Kenyan Conservation TV Show

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A few years ago I saw a Brazilian anthropologist observed that at the beginning of the internet, one of the most exciting things was the possibility to have information about places we never thought, places we don´t have any kind of information. For him, for example, the possibility to read a newspaper from Nepal, pictures from Malawi or hear songs from Brunei was nice information that the Internet could bring to people. But, in his opinion, in the end, what we are doing with the Internet is to close ourselves in bubbles of similar people like us, people who think like us and not seeing and discovering the diverse and simple curiosities about the world we live. And I think he is quite right, how often do you see or look for news from different places outside of your city, your neighbor or your side of the globe? If it doesn´t become viral you only have access to the same sources of information from the same part of the world.

If you like conservation and people behind it, to help you to see something different from NatGeo documentaries or Netflix series I present to you Wildlife Warriors. This TV series from Kenya has Paula Kahumbu as host to show you people in this country who are fighting to preserve the wildlife. Paula Kahumbu is a Kenyan wildlife conservationist with a PhD at Princeton and since 2014 has spearheaded the hard-hitting Hands Off Our Elephants Campaign.

In this first season (I hope they will have more) you will see stories not only about the big five (elephants, rhinos, lions, buffalos, and leopards), but you will also see stories about turtles, wild dogs, snakes, grevy´s zebras and guinea fowls. Of course they have an episode on elephants and other on rhinos, but you will get to know more about the people in the field who are fighting and living to protect those animals and their habitat.

In this episode about Grevy´s zebras you can see how is a life of a research in the field and how technology is helping this unique species.

Wildlife Warriors is a local production from Kenya that you can watch for free on YouTube, to expand your wildlife horizons and maybe discover more about new animals and realities.

If you want to know more about the production, Paula Kahumbu wrote about here and here.

I´m Claudia, a Brazilian environment geologist writing about environment and sustainability since 2007 in my blog, after 12 years I decided to write something in English.

Corrente de whatsapp – sementes

Recebi pelo Whatsapp…

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Imagem de congerdesign por Pixabay

Caros amigos,
Por favor, publique e me me ajude a encaminhar esta messagem para que ela seja divulgada, grata.
Em breve será a temporada de frutas como ameixas, pêssegos, quiabos, abóboras, melancias, cerejas, damascos, mangas, laranjas, mexericas, abacates, uvas etc etc.
Meu pedido para todos é evitar jogar as sementes no lixo, mas em lugar disso lavá-las, secá-las (ao sol) e armazená-las em um saco de papel (plástico não) e guardá-las no carro. Toda vez que você sair e for para um campo, ou enquanto estiver viajando por uma estrada, jogue essas sementes no terreno.
Com este ato simples podemos contribuir com uma árvore, uma rama … a cada temporada para o nosso mundo, e a nossa missão de tornar este mundo verde vai acontecer. O governo tailandês promoveu esta ideia a todos os seus cidadãos nos últimos anos.
Muitos de seus distritos  conduziram essa campanha com firmeza e teve muito sucesso.
O número de árvores frutíferas e leguminosas na natureza multiplicou-se, especialmente nos distritos do norte da Tailândia.
Os malaios se juntaram aos tailandeses nesta brilhante iniciativa de espalhar abundância na natureza, e desta forma simples mas eficaz, contribuíram para as futuras gerações. Façamos o mesmo

Achei bonitinha a ideia, qualquer coisa que leve as pessoas a terem algum contato com a natureza me entusiasma e por isso resolvi compartilhar com alguns conhecidos.

Duas amigas para quem repassei a mensagem levantaram a questão de que a maioria das espécies citadas na corrente são de árvores exóticas. Achei interessante pensar sobre isso, mas não tenho uma opinião formada. Como já disse só o fato das pessoas estarem engajadas em algo relacionado à natureza já é positivo para mim e por isso repassei a mensagem.

