Perguntas que eu não sei a resposta

Ser ambientamente correto, responsável e sustentável não é das tarefas mais fáceis que existe, sempre existirá uma dúvida, uma incerteza e nenhuma prova de que a opção que você escolher é de fato a melhor. Na maioria das vezes você tem apenas o bom-senso.

Eis algumas perguntas que eu não sei a resposta e espero que alguém me ajude a respondê-las. Talvez até faça um post de cada uma delas para tentar encontrar a melhor solução. Em itálico coloquei minhas respostas rápidas baseadas em bom-senso, mas não tenho nada que as comprove como de fato uma melhor opção.

  • Qual a melhor opção produtos orgânicos de longe ou produtos normais de perto? Normais próximos à minha casa, baixa pegada de carbono, apesar do impacto que os agrotóxicos possam ter no ambiente e na minha saúde.
  • Lenços/ guardanapos de papel ou de pano? Esse texto tenta ajudar na resposta, mas não me convenceu muito (em inglês). Como na conclusão do texto também acho que depende, mas em restaurante por exemplo sempre prefiro (quando tenho opção) guardanapos de pano.
  • Carros elétricos são realmente a melhor opção quando a matriz energética é suja (petróleo, carvão)? Eu ACHO que não, mas é apenas achismo.
  • Xícaras de porcelana/cerâmica são realmente a melhor opção quando se recicla os copinhos de plástico? Porcela/cerâmica não se recicla e também são materiais não renováveis. Essa pergunta eu não faço idéia da melhor opção, ainda mais com o condicionante de se reciclar os copinhos plásticos.
  • A água gasta para lavar canecas compensa o uso delas? Não sei mesmo! Materiais novos x água é sempre uma dúvida cruel pra mim…
  • Compensa trocar produtos velhos (geladeira, ar condicionado, carro) com baixa eficiência energética por novos e que gastem menos energia? A princípio sim para diminuir o consumo de energia, mas e o lixo gerado com os produtos velhos? Quem cuida?
  • Usar papel higiênico ou ducha na hora de usar o banheiro? Essa dúvida se responde com outra pergunta: O que é mais barato tratar água ou fazer papel? Bom, papel gera lixo, mas também pode virar energia ou humus... (colaboração do amigo Igor Santos).

Provavelmente deve ter mais 1001 dúvidas que passam pela minha cabeça, mas no momento são essas que me lembro. A Tatiana Nahas, do Ciência na Mídia também levantou questões sem respostas bem interessantes no post o lixo, o consumo e a matemática.

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Discussão - 13 comentários

  1. Claudia Chow disse:

    Gente! To adorando todos os comentários!! Muito legal ver vários pensamentos a respeito!
    O sistema de comentário não gosta muito de comentários muito longos e as vezes eles caem no spam, entao se o seu comentario na aparecer de imdiato me mande um mail ou coloque outro comentario para eu desbloquear lá do spam, ok?

  2. Vitor Leal disse:

    Vou tentar responder da melhor forma aquelas que tenho algum tipo de resposta:
    # Carros elétricos são realmente a melhor opção quando a matriz energética é suja (petróleo, carvão)? Eu ACHO que não, mas é apenas achismo.
    —Carros elétricos dependem, realmente, da matriz. Eles emitem poluição na fonte, mas não no uso, o que é importante para a saúde das pessoas que vivem em ambientes urbanos. Mas se vc quer minha resposta, carros elétricos não são solução e ponto. Carros não são a solução. Em breve eu vou colocar um post e vc vai entender pq.
    # Xícaras de porcelana/cerâmica são realmente a melhor opção quando se recicla os copinhos de plástico? Porcela/cerâmica não se recicla e também são materiais não renováveis. Essa pergunta eu não faço idéia da melhor opção, ainda mais com o condicionante de se reciclar os copinhos plásticos.
    —Porcelana/cerâmica é bem intensa em energia. Mas se, por um lado, o plástico pode ser reciclado, geralmente ele não é. Já a porcelana pode ser triturada, etc e tal. De qq maneira, pq não outra saída, como copos de plástico polipropileno (que não é tóxico e dura muito) ou alumínio (possuo 1 que já tem 30 anos de uso. Nem 1 risco sequer. Quer mais sustentável que isso?)
    # A água gasta para lavar canecas compensa o uso delas? Não sei mesmo! Materiais novos x água é sempre uma dúvida cruel pra mim…
    —Difícil resposta, mas tendo a acreditar que o custo não é só em poluição, etc. Tem uma questão psicológica de achar q as coisas podem ser descartadas. Reciclagem é um grande paliativo (mais nestes dois posts: http://nossoquintal.org/2007/10/19/o-problema-com-reciclagem-parte-1/ e http://nossoquintal.org/2008/01/24/o-problema-com-reciclagem-parte-2/)e a água é um recurso razoavelmente renovável.
    # Compensa trocar produtos velhos (geladeira, ar condicionado, carro) com baixa eficiência energética por novos e que gastem menos energia? A princípio sim para diminuir o consumo de energia, mas e o lixo gerado com os produtos velhos? Quem cuida?
    —Sim, mas tb devemos pensar onde vai parar o usado. Numa economia estacionária, só substituiríamos produtos por outros mais eficientes. Na Europa já existe legislação que obriga a cadeia reversa: para cada geladeira vendida, a “Brastemp” deles deve reciclar outra geladeira.
    # Usar papel higiênico ou ducha na hora de usar o banheiro? Essa dúvida se responde com outra pergunta: O que é mais barato tratar água ou fazer papel? Bom, papel gera lixo, mas também pode virar energia ou humus… (colaboração do amigo Igor Santos).
    — Se você pensar que no processo de produção de papel vai água, a resposta tá meio que ali né? A não ser que vc tenha frescura de usar água fria, pq aí o gasto energético é muito maior. Papel higiênico não pode ser misturado com alimentos para a compostagem a não ser que vc tenha esquemas especiais (Humanure – Googa lá, vai?). Não é uma questão de “barato e caro” mas de custo X benefício. Além do gasto de água na produção do papel, tem tb toda a água que os eucaliptos absorvem durante seu crescimento.

