Rio+20–E a opinião das pessoas

Portugese

Esse monte coisas sobre a Rio+20 que eu não paro de contar, você tá lendo a minha opinião e a de mais alguns blogueiros, mas e o resto das pessoas que de alguma forma também acompanharam o evento? O que será que eles tem a dizer? Quais foram as impressões? Bom, eu tentei começar a minha carreira de documentarista durante o evento, mas eu falhei… Só consegui 3 depoimentos no Parque dos Atletas que me disseram o que estavam achando do evento, mas foram 3 opiniões diferentes, meninas de um colégio em excursão pelo evento, uma voluntária da ONU e um voluntário do governos do Estado do RJ.

Em video só tem essas 3, mas escrita tem mais, pedi para meus amigos voluntários também contarem um pouco do que eles acharam da experiência de participar da Rio+20, segue alguns relatos:

“Participar da Rio+20 foi vivenciar um conflito de ideias, posições e vontades em relação ao nosso presente e futuro. Foi observar um mundo paralelo, aquele dos governantes e grandes corporações, onde a esfera econômica parece englobar os dois outros ditos pilares da sustentabilidade (ambiental e social), em contraponto àquele que confirmei nos movimentos sociais e ambientais também presentes, onde o desejo de mudança (uma mudança real, estrutural, e não só uma mudança de rótulo como vem sendo proposto na pauta oficial) é mais forte e verdadeiro.” André Santachiara Fossaluza, biológo, Butucatu, SP.

“A Rio+20 para mim foi a realização de um sonho, uma forte experiência sensorial, foi viver em um país que não existe por uns dias e confirmar que as pessoas ainda são melhores do que os governos em sustentabilidade.” Ana Barros, consultora em sustentabilidade, São Paulo.

A Rio+20 pra mim foi uma oportunidade para conhecer de perto um mega evento, alguém disse que foi a maior conferência já organizada pela ONU. Foi também uma chance de ter contato com pessoas do mundo todo, desde um secretário de meio ambiente do Butão e um delegado das Ilhas Salomão, até indígenas bolivianos e a miss universo =D. A ocorrência paralela da Conferência e da Cúpula dos Povos foi o que me garantiu choques de realidade, de um lado o mundo corporativo e dos governantes, os engravatados (principalmente no Riocentro), e de outro os movimentos sociais mais diversos, como a Via Campesina, universidades federais em greve, ONGs socioambientais e movimentos LGBT, entre outros. De toda essa mescla, a imagem que ficou pra mim foi a enorme diversidade de movimentos e de interesses, e imagino como deve ser complicado colocar todos numa mesa para ouvir seus pontos de vista e tomar decisões em conjunto… será que há uma pauta unificadora, um denominador comum a tanta diversidade?” Alan Mortean, Engenheiro Ambiental, Ourinhos, SP.

E tem também opinião de quem não estava lá e só acompanhou de longe.

De maneira geral, sei que reuniões diplomáticas nunca são bombásticas. Precisa de consenso e os passos são sempre pequenos. Então acho normal não ter uma declaração ousada, se tivesse ela seria inconsequente e não seria seguida. Por outro lado, acho triste os países não estarem pensando adiante. A impressão que fica é que não se trata de esperar que os governos decidam, mas de fazer logo.” Maria Guimarães, bióloga, São Paulo.

“Foi, para mim, a prova de que temos mesmo que nos mexer como sociedade civil; temos, mais do que nunca, fazer a nossa parte sem esperar que os outros se mexam. Porque esta é uma mudança que vai ter que ocorrer de baixo para cima – os pequenos grupos terão que pressionar os grandes para que ajam, exigir medidas para mudar o mundo de verdade.” Silvia Schiros, tradutora, São José dos Campos, SP.

Foi preciso uma semana inteira para que os líderes mundiais discutissem metas sustentáveis nos próximos vinte anos, porém o resultado foi um documento superficial na descrição das ações e prepotente no que diz respeito à sua efetiva execução.” José Luiz Brandão, profissional da área de mídias sociais, São Paulo. (Ele também escreveu um post sobre a Rio+20 no A vida como a vida quer)

Acho que já falei de mais de Rio+20, né? Só tenho a dizer que pra mim foi uma experiência incrível, adorei cada momento que passei lá e vou sentir muita falta de todos que conheci por causa da conferência. Recomendo fortemente pra quem tiver a oportunidade de participar de um evento desses fazê-lo, é enriquecedor e certamente você terá ótimas histórias para contar depois.