Mas resolvi procurar sobre essa história da Tailândia, se de fato é real. Procurando por “Thailand”, “seed” (semente), “tree planting” (plantação de ávores), “population” (população) e “government” (governo). Não veio nenhuma notícia como contada na corrente. As notícias que apareceram foram que a Tailândia usou bombas de sementes para reflorestamento, mas essas bombas foram jogadas por aviões. Bom, essas notícias não me pareceram lá muito confiáveis pois tinham dados bem vagos a respeito e todas eram de 2016. Diziam que a Tailândia estava fazendo nisso num projeto de 4 ou 5 anos (depende de onde você lê) desde 2013. Pois bem estamos em 2019 e não achei nenhuma notícia com resultados. Será que não deu muito certo? Ou seria só uma fake news inofensiva? O que você acha?

Atualizações

Olhando os último 5 anos desse blog eu nunca fiquei tanto tempo sem escrever aqui, foram quase 8 meses sem uma linha sequer e isso me enche de pesar, por mais que ninguém leia tenho a sensação que problemas ambientais não me indignam mais o suficiente (ou não tenho visto mais soluções legais) para vir aqui e compartilhar esses pensamentos.

Mas fato é que nesses 7 meses eu andei fazendo algumas coisas interessantes e a falta de notícias aqui só foi reflexo de preguiça mesmo pois meus olhos para o meio ambiente continuaram abertos e atentos.

Estive por 4 meses no Quênia fazendo parte de uma pós em Gerenciamento em Inovação Social pelo Instituto Amani como parte do programa fiz meu estágio na Internet of Elephants e não quando escrevi sobre eles eu não sabia que iria trabalhar lá. Foi uma experiência incrível, para mim se abriu um mundo novo. Não sei se por ter vivido a vida toda em São Paulo nunca tive a noção de como conservação é um mercado, pelo menos na África pude sentir isso, ok que lá muito relacionado ao turismo, mas existe muita movimentação em torno do assunto como um mercado e não apenas como uma causa, rolou até um congresso sobre o assunto em Ruanda. Além de desenvolver jogos a Internet of Elephants também deseja ajudar a ampliar mais esse mercado.

Bonds of Nature

Também por conta do curso eu tive que desenvolver um projeto de inovação social. E obviamente que ele girou em torno de meio ambiente e conservação. Eu e mais um colega queniano projetamos um reality show de famílias na natureza, a ideia principal é mostrar a natureza como uma opção para você ter um tempo com quem você ama e de como ela pode ajudar no fortalecimento das relações. O nome do projeto era Bonds of Nature, algo como Laços de Natureza. Fizemos um protótipo do programa, está em inglês, você pode ver abaixo.

Alguma opinião, dúvida, inquietação sobre o protótipo? Deixe seu comentário! Vou adorar saber.

A frustração do descarte

Eu não tenho outra definição para o meu sentimento no momento: frustração, impotência, indignação.

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Pra uma pessoa que está aqui há 11 anos falando de meio ambiente, sustentabilidade, lixo, novas formas de economia e etc isso é um tapa na cara. Mas a única coisa que eu posso fazer é manifestar esse sentimento, né? Pois bem, aqui está:

Isso sem contar os R$200 q terei q desembolsar tb por conta do tampo traseiro trincado. É justo um produto tão caro durar tão pouco? E simplesmente a manutenção não valer a pena?

Eu como ativista de meio ambiente, preocupada c/ os resíduos gerados nesse planeta pensei q o investimento tão alto num aparelho top de linha seria uma solução inteligente p/ gerar menos resíduos, mas vejo q não, essa lógica não funciona p/ o produto de vcs.

Ou talvez eu seja uma estúpida mesmo em querer comprar um produto de luxo e não querer bancar um novo a cada estação. Agora como deve agir uma pessoa preocupada c/ o impacto q deixa no planeta?

Desembolsar um valor maior do mesmo produto novo p/ evitar que mais resíduos sejam gerados ou simplesmente ignorar essa preocupação e comprar um produto novo?

