Técnica e Ciência como “Ideologia”– Jürgen Habermas – Edições 70 – 2006 – pág 72-73.
“Desde o final do século XIX, impõe-se cada vez com mais força a outra tendência evolutiva que caracteriza o capitalismo tardio: a cientificação da técnica. No capitalismo sempre se registrou a pressão institucional para intensificar a produtividade do trabalho por meio da introdução de novas técnicas. As inovações dependiam, porém, de inventos esporádicos que, por seu lado, podiam sem dúvida ser induzidos economicamente, mas tinham ainda um caráter natural. Isso modificou-se, na medida em que a evolução técnica é realimentada com o progresso das ciências modernas. Com a investigação industrial de grande estilo, a ciência, a técnica e a revalorização do capital confluem num único sistema. Entretanto, a investigação industrial associa-se a uma investigação nascida dos encargos do Estado, que fomenta em primeiro lugar o progresso científico e técnico no campo militar. Daí as informações refluem para as esferas da produção civil de bens. Deste modo, a ciência e a técnica transformam-se na primeira força produtiva e caem assim as condições de aplicação da teoria marxiana no valor-trabalho.(…). Como variável independente, aparece então um progresso quase autônomo da ciência e da técnica, do qual depende de fato a outra variável mais importante do sistema, a saber, o crescimento econômico”.
Esse texto de Habermas, de 1968, me diz como o capitalismo tardio necessita do progresso técnico-científico para manter o crescimento econômico. Afirmação que é exemplificada à exaustão no livro O Mundo é Plano.No caso da Medicina, posso entender que isso se reflete de muitas e variadas maneiras. Da influência da Big Pharma na atuação dos médicos e geração de informação técnica, até ao comportamento dos médicos diante de novas tecnologias que vão forjando seu raciocínio.

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