O mundo é o que você come – Resenha

O mundo é o que você come – Barbara Kingsolver
Uma família prova que você pode comer cuidando da sua saúde e da saúde do planeta.

Se você gosta de relatos de experiências esse livro é pra você. Bárbara Kingsolver a autora do livro relata a experiência de mudar-se com a família para uma fazenda e viver apenas de comida local, não apenas comida produzida nas redondezas de sua casa como também cultivando-a, tanto animais como vegetais. Aliás, o título do livro em inglês é: Animal, Vegetable, Miracle: A Year of Food Life.
Uma das coisas bem interessante do livro é que ele não apenas conta como foi a experiência da família, mas discute várias questões sobre alimentos e alimentação. Qual a produtividade de uma fazenda familiar x fazenda de escala industrial? Como são criados os animais destinados ao abate na indústria alimentícia? Comer ou não comer carne? Até qual distância você pode considerar uma comida dita local?
O que pode deixar as pessoas um pouco cansadas ao ler o livro é que toda essa experiência contada só contém exemplos pra quem vive no hemisfério norte, senti falta de poder saber sobre laranjas, abacates e bananas. Mas ao mesmo tempo é bem interessante perceber como são as diferenças não apenas de tipos de alimentos mas também de como é enfrentar o frio rigoroso e a escassez de comida nessa época do ano. O que para nós aqui abaixo da linha do Equador é bastante raro.
Esse livro me remeteu várias vezes ao post que falei da importância das abelhas, é impressionante como seres urbanos como eu somos tão distantes da realidade da natureza, de como as coisas de fato funcionam. Outro detalhe, é triste ver como a nossa sociedade menospreza esse tipo de informação, quem realmente já perdeu tempo querendo saber como se desenvolve a cana-de-açúcar que produz o álcool que abastece seu carro? Mas provavelmente ver o último modelo de carro e suas novidades é sempre interessante. Essa desconexão do homem com a natureza é absurda pois dependemos dela para continuar andando de carro, seja ele abastecido por álcool, gasolina ou diesel.
Talvez a consciência dessa importância da natureza em nossas vidas seja o primeiro passo para que as pessoas se sensibilizem com a importância de preservá-la, acho que na maioria das vezes as pessoas não estão entendendo muito bem por que separam o lixo, por que se preocupar com alimentos vindo de tão longe, economizar energia elétrica ou a importância das abelhas. Falta conexão.
Este livro foi uma cortesia da Editora Ediouro.

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Discussão - 9 comentários

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  5. Claudia Chow disse:

    Realmente, com o livro a visao de consumo local é bem romantica, parece q td é facil e simples, mas no mundo real nao deve ser mesmo. O livro nao prega q todos devemos fazer como eles, achei isso bem interessante.
    Poxa, é mesmo, carne para vc seria considerado consumo local e como a gente considera o metano produzido pelas vacas? Pra pensar…

  6. Paula disse:

    Produzir localmente deve ser super difícil… Eu tenho problemas em manter minha mini-horta-com-ervas-de-tempero, que dirá produzir legumes ou verduras…
    Começo a ler o livro hoje!

  7. João Carlos disse:

    “Hortas comunais” e até hortaliças cultivadas em jardineiras costumam produzir resultados incríveis. Começa pelo sabor dos alimentos.
    Mas a gurizada das grandes cidades, atualmente, fica surpresa em ver que o leite não vem de “caixinhas”, nem os ovos de “bandejas”… 😉

  8. massacritica disse:

    Vc comentou sobre a ´desconexão do homem´.
    Isso ocorre o tempo todo, em diversas áreas, e é… preocupante.
    Já vivi em ´conexão´ com a natureza e ´consumo local´ quando criança. Sou filho de agricultores e conheço a realidade produtiva. Não vejo com olhos tão românticos essa questão. O que concordo é que devemos evitar o consumo de produtos que precisam de uma gigantesca logística de transporte até o local de consumo. Mas vejo isso para casos extremos.
    Espalhar a população para conseguir que todas estejam em contato íntimo com a produção local só traria o problema de ter que reunir novamente essas pessoas para obter mão de obra para outras finalidades.
    Além disso, esse desligamento da realidade também ocorre com o entendimento sobre a ciência e tecnologia, veja o interessante texto “Jovem Novo Selvagem”
    http://www.feiradeciencias.com.br/sala19/texto00.asp
    Atualmente moro em Bagé-RS (sou professor) e aqui eu teria que consumir muita carne para estar dentro dos padrões de ´consumo local´. hehe

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