E não, não me venha c/ o papo de descarte ecologicamente correto pois isso é balela. É a lógica do descarte aqui q estou tentando combater, a ideia de q se é reciclável ou vai ser reciclado tudo bem consumir mais.

É muito mais do que apenas mandar o produto p/ um destino melhor q o lixão. É sobre ser responsável pelo q se consome e como se consome.

Mas o meu caso deve ser um número irrelevante p/ vc, né Afinal, qtos dos produtos de vcs dão problema como o meu depois de 1 ano e meio de uso? Quantas pessoas se dão ao trabalho de reclamar? Ficarei aqui c/ a minha frustação e indignação.

Obrigada, por não ser uma empresa melhor para o mundo. Só mais uma como tantas outras.

A China e o meio ambiente

Foto: Clay Gilliland (CC BY-SA 2.0)

Foto: Clay Gilliland (CC BY-SA 2.0)

Em 2007, ano de início desse blog, escrevi um post falando sobre a China e um pouco da realidade ambiental daquele país, usando como referência histórias de conhecidos e notícias da imprensa. Passados exatos 11 anos, o que mudou? Olha, pode ser um longo tempo, mas fico contente que a China tem olhado para o meio ambiente com um pouco mais de preocupação, toda semana recebo pela imprensa alguma notícia, de certa forma, empolgante sobre o assunto.

Semana passada Ronaldo Lemos me trouxe a informação que a poluição está na agenda da ciência para ser nada mais nada menos que eliminada e que “o próximo ciclo de desenvolvimento chinês prevê a transformação do país em uma economia verde.” Pra quem há 11 anos leu que durante uma semana inteira a poluição impedia que os habitantes de Pequim não vissem o céu por conta da espessa camada de poluição isso é um avanço considerável.

Hoje (atrasada diga-se de passagem) li que a China investiu entre 1999-2013 algo em torno de R$60 bilhões em projetos de reflorestamento e que eles tem apresentado resultados positivos.

O anúncio do país ano passado em investir US$360 bilhões em energia renovável até 2020 tem me deixado otimista quanto aos rumos que a China tem dado na sua preocupação ambiental. Parece mesmo que o meio ambiente é uma assunto que está na pauta para eles. E se eles são um dos poucos exemplos de tecnocracia no mundo, se não o único, não é preciso ser nenhum gênio para entender essa mudança de direção.

Mas como uma pessimista inveterada não posso deixar de ver como o ser humano ainda tem muito a melhorar e repito de certa forma aqui parte do meu discurso quando escrevi o texto aqui no blog em 2007. A China pode estar no caminho de acertar o rumo, mas precisava perceber isso depois do estrago feito? Parece que a humanidade tem um certo apreço por repetir erros, né? Ou simplesmente ignora os erros e só depois que o estrago tá feito é que se dá conta. Bom, pelo menos a China está tentando acertar a direção. E o que podemos dizer do Brasil? Essa reportagem nos dá uma pequena amostra de como as florestas brasileiras tem sido tratadas, por onde a preferência por combustível fóssil tem nos levado entre tantos outros exemplos e não tem me parecido um acerto de rumo na melhor direção, tanto para os brasileiros, como para a humanidade como um todo.

É, China, antes tarde do que nunca…

Jogo para salvar animais em extinção?

Sabe aquela ideia que você fala por que eu não pensei nisso antes? Quando descobri esse aplicativo foi o que eu pensei. Mas ao mesmo tempo também pensei: ainda bem que tem gente mais criativa que eu no mundo! hehehe

A Internet of Elephants resolveu juntar jogo, realidade aumentada, educação ambiental e conservação de animais e criou um jogo para celular chamado Safari Central, ainda em sua fase inicial, mas que tem uma ideia muito boa que é trazer animais selvagens para o dia-a-dia das pessoas e estimulá-las a fazer micro doações dentro do jogo para projetos que protejam a onça pintada no Brasil, elefantes ou rinocerontes no Quênia, lêmures no Madagascar, pangolins no deserto do Kalahari e uma ursa-cinzenta nos EUA.