Do ponto de vista dos resultados e do que aconteceu lá acho que temos um balanço bastante positivo, por mais que a maioria fale que o documento final é fraco e superficial isso é o que as nações puderam fazer, de que adiantaria estabeler metas e prazos e ninguém cumprir depois? Adiar a decepção de 2012 para daqui 5, 10 anos? O documento final pode não ter sido a voz do povo, mas o que cada um levou pra si depois de ter participado de todos os eventos que aconteceram é o que vai de fato fazer a diferença no mundo, sustentabilidade não se faz com decretos, acho que sensibilizar e conscientizar o maior número de pessoas para o tema ainda é mais importante do que fazer o governo assinar um acordo audacioso.

Rio+20 – Eventos Paralelos

Portugese

Durante o evento no Riocentro um milhão de coisas aconteceram na cidade sobre o mesmo tema ao mesmo tempo e claro que trabalhando todos os dias no Parque dos Atletas pedir muita coisa. Consegui ir 1 dia no Forum on Science, Technology and Innovation for Sustainable Development. Eles estavam com transmissão ao vivo pela internet o que eu achei ótimo, apesar de não ter conseguido acompanhar muita coisa. Aliás se você quiser assistir os videos já estão disponíveis aqui. Como eu só fui em um dos paineis não posso falar do evento como um todo, mas pelos comentários que vi na rede acho que foi bastante proveitoso. O presidente do Conselho Internacional para a Ciência chegou a uma conclusão óbvia para mim: “A evidência científica demonstra de forma convincente que o nosso modo de desenvolvimento está a minar a resistência do nosso planeta “, disse Yuan Tseh Lee, presidente do International Council for Science (ICSU). “Temos de encontrar um caminho diferente para um futuro seguro e próspero. Com todo o conhecimento e criatividade que temos é absolutamente possível. Mas estamos correndo contra o tempo. Precisamos de uma liderança real, soluções práticas, e ação concreta para definir o nosso mundo em um caminho sustentável. ” Pra quem a gente precisa endereçar essa conclusão para que as coisas aconteçam mais rápido? Bom, nesse caso só consigo concluir que a humanidade anda a passos de formiga, infelizmente.

Também fui visitar a exposição Humanindade 2012 no Forte de Copacabana, adorei a exposição e pelo visto não fui a única pois as pessoas estavam esperando até 2 horas para pode visitá-la. Uma pena que só durou o período do evento. Veja algumas fotos e um videozinho que fiz em uma das salas.

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Também fui no Rio+Social, teve um monte de gente legal, paineis interessantes, mas foi tudo muito rápido, um monte de gente legal falando por um tempo curtinho, isso me decepcionou bastante, mas não deixou de ser bom. Um evento que tem nomes como Muhammad Yunus, Ted Turner, Richard Branson, Ronaldo Lemos, Matthew Shirts, Pete Cashmore, Fabien Cousteau, Gro Brudtland, entre outros, não pode ser um evento ruim, né?

O discurso da Severn Suzuki foi feito colaborativamente, você podia mandar seu twitt com o que achava que era importante ser lembrado e uma equipe elaborou o texto a partir dos twitts, veja como ficou o discurso:

Eu não fui na Youth Blast, nem na Cúpula dos Povos, mas Bibiana Maia foi e também tá contando aos poucos lá no blog dela. A Aline Kelly também conta sobre a experiência dela na Rio+20 e ambas só foram nos eventos paralelos.

Rio+20–Comida, Consumo e Comportamento

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De todos os posts que eu me propus a escrever esse me pareceu o mais fácil de começar, vamos lá.

