Quem matou o carro elétrico?

carro eletrico

Assisti o documentário Quem matou o carro elétrico? esses dias e o que mais me impressionou em tudo não foi simplesmente o fato das montadoras  terem sumido com os carros elétricos das ruas da Califórnia, mas como a vida americana pode ser tão surreal! Sim, eu ainda me surpreendo com isso!

O que exatamente fala o documentário? Eu não sabia que montadoras como a GM, a Ford, Toyota e Honda tiveram modelos de carros elétricos disponíveis na Califórnia, pois bem, tiveram, lá no início dos anos 2000, mas de uma "hora pra outra" eles sumiram do mercado e das ruas. Mas se a gente for pensar com a lógica brasileira é meio complicado pensar como isso é possível, não? Afinal, se um carro sai de linha a gente ainda os vê rodando por ai ainda por tempo, certo? É, isso aqui no Brasil…

Lá nos EUA com os carros elétricos eles não foram vendidos para seu consumidores, eles foram financiados e quando eu digo financiado não é o financiamento que a gente costumeiramente vê aqui, eu financio o que não posso pagar e depois que termino o pagamento o carro é meu. Não, nesse caso foi feito um leasing, ou seja, eu pago para usar o carro e no fim do contrato tenho a opção de comprar o carro, ou não. O que me impressionou é que absolutamente isso aconteceu com TODOS os carros elétricos produzidos e por isso ficou mais fácil sumir com eles. Ou seja, quando o contrato do leasing da galera acabou as montadoras simplesmente não deram a opção de compra para os usuários e recolheram todos os carros. Pra minha lógica que não tenho o costume de financiar nada é estranho isso, mas eu devo ser exceção pois financiamento de casa, carro, eletrodomésticos e viagens é o que mais se vê por ai.

Tá, isso foi só uma parte que me surpreendeu, digamos que foi um estranhamento cultural. Ai veio uma parte que mostra o destino dos carros (elétricos ou não), sabe o que eles fazem?? Eles amassam e moem os carros e pronto! Não faço ideia do que eles fazem com os restos depois de moído, mas é chocante… Aliás alguém sabe o que acontece com os carros aqui no Brasil? Lixão? Ferro velho? Aterro industrial? Alguém tem alguma certeza sobre o assunto? O filme me chocou porque eles moem carros, assim, sem reaproveitar nem reciclar nada e pior, eles fizeram isso c/ carros em perfeito estado de uso (no caso dos elétricos), pra mim isso é muito surreal, independente de serem carros elétricos ou não.
Agora vem a parte que realmente interessa. Em NENHUM momento do filme eles me convenceram que o uso de um carro elétrico é de fato mais limpo que um carro a gasolina (na manutenção o carro elétrico ganha, pois não precisa de lubrificantes).

Tudo bem aqui no Brasil o carro elétrico até poderia ser de fato mais limpo porque nossa matriz energética é em grande parte limpa e/ou renovável, mas nos EUA não é bem assim… Trocar um carro a gasolina por um carro elétrico não necessariamente você está diminuindo sua pegada de carbono ou como falam no filme diminuindo sua dependência de petróleo. Será que eu consegui ser totalmente clara?

É claro que no dia-a-dia o uso do carro elétrico não polui pois não emite nenhum tipo de poluente, mas a energia que o abastece pode não ser assim tão limpa e acabar ficando elas por elas. Eu realmente esperava ver no filme esse tipo de comparativo e a comprovação de que um carro elétrico é mesmo muito melhor que carros a combustão. O filme não me mostrou isso, infelizmente.

Mas pensando no fato de diversificar as possibilidades é uma boa idéia, seria uma ótima se pudéssemos escolher entre carro elétrico, carro a gás natural, carro a gasolina, a álcool, a biodiesel, vento, solar, coletivos de ótima qualidade… Mas enquanto isso ainda não acontece eu me choco com fato dos EUA terem simplesmente moído todos seus carros elétricos sem maiores explicações convincentes.

