Jogos Olímpicos Rio 2016

E para completar o ciclo de trabalho voluntário em grandes eventos (voluntariei na Rio+20 e na Copa do Mundo), obviamente que estava nas Olimpíadas Rio 2016.

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Após o evento fiquei com vários tópicos na minha cabeça para talvez escrever aqui, não tinha certeza se faria, mas depois de ler Rio 2016 Olympics: A sustainability summary achei que valia contar um pouco do que vi lá.

Esse texto da Ann Duffy é super otimista com relação aos jogos e todas as ações de sustentabilidade que foram feitas ao longo do planejamento dos jogos (falei um pouco disso quando visitei o Comitê em 2014). Mas o que me intrigou mesmo é a realização dos jogos em si, o evento durante e como o tema resíduo foi encarado.

Quando fiz a minha primeira caminhada no Parque Olímpico no primeiro domingo dos jogos a tarde meu primeiro choque foi a quantidade de gente que tinha ali. Sinceramente, fiquei assustada, aquilo parecia um formigueiro de gente e o primeiro pensamento que me veio a cabeça foi: um grande evento nunca será sustentável. Reunir aquela quantidade absurda de gente de todos os cantos do mundo, hospedá-las, alimentá-las e transportá-las é algo sem noção e insustentável.

Eu trabalhei no estádio da Lagoa, na equipe da área de protocolo que consistia em receber os membros da família olímpica (leia-se membros dos comitês olímpicos nacionais e internacionais, membros das federações de esporte, ministros, chefes de estado, etc), cuidar do local onde eles se reuniam (um lounge que cabia umas 100 pessoas) e organizar e indicar os assentos dessas pessoas para assistir a competição, ao todo éramos uns 20 voluntários, comandados por 2 funcionários contratados do comitê organizador. Qual o maior problema ambiental dessa operação? Resíduos. Nesse lounge tinha bebidas do patrocinador a vontade e algumas comidas. Tínhamos lixeira de recicláveis e não recicláveis, adivinha se respeitavam? Muitos até tentavam, mas e a garrafa meio cheia que não foi consumida até o fim o que fazer, lixeira de reciclável ou orgânicos? Inúmeras vezes me vi na dúvida: copo sujo de refrigerante vai em qual lixeira? Coisas que poderia ser planejadas como não usar descartáveis não foi algo pensado, pergunta se os copos, pratos e tralheres eram descartáveis? Claro! Coisas banais como essas ninguém pensou para diminuir a quantidade de resíduo gerado. Me doía o coração cada vez que eu via as lixeiras com os resíuos todos misturados e uma garrafa de refrigerante cheia até a metade sem saber em qual das lixeiras usar… (Pra esse “problema” mostrei aqui a solução encontrada por um shopping em São José dos Campos.)

E os resíduos do almoço dos voluntários e funcionários? Prato, copo, talheres descartáveis e uma lixeira única com tudo misturado. Mas a carne que comemos não era proveniente de desmatamento e o peixe era sustentável. É o que dá pra fazer num evento dessa magnitude. Tá bom, é suficiente? Não tenho a resposta. Essas são as experiências que eu vivi no Estádio da Lagoa, o evento tinha instalações em tantos outros locais e não sei como funcionou em cada um deles, pode ser que tenha sido melhor ou pior, esse foi a única amostra que eu coletei.

Achei essa reportagem do The Guardian, contam da utilização dos catadores para a gestão dos resíduos durante os jogos. Mas duvido que o lixo gerado no meu almoço tenha ido parar em alguma coperativa, tenho quase certeza que foi tudo parar no aterro com garrafas, talheres e pratos de plásticos que em tese deveriam ser reciclados. Afinal, ninguém merece ter que revirar o lixo sujo de comida e bebida de niguém para retirar os descartáveis, nem pelos R$80 por dia pagos pelo comitê organizador.

Por que o lixo é tão negligenciado? Por que acreditam que colocar 2 tipos de lixeiras e chamar os catadores ou cooperativas de catadores o problema tá resolvido e equacionado? É impressão minha ou numa escala de prioridades o lixo sempre vem em último? Será que foi muito diferente em Londres, Pequim ou Atenas?

O cinismo da humanidade com relação ao lixo tem que mudar, ou vamos eternamente fingir que o lixo não existe e não nos pertence uma vez que o colocamos numa lata de lixo?