Um dos pontos que ouvi muita reclamação foram as praças de alimentação, todas com preço altos e com poucas opções verdadeiramente sustentáveis ou saudáveis, mas lá no Rio Centro o pessoal tinha uma opção a mais, uma pequena loja do supermercado Pão de Açúcar, com opções a um preço como os das lojas fora do evento e com produtos locais, naturais ou orgânicos e brasileiros. Senti inveja de quem estava no Riocentro por eles terem essa opção, achei a sacada dessa loja sensacional, tentei encontrar alguma coisa na internet que falasse mais disso, mas não vi nada (olha só como eles estão perdendo a oportunidade…). Antes que falem que o Pão de Açúcar é um supermercado caro eu quero dizer que dentro das opções dadas na praça de alimentação do Rio Centro essa era a mais coerente com o evento, afinal esse era um evento sobre desenvolvimento sustentável e não vender somente fast food e comidas de puro carboidratos já é um bom começo. Infelizmente não tirei fotos, mas pelo que ouvi dizer, foi um sucesso.

Em alguns momentos essa conferência não se diferencia em nada de outras que eu já foi por ai, tem um monte de stands e um monte de gente e não pude deixar de reparar em como o lixo foi tratado (pelo menos no parque dos atletas). Na maioria dos locais você via 2 tipo de lixeira, uma azul para materiais recicláveis e uma cinza para materiais não recicláveis e as vezes uma laranja para pilhas e baterias. Bem fácil, nao? É a separação que eu faço aqui em casa, mas quem disse que as pessoas sabem ou se preocupam com em jogar o lixo certo no lugar certo? Como já disse, as pessoas precisam mudar a relação delas com o lixo para ai sim vermos a coleta ser efetiva por aqui.

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Lixeira cinza de materiais não recicláveis e lixeira azul para materiais recicláveis. Reparem que até a cor do saco de lixo é diferente.

Lixo - Rio+20

Material dentro da lixeira de materiais não recicláveis

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Material dentro da lixeira de materiais recicláveis

Uma coisa que me deixou chocada foi o desespero das pessoas por brindes! Impressionante! Cheguei a ter momentos de vergonha alheia ao ver os brasileiros esfomeados por pen-drives, ecobags, mudas de plantas, bibelôs e coisas afins, como queremos um mundo com menos consumismo se as pessoas querem qualquer quinquilharia desde que seja de graça (ou talvez só por ser barato demais)?

Vi gente reclamando do excesso de papel do evento, mas enquanto reclamava disso estava carregando sacolas e sacolas cheia deles… Bom, se papel realmente te encomoda recuse-os, mas eu ouvi: ah, mas eu queria a informação e não tinha de outro jeito, bom, é fácil colocar a culpa nos outros, né? Eu numa situação dessas recusaria o papel e ainda diria para a pessoa por que estava recusando ou simplesmente pegaria e não reclamaria depois, acredito que a gente sempre tem escolha e até não escolher é uma delas.

Rio+20 – Um post sem foco

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Eu queria ter feito desse blog o meu diário da Rio+20, gostaria de ter colocado um post por dia contando tudo que vi e senti nesses dias, mas infelizmente fazer isso não seria assim tão simples como eu imaginava. O Parque dos Atletas fica longe pra caramba da Zona Sul (onde estou hospedada) e nenhum dos dias eu sai do meu trabalho às 16h e voltei direto para casa, sempre ficava por lá pra ver alguma palestra, passear pelos stands, conversar com alguém ou simplesmente ir para um happy hour com os voluntários. Convenhamos que frequência e regularidade nunca foi o forte desse blog, agora não seria diferente.

No dia 18 eu consegui ir assistir um dos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável, na verdade só vi esse por que ninguém sabia me informar de fato se era aberto ao público, a assessoria de imprensa me dizia que sim, as pessoas que estavam trabalhando lá diziam que não ou que não tinham certeza, até que uma das minhas amigas voluntárias foi lá tentar e conseguiu, segui os passos dela e foi ótimo pois conhecer o Riocentro foi muito legal.

Cheguei no fim dos diálogos sustentáveis sobre a água e nem vi muita coisa, mas entre um diálogo e outro eu acabei descobrindo lá perto do palco um cara que eu admiro muito: Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz de 2006. Li esse ano um dos livros dele e fiquei mais encantada com toda a história dele, o pai do microcrédito.

