Sustainable Brands 2017

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E finalmente o Sustainable Brands veio a São Paulo, pela primeira vez desde 2014 o evento aconteceu na capital paulista semana passada. Tive a oportunidade de assistir algumas palestras no primeiro dia do evento e no segundo trabalhei como voluntária. Depois de 6 meses fora do Brasil foi interessante ver como anda a sustentabilidade para as marcas.

A primeira apresentação que eu assisti foi a que mais me empolgou, foi um workshop que falava de modelos de negócio de regeneração. Foi nessa apresentação que descobri a Guayaki Yerba Mate.

A Guayaki é uma empresa de erva mate cuja missão é restaurar 200.000 hacres de mata atlântica na América do Sul e gerar mais de 1000 empregos até 2020 usando o modelo de negócios de regeneração. O principal produto deles é a lata de chá de erva mate que é vendido no Whole Foods nos EUA. Mas eles também vendem a erva em pacotes. Todos os produtos são orgânicos, livre de transgênicos e produzido pelos princípios de comércio justo, além de serem uma empresa B. Fiquei encantada com o trabalho deles me deu esperança que empresas podem ter objetivos maiores que além de dar lucro para seus acionistas. Eles conseguiram criar um ciclo virtuoso em que quanto mais mata atlântica eles restaurarem mais eles podem produzir, uma vez que a erva mate precisa da sombra da mata atlântica para crescer e se desenvolver.

Também conheci a Boomera (antiga Wisewaste) que faz um trabalho bem interessante com grandes marcas com relação aos resíduos. Eles desenvolveram solução de reciclagem para cápsulas de café, embalagens de refresco e lixo plástico de uma lagoa no Rio de Janeiro. E ainda estão trabalhando com reciclagem de fraldas descartáveis. O único porém é que nem sempre essas práticas viram parte da vida útil do produto, por exemplo as embalagens de refrescos foi apenas um projeto e que terminou, ou seja, eles transformaram as embalagens em instrumentos musicais durante o tempo da campanha e agora acabou, a empresa não recicla mais suas embalagens. Outra coisa também é que a empresa geralmente não participa do planejamento inicial dos produtos, as marcas só lembram de procurar uma solução para o ressíduo quando o problema já está instalado e não no momento do desenvolvimento do produto. Depois as marcas querem que eu acredite que a sustentabilidade já é parte da realidade da sociedade, tá, sei.

Agora o que me deixou realmente irritada foi ouvir o CEO da Pepsico. Eu tenho uma posição bem radical quando o assunto são alimentos ultraprocessados, principalmente quando eles são basicamente salgadinhos sem nenhum ou quase nenhum valor nutricional.

Pensando sobre isso pensei num post para a minha série Futuro: “Pepsico resolver encerrar sua produção até 2050 e investir em projetos sobre educação alimentar.” hahaha Será que viraliza como fakenews?

Agradeço à organização do evento pela oportunidade como participante e voluntária do evento.

Para aprender mais sobre a Amazônia

Se você ainda não entende a importância da preservação da Floresta Amazônica ou qual a relação que isso tem com a sua vida, por favor, assista esses vídeos, são produzidos pelo Google e tem um dedo do Fernando Meirelles, são curtinhos.


Aliás, essa experiência imersiva do Google chamada de Eu sou Amazônia tá incrível. Você pode ver os 15 videos curtos no Youtube que lembram, ensinam e demonstram a importância dessa floresta para o mundo.

O site que usa o Google Earth como plataforma tem a localização de várias histórias incríveis da Amazônia, você pode escolher temas como água, alimento, inovação, mudança, etc, cada um desses temas é localizado geograficamente na floresta com várias informações como vídeos, descrições, fatos históricos, notícias, reprodução 3D, tudo relacionados ao local e ao tema.

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Eu sou Amazônia no Google Earth.

Sério, minha cabeça explodiu e me fez lembrar do tempo que eu dizia que ferramentas de GIS (sistema de informação geográfica) eram pra dominar o mundo. Até agora foi o melhor uso que já vi para GIS de forma pública, grátis e como ferramenta de ensino e informação.

Tenho críticas infinitas a gigantes multinacionais como o Google, mas quando eles fazem coisas desse tipo eu quase tenho esperança de que eles podem ser melhores do que realmente são.

Fica a dica: para aquele trabalho de escola sobre a Amazônia? Ou pra ser menos ignorante sobre esse lugar distante chamado Amazônia, explore essa experiência.

