Jogos Olímpicos Rio 2016

E para completar o ciclo de trabalho voluntário em grandes eventos (voluntariei na Rio+20 e na Copa do Mundo), obviamente que estava nas Olimpíadas Rio 2016.

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Após o evento fiquei com vários tópicos na minha cabeça para talvez escrever aqui, não tinha certeza se faria, mas depois de ler Rio 2016 Olympics: A sustainability summary achei que valia contar um pouco do que vi lá.

Esse texto da Ann Duffy é super otimista com relação aos jogos e todas as ações de sustentabilidade que foram feitas ao longo do planejamento dos jogos (falei um pouco disso quando visitei o Comitê em 2014). Mas o que me intrigou mesmo é a realização dos jogos em si, o evento durante e como o tema resíduo foi encarado.

Quando fiz a minha primeira caminhada no Parque Olímpico no primeiro domingo dos jogos a tarde meu primeiro choque foi a quantidade de gente que tinha ali. Sinceramente, fiquei assustada, aquilo parecia um formigueiro de gente e o primeiro pensamento que me veio a cabeça foi: um grande evento nunca será sustentável. Reunir aquela quantidade absurda de gente de todos os cantos do mundo, hospedá-las, alimentá-las e transportá-las é algo sem noção e insustentável.

Eu trabalhei no estádio da Lagoa, na equipe da área de protocolo que consistia em receber os membros da família olímpica (leia-se membros dos comitês olímpicos nacionais e internacionais, membros das federações de esporte, ministros, chefes de estado, etc), cuidar do local onde eles se reuniam (um lounge que cabia umas 100 pessoas) e organizar e indicar os assentos dessas pessoas para assistir a competição, ao todo éramos uns 20 voluntários, comandados por 2 funcionários contratados do comitê organizador. Qual o maior problema ambiental dessa operação? Resíduos. Nesse lounge tinha bebidas do patrocinador a vontade e algumas comidas. Tínhamos lixeira de recicláveis e não recicláveis, adivinha se respeitavam? Muitos até tentavam, mas e a garrafa meio cheia que não foi consumida até o fim o que fazer, lixeira de reciclável ou orgânicos? Inúmeras vezes me vi na dúvida: copo sujo de refrigerante vai em qual lixeira? Coisas que poderia ser planejadas como não usar descartáveis não foi algo pensado, pergunta se os copos, pratos e tralheres eram descartáveis? Claro! Coisas banais como essas ninguém pensou para diminuir a quantidade de resíduo gerado. Me doía o coração cada vez que eu via as lixeiras com os resíuos todos misturados e uma garrafa de refrigerante cheia até a metade sem saber em qual das lixeiras usar… (Pra esse “problema” mostrei aqui a solução encontrada por um shopping em São José dos Campos.)

E os resíduos do almoço dos voluntários e funcionários? Prato, copo, talheres descartáveis e uma lixeira única com tudo misturado. Mas a carne que comemos não era proveniente de desmatamento e o peixe era sustentável. É o que dá pra fazer num evento dessa magnitude. Tá bom, é suficiente? Não tenho a resposta. Essas são as experiências que eu vivi no Estádio da Lagoa, o evento tinha instalações em tantos outros locais e não sei como funcionou em cada um deles, pode ser que tenha sido melhor ou pior, esse foi a única amostra que eu coletei.

Achei essa reportagem do The Guardian, contam da utilização dos catadores para a gestão dos resíduos durante os jogos. Mas duvido que o lixo gerado no meu almoço tenha ido parar em alguma coperativa, tenho quase certeza que foi tudo parar no aterro com garrafas, talheres e pratos de plásticos que em tese deveriam ser reciclados. Afinal, ninguém merece ter que revirar o lixo sujo de comida e bebida de niguém para retirar os descartáveis, nem pelos R$80 por dia pagos pelo comitê organizador.

Por que o lixo é tão negligenciado? Por que acreditam que colocar 2 tipos de lixeiras e chamar os catadores ou cooperativas de catadores o problema tá resolvido e equacionado? É impressão minha ou numa escala de prioridades o lixo sempre vem em último? Será que foi muito diferente em Londres, Pequim ou Atenas?

O cinismo da humanidade com relação ao lixo tem que mudar, ou vamos eternamente fingir que o lixo não existe e não nos pertence uma vez que o colocamos numa lata de lixo?

