“Na colocação dos problemas histórico-críticos, não se deve conceber a discussão científica como um processo judiciário, no qual há um réu e um promotor, que deve demonstrar, por obrigação de ofício, que o réu é culpado e digno de ser tirado de circulação. Na discussão científica, já que se supõe que o interesse seja a pesquisa da verdade e o progresso da ciência, demonstra ser mais avançado quem se coloca do ponto de vista de que o adversário pode expressar uma exigência que deva ser incorporada, ainda que como momento subordinado, na sua própria construção. Compreender e valorizar com realismo a posição e as razões do adversário (e o adversário é, em alguns casos, todo o pensamento do passado) significa justamente estar liberto da prisão das ideologias (no sentido pejorativo, de cego fanatismo ideológico), isto é, significa colocar-se em um ponto de vista crítico, o único fecundo na pesquisa científica”.

O texto é de Antonio Gramsci e foi escrito entre 1932 e 1933 e serve não apenas para a colocação de problemas histórico-críticos. Serve para a vida. Nenhum tipo de totalitarismo é aceitável. Também o da ciência não o é. Pense nisso quando for discutir “cientificamente” da próxima vez. Você não tem a verdade, tem apenas um modelo capaz de prever resultados de um número limitado de experimentos. A Verdade é outra coisa…

Consultei a excelente coletânea de Carlos Nelson Coutinho “O Leitor de Gramsci”. Ed. Civilização Brasileira.

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