O que aprendi hoje

Hoje teve evento: “Implicações e oportunidades para o meio empresarial diante da nova INDC brasileira”

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Ai alguns dos meus tweets durante o evento:

 

A coisa foi toda meio esquizofrênica, comecei ouvindo que somos uma potência ambiental e somos respeitados por isso no mundo todo. Mas pra isso ser verdade acho que a gente não deveria ter sujado a nossa matriz energética, né não? Ouvi lá que a Alemanha aproveita mais a energia solar do que nós e o melhor potencial de incidencia solar deles não chega nem perto do nosso pior índice de incidência solar. E mesmo assim somos considerados uma potência ambiental mundial? Mas o mundo vai mal mesmo, hein?

Mas os aprendizados do dia foram:

Para as empresas mudanças climáticas resumem-se a energia e pelo visto essa é a única e maior contribuição que eles podem fazer por que o evento SÓ falou disso. Pra você ter uma noção de como o assunto do evento foi energia só o Ministro de Minas e Energia estava presente apesar da Ministra de Meio Ambiente e o Ministro da Fazenda também terem sido convidados.

E para o governo mudanças climáticas não é um problema ambiental e sim de desenvolvimento. Isso explica muita coisa do que temos vistos diante dos nossos problemas ambientais, né não?

E Boa COP-21 para todos!

COP-20 – Peru, Lima

Só hoje me dei conta que tem 2 anos que o protocolo de Kioto expirou e simplesmente não há mais metas para redução de emissões de carbono. Bom, não que essas metas algum dia de fato fizeram muita diferença no mundo (já que o principal emissor não tinha meta nenhuma), mas pelo menos existia um compromisso assinado, né? Agora ninguém tem…

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Abertura da COP-20 Foto: https:[email protected]/15736749298/in/set-72157649549283121

E dezembro chegou e mais uma COP começa, dessa vez aqui na América do Sul, em Lima no Peru. E as poucas notícias que li dizem que desse encontro sai um rascunho de acordo e que provavelmente será assinado no ano quem vem na COP-21 em Paris para então entrar em vigor só em 2020.

Ai você como eu se pergunta: mas por que isso demora tanto? Ensaio de acordo pra ser assinado daqui um ano para entrar em vigor daqui 6 anos? O que essa gente espera que aconteça até lá? Aliás, o que essa gente tá esperando desde 2012 quando o protocolo de Kioto expirou? Um milagre! Literalmente um milagre! Sério gente é isso que eles pensam… Vamos empurrando o problema até que uma tecnologia barata e simples surja, vamos administrando as emissões aqui e ali até que os cientistas encontrem a solução para o problema. Simples assim.

Só eu mesmo na minha santa ingenuidade acreditava que eles queriam salvar o clima do planeta! Olha, eles talvez até queiram, mas não querem gastar nenhum dinheiro com isso (de preferência querem ganhar muito dinheiro com isso) e não querem mudar nada. Mudar matriz energética? Poxa, trabalhão, hein? (leia-se quanto custo!) Diminuir consumo? Pirou? Como ganhar dinheiro sem mais consumo? É aquela velha história: tudo deve mudar para que tudo permaneça como está.

Claudia Chow, tentando entender conferências do clima desde a COP-15.

Rio 2016

Semana passada fui convidada pelo comitê Olímpico Organizador das Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 para participar da coletiva de imprensa de lançamento do relatório da pegada de cabono dos jogos e depois um tour pela sede com direito à conversa com ex atleta vencedor de medalha olímpica e almoço especial.

30.10.2014.Relatório Carbono. Blog

Influenciadores que participaram da visita.

Na parte da manhã foi apresentado pela Gerente de Sustentabilidade do Comitê Organizador, Tânia Braga, o Relatório de Gestão da Pegada de Carbono dos Jogos Rio 2016. No total do evento serão emitidas 3,6 milhões de CO2, da organização do evento eles serão responsáveis por 724 mil toneladas. A maneira que eles vão gerir todas essas emissões segue a a seguinte estratégia:

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Uma vez que eles já estimaram as emissões (as 724 mil toneladas) a ideia agora é tentar diminui-las, seja evitando, reduzindo ou substituindo-as e a meta deles é chegar as 600 mil toneladas e ai sim mitigar e compensar essas restantes. Uma das formas que eles vão utilizar para compensar essas emissões será o que eles chamam de mitigação tecnológica em parceria com a Dow, que oferece várias técnicas de mitigação de carbono como promoção de práticas agrícolas que melhorem a produtividade e reduzam emissões, novas embalagens e tecnologias de conservação de alimentos, visando reduzir a quantidade de desperdícios ao longo da cadeia produtiva, medidas de aumento da eficiência energética em operações, processos industriais e materiais, projetos que melhorem a eficiência energética na construção civil e disseminem soluções de baixo-carbono no setor de infraestrutura.