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Discussão - 23 comentários

  1. […] tratam de meio ambienta tirando os documentários como Uma verdade inconveniente, A 11ª hora ou Quem matou o carro elétrico? Quais outros que abordam o tema sem ser o assunto principal? Ah, me lembrei de Avatar, mas vamos […]

  2. Roseli Ap A Rangel disse:

    Não dá para obter energia elétrica a partir de raios voltaicos produzidos por micro-ondas incidindo sobre um corpo metálico?

  3. sergio disse:

    O fato do carro eletrico não vingar é pura politicagem e interesses de grandes.
    Quando dizem que o maior empecilho para o carro elétrico são as baterias, eu não acredito. Tem um cara que com aproximadamente R$ 3.000 converteu um SUpermini (carrinho feito pela extinta Gurgel) em elétrico, e com baterias comuns consegue uma autonomia de 50 km… parece pouco, mas pro dia a dia (ir ao serviço, um pulo no mercado) é mais que suficiente. Detalhe: é um projeto “fundo de garagem” digamos assim, sem qualquer “investimento em pesquisas” etc…
    Acessem o site e vejam a simplicidade do projeto. É basicamente um motor eletrico, baterias comuns e um controlador pra regular a velocidade do motor. E só:
    http://www.gurgel800.com.br/adaptacoes/superminieletrico/
    E já em 1970 a fabrica Gurgel pensava num carro eletrico (mas nao foi pra frente). Pra se ter uma ideia, o recem-lancado Chevrolet Volt tem autonomia de 64 Km se utilizar somente as baterias, praticamente a mesma autonomia do Itaipu da Gurgel (o Volt tem tambem um motor a combustao que recarrega as baterias, aumentando a autonomia). Agora imaginem voces se as pesquisas tivessem seguido adiante, já em 1970, quão avançadas nao estariam hoje, quase 40 anos depois!!!
    E hoje quando vemos os poucos eletricos “de fábrica”, cobram uma fortuna ao meu ver injustificável: nada justifica cobrar R$ 60.000 por um lixo de carro eletrico indiano pra duas pessoas, incrivelmente horrendo, a não ser a ganancia e a vontade de lucrar alto nessa época onde se fala muito em salvar o meio ambiente e reduzir poluição. É a ganância.

  4. Lucas disse:

    é óbvio q se a energia elétrica utilizado nesses carros vir de uma fonte poluidora, como termoeletricas por exemplo, nao adianta nada, isso é claro.

  5. Rodrigo disse:

    Olá pessoal. Tenho uma cópia do filme.
    Quem quiser uma, me mande um e-mail, que eu ajudo a conseguir.
    [email protected]
    Vamos fazer a diferença!
    Rodrigo Brim

  6. Alan Dourado disse:

    Imagine que isso vai fazer as Grandes Empresas Petrolíferas falirem… Imagine que enormes frotas de carros a combustão se tornem elétricas. Veículos a Diesel (que movem a indústria e abastecem mercados) substituídos por motores elétricos pesados… Quanto dinheiro se deixaria de gahar com extração/refino/processamento de petróleo e produção de seus derivados?

    Um engenheiro americano, lá pros idos de 1999, criou um Carro elétrico para ser produzido em série. Na época, custava menos que um FIAT Uno. Ele tentou vender isso em 15 países. Ninguém abriu as portas e o cara sumiu logo depois de a mídia parar de falar nele.

    O que nego não é capaz por dinheiro, hein?

  7. Realmente, muito interesante, em tudo que vi na internet sobre o dito cujo seu comentário foi o melhor, meu professor passou um questionario depois que tentou mostrar o filme, assisti apenas uma pequena parte, já que é tão grande, preferi pesquisar e fazer a redação que ele pediu também! Valeu, você me ajudou bastante.

  8. Cecil Thire disse:

    Olá Cláudia, Faz algum tempo que busco informações a cerca desse tema: “Carros Elétricos”, e muito lhe agradeço pelo titulo do documentário usado em sua pesquisa, sou de Rondônia e por aqui mais uma vez se instala a agressão ambiental sob a signo da “Matriz Energética das HIDROELÉTRICAS”. Serão mais duas que deveram ser entregues até 2020. uma contra partida excelente seria a adoção de carros elétricos para essa região, a famosa REGIÃO AMAZÔNICA, pulmão do mundo, berço do líquido precioso e outros adjetivos muito populares em palanques e documentos internacionais. Aliás seria até uma excelente desculpa para as montadoras, além é claro de tambem servir de brilhante estratégia de Marketing Ambiental ” “… Pensa só, ja estou até vendo os salões de veículos elétricos que seriam realizados por aqui, de quebra ainda fariam um link turistico pra ninguém botar defeito.