  3. Silvia disse:

    Claudia, eu acho o seguinte:
    – Produtos orgânicos de perto da sua casa: sei que não foi essa a pergunta, mas temos a sorte de viver em um país em que, “em se plantando, tudo dá”, e a questão é mesmo de procurar produtores orgânicos perto da gente. Não digo que seja uma pesquisa fácil, mas é viável.
    – Lenços/guardanapos de papel: o guardanapo é um dos poucos descartáveis que eu aceito. Primeiro porque uso com parcimônia – eu não acho que precisemos de guardanapos em todas as refeições. Como com garfo e faca, não me sujo tanto assim. Depois de comer, lavo as mãos e boca, se necessário. Dificilmente uso algum tipo de guardanapo no dia-a-dia.
    – Eu não vejo o carro elétrico como o salvador da pátria. Eu acho que a solução verdadeira e necessária está em transformar as cidades para que sejam mais amigáveis para pedestres e ciclistas, e investir em transporte público de qualidade. Como disse uma amiga outro dia, o carro elétrico pode até resolver o problema da poluição (e nem sei bem se resolve tanto assim), mas e o deslocamento? Vamos continuar presos nos trânsitos sem fim.
    – Copos, xícaras, pratos… Sim, a produção de qualquer bem, inclusive um mais durável, usa recursos naturais e tem um impacto sobre o meio ambiente (uso de água, eletricidade, poluição, dependendo dos resíduos…) Mas ainda acho que os reutilizáveis dão de 10 a zero nos descartáveis. Até porque o processo de reciclagem dos copinhos de plástico também usa recursos, né? Tá ali a fábrica, trabalhando muito mais do que a de cerâmica ou vidro, para dar conta de atender à demanda maior. Afinal, se usamos e jogamos fora a produção precisa ser maior.
    – A produção de novas canecas gasta água, Claudia. O gasto de água para lavar uma caneca certamente é menor do que o gasto de água para se produzir uma nova, seja ela de matéria-prima nova, seja reciclada.
    – Não sei responder sobre os eletrodomésticos velhos x novos. Se o material (plástico, aço, ferro, sei lá o que) dos antigos descartados for reciclado, pode ser que o impacto de comprar novos não seja tão grande e compense a longo prazo.
    – Papel higiênico x água: eu prefiro a água. Para mim, o processo de produção de papel higiênico, além da matéria-prima, requer o uso de muita água, muito mais água do que gasto para me lavar, com certeza. Isso sem falar no processo de tratamento químico do papel, que usa muita coisa tóxica, até onde eu sei.

  4. Luciano disse:

    Olá Cláudia,
    Quanto a sua terceira dúvida deixei um comentário no seu post sobre o “quem matou o carro elétrico” deixando algumas informacoes bem úteis. Espero que ajude.
    Luciano

  5. Rafael |RNAm| disse:

    Vc fez as perguntras q eu sempre tive medo de perguntar! valeu
    E tinha medo de perguntar por saber q a maioria das pessoas vai ter uma resposta. Uma resposta sem base nenhuma senão no achismo. Pq não dá ainda pra saber essas respostas. Só um engenheiro bem do esperto pode tentar responder PONDO TUDO NA PONTA DO LÀPIS!
    Fazer um estudo acompanhado um dos caminhos dos materiais e calculando a energia envolvido com a coisa toda.
    Quanto mais trabalhos destes tivermos mais perto de uma resposta estaremos.
    O resto é achismo…

  6. maria disse:

    em casa usamos guardanapos de pano. não precisa trocar a cada refeição, dá para alguns dias. imagine uma máquina de lavar cheia de roupa. pôr dois ou quatro guardanapos dentro não faz diferença nenhuma quanto à água e aos produtos de limpeza usados. igualzinho. mas deixamos de jogar um tanto de papel no lixo (aliás, tem isso também – o custo duplo de usar papel pra fazer guardanapo + contribuir para atulhar os lixões).
    se uma pessoa usar copos ou canecas não descartáveis e lavá-los a cada vez que usa, gasta um montão de água. mas precisa? se for usado para água, não precisa lavar o tempo todo.