Esse NÃO é um post patrocionado.

Sobre cápsulas de café

Eu realmente estou com preguiça de escrever qualquer julgamento de valor diante do ocorrido, vou apenas descrever e você leitor e consumidor pensa o que quiser a respeito.

Foto: Reprodução / Thomas Guignard / Flickr

Foto: Reprodução / Thomas Guignard / Flickr

De vez em quando eu recebo releases de uma empresa de comida. Um dos últimos que recebi foi sobre a reciclagem das cápsulas de café que a empresa tem feito, nesse caso ela contava que por conta da reciclagem das cápsulas a empresa doaria 1,6 milhão de tubetes de mudas de café para agricultores de café que fazem parte do um certo programa deles. (Eu poderia reproduzir o release aqui, mas você pode encontrá-lo nesse link)

Ai, eu enviei as seguintes perguntas para o remetente do mail:

Esses 1.6 milhão de tubetes que serão doados representam qtas cápsulas recicladas? Mais um dado importante que não encontrei: qual a porcentagem das cápsulas produzidas no Brasil pela Nestlé são recicladas? Uma vez que vcs não possuem pontos de coleta no Brasil todo creio que apenas uma parte é reciclada, gostaria de saber qual esse valor.

Infelizmente no site que vc indicou no release não encontrei mais informações sobre o processo de reciclagem das cápsulas, na verdade gostaria de saber mais sobre as empresas que recebem essa cápsulas: elas já existiam e fazem reciclagem de outros produtos ou foram criadas especificamente para reciclar as capsulas? Foi feito algum investimento da Nestlé para o desenvolvimento do processo de reciclagem das cápsulas?

Vc teria fotos do processo de reciclagem das cápsulas?

A resposta demorou e tive que me esforçar para obtê-la. Primeiro, sempre recebi esses emails sem solicitá-los, ai qdo veio mais um release sem ter nenhuma resposta do anterior eu reclamei e falei para não me enviarem mais uma vez que não estava rolando uma comunicação. A assessora pediu desculpas, falou para eu reenviar o mail e 2 dias depois veio a seguinte resposta:
Por questões estratégicas a Nestlé não divulga a quantidade de cápsulas comercializadas, coletadas e recicladas.
 
As cápsulas coletadas são processadas pela marca em parceria com a Boomera, que tem unidades industriais em Itapevi (SP) e em Cambé (PR).
 
Baseado no conceito de economia circular, onde os resíduos se transformam em insumos pra produção de novos produtos, as cápsulas descartadas pelos consumidores nos pontos de coleta passam por um processo de extrusão e são transformadas em uma resina plástica. Essa resina se transforma em matéria prima para produção de novos produtos, sendo o porta-cápsulas Renove o primeiro produto de Nescafé Dolce Gusto feito com materiais 100% reciclados (15% de cápsulas pós uso).
Olha, por uma questão estratégica eu não vou comentar essa resposta. Você leitor querido que me acompanha aqui deve saber o que estou pensando a respeito, aliás, a caixa de comentários está aberta para seus comentários. Eu prefiro evitar a fadiga dessa vez.

Pecados ambientais

em 2008 eu fiz uma confissão dos meus pecados ambientais. Já está mais do que na hora de rever essa lista, quase 10 anos e será q alguma coisa mudou? Vamos ver…

Imagem "roubada" daqui: http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=23&Cod=1471

Imagem “roubada” daqui: http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=23&Cod=1471