  9. Heber disse:

    gostaria de uma cópia desse filme publiquem no youtube por favor…
    e me avisem
    obrigado
    ainda aparecerá um revolucionário pra mudar essa história…

  10. Dienifer disse:

    Ei Claudia estou fazendo uma pesquisa sobre carros eletricos e vi seu comentario sobre o filme que fala sobre eles,bem você coloco pontos a se pensar,o que é muito bom!
    Mais concordo com a Joana,mais estou deichando meu comentario porque me ajudo na pesquisa obrigada!

  11. joana disse:

    Gostaria apenas de mencionar que há interesses dos grandes dominadores, para que os carros elétricos não cheguem ao acesso do consumidor, basta ver que faz muitos anos que estão desenvolvendo veículos elétricos, mas fica só nos projetos e testes,(não deixam chegar ao cosumidor), pois os preços são inacessíveis.
    Se o governo tivesse realmente interesse nos veículos elétricos circulando na mão do consumidor, não só liberaria as conversões de veículos à combustiveis em elétricos, como eliminaria os impostos do carro indiano, para que o consumidor tivesse acesso. Mas os interesses dos grandes dominadores deixam???????????????

  12. Luciano Cavalcante disse:

    Olá Claudia,
    O filme nao te mostrou que o carro elétrico polui menos, mais uma pesquisa na internet mesmo mostra vários estudos sérios nesse sentido. Aqui em baixo vai um link e um pedaco de um forum para você dar uma olhada. Espero que esteja familiarizada com a língua inglesa.
    Luciano
    Q: Is a car that runs on electricity really green? What about pollution from the power plants?
    A: Electric cars that run on renewable wind or solar power eliminate emissions. But even today, with 50% of U.S. power coming from dirty coal plants, plug-in hybrids still reduce emissions of greenhouse gases and most other pollutants compared with either conventional gasoline cars or hybrids, because so much of it comes out of tailpipes. See our summary of more than 40 studies, analyses, and presentations on this topic.
    http://www.sherryboschert.com/Downloads/Emissions.pdf

  13. Angeline Messias disse:

    como eu consigo adquirir o filme????

  14. Christopher disse:

    Estou interessado em assistir este documentário. Já procurei várias informações sobre veiculos elétricos; mas o ser humano é muito egoísta, mesquinho e malvado. Idéias e tecnologias para diminuir a poluição e melhorar a vida humana existem, mas enquanto o ser humano for capitalista e insensível não poderemos avançar culturalmente nem tecnologicamente. Já existiu no brasil veículos bons e baratos, economicos e seguros e também pouco poluentes mas a insensibilidade e o egoísmo destruiram-no. Há tecnologia para reciclagem e reaproveitamento de energias limpas, mas a mesquinharia e a maldade à destruiram-na. No caso do Brasil para resolver o problema devemos fazer o que a França fez a quase 300 anos atrás; uma revolução. Eu vivia dizendo que o Brasil era o melhor lugar para se viver no mundo, sem furacões, vulcões e etc.; agora estou revendo meus conceitos pois tem aparecidos tornados, tufões e quase maremotos e com algumas incidências de terremotos também… o planeta esta se contorcendo… e o Brasil está cada vez mais podre…

  15. Silvia disse:

    Claudia, por mais “lindo” que possa parecer ter alternativas mais limpas para carros, eu ainda sonho em vender meu carro e nunca mais precisar de outro. Sonho em viver em uma Copenhagen tupiniquim. 🙂
    Eu às vezes acho um desperdício esse debate de que tipo de carro é melhor. Melhor, para mim, seria um bom sistema de transporte público integrado a uma boa malha cicloviária. Não precisa de nada de mirabolante em termos de novas tecnologias para isso, eu acho. E também o investimento público necessário seria mais baixo do que ficar construindo mais e mais ruas, avenidas e estacionamentos.