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Eu e Muhammad Yunus.

O Diálogos que assisti foi o sobre Cidades Sustentáveis e Inovação moderado pelo André Trigueiro. Achei uma forma muito legal de debater assuntos, mas vou ser sincera, a democracia às vezes me cansa, mas é sensacional vê-la acontecendo. Acho que o processo dos diálogos me encantou mais do que o assunto debatido ou a que conclusões foram chegadas. Achei tudo superficial e genérico demais.

Se você quiser um rápido resumo da Rio+20 do ponto de vista das cidades, acho que o Cidades e Soluções tem uma resumo bem bom: Um giro pelos eventos paralelos da Rio+20.

Como esse post foi sem foco vou fazer um listinha de outros posts (ou talvez faça um só mesmo) que quero fazer sobre a Rio+20 pra eu não esquecer:

  • ser voluntária num grande evento;
  • as impressões das pessoas que foram/ participaram do evento;
  • comida, consumo e comportamento;
  • eventos paralelos.

Caso algum outro assunto apareça ele entra depois.

Rio+20 – Primeira semana

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Esse post está saindo atrasado…

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Eu "vestida" de voluntária no Parque dos Atletas

Eis que a brincadeira de voluntária de verdade começou  mesmo na quarta (13), ainda tivemos um treinamento dia 12 mas o trabalho dos voluntários começou mesmo no primeiro dia oficial do evento.

O primeiro dia nem deveria ter sido aberto ao público, tudo ainda sendo montado e as informações dispersas e desencontradas, mas pra um evento desse porte acho que é até normal, bom, talvez para mim que sou brasileira seja normal, para um alemão aparente simplesmente desorganização mesmo.

Vou falar das coisas legais que já vi no Parque dos Atletas.

O stand da cidade de Brasília tem um projeto muito legal de plantio de árvores nos parques da cidade e não é só plantar árvore pura e simplesmente, eu posso ir lá no totem da campanha, escolher a árvore que eu quero plantar, escolher em qual parque quero que ela seja plantada e até setembro ela será plantada e não é só isso, essa árvore vai receber uma plaquinha com o meu nome e ainda vou receber por e-mail um certificado e uma foto da mudinha plantada! Tudo isso eu fiz num telão touchscreen muito interativo.

Projeto de plantio de árvores de Brasília

É muito interessante as soluções que alguns países, cidades, organizações ou empresas encontraram para montar seu stand ou atrair a atenção do público. Por exemplo a Itália utilizou paineis solares que capturam energia solar em todo o entorno de seu pavilhão, uma organização vegana distribui comida vegana de graça para que mais gente experimente esse modo de vida, o stand da Coreia ensina as pessoas a fazerem bolsas de lenços, alguns stands apostaram no videos 3D e até 5D e a distribuição de ecobags dos mais variados tipos já é bem default.

Painéis solares do pavilhão da Itália

Uma ideia bem nova (pelo menos para mim) são os moços distribuindo água pelo evento.

Ainda tá dificil de se livrar dos papeis! Ah, o papel, caderninhos, livrinhos e panfletos ainda existem aos montes, alguns até inovaram e doam DVDs e pen-drives, mas sinceramente eu imagino que isso é só disperdício de dinheiro e energia, duvido que alguém leia tudo quanto é informação que receba em papel dessas feiras ou abram o DVD para ver o que tem dentro e o pen-drive a galera usa para armazenar seus dados e talvez eles abram um ou outro arquivo para ver do que se trata.

Essa é a primeira vez que eu vou num evento tão focado em sustentabilidade… É um verdadeiro paraíso para mim, mas se eu fosse só um dia visitar acharia bem superficial e não teria fôlego para conhecer tudo. Palestras por exemplo eu quase não vi nenhuma, é tão exaustivo que chega no fim do dia que eu não tenho forças para me concentrar numa palestra.

O trabalho em si

Quando eu contei no último post como seria meu trabalho, parecia tudo muito lindo e simples, né? Pois bem, não está sendo tão lindo e simples assim, na mídia também parace fácil, mas não está funcionando tudo assim as mil maravilhas e eles tem 1001 explicações para isso e resta aos voluntários terem paciência. De qualquer modo o foco está sendo o Rio Centro e acho que lá as coisas estão fluindo melhor.