  1. não sou vegetariana; (continuo não sendo vegetariana, apesar de ter voltado pro Schumacher College e a comida por aqui ser vegetariana)
  2. meu apartamento não tem água individualizada; (desde os fins de janeiro não estou mais nesse apartamento, mas é lá que eu chamo de casa, então continua tudo igual e sem muitas perspectivas de mudanças)
  3. uso sacos plásticos (não biodegradáveis) para colocar meu lixo; (aqui no Schumacher eu sei que alguns desses sacos são biodegradáveis, mas não todos, mas fato é que aqui uso menos sacos plásticos para dispor lixo)
  4. uso absorvente descartáveis; Agora uso o MoonCup (sim, esse item pode sair da lista pois continuo usando o coletor)
  5. às vezes deixo a TV do meu quarto em stand by; (no momento tô sem tv no quarto, mas no Brasil tinha e ficava na tomada todo o tempo depois do advento da smart tv)
  6. como em restaurantes todos os dias e por isso… (nesse momento não é mais assim)
  7. não faço idéia de onde vem a carne/ vegetais/ frutas que como; (aqui a maior parte da comida é local e tudo orgânico)
  8. compro revistas em papel que algumas vezes poderia ler on-line; (hoje em dia cada vez mais raro eu comprar revistas)
  9. compro produtos chineses, alguns legais, outros não; (disso não consigo fugir muito, é invevitável, mas quando tem opção eu escolho a que julgo menos impactante)
  10. só ás vezes fecho o chuveiro para me ensaboar enquanto tomo banho, no inverno sem chances, não faço isso mesmo; (aqui na Inglaterra sem chances…)
  11. Apesar de usarmos sabão em pedra feito de óleo de cozinha para lavar a louça todos os outros produtos de limpeza da casa não são nada ecológicos. (aqui todos os produtos de limpeza são ecológicos, pelo menos é isso que eles prometem nos rótulos)
  12. nenhuma das minhas roupas são feitas de algodão orgânico; (continua igual e tenho alguns produtos de grandes marcas como Nike, Columbia, Adidas, etc)
  13. descobri que a empresa que fabrica meu creme dental faz teste em animais, mas a pasta que eu compro doa uma parte do lucro para o SOS Mata Atlântica, não muda nada, eu sei…(a pasta que doava dinheiro pra SOS Mata Atlântica num vi mais pra vender, portanto não comprei mais. Na verdade esse item vai mudar para: nem todos os meus cosméticos e produtos de higiene pessoal são orgânicos e naturais)

Adicionando novos itens:

  • Não consigo não ligar o aquecedor aqui toda noite, detesto passar frio sabendo que tem aquecimento na casa;
  • Não me preocupo com as emissões de carbono quando escolho uma viagem, escolho a que for mais conveniente, tipo mais rápido, mais barato ou mais confortável;
  • Não são todas as minhas viagens aéreas que eu compenso as emissões de carbono.

Na verdade acho que vou parar com essa lista, vou tentar mudar o lado da equação. Ao invés de ficar olhando para os meus pecados e defeitos vou fazer a lista de coisas que eu faço para ter menos impacto no ambiente, talvez sim essa lista ajude alguém a se inspirar e a mudar um pouco também.

Prometo fazer essa lista e publicá-la em breve.

Minha experiência no Schumacher College

Depois de 2 meses como voluntária no Schumacher College (que a princípio estava programado para serem apenas 5 semanas) resolvi finalmente relatar meus sentimentos.

É uma experiência intensa, essa é a resposta mais rápida e fácil que eu tenho para dar para quem pergunta, mas o que intenso significa na verdade?

Intenso pois voluntário trabalha pra caramba. Intenso porque acontece muita coisa. Intenso porque a maioria das pessoas que estão lá estão preocupadas de compartilhar o seu melhor, de aprender, de vivenciar coisas incríveis. Intenso pois os valores que movem aquele lugar são outros.

Num dá pra falar que o trabalho voluntário que fazemos lá é sossegado, ajudar a cozinhar e depois limpar a cozinha para, em média, 60-70 pessoas por dia (entre outras coisas), não é tarefa das mais tranquilas, mesmo que você ajude só em uma das refeições. Requer energia, esforço, vontade e é claro que o ambiente propicia isso.

São vários eventos, workshops, palestras, festas, cursos e pessoas interessantes passando por lá, incrível como uma comunidade engajada é capaz de mobilizar tanta coisa. Raros são os momentos em que você não tem alguma coisa para fazer e quando não tem algo “oficial” quem está por lá inventa algo como brincar de esconde-esconde, uma jam session que começa do nada ou simplesmente um papo gostoso acompanhado de uma xícara de chá numa sala aconchegante. Já a programação “oficial” é recheada de palestras e aulas abertas que sempre tem pessoas incríveis falando. Nesse último mês por exemplo caí de amores pelo Colin Campbell, um dos professores do curso de Ecologia e Espiritualidade que cresceu no Botswana em meio a tribos nativas e que conta todas as histórias, lendas e crenças do povo do sul da África, é de se apaixonar a cada fala.