Essa versão inicial apenas te dá a opção de 5 fotos com o animal a sua escolha. Se você quiser mais fotos é só fazer uma doação para a organização responsável pela preservação desses animais que você poderá fazer mais fotos. No Brasil você ajuda a WWF e o Instituto Pró-Carnívoros com a Onça Atiaia.

Veja aqui uma amostra do que o app já faz:

Ano passado com o lançamento dessa prévia eles fizeram um concurso de fotografias cujo prêmio era um safari para África do Sul pelo deserto do Kalahari.

Mas a ideia mesmo é entregar um jogo até o fim de 2018, o que eles já chamam de Pokémon Go Ecológico e usa dados dos animais reais para reproduzir o comportamento e características deles.

A indústria dos games no mundo gerou em 2017 US$108,9 bilhões, no Brasil foram US$1,3 bilhões, imagina uma pequena parte desse dinheiro indo para projetos de conservação de animais com perigo de desaparecer na Terra?

Além disso a ideia do jogo é também criar mais envolvimento das pessoas com relação à vida selvagem, pelo menos é o que o fundador da Internet of Elephants pretende. Esse ano a empresa foi listada pela Fast Company como uma das empresas mais inovadoras.

Acho lindo quando encontro coisas que gosto juntas, nesse caso conservação ambiental e tecnologia.

Eu já fiz minha fotinho com a Lola, a rinoceronte órfã que vive no Quênia. 😉

Lola e a Claudia fazendo selfie.

Lola e a Claudia fazendo uma selfie.

A culpa é sua

mundo saco

Saiu um estudo na Science of The Total Environment que mostra dados de monitoramento de lixo no assoalho oceânico dos mares do noroeste da Europa (mais precisamente mares em torno do Reino Unido). Esse estudo mostra dados do período de 1992-2017 com redes espalhadas pelos mares que coletam o lixo. Confesso que não li o artigo original inteiro, mas na reportagem que fala desse estudo no The Guardian eles apontam que há uma queda no número de sacolas plásticas encontradas nessas redes de monitoramento. A reportagem fala em aproximadamente 30% de queda a partir de 2010 em áreas próximas da Noruega e Alemanha até a nordeste da França e oeste da Irlanda.

Desde 2003 países como Irlanda e Dinamarca tem cobrado taxas sobre as sacolas plásticas. Será apenas coincidência que o número de sacolas plásticas no mar diminuiu desde então? Ou o fato de cobrar taxas sobre as sacolas fez com que as pessoas as usassem com mais parcimônia e consequentemente menos dessas sacolas foram parar nos mares? Eu não acho que isso é apenas coincidência e o próprio autor do paper, Thomas Maes, diz na reportagem: “Quanto menos sacolas usamos, menos nós descartamos, menos nós as colocamos no ambiente”.

Esse tipo de política funciona tanto que o governo do Reino Unido vem estudando a possibilidade de que essa taxa seja aplicada também às garrafas e latas.

Eu não faria um post só para contar isso, mas por conta de uma resposta de um twitt meu a essa reportagem eu tive que vir aqui e escrever, na verdade é quase que uma continuidade do meu último post quando achava covardia das empresas colocar no cidadão comum a responsabilidade de serem melhores.

Ai eu recebo isso de resposta:

Esse perfil que me respondeu não apenas empurra para o cidadão a responsabilidade de reciclar um produto como sem nenhum pudor estimula e incentiva o uso sem qualquer problema.

Então tá, a culpa é da população que não sabe reciclar. E você acha que estimular o consumo é que vai ensiná-las a cuidar do seu lixo, né?