  16. Alvaro disse:

    Bem… E se você gerar sua própria energia, utilizando energia solar fotovoltaica, e esta energia é que abasteceria o veículo elétrico? Utopia? Para uma grande parte do povo brasileiro, sim, devido à desigualdade econômica… Mas para aquele percentual que consegue mandar seus filhos para a universidade, que tem um nível “confortável” de vida… Estes poderiam pensar nisto. Mas a passividade faz com que fiquem esperando o governo dar incentivo$ (que “alguém” paga). Adaptando uma frase do JFK: “Não pergunte o que O MUNDO pode fazer por VOCÊ. Pergunte o que VOCÊ pode fazer pelO MUNDO”.

  17. marcus disse:

    Cara Cláudia
    Muito oportuna a sua ponderação. Vc tem toda razão. Talvez, uma alternativa realmente interessante seja, por exemplo, o Tindo, ônibus que roda na Austrália abastecido por painéis solares — sim, ele ainda necessita de baterias, mas a ciência promete boas novidades para esse setor, assim como na linha de montagem, com a introdução de componentes recicláveis, oriundos de fontes renováveis (veja exemplos como o WorldFirst F3 e o Cree). Hoje, um veículo padrão ainda consome quase 400 mil litros de água ao longo de toda a sua cadeia produtiva. Em tempo: muito antes do EV1 nos EUA, o Itaipu foi o primeiro carro elétrico nacional, fabricado pela Gurgel. Levava dez horas para carregar os 320 kg de baterias, com autonomia de 80km.

  18. Fabrício disse:

    No documentário há sim referência ao fato de que, mesmo que a energia elétrica utilizada no carro seja oriunda de usinas termoelétricas (o que não ocorre em todos os casos), os efeitos danosos ao ambiente são muito menores do que os carros movidos a combustíveis derivados do petróleo. O objetivo da energia elétrica nos carros é aproveitar uma energia muito mais “limpa” do que o petróleo, mas, acima de tudo, uma tecnologia economicamente viável nos dias de hoje, ao contrário do hidrogênio que, como mostrado no documentário, está longe de se tornar algo viável. Assim, não se busca uma energia totalmente limpa, mas sim uma melhor opção (muito melhor).
    Porém, a quem interessar, antes de fazer comentários acerca de “ambientalistas de quinta”, caberia a pesquisa acerca do assunto, ainda que a questão não seja exaustivamente abordada no filme.

  19. Luiz Bento disse:

    Bela reflexão Claudia. Esse papinho de ambientalista de quinta categoria que carro elétrico é a melhor opção sempre é pura falta de informação. E carro à álcool também está longe de ser “limpo”…

  20. Luís Brudna disse:

    Se moem os carros os resíduos são aproveitados.
    Não precisa de lubrificante? Não tem atrito?! 🙂
    Carros elétricos precisam de baterias e nem sempre estas são tão ecológicas. 🙂

  21. maria disse:

    ah não, você acabou com meu sonho de ter um carro elétrico. fico imaginando as ruas de são paulo sem barulho nem fumaça de carros, que maravilha. mas se o barulho e a fumaça forem produzidos noutro lugar, de fato não adianta.
    será que não vão inventar uma tecnologia sem combustíveis melhor, que faça a equação pender pro lado dos elétricos?

  22. Claudia Chow disse:

    Sim Stephen, a ideia do filme nao é provar que o carro eletrico é mais limpo. Mas todo mundo qdo fala do filme ou de carros elétricos sempre caem no lugar comum de ser uma opção nao poluente e talz. Ai por conta disso achei q o filme fosse dizer alguma coisa a repeito, mas nao falam nada.

  23. Cara Claudia,
    Não tive a oportunidade de assistir esse filme, mas ouvi muito falar dele. Sobre o que você escreveu eu entendi que o tema central do filme não é convencer “que o uso de um carro elétrico é de fato mais limpo”, mas mostrar o poder que as empresas têm na vida do cidadão americano comum. Enfim, o nome do filme é “Who killed the electric car?”, e a estrutura dessa frase lembra outra, “Who framed Roger Rabbit?”, filme em que um vilão, representando o ‘big business’, tentava sumir com os bondes…
    Um abraço!

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