Objetividade ou Solidariedade?
“A tradição da cultura ocidental, centrada na noção de busca pela verdade, a tradição que corre desde os filósofos gregos e atravessa o Iluminismo, é o exemplo mais claro da tentativa de encontrar um sentido para a existência a partir do abandono da solidariedade em direção à objetividade.”
A partir daqui, podemos escolher dois caminhos. O primeiro considera que existe uma realidade objetiva fora de nós que pode ser conhecida – e dominada – se seguirmos um método específico de acordo com uma determinada racionalidade de modo que, conforme nosso método evolui por meio das contribuições dela, avançamos nas nossas descrições do mundo real e de nós mesmos. O segundo considera que somos seres comunicativos que produzimos nossa própria realidade através da linguagem. Desse modo, descrever o outro ou descrever a realidade que nos cerca é exatamente a mesma coisa. (Descrever a nós mesmos é um tanto diferente ainda, mas chegamos lá). Por outro lado, não há uma realidade (platônica) fora de nós de maneira que só nos resta comparar uma descrição com outra. Não há a pretensão de que exista um “gabarito” com a qual uma descrição deva ser comparada. Nem há, tampouco, uma sensação de que avançamos para um “grande conhecimento”. Aliás, a própria noção de verdade adquire um sentido bastante diferente.
“A questão acerca de se a verdade ou a racionalidade possuem uma natureza intrínseca, acerca de se nós podemos ter uma teoria positiva sobre cada um desses tópicos, é justamente a questão acerca de se nossa autodescrição tem de ser construída a partir da relação com a natureza humana ou a partir da relação com um conjunto particular de seres humanos: se nós desejamos objetividade ou solidariedade.”
Com a palavra, essencialistas objetivos…
PS. Depois falo de quem são os textos.



É a autópsia do pensamento técnico e moral do médico contemporâneo que me interessa. Seu pequeno mundo, suas certezas, seus deslizes, suas angústias. Sua relação com a Ciência e desta, com o mundo. Para que se possa tomar conhecimento de como um médico se torna o que é, nos dias de hoje. Eis o médico, pois. Ecce Medicus. Seja bem-vindo. Por 



Discussão - 13 comentários
Fiquei mesmo superinteressada em saber de quem são os textos, Karl.
E vou ser atrevida e dar um pitaco: não seriam de Martin Heidegger?
Tava sumida, hein? Viu quanta coisa vc perdeu? Pitaco bom, mas não são de Heidegger. Vocês jamais descobrirão
Pois é, Karl… sou uma mulher moderna…ocupadíssima, sabe?
Mas embora sem comentar, sempre que podia vinha dar uma olhadinha em seus posts, e ainda estou lendo alguns, mas os que li são todos ótimos, como sempre…
Ah, e não venha com essa de suspense, de novo! Basta o último quiz… fala logo de quem são os textos, please!
Ainda não. Isso não é o mais importante. O post é pesado e tem coisas novas. Fui atropelado pela gripe suína… Ainda vou falar disso bastante. E ademais, o segredo é manter o suspense
Certo então, Karl.
Vou me aguentar aqui…:P
Humm…isso tá com cara de Rorty, mas poderia igualmente ser de Habermas. Aliás, os dois andanram discutindo (Habermas discute com todo mundo!) por aí. Também pensei em Wittgenstein, mas o estilo não bate. Eu arriscaria ainda, num chute distante, Tugendhat, pelo viés comunitarista ligado à idéia de verdade como consenso. Tudo isso para dizer que, na verdade, não sei.
Caro Daniel. Na verdade mesmo, ninguém sabe, mas os parágrafos são de Richard Rorty.
Habermas e Rorty… tudo a ver com comunicação!
E no fim os textos são de Rorty mesmo, heim, Karl? Vc vai passar as referências completas?
[]s
“Objetivismo, Relativismo e Verdade” Escritos Filosóficos V.1 – capítulo “Solidariedade ou Objetividade?” página 37 em diante. Richard Rorty. Tradução Marco Antonio Casanova. Vou discutir mais algumas coisas desse livro fantástico.
Obrigada, Karl!
Vou procurar na biblioteca!
Karl, achei o livro.
E vi que Rorty tem um capítulo com o mesmo título (Solidarity or objectivity?) publicado em outro livro:
KRAUSZ, Michael (Ed.). Relativism: interpretation and confrontation. Notre Dame, Ind.: University of Notre Dame Press, c1989. 503p.
Outros capítulos interessantes e seus autores, neste mesmo livro:
Anti anti-relativism / Clifford Geertz
Relativism, power, and philosophy / Alasdair MacIntyre
The truth about relativism / Joseph Margolis
Relativism, value-freedom, and the sociology of science / Russell Keat
É um livro de neopragmatistas. O Alasdair McIntyre e o Margolis são mais conhecidos (pelo menos, o próprio Rorty os cita com mais frequência). É com certeza um assunto bem surrado pelo Rorty. O Daniel, professor de filosofia, matou fácil hehehe. É diversão garantida, pode ler. Recomendo ainda o fantástico “Contingência, Ironia e Solidariedade”.
É… o Daniel matou a charada rapidinho… seu suspense foi pro brejo, né Karl?