Schumacher College – uma experiência

Aqui eu recomendei/ indiquei alguns cursos de sustentabilidade. No começo do mês fui apresentada para a Carol Guilen, ela é bióloga e trabalha numa consultoria ambiental em Belo Horizonte. Ela esteve no Schumacher College em 2005 e resolvi compartilhar com vocês um pouco do que ela contou da experiência lá!

“Fiz o curso Sustainaility in Practice, em 2005. O conteúdo do curso não foi o que mais me chamou atenção – na verdade até sugeri a eles que cuidassem em colocar um nome mais apropriado, pois eu esperava que se tratasse de um curso sobre as teorias de sustentabilidade, exploração dos conceitos relacionados, sua distância da prática, e discussão de como faze-la se tornar realidade. Mas o curso tratou de planejamento sustentável, principalmente planejamento urbano. Não tinha um foco muito definido.
Mas a forma como se aprende no Schumacher College é fascinante, inesquecível, e verdadeiramente transformadora. Como dizem lá, “What you learn is AS you learn”. Eles acreditam que aprendizado não é apenas lógico, essencialmente mental, mas envolve as múltiplas dimensões do ser humano – mental, espiritual, física, sensorial, intuitiva e emocional. Assim, as aulas não são nossa única forma de aprender. Passeios em campo, conversas e atividades com outros alunos e com os professores – de todas as partes do globo! Meditação, artesanato, etc.
O dia-a-dia do Schumacher College segue a noção de que um dia com atividades diversificadas, tudo na sua hora e com intervalos de “quietude” entre uma atividade e outra são a composição ideal de uma rotina. Começamos com meditação opcional, temos uma reunião diária de planejamento do dia, um pouco de exercício físico, ajudamos nas tarefas domésticas, então temos aula, e depois atividades diversas (passeios, reuniões, etc.), depois, à noite, temos palestra e tempo para cada estudante expor estudos e experiências próprias – e, nas sextas, um sarau que também nós fazemos acontecer.
As atividades domésticas são um ponto curioso e delicioso na rotina schumachiana. Você toma contato com as atividades que sustêm sua vida – lá não existe aquela separação entre professores – distantes como semi-deuses, alunos – nobres aprendizes e os administradores e pessoal da limpeza e da cozinha que mantém tudo funcionando e que são categoricamente desprezados. Você cozinha e come junto com os professores, você faz a limpeza junto com colegas da Austrália, da África do Sul, etc. Dá pra imaginar as conversas ótimas que se têm durante esses momentos, não é?
Cozinhar com o Wayne, o chef principal sul-africano, ex-aprendiz de monge e uma personalidade muito interessante, é formidável. Cozinhar com o Satish, o diretor-acadêmico indiano do College, ex-monge também e que peregrinou pela Palestina (e olha que ele é indiano!) em protesto pela paz – bem, dá pra imaginar, né? Não são apenas receitas e molhos apimentados novos que a gente aprende.
Além disso, o College dispõe de um ateliê livre, e nos saraus os alunos pegam e montam fantasias com base em objetos do ateliê e do baú…. Tem uma coleção fascinante de livros e dvds e gravações de aulas e palestras…. Esse lado do College faz seu lado criativo e sensitivo desenvolver-se simultaneamente ao desenvolvimento do conhecimento racional.
A arte ajuda a aprender.
Depois de uma aula sobre a teoria Gaia, em que tivemos uma atividade de meditação guiada, fui para o ateliê (que é aberto para uso quando você quiser) e produzi uns desenhos em forma de esfera que, tenho certeza, eram uma forma também de consolidação do que tínhamos discutido na aula…
Bem, além de tudo isso, o Schumacher College fica numa região do sudoeste da Inglaterra famosa por seus jardins maravilhosos, com uma tradição forte de agricultura orgânica por todo lado. Os moradores de Totnes e Dartington são em geral artistas e ambientalistas. É muito especial estar lá.
Bem….acho que já falei demais….sou apaixonada pelo Schumacher College, sonho em ir novamente.”

Carol Guilen

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Discussão - 4 comentários

  1. […] por email uma pessoa que tinha estado lá e publiquei o relato dela aqui e só fui conhecer mais gente que tinha estado lá em 2014 quando fiz a Experiência Schumarcher […]

  2. Cláudio Portugal disse:

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    Ooops…!
    Enderecei minha notinha anterior à Claudia, mas ela teria sido, na verdade, a divulgadora do relato da Carol! Entendi! O blog é da Claudia, o relato é da Carol. Desculpem-me as duas! Fica, aqui, portanto, a necessária correção. No mais, vamos todos em busca de sentido, em nossas existenciazinhas, enquanto o cosmos nos permitir. Que tal? Saudações fraternas a ambas!
    Cláudio

  3. Cláudio Portugal disse:

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    Querida Claudia,
    Não nos conhecemos. Li, com grande interesse, seu relato maravilhoso sobre a experiência que você teve no Schumacher College. Acompanho, há muitos anos, ainda que de longe, a proposta do SC. Pois saiba que um de meus sonhos mais acalentados, diariamente — diariamente, mesmo –, é o de, na velhice, construir uma instituição muito parecida no Brasil, em algum local friozinho, na natureza, se possível com um laguinho, nas montanhas do Rio, dedicado a discutir filosofia, crítica, sociedade, artes, design, arquitetura, música, ética, vegetarianismo etc. Tenho — como, aliás, detecto em seu relato que você também teria — várias reservas com respeito a detalhes do encaminhamento e da gerência que eles dão ao SC. A coisa do título do curso (tal como você mencionou, que promete uma coisa e oferece outra), por exemplo, é indicativo de certa falta de rigor e critério. Tenho a impressão de que este tipo de falta de rigor e critério tende a acometer e a contaminar, muito freqüentemente, propostas idealistas como esta. Observo, nos relatos que recebo do SC, vários pequenos ruídos e deslizes nesta categoria que poderiam, muito bem, ser eliminados em prol de uma proposta ainda mais espetacular. Oh, céus…! Sonho, então, quixotescamente, em, um dia, quem sabe, construir uma coisinha parecida, no Brasil, com uma postura intelectual mais rigorosa (tanto quanto a postura, digamos, espiritual). Isto tudo para dizer que adorei o conteúdo e o tom de seu relato e que ele me inspirou, ainda mais, a continuar sonhando com a construção de um instituto mágico, assim, dedicado a reflexões macroscópicas sobre nossas profissões e os rumos da sociedade, em um ambiente amoroso, calmo, significativo, autêntico, inspiracional e… vegano! Obrigadíssimo! Cláudio

  4. João Carlos disse:

    Ah!… Se o Dawkins te pega falando assim!… 😉

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