Na parte da tarde tivemos algumas experiencias bem legais, conhecemos o medalhista olímpico Ricardo Prado, que é Presidente do Conselho de Esportes do Rio 2016, ele contou um pouco da história e um pouco do que faz hoje na organização dos jogos.

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Com o atleta Ricardo Prado.

Depois tivemos um almoço super especial, não tanto pela comida em si, mas pela experiência de comê-la usando vendas e conversando com o Marcos, um dos funcionários do comitê que é cego desde criança. Essa foi uma das experiências mais legais da minha vida, não só o fato de não ter muita certeza do que estava comendo e ir tentando descobrir, mas a experiência de conversar com um cego sem enxergá-lo e criar toda uma expectativa de vê-lo, a sensação que eu tive é que até a direção da conversa e perguntas feitas foram um pouco diferentes se todo estivéssemos sem as vendas.

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O almoço vendados.

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Foto com o Marcos num dos painéis do encontrados pelo corredor da sede.

Outra coisa que gostei muito foi o prédio sede, todo o planejamento dele pensando na acessibilidade das pessoas, nos murais inspiradores espalhados por todo o local e no conceito e planejamento de ser um prédio modular (contruído com containers) e que vai crescendo e diminuindo conforme a demanda, no início do comitê eram 30 pessoas trabalhando, hoje são entorno de 2mil. E o mais importante, ao fim dos jogos, o prédio não irá existir mais, os módulos serão retirados e provavelmente reutilizados e o terreno poderá novamente ser usado.

É possível perceber  que planejamento está presente nas ações do Comitê que nada é feito sem uma razão de ser muito clara e bem pensada e nesse caso a sustentabilidade entra com muita força, o diretor de communicação chegou a afirmar que sustentabilidade é uma obssessão para eles e não apenas discurso.

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Eu e o logo 3D dos Jogos Olímpicos.

Adorei saber de tudo isso e ver transparência e planejamento nas atitudes deles. Mas vale lembrar que esse é o comitê organizador do evento, eles não são responsáveis por exemplo pelas obras de melhoria no transporte público da cidade ou mesmo na construção dos aparelhos esportivos, isso é reponsabilidade do Governo e acho que devemos cobrar o mesmo profissionalismo deles, a falta de transparência das atividades do governo podem acabar comprometendo um trabalho bonito e bem feito que tem sido feito pelo comitê organizador.

Um grande evento depois de 4 anos

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Lembro-me que o último grande evento que participei com a temática de meio ambiente, sustentabilidade e afins foi há 4 anos, a Conferência Ethos de 2010. Essa semana que passou estive no 8o Congresso Gife, como já tinha falado aqui. Pois bem, o que mudou sobre a “arte de fazer congressos” nesses 4 anos? Basicamente nada, ou quase nada, continuamos no mesmo modelo de palestras, mesas redondas, oficinas (essas um pouco mais práticas) e plenárias (que nada mais é que um nome diferente para palestras e mesas redondas, talvez só mude o tamanho da plateia). Nesse evento em si teve o diferencial da programação aberta, eventos organizados por outras instituições geralmente na parte da manhã ou da noite (antes ou depois da programação oficial do congresso), todos de graça e sem a necessidade de estar inscrito no Congresso. Foi o caso por exemplo da palestra do Professor Jeffery Sachs que aconteceu no dia 19 à noite.

E os assuntos, temas e abordagens? Apesar de ser um congresso sobre investimento social de impacto a sustentabilidade sempre permeia os debates, mas ainda vi departamento de sustentabilidade ligado ao departamento de marketing que por sua vez estava ligado à Fundação ou o Instituto da empresa (achava q 4 anos depois coisas do tipo estavam mudando). Vi alguns cases e a grande esmagadora maioria é sobre educação e de verdade tem algo de errado com todo esse investimento. Não sei se ele é pequeno demais diante do tamanho do Brasil, se é mal empregado ou se os institutos/ fundações propagandeiam mais do que realmente fazem pois os nossos índices de educação são sempre bem vergonhosos, todo esse investimento não faz nem cócegas no nosso problema? É para pensar. Fiquei com a mesma sensação que tive quando o li o livro Doar do Bill Clinton, tanto investimento, tanto dinheiro e a sensação que temos é que  estamos bem longe de sermos o que sonhamos como nação. Será que meu sonho é muito exigente?

Um evento desses é válido pois trás as novidades do  mundo a fora,  como por exemplo a pesquisadora de Stanford Lucy Bernholz (@p2173) que pesquisa sobre o business das doações e é responsável pelo Laboratorio Digital da Sociedade Civil na mesma Universidade, nas falas dela que ouvi ela trouxe temas interessantes como a economia compartilhada e a mudança de comportamento da sociedade com as novas tecnologias. Ela ainda propôs numa roda de conversa criar uma publicação sobre o campo social brasileiro.