Lixo, plástico, oceano e a logística reversa

Se tem uma coisa que eu gosto é reparar no que as empresas andam fazendo sobre ser sustentável depois que a moda da sustentabilidade passou. Na verdade, eu não sei bem se a moda passou ou estagnamos e não conseguimos fazer muito mais que não usar sacolinhas plásticas e talvez separar o lixo.

Hoje no Daily Planet descobri que a Adidas se juntou a Parley for the Oceans (Negocição pelos Oceanos). E criou uma campanha que coletou usou o plástico de redes de pesca encontrados próximos às Ilhas Maldivas e usando uma impressora 3D fez um tênis para fazer um tênis usando uma impressora 3D. A coleta dessas redes de pesca foi feita pela Sea Sheperd. O interessante é que é possível ganhar um dos 50 pares de tênis produzidos, basta fazer um video, postar no Instagram com a hashtag #ParleyAIR e #adidascontest dizendo porque você ama os oceanos, fazer uma promessa para ajudar a combater a poluição do plástico nos oceanos e mostrar que você deixou de usar algum plástico de uso único. Achei a campanha bem legal e queria ser criativa o suficiente para fazer esse vídeo para concorrer a um dos pares. Mas eu não sou (e o Brasil não é um país que pode participar da campanha :/) e o que eu sei fazer é pesquisar mais sobre a empresa e lembrei que eles tinham um programa de coleta de tênis velhos e queria saber como andava isso. De que adianta um campanha dessas que deve custar milhões se ela não se preocupa com sua logística reversa? Eu por exemplo tenho um par de tênis velho da Adidas encostado pois não estão em condições de uso nem de doação e não sei o que fazer com eles.

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Essa pesquisa me deixou feliz pois descobri que desde o ano passado em algumas lojas da Adidas no Brasil eles estão aceitando pares de tênis velhos (e roupas esportivas) de qualquer marca e ainda dão 15% de desconto para novas compras para quem levar um par/roupa usad@. Ok que esse recolhimento ainda não é em 100% das lojas da marca no Brasil, mas é um começo, eu ficaria bem decepcionada se visse essa campanha deles toda linda sobre salvar os oceanos e eles não estivessem nem fazendo a lição de casa pensando no lixo que o próprio produto deles gera por ai.

Vejo as empresas dando passos bastante tímidos com relação à logística reversa, algo super importante e que está na nossa Política Nacional de Resíduos Sólidos (que existe desde 2010), também continuo vendo as pessoas pouco preocupadas com o destino de seu lixo. Quando as empresas vão investir a mesma quantidade de dinheiro que usam para promover um tênis provenientes de lixo oceânico em campanhas para promover o destido correto do seu tênis velho e sem uso?

Fairphone

Você acredita que os produtos que você consome são éticos? Desde aquele chocolate gostoso ou aquela blusinha você acha que foi produzido com ética, responsabilidade ambiental e social?

Hoje em dia muitos produtos que consumimos são produzidos nos mais diversos lugares do mundo, fica quase impossível saber se a legislação trabalhista de cada país segue critérios minimamente aceitáveis ou se existem leis ambientais que são cumpridas e fiscalizadas. E dependendo do produto rastrear cada uma das cadeias de suprimentos é algo até difícil de imaginar como fazer, mesmo em tempos de internet.

Pensando na ética e responsabilidade de seus produtos muitas empresas investem em suas cadeias de suprimento, principalmente na matéria-prima de seu produto principal, como por exemplo a Starbucks ou a Natura. Ok, pode ser só marketing da parte deles, mas pelo menos eles vendem a ideia de que se preocupam com isso ou fingem que se preocupam.

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Mas e no caso de produtos de tecnologia que não são feitos apenas de uma única matéria-prima? Por exemplo seu telefone celular, seu computador ou sua televisão que contém partes oriundas dos mais diversos lugares do mundo? Pensando em toda essa cadeia que surgiu o Fairphone.

O mais legal é que ele não é apenas uma linha de produto de uma grande empresa, a Fairphone uma empresa social holandesa tem como premissa criar um telefone que melhore a cadeia de valores dos eletrônicos.