  7. André Souza disse:

    Lembrei de uma discussão que tive com um professor ,na sala de aula, qd tive aula sobre sist de refrigeração. Acho que consegue ilustrar como o tempo de “aplicação” de uma situação pode gerar conclusões divergentes…
    Como é repetido por aí, deixar roupas para secarem penduradas no condensador (a grade detrás da geladeira) aumentaria o consumo de energia, pois é necessário que o ar circule para dissipar o calor e as roupas impediriam tal circulação….
    Porém…Se o objetivo do condensador é resfriar o gás gelante e o calor específico da água é maior que o do ar, ao colocar roupas molhadas atrás da geladeira, enquanto ainda estiverem molhadas, não estaria ajudando a resfriar o gás e com isso, reduzindo o consumo de energia?

  8. André Souza disse:

    Uma obs sobre substituir os produtos velhos: Faltou contabilizar o gasto de energia e recursos(Seja usando material reciclado ou usando recursos novos) para a produção de um novo bem. Certos processos industriais, visando a perfeição e o menor consumo na ponta, podem gastar mais energia que o processo antigo (Por exemplo: Fazer um corte em uma placa usando laser em vez de usar uma serra normal…)
    Ou seja, depende do tempo de uso do novo e do velho objeto.

  9. Rodrigo disse:

    O problema dessas (e de tantas outras dúvidas relacionadas ao desenvolvimento sustentável) é que existem várias condicionantes que são o fiel da balança. Alguns exemplos: De quão longe estão vindo os orgânicos? E, talvez até mais importante: como (se for de avião, creio eu que os locais são melhores)? Por isso, não existe uma resposta única para cada dúvida. Para se guiar acho que o melhor é usar a regra dos 3Rs na ordem certa: Reduzir, reutilizar e reciclar. Assim, acho que dá para escolher algumas alternativas entre suas perguntas: guardanapos de pano, xícaras de cerâmica, ducha (fabricar papel gasta muuuita água e com a ducha você reduz o uso do papel). Também tenho sérias dúvidas sobre o carro elétrico. A única que cravo com toda convicção é a troca de geladerias e ar condicionado desde que isso não seja feito em intervalos curtos (menos de 10 anos para este tipo de produto). Porque a troca pode reduzir muito o consumo de energia (geladeira responde por 13% do consumo, na média, da residência paulistana). E se for muito antiga ainda devem usar gases nocivos à camada de ozônio. Nessas horas a tecnologia faz diferença. Sim a reciclagem é um problema, mas materias nobres – como cobre, alumínio e mesmo aço – geralmente acabam sendo reaproveitados ou reciclados, simplesmente porque acabam valendo a pena para alguém vender a sucata em algum momento.

  10. Claudia Chow disse:

    É Marcus eu tive vontade de chorar por não ter a resposta pra mais essa pergunta e olha que ela é super importante! Será que alguém tem a resposta?

  11. marcus disse:

    Olá Cláudia
    Espero que vc receba mais respostas do que novas perguntas. De qq forma, acho que vc acertou (de novo) ao levantar essa discussão. Ontem mesmo, conversando com um amigo, me deparei com outra dúvida que envio para debate, seguindo o seu mote: o que é melhor, usina de lixo que gera energia queimando todo tipo de resíduo ou usina de lixo que gera energia, mas faz triagem dos recicláveis para reintroduzi-los na cadeia produtiva? A colocação se deve ao fato de que muitos municípios estão propensos a trocar os aterros pelas usinas lixo-energia. Alguns grupos empresariais argumentam que se não for feita a queima total, não há viabilidade econômica. Outros afirmam que como é possível gerar combustível a partir do plástico, haveria, pelo menos em parte, uma triagem desse tipo de material. Outros, ainda, alertam que a queima total é feita ‘na medida’ para a maioria das cidades brasileiras, onde a coleta seletiva é pífia, para inglês ver, não absorvendo sequer 5% do potencial de recicláveis gerados pela sociedade. Além disso, como fica a questão da educação ambiental em uma cidade na qual tudo, indistintamente, vai para os fornos virar eletricidade?

  12. Ella disse:

    Guardanapos de pano gastam água potável, já aqueles de papel usam árvores de reflorestamento, que consomem mais gás carbônico que as árvores naturais, e alguns também podem ser reciclados e se transformar em guardanapos novinhos.

  13. Joâo Carlos disse:

    E não há de ser só você que tem dúvidas. O caso é que temos que fazer uma reengenharia de toda a cadeia de produção, distribuição, armazenagem, comercialização, coleta e tratamento de resíduos e até mesmo da reciclagem dos milhares de “itens de consumo” que nossa sociedade perdulária usa.
    Eu – por exemplo – não consigo me convencer de que a reciclagem do aço (para ficar em um produto, apenas) seja ecológicamente benéfica, embora seja economicamente compensadora.
    E – por uma questão que provavelmente é pura ranzinzice de velho – nunca vão me convencer que copos e xícaras descartáveis são solução para coisa alguma, a não ser para a economia dos planos de saúde…

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