O envolvimento das pessoas com tudo que acontece lá é bem grande, sabe aquela preocupação que rola toda vez que você organiza um evento e tem medo que ninguém apareça? Lá isso não acontece. Pode ser só uma conversa com um tema chamado “Beyond Business”, como um workshop sobre akkupressure ou um evento sobre o chá consumido no College, sempre vai aparecer interessados em saber mais sobre o assunto.

Colaborar, aprender junto, compartilhar, ajudar, servir, brincar, se descobrir, se divertir, agradecer, amar, cantar, conversar são alguns dos valores que movem aquele lugar, como você pode ver a maioria desses verbos não são comuns em  folders de propaganda da maioria das universidades por ai. Lá é mais do que um lugar para se aprender coisas, lá se VIVE muita coisa.

Foi por causa de toda essa intensidade que eu resolvi esperar sair pra conseguir escrever como foi a experiência, eu não conseguia ter muita clareza e consciência do que estava acontecendo comigo enquanto eu estava lá, sou um pouco lerda, preciso de tempo para sedimentar tudo e ter mais noção do que se passou. Resolvi apenas vivenciar o que acontecia e sem dúvida foi uma das experiências mais incríveis da minha vida.

Fiz uma lista das coisas que eu só vi por lá, certeza que é uma pequena amostra, tantas outras coisas são muito especiais lá, mas as vezes num dá pra traduzir de forma fácil em palavras, cheguei a perguntar para algumas pessoas o que para elas era único lá e por exemplo demonstrações públicas de carinho não era algo que me chamava atenção (coisa de brasileiro), mas pros europeus é algo muito peculiar.

Das coisas que eu vou sentir mais falta: uma dispensa com comida a vontade o tempo todo; os biscoitos fresquinhos nos lanches da manhã ou antes do almoço se você perdeu o lanche da manhã; as caminhadas em volta do College pelas chamadas Public Footpath; as festas que aconteciam; achar ruim de ter que fazer o café da manhã no higher close (quando eu morava no Old Postern), mas me surpreender na caminhada da ida com uma paisagem incrível; das pessoas sensacionais de diferentes lugares do mundo que conheci e convivi.

Das paisagens que me surpreenderam as 7h da matina.

Das paisagens que me surpreenderam as 7h da matina.

Das coisas que não são perfeitas: ter que me mudar pro Higher Close (tive que sair do Old Postern, local onde concentra a maioria das atividades do College e ir para os dormitórios mais novos que fica 20 minutos andando montanha acima); as semanas em que a cozinha do Higher Close está fechada e você está morando lá; da preguiça que dá de fazer seu café da manhã no fim de semana porque a cozinha é grande a dispensa fica “longe” da cozinha; o fogão de indução que eu não sei usar; a falta de consciência de algumas pessoas com relação ao lixo; muitas vezes a internet não funciona como deveria; o fato de que o Schumacher College nunca vai ser igual porque as pessoas serão sempre diferentes (exceto o staff), todo mundo sabe que quando voltar serão outras pessoas que estarão lá, mas que provavelmente vai continuar tudo igual… hehehe

Das coisas que aprendi/descobri (que eu consegui perceber até agora): ser tolerante com a dieta das pessoas, a ser mais paciente com as pessoas, que aprender na dor não é a melhor forma de aprendizado, que o mundo precisa de menos razão e mais emoção, que gente folgada existe em todo lugar, que o Schumacher College não é o lugar perfeito, mas é um lugar mágico e especial.

Fatos: Eu demorei mais ou menos 1 mês para me adaptar e me sentir em casa lá, acho que pra quem faz o short course de 1 semana é possível ter uma pequena amostra do que é o Schumacher College, mas dificilmente sente a dimensão da comunidade e tudo que aquilo representa. Visão de estudante de mestrado, estudante de short course e voluntário são diferentes, os aspectos que cada um deles percebe são diferentes. Existe uma alta rotatividade de pessoas, o que é bom e ruim ao mesmo tempo.

Sobre como funciona o Schumacher College

Eu aqui toda preocupada em escrever sobre a vida e o dia-a-dia no Schumacher College, quando lendo a newsletter mensal deles acho uma seleção de videos feito por uma brasileira contanto exatamente isso. E mais, ela tem um blog e contou como foi a experiência dela aqui durante 3 meses no fim de 2016 fazendo um curso de pós-graduação.

