Código Florestal, animais abandonados…

#CodigoFlorestal3Anos

Semana passada fui num evento da ONG Iniciativa Verde sobre os 3 anos do Código Florestal. E pra variar é só desgosto que me acompanha. Se cumprir o antigo código florestal era difícil pois era muito restritivo esse novo não está sendo das tarefas mais fáceis, mesmo depois de 3 anos. Quando o Brasil vai conseguir cumprir as leis que inventa? Perguntei no twitter e continuo com a dúvida, de que adianta ter o “código florestal mais abrangente do mundo” (palavras de um dos participantes do evento) se a gente não consegue fazê-lo funcionar? Fizemos um novo código florestal para continuar tudo igual? Parece que sim…

Outra coisa do evento… A representante da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de SP falou do Programa Nascentes, fiquei até otimista, mas quando perguntei dos dados e resultados do programa, descobri que ele começou a ser implantado em abril desse ano e o decreto que deu origem a ele é do fim de fevereiro, ou seja, não há dados a apresentar, no máximo metas. Esse programa é a extensão de um outro programa chamado Programa Mata Ciliar que existe (pelo menos em decreto) desde de junho de 2014. Ou seja, a ideia que fica é que o governo do Estado só começou a se preocupar em preservar, recuperar e cuidar de matas ciliares e bacias formadoras de mananciais depois da crise iniciada ano passado. Nem preciso comentar, né?

E pra terminar ainda tivemos que ouvir que os produtores rurais precisam da ajuda de 200 bilhões de reais para poder cumprir o código florestal. Não sei exatamente de quem foi essa fala, se [email protected] representante da Associação Brasileira do Agronegócio ou se da Sociedade Rural Brasileira, mas isso soa pra mim quase como chantagem… É assim que os ruralistas veem o meio ambiente.

Animais abandonados

Outro dia na página do Facebook da Secretaria do Verde e Meio Ambiente da cidade de São Paulo descubro que abandonaram um filhote de Tamanduá no Parque do Ibirapuera! Bom, se a humanidade é capaz de abandonar seus próprios animais de estimação, abandonar um animal selvagem num parque no meio da maior cidade da américa latina faz parte, né? A humanidade não para nunca de me surpreender…

tamanduá

Coisas sobre a água

A gente só tem que falar de água no Dia Internacional da Água? Obviamente que não e por isso resolvi fazer esse post no dia seguinte, depois de acompanhar várias coisas interessantes na TV Cultura, que teve programação especial por conta do dia, resolvi compartilhar aqui alguns vídeos bem legais sobre o assunto. Alguns em inglês, infelizmente, até tentei achar legendados, mas não encontrei.

https://flic.kr/p/pL7GK (CC BY-NC 2.0)

https://flic.kr/p/pL7GK (CC BY-NC 2.0)

Sobre a invenção que mais salva vidas no mundo (com a narração do Matt Damon):

Sobre a falta d´água no meu canal do youtube preferido e do “Scibling” Átila, do Rainha Vermelha (esse em português):

Um vídeo da minha ONG internacional preferida, Charity Water, video de 2011, mas que continua super atual (infelizmente). Já falei dessa ONG em outro post sobre água aqui no blog.

Esse vídeo me fez lembrar de um encontro ano passado que participei pelo #VivaPositivamente que falava sobre a importância da hidratação. Esse tem legendas em Português de Portugal.

A crise da água ou as consequências dela.

Então, de verdade, eu não sei o que escrever específicamente sobre a atual crise da água que o sudeste está passando. Tenho lido um monte de coisas, acompanhado vários movimentos e qualquer coisa que eu escreva me parecerá mais do mesmo e não precisamos disso (eu acho).

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Foto: https://flic.kr/p/7kVnCH (CC BY-NC 2.0)

 

O que me assola é ver algumas soluções que as pessoas estão buscando para a crise. Hoje fui numa confeitaria que eu gosto muito e um dos motivos que gosto dessa confeitaria é que eles não usam talheres de plástico (o pratinho infelizmente é de plástico, descartável :/), eis que peço um pedaço de bolo, um capuccino e tudo me aparece na mesa com talheres de plástico! Na hora de pagar reclamei e obviamente ouvi a desculpa que era para economizar água… Acrescentei que não adianta economizar água e gerar mais lixo, a pessoa que ouviu concordou, mas não soube dizer mais nada. Ouvi também de uma amiga que uma hamburgueria adotou a mesma estratégia, usar talheres de plástico para economizar água. Para tudo! Estamos tentando resolver um problema (a falta de água) gerando outro problema (aumento da quantidade de lixo), será que é muito difícil de perceber?