Ainda não consegui vender muitas compensações de carbono para as pessoas, mas meus amigos voluntários na mesma impreitada estão se saindo melhor que eu! Winking smile

Rio+20 – Foi dada a largada

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Eu não sabia muito bem o que esperar do treinamento, mas foi uma experiência bem gratificante. A ideia nao era saber, aprender ou conhecer sobre o que faremos durante a Conferência, mas sim dar uma noção dos temas que abrangem a Rio+20 e a Onu como um todo. Temas como direitos humanos, juventude e desenvolvimento sustentável foram debatidos e o que mais me chamou a atenção foram as pessoas que participaram do treinamento, pelo menos na minha turma fiquei muito impressionada, eles conseguiram reunir certamente uma pequena amostra (30 pessoas) do que representa menos de 1% da população do Brasil.

A maioria das pessoas eram jovens, universitários de vários lugares do Brasil e a grande maioria deles tinham experiência fora do país. Gente que já morou na Índia, Canadá, Espanha, vários países da África, que estuda na Suécia, que já estudou na Coreia, fez trabalho voluntário em Cuba, no México, etc. A maioria deles fazem parte da AISEC, estudam relações internacionais e esperam mudar o mundo (ou algo bem próximo disso). Encontrar tanta gente jovem querendo fazer trabalho voluntário num evento cujo tema maior é o meio ambiente me fez ter um pouco mais de esperança no mundo e já começar a sentir qual vai ser o clima da Rio+20. Não sei se isso vai de fato mudar alguma coisa no mundo, mas é bom saber que tem tanta gente preocupada em fazer desse lugar que chamamos de casa um lugar mais agradável.

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Turma do treinamento para voluntários da Rio+20

Sobre o trabalho

Até ontem eu não sabia em qual coordenadoria eu estava designada, descobri lá que não seria a de sustentabilidade pois quando me ligaram perguntando se eu poderia estar no Rio de Janeiro já no dia 06 eu  tinha dito que não e quem era dessa coordenadoria já tinha sido contactado para fazer um treinamento específico dia 06. Mas hoje de tarde recebi um e-mail dizendo que eu estava na coordenaria de sustentabilidade e deveria ir no treinamento do próximo dia 06. Não sei ainda se peço para mudar de coordenação ou me “mudo” pro Rio a partir do desta data (que por sinal já é depois de amanhã), vamos ver…

De qualquer forma estarei lá e pretendo falar mais aqui sobre a experiência da Rio+20 e trabalhar de voluntária nesse evento, portanto esperem mais posts dessa aventura.

Rio+20

Portugese

Pois bem pessoal, vou trabalhar de voluntária na Rio+20, esse fim-de-semana estou indo para o Rio de Janeiro para participar de um treinamento e ai então saber de fato o que vou fazer.

Segundo o site em que me inscrevi existem 4 possibilidades:

  • Visitas às comunidades: acompanhamento do público ao programa de visitação comunitária que será promovido pelo CNO e pelo governo do Estado. Número estimado de voluntários: 200 (sendo 100 residentes das 5 comunidades que receberão visitas e 100 estudantes universitários com fluência em inglês).
  • Atividades na área de sustentabilidade: Acompanhamento de atividades indicadas pela Coordenação de Sustentabilidade do CNO. Número estimado de voluntários: 300.
  • Atividades na área de tecnologia da informação (TI): acompanhamento de atividades indicadas pela Coordenação de TI do CNO. Número estimado de voluntários: 100.
  • Atividades de orientação e apoio à área de sociedade civil: atividades de informação e orientação ao público da Conferência, especialmente nos eventos promovidos nos espaços da sociedade civil. Número estimado de voluntários: 1100.

Acho que me encaixo mais na segunda opção, mas não sei se serão eles ou eu quem vai decidir isso… Semana que vem volto com notícias.

