena porção de terra, não seria agora que você a deixaria de lado. Suas fotinhos, adesivos, suas canetas…. todos as coisas que você se identifica. É quase o seu segundo quarto. Jogue tudo no chão e mande ver em cima da bancada. É claro que vai bater aquela insegurança de anos usando a bancada e não limpando-a da maneira mais correta (lembre-se, você queria sair correndo para encontrar seus amigos e o álcool 70 tinha acabado….), mas esqueça! O mundo vai acabar mesmo!

1. A mesa do seu orientador.

Isso mesmo! Se dessa mesa saíram decisões que te fu…. durante anos! Por que não fu…. ali também? Lembre-se quem ri por último ri melhor!

Você tem alguma outra sugestão? Deixe nos cometários!

Esse texto participa da Blogagem Coletiva Do ScienceBlogs Brasil. Participem!

Blogagem coletiva Fim do Mundo

Tratando de assuntos controversos em sala de aula

 

Conheci através do ótimo blog RealClimate uma iniciativa interessante do Centro Nacional pela Educação Científica. Esta é uma instituição americana bem conhecida pelas suas iniciativas contra o criacionismo em sala de aula. Além de cobrir as principais notícias sobre o tema, o NCSE foca em dar suporte para os professores em como tratar do assunto em sala de aula. Muitas vezes temas como evolução são difíceis de serem discutidos perante um grupo heterogêneo de alunos, pois o tema pode em muitos casos ser considerado um ataque a convicções religiosas pessoais. Desta forma os professores podem acabar ficando em uma posição complicada perante os pais dos alunos, não sabendo como tratar do assunto de forma que isso não seja encarado de forma errada.

Se tratar sobre evolução/criacionismo em sala de aula já é complicado, imagina como é difícil para o professor tratar de aquecimento global. Um tema que além de controverso é extremamente pulsante na literatura e a cada dia temos novos artigos científicos sobre este tópico. As incertezas do aquecimento global abrangem principalmente a metodologia, o grau de aquecimento, a contribuição do homem, a distribuição regional e os prováveis impactos. Como a cobertura da grande mídia muitas vezes deixa a desejar dando o mesmo peso para cientistas do clima e de outras áreas (estou olhando para você, The Wall Street Journal), como um professor de uma pequena escola, que não tem acesso a grande quantidade de artigos científicos sobre o tema, pode tratar do assunto em sala de aula?

 

 

Pensando nisso o NCSE criou uma página específica em seu portal. Lá os professores podem ter acesso a um conteúdo base que pode ajudar no dia-a-dia com os alunos. A página é dividida em quatro partes, incluindo um guia básico, como encarar os negacionistas do clima, ensinando mudanças climáticas e como fazer algo prático sobre o tema. Além disso em cada tópico tem uma série de links para fontes confiáveis, o que pode aumentar ainda mais o conhecimento dos professores.

Não conheço uma iniciativa deste tipo no Brasil, mas tenho certeza que ela pode ser muito útil para todos os professores. Um tema como o aquecimento global baseado principalmente em modelos climáticos apresenta níveis de incerteza que são difíceis de serem tratados em sala de aula. Por isso que inciativas como essa são essenciais para que o professor tenha mais segurança e possa trazer o tema para debate, estimulando o senso crítico e engajamento dos alunos em um tema que já faz parte da vida de todos nós e cada vez mais iremos sentir na pele suas consequências.

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