Pensar em como lavar louça gastando menos água ninguém faz, né? E sabe qual o meu maior medo nessa história de usar descartável? Virar a regra. Com o “conforto” de não ter que lavar mais a louça, mesmo que a situação da água se normalize os restaurantes vão continuar usando descartáveis porque é “mais prático”. Ai, os otimistas de plantão vão me dizer: “Mas Claudia, os descartáveis podem ser reciclados.” Ok, podem, mas quantos de fato serão? Segundo essa pesquisa apenas 17% dos municípios brasileiros tem coleta seletiva, e só para constar isso não quer dizer que essa coleta seletiva seja regra para 100% do lixo. Você realmente acredita que o que pode ser reciclado é de fato reciclado? Nem preciso comentar, né?

Bom, mas se a falta de água for severa como espero que seja (sim estou sendo pessismita) posso me tranquilizar por que nem restaurante aberto para ir teremos! Só por favor, não use descartáveis em casa.

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Finalmente o “piscinão” de Cingapura e mais algumas coisas

É até um certo desmerecimento chamar a Marina Barrage de piscinão, se formos comparar com os piscinões que eu tenho conhecimento em SP, essa represa nada mais é que um parque com uma vista sensacional da cidade e uma área de lazer invejável, não lembra nem de longe um piscinão paulistano.

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Piscinão Aricanduva, SP. Foto: http://farm1.staticflickr.com/248/514839748_78153f5e2f.jpg

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“Piscinão” de Cingaoura.

Além do prédio sustentável, o telhado verde, o parque de energia solar o local ainda tem uma exposição sobre sustentabilidade em Cingapura. Essa exposição além de falar sobre a história da água na cidade-estado ainda mostra como a barragem funciona, é uma maquete que simula o aumento do nível da água no reservátorio e como as comportas funcionam nessa situação. Fiz um video do simulador funcionando, mas não ficou muito bom, mas dá pra ter uma ideia.

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Além de tudo isso você ainda tem um audio tour de graça para fazer a visita.

Além do telhado verde onde as pessoas tomam sol, empinam pipas, fazem picnic ainda tem um parque aquático, não, não tem piscina, mas eu achei super divertido brincar com eles chafarizes!

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Telhado verde

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Parque Aquático

O local é um exemplo, não tem nem o que discutir. Mas a sustentabilidade em Cingapura é tudo isso? Bom, nesse local o assunto é água e só água e parece que a grande preocupação deles é essa, nada mais natural afinal, eles não tem aquíferos  e importam muita água para consumo da sua população, mas como esse é um assunto estratégico para eles a sustentabilidade se resumiu a isso. E qualquer pessoa sabe que sustentabilidade é um assunto estratégico, mas vai muito além de água.

Quando eu falo que o “sucesso” da reciclagem no Brasil se deve à miséria, Cingapura é o maior exemplo disso, aqui simplesmente não tem reciclagem e se tem é muito, mas muito tímida e provavelmente porque aqui não tem miseráveis para ver no lixo uma alternativa de sobrevivência. Olhando no site da agência ambiental de Cingapura programas de reciclagens nem aparece.  A preocupação está mesmo em eficiência energética e limpeza da cidade. Mas por que eu acho que reciclagem é tão importante? Na verdade não é a reciclagem que eu acho importante, mas sim a relação das pessoas com o lixo, essa relação faz (ou deveria fazer) com que você repense seus hábitos de consumo e esse é um problema que todo mundo ignora porque acha que uma vez que você joga uma coisa no lixo o problema desaparece…

Pesquisando mais sobre lixo e o gerenciamento dele em Cingapura achei que o lixo aqui é incinerado em usinas que geram energia (por isso reciclagem não é tão importante, afinal quanto mais lixo, mais energia), mas mesmo assim a agência nacional de meio ambiente tem o como objetivo atingir 65% de reciclagem do lixo até 2020 e 70% até 2030. Por conta de incinerar o lixo antes eles conseguiram fazer o primeiro aterro sanitário no meio do mar, uma vez que só as cinzas do lixo vão para o aterro. Pra saber mais sobre o aterro achei o video institucional:

Água

Hoje é dia Mundia da Água e eu resolvi escrever sobre uma ONG que tomei conhecimento ano passado e adorei, a Charity: Water. Eles levam água limpa e segura para pessoas em países em desenvolvimento e não é simplesmente doando dinheiro para levar água engarrafada para essas pessoas, eles constroem poços de água para comunidades que teriam que caminhar kilometros todos os dias para ter acesso a um líquido. E repare que eu falei líquido e não água e não água potável.