Para produzir o telefone deles eles trabalham com a mineração, tentando estimular a economia local e não conflitos armados; o design, pensando em produtos duráveis e que dê aos compradores maior controle aos produtos; a fabricação, proporcionando mais qualidade de vida aos trabalhadores que montam o telefone; o ciclo de vida do produto, pensando em toda a vida útil do telefone: uso, reuso e reciclagem segura, eles acreditam que a responsabilidade deles não termina na venda e trabalham também o empreendedorismo social tentando criar uma nova economia baseada em valores sociais. Compartilhando a história da Fairphone eles acreditam que podem ajudar os consumidores a ter mais consciência em suas compras.

Uma das coisas mais legais da Fairphone é que depois de alguns investimentos iniciais por meio de instituições que investem em projetos de teconologia criativa para desenvolvimento social, um prêmio do Banco Mundial, uma grana de um boot camp e um fundo privado financiar a fabricação das primeiras encomendas do telefone, nenhuma outra grana de grandes empresas ou capital de risco entrou na empresa pois a ideia é preservar os valores sociais. Afinal, quando uma empresa que se diz sustentável, ética, socialmente responsável e tem suas ações negociadas na bolsa fica um tanto refém de acionistas que querem lucros mais altos a cada ano e não é novidade para ninguém das atrocidades que as empresas são capazes de fazer por esses lucros (Alguns exemplos: Mitsubish, Renner, Volkswagen).

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O Fairphone custa 529,38 euros (algo em torno de R$2200,00) um pouco mais caro que a média dos smartphones aqui no Brasil, mas como eles tem uma produção toda preocupada com causas justas, acho que valeria pagar.

Precisamos de mais empresas que tenham a preocupação não apenas de produzir produtos bons, mas que pense em todo impacto na sua produção e super torço para que a Fairphone prospere (eles estão produzindo o Fairphone 2). Quando vejo iniciativas eu consigo ter um pouquinho mais de fé no mundo, mas só um pouquinho.

Sustentabilidade na televisão

Sou dessas que quando ve a palavra sustentabilidade e derivadas em algum lugar vai procurar saber o que é e do que se trata.

Quando vi esse logo no fim dos créditos de uma das minhas séries favoritas (Downton Abbey) fui lá ver o que era esse tal de Albert+ sustainable production.

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Achei o site desse órgão que cuida do impacto ambiental da indústria de artes visuais do Reino Unido. Eles tem como objetivo guiar essa indústria para a economia de baixo carbono. Começaram calculando a pegada de carbono da indústria e hoje é complementada com treinamento, certificação e comunicação. Quem banca esse órgão é um consórcio das 13 maiores empresas de produção e transmissão do Reino Unido.

Pelos cases deles dá pra ver que está tudo muito no início, por exemplo, Downton Abbey recebeu o selo deles por usar iluminação de LED nas gravações. Uma outra produção que teve um programa gravado na Patagonia usou um cameraman local para diminuir a pegada de carbono, evitando assim o transporte do material a ser usado para a filmagem e a viagem de alguém do Reino Unido até o Chile/Argentina. Outra coisa que eles fazem também é encontrar fornecedores da cadeia de produção deles que tenham preocupação ambiental.

Me pareceu um passo bem discreto, mas válido, na verdade pra mim bem realista, eles não são megalomaníacos dizendo que o selo deles entregam uma produção verde e sustentável, eles garantem 3 coisas quando você ve no selo deles numa produção:

  • a direção dos assuntos de sustentabilidade são conduzidos por alguém do topo;
  •  é feita a medição precisa da pegada ambiental da produção e
  • que existe procedimentos para que exista uma redução da pegada ambiental.

Fico feliz que passos sejam dados nessa direção, espero que cresca e com o tempo essas preocupações sejam parte da rotina de qualquer serviço e não seja necessário uma instituição que precisa cuidar e estimular esse tipo de atitude. Mas para a mudamça de hábito isso é necessário e importante.

O que aprendi hoje

Hoje teve evento: “Implicações e oportunidades para o meio empresarial diante da nova INDC brasileira”

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Ai alguns dos meus tweets durante o evento:

 

A coisa foi toda meio esquizofrênica, comecei ouvindo que somos uma potência ambiental e somos respeitados por isso no mundo todo. Mas pra isso ser verdade acho que a gente não deveria ter sujado a nossa matriz energética, né não? Ouvi lá que a Alemanha aproveita mais a energia solar do que nós e o melhor potencial de incidencia solar deles não chega nem perto do nosso pior índice de incidência solar. E mesmo assim somos considerados uma potência ambiental mundial? Mas o mundo vai mal mesmo, hein?

