Natura

Eu lendo o livro Ecoeconomia e me tornando mais pessimista a cada dia resolvo comprar num sebo uma edição de 2005 da Havard Business Review que fala de Responsabilidade Social.

Resolvi ler a entrevista dos presidentes da Natura entitulada “Natura: mais do que estratégia, é filosofia”. Poxa, fiquei tão contente de saber que existe uma empresa brasileira com presidentes que pensam da forma como eles. Isso fez meu otimismo aumentar e acreditar que mudanças estão de fato acontecendo, apesar do ritmo lento.

Seguem dois trechos da entrevista realmente me impressionaram…

Uma situação hipotética: como explicar ao acionista que um produto rentável foi descontinuado porque algum de seus componentes tinha impacto negativo sobre o meio ambiente?Guilherme Peirão Leal: Descontinuamos e assumimos as perdas econômicas. Não temos nenhum problema em dizer isso aos acionistas, pois é a consistência de nossas ações que garante os resultados, o valor presente dos resultados futuros. Então, essas perdas não são perdas, são investimentos na coerência, que constrói o valor da empresa. Tem um exemplo concreto: há alguns anos descontinuamos produtos que usavam um componente chamado alfa-bisabolol…

Numa outra passagem…

Guilherme Peirão Leal: No auge da crise Argentina, a Natura, que ainda é uma empresa pequena por lá, publicou um anúncio no Clarín dizendo algo assim: “Somos cúmplices da sociedade Argentina nesse momento de transição, não vamos dolarizar nossos preços e vamos construir um processo com a sociedade Argentina para superar essa crise.” Isso foi recebido de uma maneira muito positiva pela sociedade Argentina, foi um momento de inflexão da Natura na Argentina, na hora em que ela publicamente assumiu um compromisso de estar com a sociedade.

Por toda a entrevista Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos afirmam e mostram que a sustentabilidade é a filosofia de vida da empresa. Para eles a cosmética é um instrumento de maior intimidade com o corpo, para aprofundar a possibilidade de auto-aceitação, de auto estima, de amor próprio. Seria esse um motivo por não usar celebridades em suas campanhas publicitárias? Alias, após 35 anos de construção de imagem sustentável você consegue imaginar uma top model super famosa fazendo campanha pra Natura?

É tão interessante perceber que há um compromisso deles que vai além do resultado econômico. É óbvio que ele não é esquecido, mas a construção do negócio vai muito além disso. Guilherme Leal afirma que ter como objetivo ser o segundo maior do mundo não inspira um colaborador, eles preferem dizer: “Venha fazer parte de um desafio, queremos mudar o mundo” dando é claro, a parcela que lhes cabe de contribuição.

Depois que li essa entrevista tive vontade de jogar todos meus cremes da Victoria´s Secrets que trouxe dos EUA no lixo e continuar só usando Natura como sempre fiz, mas também não seria correto o disperdício. Com certeza agora vou usar produtos Natura com orgulho de além de ser uma empresa brasileira com produtos de excelente qualidade, ser uma empresa sustentável.

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