Tá bom, indústria do plástico, por favor seja melhor do que empurrar a responsabilidade de reciclar o lixo para o consumidor. Ensinar as pessoas das 1001 utilidades do plástico (que é o que vocês propõem no perfil de vocês) é meio que chover no molhado, todo mundo já sabe das benesses e utilidades do plástico, isso num tem nada de novidade para ninguém. Isso também não colabora em nada com o problema do mal descarte do plástico.

Me conta, produtores de plástico, de todo plástico que vocês já produziram na vida, qual a porcentagem dele de fato foi reciclado? Já que a grande (e parece que única) solução que vocês apontam é o descarte correto dos resíduos. Tá vou ser legal, não precisa ser de todo o plástico já produzido na vida, pode ser a taxa de reciclagem dos últimos 5 anos.

Se o cidadão mora numa cidade que não tem reciclagem do lixo como ele faz? (realidade de 69.6% das cidades brasileiras) Você vai lá buscar as sacolinhas infinitas que ele pegou no supermercado para reciclá-las para ele? Ah, claro que não, afinal o cidadão que tem que ter conscientização. Então, caro cidadão a minha dica é: se a sua cidade não tem coleta seletiva de lixo, use menos sacolas plásticas, ok? O ambiente agradece e as tartarugas mandam um beijo!

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Se todas as sacolas produzidas por vocês de fato virassem sacos de lixo e fossem para aterros sanitários, por que será que ainda tem tanta sacola plástica encontrada no estômago de tartaruga ou nas redes de monitoramento dos pesquisadores?

Cara indústria do plástico, não é continuando com os mesmos hábitos de consumo que vamos conseguir diminuir a poluição de plástico ou qualquer problema ambiental que temos. Conscientizar as pessoas sobre descarte do lixo é parte da solução, mas diminuir o consumo também é, uma coisa não elimina a outra. Aliás a diminuição do consumo resolve muitos problemas além da poluição dos mares, pode ter certeza.

Pelo visto o interesse de vocês não é ser uma indústria correta, preservar o meio ambiente ou conscientizar as pessoas a darem um destino correto para seus resíduos. O objetivo de vocês é que as pessoas continuem a usar sacolas plásticas sem nenhum pensamento crítico sobre o assunto, como foi durante muito tempo. Mas o meu consolo é que se o mundo está um lugar mais poluído, com menor biodiversidade e sujo, esse mundo não será usufruído só por mim, mas por vocês e seus descendentes também e saibam que vocês foram os grandes colaboradores dessa sujeira toda.

Empresas, melhorem

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Outro dia fui num evento da GV-CES chamado: “Análise econômico-financeira em projetos de sustentabilidade”, o objetivo do evento era apresentar 2 estudos de caso em que análises econômico-financeiras foram incorporadas em projetos de sustentabilidade.

Confesso que fiquei frustrada. Se isso tivesse sido apresentado há 10 anos eu teria ficado bastante empolgada, mas usar ferramentas de um sistema falho e cheio de problemas para mensurar algo como serviços ecossistêmicos só me mostra a perpetuação do erro, mas ok se é o que convence esse povo eu posso até engolir, mas por que demoraram tanto para isso? Ou será que resolveram mostrar só agora para as pessoas que sustentabilidade pode ser mensurada em valores econômicos?

Mas além dessa frustração teve outra coisa que me irritou um pouco. Acabei fazendo o comentário lá que considerar o uso de análises econômico-financeiras para projetos de sustentabilidade algo inovador é um tanto atrasado na minha opinião, afinal o planeta, os serviços ecossistêmicos prestados por ele e etc, serem considerados apenas recentemente como peça fundamental na estratégia de uma empresa é algo que deixa muito a desejar e que acaba gerando uma angustia em mim, pois eu sempre espero mais das empresas. Sem contar do que levantei ali em cima, usar como solução parte do problema não vai trazer resultados muito diferentes ou inovadores.