Mas os aprendizados do dia foram:

Para as empresas mudanças climáticas resumem-se a energia e pelo visto essa é a única e maior contribuição que eles podem fazer por que o evento SÓ falou disso. Pra você ter uma noção de como o assunto do evento foi energia só o Ministro de Minas e Energia estava presente apesar da Ministra de Meio Ambiente e o Ministro da Fazenda também terem sido convidados.

E para o governo mudanças climáticas não é um problema ambiental e sim de desenvolvimento. Isso explica muita coisa do que temos vistos diante dos nossos problemas ambientais, né não?

E Boa COP-21 para todos!

Retrospectiva – Onde os navios morrem

Esse blog já é bem velhinho para os padrões da internet, 8 anos! E provavelmente ninguém acompanha desde o início como eu e vez ou outra lembro de coisas que postei e ninguém viu. Ai pensei que seria tempo de falar novamente de algumas coisas e a primeira que me veio a cabeça foi um post de 2008 sobre o Destino dos Navios.

Simplesmente copiar e colar o antigo post aqui não faria sentido então resolvi rever o assunto, fazer uma nova pesquisa e ver o que aparecia, pois bem, depois de muitas reportagens no mundo rico e ocidental (National Geographic 2014, Deutsche Welle 2015, Daily Mail 2015, Vice 2015, BBC 2012, CNN 2010), o mundo tem se preocupado com o que acontecia por lá e uma ONG para lutar por mais direitos aos trabalhadores e cuidados ambientais apareceu. Tá rolando uma maior conscientização mas pra mudar alguma coisa mesmo ainda vai tempo, apesar de estarmos falando de Bangladesh, lugar onde nasceu o Grameen Bank, do ganhador do Nobel da Paz, Muhammad Yunus, a miséria e a pobreza são gigantes e como diz meu pai, nesses lugares a vida vale menos.

Espero que com a quantidade de notícias recentes sobre o local que eu achei em grandes veículos internacionais alguma mudança mais significativa aconteça em breve. E olha, sinceramente em alguns videos que eu vi algumas pessoas estavam usando botas! O que é uma evolução perto das fotos que eu vi em 2008, quando escrevi o primeiro post.

Foto: https://flic.kr/p/7gAfbh (CC BY-NC-ND 2.0)

Foto: https://flic.kr/p/7gAfbh
(CC BY-NC-ND 2.0)

Odebrecht, mostra a tua cara

Provavelmente eu devo ser a única pessoa que acompanha esse blog desde seu início e portanto as 2 pessoas que passam por esse blog as vezes não devem saber que em 2008 eu tive um problema com a Odebrecht. Bom, vale a pena contar o acontecido, é o case desse blog inclusive! hahaha

Odebrecht Ambiental - Companhia Siderurgica do Atlantico - CSA, Santa Cruz, Rio de Janeiro

No segundo semestre de 2007 a Revista Ideia Sustentável publicou um artigo falando sobre líderes da Sustentabilidade e entre os entrevistados estava Norberto Odebrecht, pouco antes de ler a revista um amigo de faculdade tinha me contado da experiência dele pouco agradável de trabalhar em uma obra na República Dominicana, a obra era gerenciada por quem? Pela Odebrecht! Ai, eu escrevi um email para o editor da revista contando dos absurdos vividos pelo meu amigo naquela obra, recebi um email do editor dizendo que iria entrar em contato com a empresa. 3 meses se passaram e por algum motivo não recebi nenhuma resposta, então resolvi publicar no blog o email trocado com o editor. Pronto, meu inferno começou alguns dias depois…