Pra quem ainda não sabe o que é a Rio+20

Essa é mais uma conferência da ONU, essa é especial por marcar 20 anos da Eco-92 (só pra lembrar naquele tempo não tinha internet, por isso não tem um site oficial). O que se pretende com essa conferência é a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável do mundo. Os dois principais temas dessa conferência serão: I) Economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e na erradicação da pobreza e II) o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável (seja lá o que isso signifique de fato).

Acho a intenção dessas conferências lindas, porém nem sempre as intenções delas se tornam realidade. Mas o simples fato de mais de 100 chefes de estado se reunirem pra discutir meio ambiente e erradicação da pobreza me parece louvável. Tem que ser otimista, né? É o que digo, no momento é o que é possível fazer…

Jogos Olímpicos Rio 2016

E para completar o ciclo de trabalho voluntário em grandes eventos (voluntariei na Rio+20 e na Copa do Mundo), obviamente que estava nas Olimpíadas Rio 2016.

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Após o evento fiquei com vários tópicos na minha cabeça para talvez escrever aqui, não tinha certeza se faria, mas depois de ler Rio 2016 Olympics: A sustainability summary achei que valia contar um pouco do que vi lá.

Esse texto da Ann Duffy é super otimista com relação aos jogos e todas as ações de sustentabilidade que foram feitas ao longo do planejamento dos jogos (falei um pouco disso quando visitei o Comitê em 2014). Mas o que me intrigou mesmo é a realização dos jogos em si, o evento durante e como o tema resíduo foi encarado.

Quando fiz a minha primeira caminhada no Parque Olímpico no primeiro domingo dos jogos a tarde meu primeiro choque foi a quantidade de gente que tinha ali. Sinceramente, fiquei assustada, aquilo parecia um formigueiro de gente e o primeiro pensamento que me veio a cabeça foi: um grande evento nunca será sustentável. Reunir aquela quantidade absurda de gente de todos os cantos do mundo, hospedá-las, alimentá-las e transportá-las é algo sem noção e insustentável.

Eu trabalhei no estádio da Lagoa, na equipe da área de protocolo que consistia em receber os membros da família olímpica (leia-se membros dos comitês olímpicos nacionais e internacionais, membros das federações de esporte, ministros, chefes de estado, etc), cuidar do local onde eles se reuniam (um lounge que cabia umas 100 pessoas) e organizar e indicar os assentos dessas pessoas para assistir a competição, ao todo éramos uns 20 voluntários, comandados por 2 funcionários contratados do comitê organizador. Qual o maior problema ambiental dessa operação? Resíduos. Nesse lounge tinha bebidas do patrocinador a vontade e algumas comidas. Tínhamos lixeira de recicláveis e não recicláveis, adivinha se respeitavam? Muitos até tentavam, mas e a garrafa meio cheia que não foi consumida até o fim o que fazer, lixeira de reciclável ou orgânicos? Inúmeras vezes me vi na dúvida: copo sujo de refrigerante vai em qual lixeira? Coisas que poderia ser planejadas como não usar descartáveis não foi algo pensado, pergunta se os copos, pratos e tralheres eram descartáveis? Claro! Coisas banais como essas ninguém pensou para diminuir a quantidade de resíduo gerado. Me doía o coração cada vez que eu via as lixeiras com os resíuos todos misturados e uma garrafa de refrigerante cheia até a metade sem saber em qual das lixeiras usar… (Pra esse “problema” mostrei aqui a solução encontrada por um shopping em São José dos Campos.)

E os resíduos do almoço dos voluntários e funcionários? Prato, copo, talheres descartáveis e uma lixeira única com tudo misturado. Mas a carne que comemos não era proveniente de desmatamento e o peixe era sustentável. É o que dá pra fazer num evento dessa magnitude. Tá bom, é suficiente? Não tenho a resposta. Essas são as experiências que eu vivi no Estádio da Lagoa, o evento tinha instalações em tantos outros locais e não sei como funcionou em cada um deles, pode ser que tenha sido melhor ou pior, esse foi a única amostra que eu coletei.

Achei essa reportagem do The Guardian, contam da utilização dos catadores para a gestão dos resíduos durante os jogos. Mas duvido que o lixo gerado no meu almoço tenha ido parar em alguma coperativa, tenho quase certeza que foi tudo parar no aterro com garrafas, talheres e pratos de plásticos que em tese deveriam ser reciclados. Afinal, ninguém merece ter que revirar o lixo sujo de comida e bebida de niguém para retirar os descartáveis, nem pelos R$80 por dia pagos pelo comitê organizador.

