Ginecologia. A especialidade médica que cuida de problemas relacionados ao corpo feminino. Vem do grego arcaico gynē, γυνή (que também derivou a moderna palavra grega para mulher gynaika, γυναίκα) significando mulher + logia significando estudo, literalmente portanto, estudo das mulheres. Não sou mulherologista mas reconheço que o assunto é muito interessante. Seja bem-vindo ao DEK, esta é a letra G.

Parece haver mesmo uma origem indo-europeia comum para essas palavras. A raiz gwen-, é a fonte da palavra inglesa queen (do inglês arcaico cwēn significando mulher, nobre ou não) e que também pode ser visto em dinamarquês moderno (kvinde), em sueco (kvinna) e em persa (zan). A palavra mulher entretanto, não pertence a essa estirpe. Origina-se do latim mulier, que por sua vez, vem de molleris (fraco, sem músculo). Essa raiz originou também “molusco”, “mole”, contrapondo pejorativamente o espírito feminino ao do guerreiro. Há outros autores que associam o termo mulher com o latim moler que originou moinho, moleiro aludindo às tarefas domésticas. O fato é que em latim ainda, a palavra femina demonstra uma outra maneira de ver a mulher na sociedade. Em francês femme, em italiano donna (moglie é esposa), mulher acabou predominando entre os latinos apenas na Ibéria. Cabe-nos transcender a origem da palavra.

Quem faz residência médica em Ginecologia, também faz em Obstetrícia e vira um GO, apelido da especialidade. Obstetrícia vem de obstetrix que quer dizer parteira. Provém do verbo latino obstare que quer dizer contrapor. Literalmente, aquela que se contrapõe à saída do feto (no sentido de apará-lo e ampará-lo). Por falar nisso, obstetras cuidam de grávidas, que é um atributo exclusivamente feminino e também começa com G. Gravidez, transmite mesmo a ideia de peso. Vem do latim, gravidus,a,um (carregado, cheio, pesado). Em medicinês falamos gestação e gestante. Do latim, gestare (gerar).

Não poderia, por fim, de deixar de falar do tal ponto G. Há ainda muita controvérsia sobre a existência ou não de uma zona retropúbica na parede superior da vagina cuja estimulação geraria extremo prazer, orgasmos múltiplos e até ejaculação feminina. Os sexólogos insistem em ensinar as mulheres a localização e a utilidade do ponto G enquanto ginecologistas e pesquisadores insistem que a região pode não existir de fato e que os sexólogos se apoiam em estudos anedóticos. Em recente pesquisa no PubMed com o termo “G-spot” no título consegui 30 artigos sendo os 3 primeiros de 2010 (nenhum em inglês). Os títulos são os seguintes:

Buisson. [The G-spot and lack of female sexual medicine]. Gynecol Obstet Fertil (2010) vol. 38 (12) pp. 781-4
Magnin. [Does the G spot exist?]. Gynecol Obstet Fertil (2010) vol. 38 (12) pp. 778-80
Pastor. [G spot–myths and reality]. Ceska Gynekol (2010) vol. 75 (3) pp. 211-7

Todos discutindo ainda a controvérsia do ponto G. Para uma boa discussão sobre o assunto ver aqui (em inglês).

Para mais sobre o DEK, ver aqui.
Foto de Nicole com o nenê daqui.

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