Ouvir como resposta desse comentário de que vivemos num sistema complexo e que as coisas não acontecem na velocidade que gostaríamos é algo que aceito, mas usar o argumento de que a pressão para que isso mude tem que vir do consumidor é algo que me dá certa tristeza e acho uma covardia sem tamanho. É quase que colocar a responsabilidade das empresas de serem corretas no colo das pessoas comuns. Se o consumidor fosse de fato ouvido ou levado em consideração não existiria montadora burlando os sistemas de controle de emissão de poluição de carros nos testes de emissões, não teríamos comida sem nenhum valor nutricional sendo vendida ou sequer existiria a obsolescência programada. A pressão social pode até ter sua importância, mas acredito que apenas em alguns casos pontuais, a força da pressão social é muito superestimada quando o assunto é o poder das grandes empresas. Esse papo de que os consumidores, a sociedade, os cidadãos, etc, devem se mobilizar e fazer pressão soa para mim só uma desculpa para justificar a inércia das empresas.

Investimentos sustentáveis

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Eis que conversando com uma amiga:

_ Vendi minhas ações da Sadia.

Eu: _ Ah, é, tão em alta?

Ela: _ Não. Vendi pois num dá pra ser vegetariana e ter dinheiro numa empresa que vende carne, né?

Pois bem, se você tem um dinheiro guardado e quer investir em empresas, negócios ou fundos de forma mais sustentável, você vai encontrar dificuldade.

Se você quer investir na Bolsa de Valores temos por exemplo o índice de sustentabilidade da Bovespa, mas se você é vegetariano e não quer investir em empresas de carne como minha amiga, a BRFoods (grupo da Sadia) faz parte desse índice, ou a Embraer, empresa que produz aviões de guerra também tá listada nesse grupo de empresas. Esse índice segue alguns critérios éticos, não necessariamente sustentáveis, costumo dizer que essas empresas são tão sustentáveis quanto o capitalismo consegue ser, pra mim não é o suficiente.

Pra quem prefere fundo de investimentos em ações tem o Fundo Ethical do Santander que usa outra metodologia para selecionar algumas empresas da Bovespa, nesse por exemplo a Embraer não entra.

Pra mim sinceramente investir em ações é investir num mercado especulativo que produz poucos benefícios reais para sociedade e apoia grandes multinacionais que sempre tem alguma atitude questionável. Não é para mim.

O Banco do Brasil tem um fundo de renda fixa de remuneração atrelada à variação da taxa de juros do CDI e que contribui para programas sociais. Esse fundo destina 50% da taxa de administração para Fundação Banco do Brasil investir em programas sociais, como exemplo projetos de educação e geração de emprego e renda. Taxa de administração: 2,6%, ou seja, metade disso vai para a Fundação Banco Brasil. De certa forma você está doando uma parte dos seus rendimentos para a Fundação, isso pra mim é caridade, não investimento.

Um amigo que trabalha na Sitawi, uma OSCIP que trabalha com Finanças Sociais e Finanças Sustentáveis, me disse que as opções para pessoa física nesse setor são limitadas, ele me falou desses fundos dos bancos de varejo que citei antes. E citou que debentures verdes por exemplo só existem pra quem tem alguns milhões para investir, ou seja, reles mortais como eu não entram. Ele chegou a exemplificar alguns títulos verdes que poderiam ter chego a alguma corretora, não achei nas 2 corretoras que tenho acesso.

Descobri um amigo que trabalha numa venture capital de impacto social, a Positive Venture, nem sei exatamente o que seria uma venture capital, mas essa em especial investe dinheiro em negócios inspiradores. Eles estão no início e os investimentos que eles mostram no site são em um rede de restaurantes veganos, uma empresa que trabalha com reciclagem e numa empresa de neurociências e tecnologia. Os investidores não devem ser pessoas comuns, leia-se com poucos caraminguás como eu, esses investimentos são de alto risco e não tenho tanto dinheiro assim para arriscar perdê-lo.