 

E por que água? Porque água muda tudo! E eles explicam como no video abaixo (em inglês).

Não é à toa que existe um dia internacional para esse bem tão precioso, né?

E além de escolherem uma coisa básica para ajudar as famílias do mundo em desenvolvimento eles ainda resolveram usar a internet e todas as suas possibilidades para arrecadar mais e também para provar a seus doadores como o dinheiro deles está sendo empregado.

Se você doa para a ONG você sabe onde seu dinheiro foi empregado, ele vai exatamente para construção de um poço. Com a doação você terá acesso ao My Charity: water, lá é possível escolher qual projeto quer doar e acompanhar todas as etapas dele pelo site, eles tem até um exemplo de como funciona. Ou ainda você pode ver a localização de cada poço construído no Google Maps, com fotos do local e as coordenadas geográficas de cada um dos poços espalhados pelo mundo. Você também pode usar o canal para pedir doações e fazer campanhas, por exemplo, se você for fazer aniversário e quiser ao invés de pedir presentes pedir para seus amigos fazerem doações para a ONG e usar a página para mostrar o que foi feito com o dinheiro doado por eles.

Em setembro, quando a ONG faz aniversário, eles fizeram uma campanha especial pedindo doações para uma nova frota de equipamentos de perfuração de poços, eles conseguiram mais de U$1,2 milhões emdoações. Em maio eles iriam começar os serviços com os equipamentos novos, mas como o primeiro equipamento novo de perfuração já chegou, a comemoração foi feita com um video do primeiro poço a ser furado com os equipamentos comprados com a campanha realizada em setembro, veja:

September Campaign 2011 Rig is drilling in Northern Ethiopia! from charity: water on Vimeo.

Toda a nova frota será equipada com GPS para que todos possam acomanhar o trabalho de perfuração de poços e saber onde exatamente está acontecendo.

Provavelmente no dia de hoje você vai ouvir muito sobre a importância da água, como conservá-la e não disperdiçá-la, eu resolvi mostrar como uma ONG resolveu usar a internet, as redes sociais para levar água efetivamente para quem precisa.

Os rios voadores

rios_voadores

O Hugo Penteado tem o costume de repetir sempre que sem a Amazônia estaríamos todos mortos. Pode parecer exagero, uma hipérbole, mas tem seu fundo de verdade. Talvez não estaríamos todos mortos, mas estaríamos gastanto tempo e energia sem fim para compensar um serviço que a Floresta Amazônica nos oferece de graça, ou seja, num país com uma péssima distribuição de renda só tornaria as coisas piores.

Achei no Rastro de Carbono o video abaixo que mostra como são os rios voadores e é possível perceber que é a Amazônia que influi nas chuvas e no clima aqui no sudeste. Veja:

Não entendeu a relação da função da floresta, distribuição de renda ou mortes? Pois bem, eu explico. Vamos supor que não existisse a floresta lá no norte do país para equilibrar o clima aqui no sudeste, provavelmente o regime de chuvas seria totalmente diferente e para conseguirmos plantar aqui com a facilidade que fazemos hoje, precisaríamos investir mais tempo, energia e inteligência para manter uma plantação produtiva ou ainda nossos rios não seriam tão bem servidos e talvez não conseguissem atender a quantidade de cidades que abastece hoje. Ou seja, tudo poderia ser mais caro e difícil.

É bom lembrar que não são apenas os rios voadores ou a floresta Amazônica que garante o clima que temos hoje, sem dúvida nenhuma, o relevo, o cerrado (que é um outro tipo de floresta) também são parte da equação. Nosso equilíbrio depende de muitos fatores e ignorar qualquer um deles é no mínimo arrogância, na verdade acho que faz parte do nosso sistema econômico estúpido que valoriza e contabiliza o fato de você destruir uma floresta e ter que “construí-la” novamente e ignora o serviço que ela já presta hoje em pé sem custos.