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Uma panorâmica do prédio do College – The Old Postern

O blog da Letícia Klein é o Sustenta Ações. Ela fez um diário de bordo dos dias dela aqui e expressam bem a vibe do que é o Schumacher College. Seguem os links para cada um dos posts:

Diário de bordo #1 – Primeira semana e primeiras impressões na Schumacher College

Diário de bordo #2 – Reconexões e redescobertas  (o jantar vendado me lembrou da minha experiência no comitê Rio 2016)

Diário de bordo #3 – Uma experiência sensorial

Diário de bordo #4 – 11 delícias da Schumacher College

Diário de bordo #5 – Uma semana de arte

Diário de bordo #6 – Carpinteira por um fim de semana (Passeando pelo bosque que tem atrás da escola eu vi a estrutura que eles construíram e não sabia o que era, agora eu sei!)

Diário de bordo #7 – Dietas da paz

Diário de bordo #8 – Primeiro vídeo sobre a Schumacher College!

Diário de bordo #9 – As sábias palavras de Satish Kumar ao redor da lareira

Diário de bordo #10 – Schumacher College e sua relação com a comida

Diário de bordo #11 – Da terra à terra através da compostagem (no quesito ambiental pra mim esse é um dos cases de sucesso, compostagem dá trabalho e eles compostam tudo aqui!)

Diário de bordo #12 – O que a Schumacher College faz com os resíduos sólidos? (esse é um post que fala de um aspecto que ainda não funciona 100% que notei aqui e me incomoda de certo modo)

Diário de bordo #13 – Dia de fazer suco de maçã

Diário de bordo #14 – O que é Schumacher College para quem estuda e trabalha aqui

E tem tb a playlist no youtube com os vídeos que ela produziu.

Claro que a experiência dela é diferente da minha, já que não estou fazendo nenhum curso aqui. Voltarei a escrever sobre o que é para mim viver no Schumacher College, mas não precisarei mais mostrar como são as coisas e como elas funcionam aqui, a Letícia já fez melhor do que eu faria!

Schumacher College, uma nova experiência

Segundo esse blog, desde 2008 o Schumacher College está no meu radar. Ou seja, desde então tenho vontade de ir lá conhecer esse local que para muitos é uma referência em um novo modo de fazer as coisas.

Conheci por email uma pessoa que tinha estado lá e publiquei o relato dela aqui e só fui conhecer mais gente que tinha estado lá em 2014 quando fiz a Experiência Schumarcher Brasil. Desde então tenho convivido com várias pessoas que estiveram tanto no curso no Brasil (meu último emprego consegui por causa dessa experiência) e pessoas que estiveram no College na Inglaterra.

E pra conhecer de verdade tudo isso que falam de sensacional do Schumacher College eu resolvi embarcar numa experiência de voluntária na Inglaterra. Então, no próximo mês, vamos dizer que para comemorar os 10 anos desse blog, vou ficar de voluntária aqui. Sim, estou escrevendo da Inglaterra, diretamente de Totnes. Se você já fez um curso aqui no College na Inglaterra ou na Escola Schumacher Brasil (que é o meu caso) você está apto a se candidatar como voluntário.

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Entrada para o prédio onde ficam a cozinha, biblioteca e algumas salas de aula no Schumacher College.

Cheguei aqui ontem (28/01) a noite, estou descansando hoje e amanhã começa o trabalho de verdade. Aqui a Denise Curi conta um pouco da experiência dela como voluntária, em 2011. Pretendo contar no blog um pouco da experiência e o dia-a-dia, vou tentar também mostrar um pouco no Snapchat (user: clau_chow). Mas não sei se vou conseguir, se tem uma coisa que eu já reparei aqui é que as pessoas não ficam muito grudadas nos seus telefones, o que eu achei ótimo! 😀

Talvez essa seja a maior comemoração que eu poderia dar para os 10 anos do blog!

Segue o programa Cidade e Soluções que conta mais sobre esse College.

10 anos!

10 anos de blog!

10 anos de blog!

E no próximo dia 03 de fevereiro esse blog completa 10 anos! Gente, pra um blog é muito tempo! Ok que a frequência de posts aqui não tem sido nem um pouco o forte desse blog, mas em tempos de redes sociais efêmeras como Snapchat ter um lugar com textos meus desde 2007 é muito tempo mesmo!

