http://media.mercola.com/ImageServer/public/2009/November/11.26vaccine.jpgO álcool não é um item imprescindível da alimentação humana. Há, acreditem, pessoas que passam a vida toda sem colocar uma gota de álcool na boca e vivem muito bem, até mais que os usuários crônicos da bebida. O excesso de álcool causa inúmeros males à espécie humana dentre os quais cirrose hepática, alterações neurológicas e psiquiátricas graves, sem contar a violência. Sou a favor da lei do Código de Trânsito Brasileiro que instituiu a alcoolemia 0 (zero) e impôs penalidades mais severas para o condutor que dirige sob a influência do álcool. Pelo número enorme de perguntas que recebi sobre a influência da ingesta alcoólica na vacinação contra gripe A H1N1, concluí que valia a pena escrever um novo post um pouco mais elucidativo. Aqui vai, então, minha tentativa de salvar os “bebuns” do meu Brasil!

Empreendi uma busca na Pubmed com os seguintes termos: alcohol consumption, alcohol ingestion, alcohol & immunization efficacy, immunization efficiency, immunization rate, vaccination, vaccination efficacy, vaccination efficiency, vaccination rate.

Achei dois estudos relacionados ao assunto que queremos saber, ambos em alcoólatras e sobre a vacina da hepatite B. São eles Rosman et al. Efficacy of a high and accelerated dose of hepatitis B vaccine in alcoholic patients: a randomized clinical trial. Am J Med (1997) vol. 103 (3) pp. 217-22 e Nalpas et al. Secondary immune response to hepatitis B virus vaccine in alcoholics. Alcohol Clin Exp Res (1993) vol. 17 (2) pp. 295-8. Os links mostram os resumos. A conclusão é que em alcoólatras a eficácia da vacina para hepatite B é menor. Ponto. Achei um estudo coreano que mostra que o número de pessoas que se vacinam para gripe sazonal é menor nos alcoólatras o que talvez indique um certo descaso patológico dos alcoólatras nessa situação específica. Curiosamente, a conclusão do estudo é que o fator mais importante para que uma pessoa se vacine é a indicação do médico.

Muitos profissionais de saúde, médicos, enfermeiros e agentes de saúde, recomendam a NÃO ingestão de álcool nos dias subsequentes à qualquer vacinação. As interações entre o álcool e as vacinas não são bem conhecidas e de fato, há estudos que mostram que a ingestão de álcool altera a imunidade desfavoravelmente. Além disso, os efeitos colaterais da vacina podem ser mascarados ou exacerbados pelo álcool, o que dificultaria um possível diagnóstico. Aliás, essas são as mesmas razões para não se vacinar estando-se gripado ou doente.

Achei também um documento do CDC (Centro de Controle de Doenças e Epidemiologia do governo americano) recomendando a não ingestão de álcool durante o período de vacinação, sem citar, entretanto, as razões para isso.

Em suma, acho bastante prudente esperar ao menos uma semana em abstinência alcoólica após a vacinação (isso não inclui abstinência sexual, gente!) apesar de não haver uma referência específica sobre o assunto (se alguém achar, por favor coloque nos comentários que, com certeza, vou ler e comentar). Vale a pena perder uma semaninha para poder tomar um vinho tranquilo no inverno que se aproxima, sem medo de pegar gripe suína.

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