Saiba mais sobre os rios voadores.

Água – Blog Action Day

Hoje é Blog Action Day!

Não lembra o que é o Blog Action Day? É um evento anual que une blogueiros de todo o mundo postando mensagens sobre o mesmo assunto num mesmo dia nos seus próprios blogs, com o objetivo de provocar uma discussão em torno de uma questão de importância global.


Esse ano o tema escolhido é água. E quem acompanha esse blog sabe que eu já falei sobre ele algumas vezes, portanto por falta de tempo vou indicá-los aqui e traduzir os 5 fatos sobre a água que foram enviados pelo pessoal do Blog Action Day, que achei interessantes.

1. Água não potável e falta de saneamento mata mais pessoas anualmente do que todas as formas de violência, incluindo a guerra. Água de beber suja pode incubar algumas doenças muito assustadoras, como E. coli, Salmonella cólera e hepatite A. Essa mistura de bactérias, não é nenhuma surpresa que a água, ou a falta dela, faz com que 42 mil mortes a cada semana.
2. Mais pessoas têm acesso a um telefone celular do que a um banheiro. Hoje, 2,5 bilhão de pessoas carecem de acesso a banheiros. Isso significa que o esgoto transborda para rios e córregos, contaminando a água potável e causando doenças.
3.  Todos os dias, mulheres e crianças na África a pé um total de 109 milhões de horas para conseguir água. Eles carregam cisternas pesando cerca de 20 quilos quando cheio, a fim de recolher a água que, em muitos casos, ainda está poluída. Além de colocar uma grande pressão sobre seus corpos, como andar longas distâncias manter as crianças fora da escola e as mulheres longe de outros empreendimentos que podem ajudar a melhorar a qualidade de vida em suas comunidades.
4. São necessários 6,3 litros de água para produzir apenas um hambúrguer. Esses 6,3 litros cobre tudo, desde a rega do trigo para o pão e fornecimento de água para a vaca para assar o pão. E isso é apenas uma refeição! Levaria mais de 184 bilhões de galões de água para fazer apenas um hambúrguer para cada pessoa nos Estados Unidos.
5. O norte-americano usa em média 159 litros de água por dia – mais de 15 vezes do que uma pessoa média nos países em desenvolvimento. De tomar banho e lavar nossas mãos, para regar nossos jardins e lavar os carros, os americanos usam uma grande quantidade de água. Para colocar as coisas em perspectiva, em um chuveiro médio, em cinco minutos são utilizados cerca de 10 litros de água. Agora imagine usar essa mesma quantidade para tomar banho, lavar suas roupas, cozinhar as suas refeições e saciar a sua sede.

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Conheça o Planeta Água

Muita gente fala que o Planeta Terra tinha mesmo que se chamar Planeta Água, afinal em nossa superfície temos muito mais água que terra e tem o fato também que do espaço o planeta lembra muito mais água que terra.

Talvez tenha sido esse o motivo para a Docol batizar seu blog? Não sei, mas provavelmente o fato dos produtos dela terem relação direta com esse bem mineral com certeza.
O Planeta Água é um blog bem interessante, é comandado por uma engenheira ambiental e tem artigos de 2 engenheiros civis. Gosto de blogs corporativos principalmente quando a função deles não é de apenas fazer propaganda dos produtos da empresa, esse por exemplo dá notícias sobre meio ambiente, energias alternativas e dicas de hábitos sustentáveis. Vale a visita! Principalmente por que esse aqui, você deve ter percebido que anda bem devagar, uma vergonha… Mas eu não sumi, tô aqui, só um pouco preguiçosa de escrever… hehe
Você também pode segui-los no twitter @planetadocol.
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Esse é um artigo patrocinado, ou seja, eu fui paga para divulgar o site Planeta Águda, tive total liberdade para expressar minha opinião e impressões. Meu texto não sofreu qualquer tipo de edição ou sequer foi lido pelo patrocinador antes da publicação.