Primeiro foi o editor me mandando um mail dizendo que sim, tinha me respondido, ai publiquei a resposta aqui. Tudo parecia “resolvido”, pois além de ter uma resposta “oficial” da emrpesa, eles ficaram de investigar e blablabla. Só que 3 dias depois uma outra pessoa também da comunicação da empresa me mandou e mail “ameaçador” falando de um site chamado Ambiente Já e uma resposta um tanto quanto grosseira publicada naquele site com relação às minhas denúncias. Eu não fazia ideia do que estava acontecendo! Nem que raios de site era aquele. Resumo da ópera, o tal Ambiente Já tinha publicado o meu post no site deles sem que eu soubesse, essa pessoa da empresa leu meu relato, não gostou, mandou uma resposta para o site e mandou para mim via email com ameaças nas entrelinhas. Na época eu fiquei bem chateada e de saco cheio com tudo, dei a coisa toda como encerrada e de fato foi o que aconteceu, a empresa nunca mais entrou em contato comigo para dar qualquer satisfação (uma estratégia acertada, afinal, quem é essa blogueira na fila do pão?). Mas pessoalmente eu e meu amigo tivemos uma vitória (ainda que minúscula) que eu nunca contei aqui no blog porque essa história já tinha me esgotado muito. Logo depois da recuperação do meu amigo ele acabou voltando para República Dominicana para uma outra empreiteira que também prestava serviços para a Odebrecht e a publicação desse meu post e todo o bafafá que ele gerou aconteceu quando ele estava lá, mas numa outra obra. Eis que um belo dia o diretor geral das obras da Odebrecht do país manda chamar meu amigo para uma conversa na capital do país, ele sem entender nada foi, chegou lá e qual a foi surpresa de saber qual era a pauta? A publicação no meu blog! No fim meu amigo ficou muito contente em saber que meu bloguinho de alguma forma incomodou uma das maiores construtoras do mundo e no mínimo deixou-os com a pulga atrás da orelha sobre para quantas outras Claudias os funcionários deles podem contar histórias como aquelas.

Eu sei que provavelmente devo estar na lista de persona non grata da Odebrecht, em 2013 eles convidaram vários blogueiros para a entrega do Prêmio Odebrecht para o desenvolvimento sustentável e obviamente não me chamaram! hihihi

Mas o motivo desse post não é só relembrar esse case, mas pra dizer que eu não deveria ser tão mentirosa assim em 2008 já que em 2015 o Grupo Odebrecht é condenado a pagar R$50 milhões por trabalho escravo em obras em Angola. E dessa vez, querida Odebrecht não é uma blogueira maluca ambientalista quem está dizendo, nem o amigo dela, é o Ministério Público mesmo.

Acho que todo esse post e o meu “relacionamento” com a referida empresa dispensa quaisquer comentários sobre o envolvimento da construtora na Operação Lava-jato da Polícia Federal, né?

O óleo de palma e a publicidade

Quem lembra desse video? Jurava que eu tivesse compartilhado aqui no blog em algum momento da história, mas procurei e não achei…

Essa foi uma campanha do Greenpeace em 2008 sobre o uso indiscriminado de óleo de palma vindo das florestas do sudeste asiático (basicamente da Indonésia). Pra quem não sabe: florestas nativas são desmatadas lá para plantar um certo tipo de palma que faz óleo para os cosméticos da Unilever. Ai, o Greenpeace pressionou e parece que tem surtido efeito… Em 2009 o Greenpeace anunciou que a empresa tinha rompido com fornecedor de óleo de palma que era desmatador. Em 2012 a Unilever anunciou que até o fim daquele ano 100% do óleo de palma usado na sua produção seria certifcado, adiantando a meta em 3 anos.

(Parenteses rápido aqui: Em 2013 morei 4 meses no sudeste asiático, minha base era Cingapura e durantes muitos dias a cidade-estado sofria com uma neblina de fumaça vinda da Indonésia (ilha de Sumatra) por conta do desmatamento das florestas de lá. Aliás, acabei de olhar no site de Cingapura que informa sobre a situação e hoje (12/09) eles detectaram 53 focos de incêndio em Sumatra e o ar estava qualificado como pouco saudável. Isso é só um dado, não tô dizendo que todo desmatamento que acontece na Indonésia é por causa da palma plantada para a multinacional produtora do Dove.)

Mas o que me chamou a atenção dessa vez foi ver a quantidade de dinheiro sendo gasta na campanha para tentar limpar a imagem da empresa. O video abaixo está sendo anunciado absurdamente na internet, eu vi centenas de vezes nos meus joguinhos, no twitter e deve estar em muitas outras redes sociais que não frequento, a campanha do Greenpeace em 2008 fez bastante barulho principalmente online e acho que por isso eles estão investindo tanto na divulgação dessa campanha de proteção de florestas juntamente com o WWF. Só não ficou claro pra mim como de fato acontece essa ajuda, qual o valor que será investido para proteger as florestas? Ao que me consta o desmatamento no SE asiático continua.  Ok, dizer que X milhões serão investidos é um começo, mas mas como? Pagamento de serviços ambientais para os moradores locais? Incentivo para certificação de pequenos produtores (se é que essa pode ser uma realidade lá). Cobrança para que todos compradores de óleo de palma só compre óleo de origem sustentável? Quero que o desmatamento acabe de verdade não apenas que a Unilever fique bem na foto!!! No que assinar um manifesto ajuda na proteção das florestas? É pra pressionar o governo indonésio a fiscalizar e incentivar a preservação das florestas dando mais educação e informação para as populações locais? Me mostre Unilever que essa campanha não é só para fazer a sua marca aparecer como empresa amiga da floresta!