Por que o lixo é tão negligenciado? Por que acreditam que colocar 2 tipos de lixeiras e chamar os catadores ou cooperativas de catadores o problema tá resolvido e equacionado? É impressão minha ou numa escala de prioridades o lixo sempre vem em último? Será que foi muito diferente em Londres, Pequim ou Atenas?

O cinismo da humanidade com relação ao lixo tem que mudar, ou vamos eternamente fingir que o lixo não existe e não nos pertence uma vez que o colocamos numa lata de lixo?

Rio 2016

Semana passada fui convidada pelo comitê Olímpico Organizador das Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 para participar da coletiva de imprensa de lançamento do relatório da pegada de cabono dos jogos e depois um tour pela sede com direito à conversa com ex atleta vencedor de medalha olímpica e almoço especial.

30.10.2014.Relatório Carbono. Blog

Influenciadores que participaram da visita.

Na parte da manhã foi apresentado pela Gerente de Sustentabilidade do Comitê Organizador, Tânia Braga, o Relatório de Gestão da Pegada de Carbono dos Jogos Rio 2016. No total do evento serão emitidas 3,6 milhões de CO2, da organização do evento eles serão responsáveis por 724 mil toneladas. A maneira que eles vão gerir todas essas emissões segue a a seguinte estratégia:

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Uma vez que eles já estimaram as emissões (as 724 mil toneladas) a ideia agora é tentar diminui-las, seja evitando, reduzindo ou substituindo-as e a meta deles é chegar as 600 mil toneladas e ai sim mitigar e compensar essas restantes. Uma das formas que eles vão utilizar para compensar essas emissões será o que eles chamam de mitigação tecnológica em parceria com a Dow, que oferece várias técnicas de mitigação de carbono como promoção de práticas agrícolas que melhorem a produtividade e reduzam emissões, novas embalagens e tecnologias de conservação de alimentos, visando reduzir a quantidade de desperdícios ao longo da cadeia produtiva, medidas de aumento da eficiência energética em operações, processos industriais e materiais, projetos que melhorem a eficiência energética na construção civil e disseminem soluções de baixo-carbono no setor de infraestrutura.

Na parte da tarde tivemos algumas experiencias bem legais, conhecemos o medalhista olímpico Ricardo Prado, que é Presidente do Conselho de Esportes do Rio 2016, ele contou um pouco da história e um pouco do que faz hoje na organização dos jogos.

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Com o atleta Ricardo Prado.

Depois tivemos um almoço super especial, não tanto pela comida em si, mas pela experiência de comê-la usando vendas e conversando com o Marcos, um dos funcionários do comitê que é cego desde criança. Essa foi uma das experiências mais legais da minha vida, não só o fato de não ter muita certeza do que estava comendo e ir tentando descobrir, mas a experiência de conversar com um cego sem enxergá-lo e criar toda uma expectativa de vê-lo, a sensação que eu tive é que até a direção da conversa e perguntas feitas foram um pouco diferentes se todo estivéssemos sem as vendas.

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O almoço vendados.

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Foto com o Marcos num dos painéis do encontrados pelo corredor da sede.

Outra coisa que gostei muito foi o prédio sede, todo o planejamento dele pensando na acessibilidade das pessoas, nos murais inspiradores espalhados por todo o local e no conceito e planejamento de ser um prédio modular (contruído com containers) e que vai crescendo e diminuindo conforme a demanda, no início do comitê eram 30 pessoas trabalhando, hoje são entorno de 2mil. E o mais importante, ao fim dos jogos, o prédio não irá existir mais, os módulos serão retirados e provavelmente reutilizados e o terreno poderá novamente ser usado.

É possível perceber  que planejamento está presente nas ações do Comitê que nada é feito sem uma razão de ser muito clara e bem pensada e nesse caso a sustentabilidade entra com muita força, o diretor de communicação chegou a afirmar que sustentabilidade é uma obssessão para eles e não apenas discurso.