Esqueça os banhos curtos

O único pecado do texto abaixo são os exemplos americanos, que muitas vezes não se encaixam na nossa realidade brasileira, mas de resto não tem como não concordar com que ele fala. Pode parecer radical demais em alguns pontos, até mesmo pessimista, mas é a mais pura verdade, acreditar que só fazer a nossa parte é o suficiente para revolucionar o mundo é muito pouco.

Aqui no blog cito muito exemplos de empresas porque acho que são elas que tem que mudar independentemente da decisão de compra do consumidor, afinal, antes de mais nada antes de ser consumidor qualquer pessoa é um cidadão que quer ver as coisas certas sendo feitas no mundo em que vive. Claro que o governo pode e deve ajudar, mas como parece que eles não se preocupam muito com esse assunto (vide COP-15) a pressão tem que acontecer dos cidadão também.

Jogar toda a responsabilidade de salvar o mundo no colo das pessoas é muito fácil, mas a pergunta que não quer calar é: quem realmente quer mudar?

Segue o texto com tradução livre minha.

Esqueça os banhos curtos
Por que mudanças pessoais não são iguais a mudanças políticas.

 

banho

 

Por Derrick Jensen
Alguém em sã consciência acharia que um catador de lixo pararia Hitler, ou que compostagem acabaria com a escravidão ou traria a jornada de 8 horas de trabalho, ou que cortar lenha ou carregar água tiraria as pessoas das prisões czaristas, ou que dançando nuas em torno de um fogo teria ajudado a pôr em prática o Ato de Direito ao Voto de 1957 ou o Ato de Direitos Civis de 1964? Então, por que agora, com todo o mundo em jogo, achamos que podemos salvar o mundo com soluções pessoais?

Parte do problema é que temos sido vítimas de uma campanha sistemática de desorientação. A cultura do consumo e da mentalidade capitalista que nos ensinou a substituir os atos de consumo pessoal por resistência à política organizada. O filme "Uma Verdade Inconveniente" ajudou a criar uma consciência sobre o aquecimento global. Mas você notou que todas as soluções apresentadas são relacionadas com consumo pessoal – trocando lâmpadas, calibrando pneus, dirigindo menos – e não tinha nada a ver com diminuir o poder das empresas, ou interromper o crescimento da economia que está destruindo o planeta? Mesmo que cada pessoa nos Estados Unidos fizesse tudo que o filme sugere, as emissões de carbono nos EUA teriam uma redução de apenas 22%. O consenso científico é que as emissões devem ser reduzidas, em todo o mundo, pelo menos em 75%.

Ou vamos falar da água. Nós ouvimos tantas vezes que o mundo está ficando sem água. Pessoas estão morrendo de falta de água. Os rios estão acabando por falta de água. Devido a isso, precisamos tomar banhos mais curtos. Vê a desconexão? Por tomar banho sou responsável por secar aquíferos? Bem, na verdade não. Mais de 90% da água usada pelos seres humanos é utilizada pela agricultura e indústria. Os restantes 10% são divididos entre os municípios e a vida dos seres humanos individuais. Coletivamente, os campos de golfe usam tanta água quanto os municípios. Pessoas (tanto as pessoas humanas e os peixes) não estão morrendo porque o mundo está ficando sem água. Eles estão morrendo porque a água é que está sendo roubada.

Ou vamos falar de energia. Kirkpatrick Sale resumiu bem: "Nos últimos 15 anos a história foi a mesma a cada ano: o consumo individual residencial, carro particular, e assim por diante, nada mais é do que cerca de um quarto de todo o consumo, a grande maioria é comercial, industrial, empresarial, agronegócio e governo [ele esqueceu militares]. Por isso, mesmo se todos nós andássemos de bicicleta e tivéssemos fogões à lenha o impacto seria pouco significativo sobre o consumo de energia, aquecimento global e poluição atmosférica."

Ou vamos falar de resíduos. Em 2005, a produção de resíduos per capita municipal (basicamente tudo o que é posto para fora na calçada), nos EUA, foi de cerca de 753 kg. Vamos dizer que você é um ativista radical de vida simples e reduz seu resíduo a zero. Recicla tudo. Você usa sacolas de pano. Você conserta a torradeira. Seus dedos saem pra fora do seu tênis velho. Isso não é o suficiente, apesar de tudo. Uma vez que os resíduos urbanos não incluem apenas os resíduos residenciais, mas também resíduos de escritórios do governo e das empresas. Aí você marcha para os escritórios, panfleta redução de resíduos e convencê-os a reduzir seus resíduos o suficiente para eliminar a sua parte dela. Então, eu tenho uma má notícia. Os resíduos municipais são apenas 3% da produção total de resíduos nos Estados Unidos.