Eu gostaria de comemorar essa data dignamente com uma retrospectiva de posts relevantes por ano ou fazer um video meu contando tudo isso ou pelo menos postar mais frequentemente, mas não rola uma empolgação para isso. Hoje escrevo esse blog só por desabafo, só para manifestar minha indignação ou contentamento de descobrir coisas legais que acontecem a favor de uma mudança de paradigma, não acho mais que esse blog ou minhas opiniões tem algum poder de influência em quem quer que seja (já tive essa ilusão um dia, mas passou, ainda bem!).

Escolhi alguns posts favoritos para listar aqui, sim, eles são da história recente do blog, infelizmente depois de 395 posts (sem contar esse aqui) e 10 anos eu não lembro mais de tudo que eu escrevi e por isso só escolhi um post de 2014, 2015 e 2016. Aliás, nos primeiros anos do blog eu fazia um certo tipo de restrospectiva de melhores posts do ano, segue também o link para esses posts.

Só para constar – Posts com links para as publicações mais acessadas de 2011

Retrospectiva – Minha seleção de melhores posts de 2009

Comemorações e Mudanças – Minha seleção de melhores posts de 2007 e 2008

Minha escolha de 2016 – Jogos Olímpicos Rio 2016, foi o grande evento do ano que eu participei

Minha escolha de 2015 – Odebrecht, mostra a tua cara, pois ser persona non grata dessa empresa não tem preço

Minha escolha de 2014 – Experiência Schumacher Brasil, essa experiência me trouxe bons frutos

Quero apenas ser grata a tudo que esse blog me proporcionou: amizades, experiências, momentos, viagens, encontros, eventos, todos incríveis e inesquecíveis. Não sei se esse blog dura mais 10 anos, mas até onde ele me levou até hoje já me deixou muito feliz e provavelmente foi além do que eu esperava. Ele vai continuar sendo o canto de desabafos de uma pessoa preocupada com os rumos que a humanidade tem dado a sua única casa, o planeta Terra.

Jogos Olímpicos Rio 2016

E para completar o ciclo de trabalho voluntário em grandes eventos (voluntariei na Rio+20 e na Copa do Mundo), obviamente que estava nas Olimpíadas Rio 2016.

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Após o evento fiquei com vários tópicos na minha cabeça para talvez escrever aqui, não tinha certeza se faria, mas depois de ler Rio 2016 Olympics: A sustainability summary achei que valia contar um pouco do que vi lá.

Esse texto da Ann Duffy é super otimista com relação aos jogos e todas as ações de sustentabilidade que foram feitas ao longo do planejamento dos jogos (falei um pouco disso quando visitei o Comitê em 2014). Mas o que me intrigou mesmo é a realização dos jogos em si, o evento durante e como o tema resíduo foi encarado.

Quando fiz a minha primeira caminhada no Parque Olímpico no primeiro domingo dos jogos a tarde meu primeiro choque foi a quantidade de gente que tinha ali. Sinceramente, fiquei assustada, aquilo parecia um formigueiro de gente e o primeiro pensamento que me veio a cabeça foi: um grande evento nunca será sustentável. Reunir aquela quantidade absurda de gente de todos os cantos do mundo, hospedá-las, alimentá-las e transportá-las é algo sem noção e insustentável.

Eu trabalhei no estádio da Lagoa, na equipe da área de protocolo que consistia em receber os membros da família olímpica (leia-se membros dos comitês olímpicos nacionais e internacionais, membros das federações de esporte, ministros, chefes de estado, etc), cuidar do local onde eles se reuniam (um lounge que cabia umas 100 pessoas) e organizar e indicar os assentos dessas pessoas para assistir a competição, ao todo éramos uns 20 voluntários, comandados por 2 funcionários contratados do comitê organizador. Qual o maior problema ambiental dessa operação? Resíduos. Nesse lounge tinha bebidas do patrocinador a vontade e algumas comidas. Tínhamos lixeira de recicláveis e não recicláveis, adivinha se respeitavam? Muitos até tentavam, mas e a garrafa meio cheia que não foi consumida até o fim o que fazer, lixeira de reciclável ou orgânicos? Inúmeras vezes me vi na dúvida: copo sujo de refrigerante vai em qual lixeira? Coisas que poderia ser planejadas como não usar descartáveis não foi algo pensado, pergunta se os copos, pratos e tralheres eram descartáveis? Claro! Coisas banais como essas ninguém pensou para diminuir a quantidade de resíduo gerado. Me doía o coração cada vez que eu via as lixeiras com os resíuos todos misturados e uma garrafa de refrigerante cheia até a metade sem saber em qual das lixeiras usar… (Pra esse “problema” mostrei aqui a solução encontrada por um shopping em São José dos Campos.)