Sei dos vários avanços da Unilever em busca da sustentabilidade com relação a redução de consumo de água na produção, a meta de reciclagem de embalagens, a compra de 100% do óleo de palma sustentável, etc, mas no caso dessa campanha em específico acho que vocês poderiam mostrar algo mais concreto do que um videozinho emocionante e uma petição de apoio. Isso aqui é vazio, me desculpe. (Sem contar que o video de uma árvore que foge para a cidade não significa que ela será protegida, não aqui em São Paulo, onde todos os dias árvores são cortadas sem dó nem piedade).

Mais sobre óleo de palma:

Entenda como o óleo de palma está no seu dia a dia e prejudica florestas no mundo (2013)

the palm oil debate (em inglês)

Um festival de comida com lixo mínimo

Acabei de voltar de férias e se teve uma coisa que me chamou muito a atenção nessa viagem foi o Festival de Filmes que estava rolando na praça da prefeitura de Viena. Não pela curadoria do festival, pela qualidade dos filmes ou por causa do local onde acontece. Pra falar a verdade eu nem vi nada do festival em si, o que eu vi foi a praça de alimentação (que é a parte gastronômica) que foi feita em frente ao local do evento.

São vários quiosques de comida e bebida de vários lugares do mundo, desde comida austríaca local, até de outras partes da Europa e do mundo.  E por que esse festival gastronômico chamou a minha atenção já que esse não é um blog de turismo e cultura? Quando eu penso nesse tipo de feira gastronômica ou até qualquer praça de alimentação eu já penso em pratos, copos e talheres descatáveis e uma tonelada de lixo gerado sem nenhum tipo de tratamento ou destino adequado. Só que dessa vez eu fui surpreendida com pratos de porcelana, talheres de inox (ou qualquer outro material que o valha) e copos de vidros, apenas os guardanapos eram de papel.

É possível fazer um festival desse tipo numa cidade turística e grande como Viena sem gerar sacos, sacos e mais sacos de lixo repletos de materiais descartáveis? Sim! É! E o Festival de Filmes de Viena me mostrou isso.

O festival de filmes é o maior festival de cultura e comida da Europa, eles recebem por volta de 750 mil visitantes.

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Clique na foto para ver o prato de porcelana e os copos de vidro! 😉

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Ainda era cedo quando tirei essa foto e não estava tão cheio.

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Uma visão geral do que é o festival de comida. Clique na foto para ver os copos de vidro.

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A louça e os talheres são recolhidos pelos “garçons” e vão para essa estação. Aí eles retiram os restos de comida e enviam a louça para um local onde são lavados.

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O transporte dos copos.

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Meu prato de porcelana e meus talheres de inox! 😀

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora eu me pergunto será que esse sistema é tão mais caro do que se vê por ai com os descartáveis? Apesar dos descartáveis não precisarem de limpeza eles também não vão sozinhos para o aterro.

Mas nem tudo é perfeição na cidade… No dia seguinte na estação de trem almocei numa praça de alimentação típica de shoppings em que talheres e pratos eram todos descartáveis e jogados numa mesma lata de lixo… 🙁

Um vídeo legal, outro nem tanto…

Sensacional esse vídeo!

Ok, que o tema não é dos mais legais, mas a abordagem é muito boa.

Acesse: quaseumdodo.com.brdodo

Essa reportagem do Jornal Nacional é realmente triste. E achei mais triste ainda a fala final da Renata Vasconcellos: “O governo do Amapá anunciou que um grupo vai estudar as causas do fim do fenômeno”. Mas só agora? Duvido que o fenômeno parou de acontecer de repente.

pororca

https://flic.kr/p/QwKKB (CC BY-NC-ND 2.0)

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