Blogagem Coletiva – África (2/2)


Como eu ando bem preguiçosa resolvi deixar esse post para um amigo que vive hoje na África contar sobre a experiência dele por lá. Ele é o Ram Horizonte que mantém o blog Yo Vengo de Todas as Partes, que conta suas 1001 aventuras pelo mundo, as últimas delas inclusive na África.
Ele também é geólogo, fomos contemporâneos na faculdade, e está em Angola trabalhando com prospecção de diamantes por aquelas bandas.
Segue o relato dele sobre como o meio ambiente é encarado em Angola, um país que está em processo de reconstrução depois de uma guerra civil de muitos anos.

Com certeza a legislação Ambiental em muitos países Africanos é recente, motivo pelo qual eles já utilizaram a experiência de outros países e pode-se assim dizer que estes tem uma legislação moderna e adequada.
O problema começa na aplicação dessa legislação, pois simplesmente não há órgãos fiscalizadores, falando do caso que eu conheço que é Angola. Eu tenho notado em reuniões de órgãos do governo com empresas de exploração de diamante que há um aumento na pressão para as mesmas cuidem mais do meio ambiente, mas até essa prática se tornar realidade no campo há um caminho longo a ser percorrido.
De todas formas não podemos esquecer que Angola saiu de uma guerra civil de trinta anos e nota-se invariavelmente que o foco do governo hoje em dia é reconstruir a infra-estrutura básica do país, estradas, escolas, hospitias, etc. Não existem no momento nenhuma empresa de reciclagem de lixo doméstico em Angola, a simples coleta é algo praticamente novo, imagine então reciclar. Afortunadamente nem tudo está tão atrasado e eu pessoalmente já visitei uma empresa que tem usina de incineração e aterro sanitário para tratamento dos dejetos industriais para as empresas interessadas em fazer um bom despejo deles.
No final das contas o meio ambiente termina sendo uma questão de ética de cada empresa. Acredito que as multinacionais que trabalham no mundo inteiro seguindo os mesmos parâmetros de responsabilidade social e ambiental provavelmente aplicam uma política ambiental muito mais severa que uma pequena empresa de exploração aluvionar que só está interessada no seu lucro diário e não tem uma reputação que cuidar.
No nosso caso especifico da empresa que eu trabalho, uma dessas multinacionais que andam fazendo prospecção de diamantes, aplicamos aqui em Angola o modelo e a experiência adquirida com certificações Ambientais IS014001 no Brasil e outros países do mundo.
Estamos em fase de prospecção, durante a qual os impactos são mínimos se comparados com os de uma mina. Mesmo assim sabemos que à educação ambiental deve começar desde cedo e não podemos esperar a implantação da mina para mostrar as pessoas que conosco trabalham e para o governo que estamos fazendo a nossa parte.
Enviamos baterias, pilhas e óleos usados para a capital do país (1300 Km de distancia) para a empresa que mencionei anteriormente, que trata principalmente dos resíduos industriais das empresas petrolíferas, que como nós, certamente o fazem por responsabilidade própria e seguindo seus parâmetros de atuação internacionais. Realizamos um estudo preliminar sócio ambiental na nossa área de pesquisa para identificar áreas de maior susceptibilidade ambiental e focos de atuação na área social. Investimos em programas sociais com a população local sobre a prevenção e combate a doenças como malária, cólera e aids. Coletamos e tratamos com biorremediação em nossa base o solo contaminado por derramamento de óleos dos nossos veículos leves e pesados, entre outras pequenas iniciativas.
De certeza ainda há um grande caminho por percorrer, governo e empresas precisam investir mais no meio ambiente, mas já existem muitos programas que demostram a crescente preocupação dos dois lados com essa área, de fato, alguns já começaram.”

A minha opinião é que como em qualquer outro lugar, com raríssimas exceções, o meio ambiente é encarado como acessório, se der para fazer fazemos, se não der, não vamos deixar de fazer nada por causa desse “detalhe”. O que se tem é um começo, mas ainda está longe de ser o ideal, não só na África mas na maioria dos países do mundo.
Num país como Angola, que está totalmente focado no seu “crescimento e desenvolvimento econômico”, imitando fielmente a cartilha dos países desenvolvidos, não é de se espantar que o respeito ao meio ambiente depende muito mais de uma responsabilidade e ética das empresas do que necessariamente de uma exigência do governo. Por isso é sempre bom lembrar as multinacionais que as responsabilidades e códigos de ética assumidos por elas em suas matrizes devem valer também em qualquer outro lugar do mundo, afinal o Planeta é um só e meio ambiente não tem fronteiras.

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