E os resíduos do almoço dos voluntários e funcionários? Prato, copo, talheres descartáveis e uma lixeira única com tudo misturado. Mas a carne que comemos não era proveniente de desmatamento e o peixe era sustentável. É o que dá pra fazer num evento dessa magnitude. Tá bom, é suficiente? Não tenho a resposta. Essas são as experiências que eu vivi no Estádio da Lagoa, o evento tinha instalações em tantos outros locais e não sei como funcionou em cada um deles, pode ser que tenha sido melhor ou pior, esse foi a única amostra que eu coletei.

Achei essa reportagem do The Guardian, contam da utilização dos catadores para a gestão dos resíduos durante os jogos. Mas duvido que o lixo gerado no meu almoço tenha ido parar em alguma coperativa, tenho quase certeza que foi tudo parar no aterro com garrafas, talheres e pratos de plásticos que em tese deveriam ser reciclados. Afinal, ninguém merece ter que revirar o lixo sujo de comida e bebida de niguém para retirar os descartáveis, nem pelos R$80 por dia pagos pelo comitê organizador.

Por que o lixo é tão negligenciado? Por que acreditam que colocar 2 tipos de lixeiras e chamar os catadores ou cooperativas de catadores o problema tá resolvido e equacionado? É impressão minha ou numa escala de prioridades o lixo sempre vem em último? Será que foi muito diferente em Londres, Pequim ou Atenas?

O cinismo da humanidade com relação ao lixo tem que mudar, ou vamos eternamente fingir que o lixo não existe e não nos pertence uma vez que o colocamos numa lata de lixo?

Lixo, plástico, oceano e a logística reversa

Se tem uma coisa que eu gosto é reparar no que as empresas andam fazendo sobre ser sustentável depois que a moda da sustentabilidade passou. Na verdade, eu não sei bem se a moda passou ou estagnamos e não conseguimos fazer muito mais que não usar sacolinhas plásticas e talvez separar o lixo.

Hoje no Daily Planet descobri que a Adidas se juntou a Parley for the Oceans (Negocição pelos Oceanos). E criou uma campanha que coletou usou o plástico de redes de pesca encontrados próximos às Ilhas Maldivas e usando uma impressora 3D fez um tênis para fazer um tênis usando uma impressora 3D. A coleta dessas redes de pesca foi feita pela Sea Sheperd. O interessante é que é possível ganhar um dos 50 pares de tênis produzidos, basta fazer um video, postar no Instagram com a hashtag #ParleyAIR e #adidascontest dizendo porque você ama os oceanos, fazer uma promessa para ajudar a combater a poluição do plástico nos oceanos e mostrar que você deixou de usar algum plástico de uso único. Achei a campanha bem legal e queria ser criativa o suficiente para fazer esse vídeo para concorrer a um dos pares. Mas eu não sou (e o Brasil não é um país que pode participar da campanha :/) e o que eu sei fazer é pesquisar mais sobre a empresa e lembrei que eles tinham um programa de coleta de tênis velhos e queria saber como andava isso. De que adianta um campanha dessas que deve custar milhões se ela não se preocupa com sua logística reversa? Eu por exemplo tenho um par de tênis velho da Adidas encostado pois não estão em condições de uso nem de doação e não sei o que fazer com eles.

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Essa pesquisa me deixou feliz pois descobri que desde o ano passado em algumas lojas da Adidas no Brasil eles estão aceitando pares de tênis velhos (e roupas esportivas) de qualquer marca e ainda dão 15% de desconto para novas compras para quem levar um par/roupa [email protected] Ok que esse recolhimento ainda não é em 100% das lojas da marca no Brasil, mas é um começo, eu ficaria bem decepcionada se visse essa campanha deles toda linda sobre salvar os oceanos e eles não estivessem nem fazendo a lição de casa pensando no lixo que o próprio produto deles gera por ai.

Vejo as empresas dando passos bastante tímidos com relação à logística reversa, algo super importante e que está na nossa Política Nacional de Resíduos Sólidos (que existe desde 2010), também continuo vendo as pessoas pouco preocupadas com o destino de seu lixo. Quando as empresas vão investir a mesma quantidade de dinheiro que usam para promover um tênis provenientes de lixo oceânico em campanhas para promover o destido correto do seu tênis velho e sem uso?

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