Eu quero ser claro. Não estou dizendo que não devemos viver de uma maneira mais simples. Eu vivo razoavelmente simples, mas eu não finjo que não comprar muito (ou não dirigir muito, ou não ter filhos) é um ato político poderoso, ou que é profundamente revolucionário. Não é. Mudança pessoal não é igual a uma mudança social.

Então como, com o mundo em jogo, viemos a aceitar estas respostas absolutamente insuficientes? Acho que parte disso é que estamos em uma encruzilhada. Uma encruzilhada é o lugar onde você tem várias opções, mas não importa qual opção você escolha, você perde e bater em retirada não é uma opção. Neste ponto deve ser muito fácil reconhecer que cada ação que envolve a economia industrial é destrutiva (e não devemos fingir que a energia solar fotovoltaica, por exemplo, nos isenta disso: eles ainda necessitam de mineração e infra-estruturas de transporte em todos os pontos e processos de produção, o mesmo se pode dizer de todas as outras chamadas tecnologias verdes). Então, se nós escolhermos a opção um -  participar avidamente da economia industrial – acho que poderemos, no curto prazo, ganhar, porque podemos acumular riqueza, o marco de "sucesso" nesta cultura. Mas perderemos, porque ao fazê-lo desistimos de nossa empatia, nossa humanidade. E nós realmente perderemos, porque a civilização industrial está matando o planeta, o que significa que todos perdem. Se nós escolhermos a opção "alternativa de vida mais simples", causando menos danos, mas ainda não evitando a economia industrial de matar o planeta, podemos, a curto prazo ganharmos, porque nós começamos a nos sentir puros, e não teremos que desistir de toda a nossa empatia (apenas o suficiente para justificar não interromper os horrores), mas mais uma vez nós realmente perderemos, porque a civilização industrial ainda está matando o planeta, o que significa que todos perdem. A terceira opção, atuando de forma decisiva para impedir a economia industrial, é muito assustadora por uma série de razões, incluindo, mas não se restringindo ao fato de que perderíamos alguns luxos (como a eletricidade), ao qual estamos acostumados, e o fato de que quem está no poder pode tentar nos matar se impedirmos seriamente a sua capacidade de explorar o mundo – nenhuma das razões altera o fato de que essa opção é melhor do que um planeta morto. Qualquer opção é uma opção melhor do que um planeta morto.

Além de ser ineficaz para causar os tipos de mudanças necessárias para pôr fim a esta cultura de morte no planeta, há pelo menos quatro outros problemas com a percepção de &quot
;viver simplesmente"* como um ato político (ao contrário de vida mais simples, porque isso é o que você quer fazer). O primeiro é baseado na noção errônea de que os seres humanos inevitavelmente prejudicam seu ambiente. Vida mais simples como um ato político consiste unicamente na redução de danos, ignorando o fato de que os humanos podem ajudar a Terra, bem como prejudicá-la. Podemos recuperar córregos, podemos nos livrar de invasores nocivos, podemos remover as barragens, interromper um sistema político inclinado na direção dos ricos, assim como o sistema econômico, podemos destruir a economia industrial que está destruindo o mundo real, físico.

O segundo problema – e esse é um bem grande – é que ele incorretamente atribui a culpa ao indivíduo (e mais especialmente para o indivíduo, que são particularmente impotentes) em vez de culpar realmente aqueles que detêm o poder neste sistema. Kirkpatrick Sale mais uma vez diz: "Todo sentimento de culpa individualista o-que-posso-fazer-para-salvar-a-terra é um mito. Nós, como indivíduos, não estamos criando a crise e não podemos resolvê-la. "
O terceiro problema é que ele aceita a redefinição do capitalismo de cidadãos para consumidores. Ao aceitar essa redefinição, reduzimos nossas formas potenciais de resistência a consumir e não consumir. Os cidadãos têm uma gama muito maior de táticas de resistência disponíveis, incluindo o voto ou não votar, correndo para o escritório, panfletando, boicote, organização de lobby, protestando e quando um governo se torna destrutivo a vida, a liberdade e a busca da felicidade, têm o direito de alterá-lo ou aboli-lo.

