O Aquecimento Global em números

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Acho que uma das maneiras mais eficazes de se resumir dados de forma simples e clara é através de um infográfico. E como esse é o objetivo de qualquer iniciativa de divulgação científica, resolvi fazer um infográfico sobre o Aquecimento Global. E claro que para isso não é necessário nenhuma habilidade com a ajuda das ferramentas modernas. Se quiser fazer um parecido (existem vários temas e tipos de gráficos diferentes) é só ir em Infogr.am e ter os dados e referências em mãos.

Se você gostar não deixe de compartilhar o post ou a figura. Coloque em um post no seu blog, distribua no Facebook, twitter…o importante é repassar informação relevante com referências. Algo que está cada vez mais em falta hoje em dia.

 

O Aquecimento Global em números

 

 

 

E a camada de gelo no Ártico? Vai de mal a pior.

Há 3 anos atrás escrevi um post sobre a camada de gelo no ártico intitulado “Recuperação na camada de gelo do Ártico em 2008“. Para quem lê apenas o título do post poderia pensar “Viu? Os negacionistas estão certos!”, mas claro que isso é apenas uma análise superficial. Tão superficial como a o gelo que foi recuperado naquele ano. No texto eu explico que a “recuperação” na camada de gelo do Ártico em 2008 foi apenas do chamado “gelo recente” e não da camada de gelo antiga,  que é mais espessa e duradoura. Essa camada de “gelo recente” tem entre 2 e 3 anos de idade e é muito mais fina do que a camada de gelo antiga. Então se considerarmos apenas a porcentagem de cobertura de gelo do ártico podemos ter uma ideia errada da evolução da cama de gelo. Mas se olharmos em uma escala de tempo grande mesmo a análise superficial de cobertura da camada de gelo pode nos mostrar um padrão consistente.

Cobertura de gelo no ártico

Média mensal da extensão da camada de gelo do Ártico, de Setembro de 1979 até Setembro de 2011. Crédito: NSIDC

Pelo gráfico acima podemos ver que se pegarmos as médias mensais da extensão da cama de gelo, mesmo considerando também o “gelo recente”, o padrão de diminuição é extremamente claro. Não só a queda é clara como a taxa de queda aumentou ao longo dos anos, como podemos ver pela queda mais acentuada na última década. Quando analizamos os dados da idade do gelo ao longo dos anos podemos perceber como a relação “gelo recente” e “gelo antigo” foi alterada drasticamente.

Qualidade da camada de gelo no Ártico

Idade da Idade da camada de gelo do Ártico, de Setembro de 1983 até Setembro de 2011. Crédito: NSIDC

 

A cama de gelo mais antiga chegou em 2011 a um recorde de baixa, principalmente a camada de 5 anos ou mais. Podemos ver pelo gráfico que esta camada quase não existe mais no Ártico e a camada de 1 ano passou a ser a dominante. Esta relação é praticamente a inversa de setembro de 1983, quando a camada de gelo de 5 anos ou mais era a dominante.

Os dados de 2011 da cobertura de gelo no Ártico reforçaram ainda mais o padrão de queda que fora questionado pelos negacionistas do clima devido a “recuperação” registrada a partir de 2008. Questionamentos na ciência são importantes, mas olhar a variação de dados de forma enviesada como neste caso é apenas uma maneira de dificultar a comprensão público sobre o Aquecimento global.

 

Via NASA e NSIDC.

 

O aumento da temperatura já era, agora só nos resta poupar o ártico

Desde da era pré-industrial até os dias de hoje, a concetração de CO2 na atmosfera cresceu de 284ppm para 380ppm. O CO2, junto com outros gases (óxido nitroso, metano e trifluoreto de nitrogênio) possuem capacidade de reter calor da atmosfera, sendo por isso chamados de gases estufa. Atribui-se o aumento na concentração dessses gases ao processo de aquecimento global (1 grau centígrado desde o período pré-industrial até agora), isto é, quanto maior a concentração desses gases na atmosfera, maior a temperatura média global.

Um estudo realizado pelo Centro Americano de Pesquisas Atmosféricas (NCAR) que será publicado na próxima semana na revista Geophysical Research Letters aponta que uma concentração de 450ppm de CO2 pode ser uma meta rasoável para estabilização até o final desse século. É claro, esse cenário se realizará se forem colocadas em prática ações de redução das taxas de emissão atual. Se o ritmo continuar como o atual, as previsões são para patamares de 750ppm até o final desse século.

No cenário de 450ppm, a temperatura média global deve sbir 0,6 graus. Menor que os 2,2 graus se mantido o ritmo atual de emissões. O que isso quer dizer? Bem, o aumento de temperatura global já não dá mais para parar.

Quais são os outros impactos? Serão 14 cm de aumento do nível (contra 22 cm com 750ppm) do mar devido a expansão térmica da água do mar, não contabilizando o aumento causado pelo derretimento de geleiras. Outro impacto seria a perda de 1/4 da camada de gelo do ártico e depois a estabilização dessa área até 2100, diferente dos 3/4 de perda e a não estabilização no cenário de 750ppm.

Poupando o ártico, grandes estoques pesqueiros podem ser salvos, bem como populações de aves e mamíferos aquáticos. Porém o resultado que mais me chamou minha atenção foi a redução da precipitação na parte sul dos EUA e um aumento na parte norte. Bem, a parte norte, como sabemos é fria e neva muito. Clima que não é propício para agricultura, diferente da parte sul que possui clima mais ameno. Está me parecendo medo do futuro, mas agora com perigos locais reais e não mais perigos globais. Ainda mais, quando o centro de estudos responsável pela pesquisa é americano e não de outros paises.

Fica aí mais resultados de mais simulações de mais super-computadores. Ainda bem que está vindo por aí mais um relatório de IPCC para juntar e analisar isso tudo. Não querendo dizer que o resultado desse resumão seja mais confiável que qualquer outro.

Fonte: EurekAlert

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