Sobre crescimento

Até que enfim alguém falou alguma coisa que eu concordo sobre a China…

Edição 14 – Abril de 2008

José Eli da Veiga fala sobre a diferença entre crescimento econômico e desenvolvimento

Para o pesquisador e economista José Eli da Veiga, da Universidade de São Paulo (USP), o crescimento econômico não pode ser visto como um fim. Trata-se de uma das partes do processo de desenvolvimento, processo esse que inclui outros componentes essenciais normalmente relegados a segundo plano, como educação, produção científica e sustentabilidade ambiental.

EN – Quais deveriam ser as prioridades do Brasil neste momento se buscasse o desenvolvimento sustentável e não apenas o crescimento?
Veiga – Para buscar desenvolvimento sustentável qualquer país precisa priorizar a expansão das liberdades humanas que seja compatível com a melhor conservação possível dos ecossistemas que a alicerçam. Desenvolvimento e sustentabilidade são dois fenômenos multidimensionais, que não podem ser resumidos em poucas prioridades. Mesmo assim, é certeza que neste início de século 21 nada pode ser mais importante para o Brasil do que garantir ao seu povo tudo o que de melhor houver em termos de educação científica. E simultaneamente consolidar um criativo sistema de Ciência Tecnologia & Inovação, sem o qual nenhuma das demais exigências do desenvolvimento sustentável poderá ser cumprida.

EN – Muitos defendem que o Brasil cresceria mais se não fosse a lei ambiental e a postura exagerada das ONGs em relação a novas grandes obras. Respeito ao meio-ambiente é um entrave ao desenvolvimento?
Veiga – Nessa pergunta está bem clara a confusão entre crescimento e desenvolvimento. Não há dúvida de que o respeito ao meio-ambiente é entrave ao crescimento selvagem – como o Chinês – que muitos desejam. Mas ocorre o contrário com um crescimento civilizado que ajuda a atingir esse fim que é o desenvolvimento sustentável.

EN – Por causa de seu espetacular crescimento, a China tornou-se um ícone no mundo dos negócios. O país afinal não é um bom exemplo para os países emergentes como o Brasil?
Veiga – O estilo de crescimento que prevaleceu na China nas últimas décadas é um dos piores exemplos que pode ser dado a outros países, sejam emergentes ou não. É muito melhor crescer menos, mas ir em direção ao desenvolvimento sustentável, do que crescer muito e depois enfrentar uma catástrofe bélica por razões de energia ou de água, como certamente ocorrerá com a China ainda neste século.

Fonte: Revista Época Negócios

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Discussão - 3 comentários

  1. JDiniz disse:

    Amiga Verde!(rsrs)Voce foi lstada no blog http://anovanovaordemmundial.blogspot.com/Confira a última postagem e se quiser, faça como ela!Amplexos Libertários

  2. Lola disse:

    Concordo plenamente com o Veiga…Beijos, sumida.

  3. Planeta disse:

    olá, cláudia, tudo bem? li seu post sobre a china e fiquei pensando sobre como o crescimento econômico chinês interfere, mesmo agora sendo mapeado, sobre várias esferas. falando nisso, saiu uma reportagem na revista exame e publicada no site do planeta sustentável: http://planetasustentavel.abril.uol.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_274798.shtml. gostaria de continuar mantendo contato com você. qual seu e-mail? abraços,paula dume – gestora de comunidades – planeta sustentável.

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