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Eu e o logo 3D dos Jogos Olímpicos.

Adorei saber de tudo isso e ver transparência e planejamento nas atitudes deles. Mas vale lembrar que esse é o comitê organizador do evento, eles não são responsáveis por exemplo pelas obras de melhoria no transporte público da cidade ou mesmo na construção dos aparelhos esportivos, isso é reponsabilidade do Governo e acho que devemos cobrar o mesmo profissionalismo deles, a falta de transparência das atividades do governo podem acabar comprometendo um trabalho bonito e bem feito que tem sido feito pelo comitê organizador.

Rio +20 e a sustentabilidade do evento

Portugese

O treinamento específico para os voluntários da Coordenação de Sustentabilidade foi bastante proveitoso e já deu para ter uma noção do quão preocupados eles estão com a sustentabilidade do evento. Não sei se pelo fato de fazer parte eu senti que existe uma preocupação real com esse tema ou se é por que o evento tem que ser um exemplo para o mundo todo. Outros eventos que já participei sobre meio ambiente ou sustentabilidade tinham um preocupação  meio secundária com a sustentabilidade do acontecimento, estavam todos sempre preocupados com a realização do evento em si (os palestrantes, os participantes, os assuntos) e tudo que rolava em volta que envolvesse a sustentabilidade ficava em segundo plano e nunca tinha uma equipe envolvida e dedicada apenas pra isso. Se bem que nos últimos tempos não tenho participado de muitos eventos sobre o assunto, pode ser que isso tenha mudado, eu espero.

Durante o treinamento eu twittei as coisas que achava mais interessantes como por exemplo o fato da Presidente Dilma assinar um decreto durante a conferência sobre compras públicas sustentáveis, sobre catadores trabalharem no evento como educadores ambientais ou a Rio+20 ser o maior evento da ONU com a participação de 50 mil delegados.

Outra coisa que achei super importante do treinamento foi o esclarecimento de alguns conceitos. A Rio+20 não é um evento apenas sobre meio ambiente, esta é uma conferência sobre desenvolvimento sustentável e para o Brasil o desenvolvimento sustentável está relacionado diretamente à erradicação da pobreza.

Nesse treinamento eu descobri o que de fato farei no meu trabalho de voluntária! Pois bem, vou fazer parte da equipe que  irá oferecer aos participantes a possibilidade de compensar suas emissões de carbono para chegar até a conferência. Durante todo o evento voluntários estarão disponíveis com um tablet com um aplicativo que calcula sua emissão de carbono para chegar até o Rio de Janeiro, por exemplo, se você pegou um avião de São Paulo até o Rio o aplicativo vai calcular qual a sua emissão de caborno, por exemplo 0,5 ton de CO2, o aplicativo também vai calcular qual o valor de 0,5 ton de CO2 e se você quiser fazer a compensação de carbono dessa viagem você poderá na hora fazer uma doação para que o PNUMA compre os créditos de carbono equivalente à sua pegada. As doações só poderão ser feitas com cartão de crédito e débito.

Outros voluntários da coordenação de sustentabilidade vão também peguntar aos participantes qual foi a percepção deles em relação aos aspectos de sustentabilidade relacionadas à logística do evento, eles querem saber se os participanrtes perceberam a preocupação em fazer um evento com um impacto menor. Uma terceira equipe cuidará de monitorar todos os aspectos sustentáveis do evento, há vazamento de água em algum banheiro? Há disperdício de energia em algum local? Falta coletores de resíduo? Ou indicação de qual resíduo deve ser colocado no coletor? Quais as soluções sustentáveis encontradas pelos expositores depois das sugestões da coordenação? Estão utilizando o squeeze distribuidos aos delegados? Entre outras coisas…

Bom, dia 09 tem a formatura, dia 12 mais treinamento, dessa fez com o tablet e o aplicativo e começamos dia 13! Eu estarei no Parque dos Atletas (em frente ao Rio Centro), das 12 as 16 horas. Espero ao longo do evento contar mais novidades tanto do meu trabalho como do evento como todo, quem quiser saber mais da programação é só acessar: http://www.onu.org.br/rio20/eventos/

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