Esse mesmo amigo me mostrou também a Broota. Essa empresa é como se fosse uma bolsa de valores, mas para micro e pequenas empresas, mas os investidores devem ter R$300mil em ativos financeiros, não é para qualquer um.

Pensando nas opções de investimento que já existem o meu sonho de consumo em investimentos seria um LCA (Letra de crédito do agronegócio) que fosse específico para produção orgânica ou pequeno agricultor. Afinal, quem confia no agronegócio brasileiro como um setor confiável quando o assunto é ética e meio ambiente? Eu queria saber se os bancos que emprestam dinheiro para o agronegócio garantem que não estão financiando desmatamento na Amazônia e no Cerrado seja pra plantar soja ou pra criar boi. Desafio as instituições financeiras a me provarem que não emprestam dinheiro para quem desmata.

Enquanto um investimento mais verde não vem eu continuo emprestando dinheiro pra banco ou pro governo… Se você tem uma solução mais sustentável para investimentos, por favor me indique!

Sustainable Brands 2017

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E finalmente o Sustainable Brands veio a São Paulo, pela primeira vez desde 2014 o evento aconteceu na capital paulista semana passada. Tive a oportunidade de assistir algumas palestras no primeiro dia do evento e no segundo trabalhei como voluntária. Depois de 6 meses fora do Brasil foi interessante ver como anda a sustentabilidade para as marcas.

A primeira apresentação que eu assisti foi a que mais me empolgou, foi um workshop que falava de modelos de negócio de regeneração. Foi nessa apresentação que descobri a Guayaki Yerba Mate.

A Guayaki é uma empresa de erva mate cuja missão é restaurar 200.000 hacres de mata atlântica na América do Sul e gerar mais de 1000 empregos até 2020 usando o modelo de negócios de regeneração. O principal produto deles é a lata de chá de erva mate que é vendido no Whole Foods nos EUA. Mas eles também vendem a erva em pacotes. Todos os produtos são orgânicos, livre de transgênicos e produzido pelos princípios de comércio justo, além de serem uma empresa B. Fiquei encantada com o trabalho deles me deu esperança que empresas podem ter objetivos maiores que além de dar lucro para seus acionistas. Eles conseguiram criar um ciclo virtuoso em que quanto mais mata atlântica eles restaurarem mais eles podem produzir, uma vez que a erva mate precisa da sombra da mata atlântica para crescer e se desenvolver.

Também conheci a Boomera (antiga Wisewaste) que faz um trabalho bem interessante com grandes marcas com relação aos resíduos. Eles desenvolveram solução de reciclagem para cápsulas de café, embalagens de refresco e lixo plástico de uma lagoa no Rio de Janeiro. E ainda estão trabalhando com reciclagem de fraldas descartáveis. O único porém é que nem sempre essas práticas viram parte da vida útil do produto, por exemplo as embalagens de refrescos foi apenas um projeto e que terminou, ou seja, eles transformaram as embalagens em instrumentos musicais durante o tempo da campanha e agora acabou, a empresa não recicla mais suas embalagens. Outra coisa também é que a empresa geralmente não participa do planejamento inicial dos produtos, as marcas só lembram de procurar uma solução para o resíduo quando o problema já está instalado e não no momento do desenvolvimento do produto. Depois as marcas querem que eu acredite que a sustentabilidade já é parte da realidade da sociedade, tá, sei.

Agora o que me deixou realmente irritada foi ouvir o CEO da Pepsico. Eu tenho uma posição bem radical quando o assunto são alimentos ultraprocessados, principalmente quando eles são basicamente salgadinhos sem nenhum ou quase nenhum valor nutricional.

Pensando sobre isso pensei num post para a minha série Futuro: “Pepsico resolver encerrar sua produção até 2050 e investir em projetos sobre educação alimentar.” hahaha Será que viraliza como fakenews?

Agradeço à organização do evento pela oportunidade como participante e voluntária do evento.

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