O quarto problema é que o desfecho da lógica por trás de uma vida simples como um ato político é o suicídio. Se cada ato dentro da economia industrial é destrutivo, se quisermos parar com esta destruição e se estamos relutantes (ou incapazes) de questionar (muito menos destruir) as infra-estruturas intelectuais, morais, econômicas e físicas que fazem com que todo ato na economia industrial seja destrutivo, então podemos facilmente passar a acreditar que vamos causar o mínimo possível de destruição se morrermos.

A boa notícia é que existem outras opções. Podemos seguir os exemplos de militantes corajosos que viveram os tempos difíceis que eu mencionei, Alemanha Nazi, a Rússia czarista, que fizeram muito mais do que manifestar uma forma de pureza moral, que se opuseram ativamente contra as injustiças que os cercavam. Podemos seguir o exemplo daqueles que lembraram que o papel de um ativista não é continuar no sistema de poder opressor mantendo a integridade tanto quanto possível, mas sim confrontar e derrubar esses sistemas.

*viver simplesmente refere-se ao movimento Simple Living que é um estilo de vida caracterizado por consumir apenas o suficiente para se manter vivo.

Texto original em inglês: http://www.orionmagazine.org/index.php/articles/article/4801/

Imagem: http://www.flickr.com/photos/demenciano/280171857/

Mais sobre a água

Eu ia responder os comentários sobre no post A Água do mundo, mas resolvi fazer um post, pois deve ter muita gente que não acompanha os comentários.

Pois bem, concordo que temos que evitar o desperdício e aprender a conservar, que a escassez de água é realidade em muitos lugares do planeta e que a água potável do mundo está diminuindo, mas apenas o argumento: "a água do mundo está acabando" é extremamente simplista. Como dizer isso pra uma criança se ela ver chover todos os dias numa cidade como São Paulo ou morando na floresta amazônica com rios com dimensões de mares? Isto é parte de uma realidade do nosso país, apesar de existir escassez de água em alguns locais.

E como explicar pra uma criança que ela economizando água aqui no Brasil vai poder ajudar alguém na África que não tem acesso a água potável? Aliás, se alguém tiver essa resposta por favor me responda por que eu também não sei.

Eu economizo água para economizar dinheiro, pra economizar energia (pois eu moro num prédio e preciso de uma bomba para bombear a água até o meu andar), economizo água porque não existe uma política séria no país de saneamento básico e portanto não tenho certeza que meu esgoto é tratado e ele pode estar contaminando algum rio ou lençol freático e mesmo que ele seja 100% tratado eu economizo pra que menos água tenha que ser tratada para voltar a natureza. E por fim eu economizo água porque é um recurso natural e não é por isso que posso utilizá-lo ao meu bel-prazer, não estou sozinha no mundo.

Mas existem pessoas que simplesmente não precisam economizar água, pra você que acredita que a água do mundo está acabando pode parecer estranho, mas existe, existem pessoas que tem nascentes de água do lado de casa ou poços artesianos e não pagam nada para usá-la (exceto o bombeamento no caso de poços)  e se elas usarem ou não a água vai continuar lá, lógico que isso acontece para uma minoria de pessoas, mas acontece.
Sou a favor da disseminação de conceitos corretos e completos sobre meio ambiente, aliás acho até que esse é um dos motivos pra esse blog estar num portal de blogs de ciências. Dificilmente você vai encontrar aqui argumentos do tipo: Salve as baleias. Salve os pandas. A água do mundo vai acabar. Não use sacolas plásticas. Não coma carne. Todos esses argumentos podem até ser válidos, mas pra mim são vazios de argumentos para a grande maioria das pessoas, pergunte pra uma pessoa na rua qual o motivo de se preservar baleias, mico-leões dourados ou pandas? Provavelmente ela vai responder porque sim, tenho minhas dúvidas que alguém vá usar argumentos como biodiversidade, preservação do habitat desses animais e por consequência do ecossistema ou ainda dizer que eles são apenas símbolos de uma causa maior.

A água do mundo não está acabando. Prefiro dizer que a qualidade da água está piorando, que tratamento de água é caro e que tem gente demais no mundo pela quantidade mais ou menos constante de água no Planeta.

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