Gosto muito desses eventos, mas eles acabam comigo, na metade do segundo dia já me sinto esgotada de tanta informação recebida, não consegui ir no terceiro e último dia e me sinto arrependida até, mas não tenho certeza se iria aproveitar como deveria. Penso que esses eventos são de extrema importância pelos mais variados motivos e talvez dessa vez a minha sensação de que os assuntos debatibos e conversados lá  vão ainda que minimanente sair daquelas paredes me deixou mais otimista.

Conferência Ethos – 2010

Como já tinha falado anteriormente esse ano mais uma vez estive na Conferencia Ethos pelo 99 Olhares da Natura.

Sobre o evento em si

Acho que precisamos de um novo modelo de Conferência. Acho, não tenho certeza, que ficar todo mundo sentado assistindo algumas pessoas falarem com tempo marcado sobre alguns assuntos que alguém decidiu que é legal e interessante pode não ser assim tão empolgante. Não sei se os debates não foram conduzidos da melhor maneira possível, ou se é o modelo que cansa mesmo, mas criar novas maneiras de se interagir pode ser uma boa pra fazer o evento parecer mais produtivo. As vezes a sensação que me dá é que tudo que é debatido nessas salas ficam lá e não são levadas para mais pessoas, os assuntos parecem ficar limitados ao momento.

Acho que eles até tentaram uma nova fórmula com o Open Space e foi bem interessante pois deu oportunidade das pessoas falarem e ouvirem mais sobre seus assuntos de maior interesse, espero que esse espaço seja o início para mudar o jeito de fazer essa conferência. Talvez seja eu quem está querendo inovação demais, mas é que eu ouvi tanto sobre inovação lá…

Sobre o conteúdo das palestras

Algumas foram muito bem escolhidas, outras nem tanto, algumas eu queria que tivesse durado mais, outras nem tanto. Obviamente que nada é perfeito e as palestras que mais me chamaram a atenção foram a da Janine Benyus falando de Biomimética e a palestra do André Trigueiro. Ambas por motivos completamente distintos.

Janine Benyus é uma cientista natural americana que já escreveu 6 livros sobre Biomimética, que segundo ela é uma disciplina emergente que dá soluções sustentáveis imitando designs e processos da natureza, exemplo clássico: velcro. Uma cientista num evento de empresas, as vezes penso que as empresas precisam mais de ciência do que de números, planos estratégicos e metas. Veja a palestra dela no TED para entender o que a natureza pode fazer por nós, e me dá desespero de pensar que a gente pode estar destruindo soluções!

André Trigueiro é jornalista da Globo News e comanda o programa Cidade e Soluções, é comentarista da CBN e sua palestra foi uma das poucas a serem aplaudidas de pé ao final. Pra mim foi muito empolgante ver alguém falar verdades num evento que pra mim estava sendo só troca de elogios e rasgação de seda entre as empresas, não sei se todo mundo interpretou assim, mas não é para muitos falar que todo mundo vai ouvir esse ano políticos falando de ciclovias, bicicletas e afins, mas que no fundo é difícil eles abrirem mão da contribuição em cascata da indústria automobilística e do caixinha na campanha. Trigueiro ainda falou que precisamos de uma ruptura urgente com esse modelo de desenvolvimento, mas acho que isso pode não ter sensibilizado muito a plateia porque todos devem achar que isso já deve ter acontecido…

Sobre a ação 99 Olhares que me levou até a Conferência

Como que funcionou isso? A Natura como contribuição (patrocínio, apoio, chame como quiser) para o evento comprou um lote de 99 inscrições e ao invés de distribuir entre seus funcionários ou pessoas que ela queria agradar resolveu fazer uma ação convidando pessoas da internet engajadas no assunto para dar seu olhar no evento. Adorei a ideia não só porque eu fui convidada, mas o fato de chamar gente que pode contribuir de alguma forma com o evento é muito bom aumenta a variedade, mesmo porque esse é um evento bem caro que não sei se muitas das pessoas que foram teriam essa oportunidade. Se você esteve no evento e quiser compartilhar seu olhar, por favor utilize a caixa de comentários!

Conferência Ethos e 99 Olhares

Ano passado participei da Conferência Ethos, de modo meio independente, oferecendo junto com a Paula uma divulgação on-line do evento. Foi uma experiência bastante boa onde conheci várias pessoas e pude ver palestras interessantes, esse ano fui convidada pela Natura para participar do projeto 99 olhares.

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Esse projeto tem a intenção de estimular o debate sobre o futuro do planeta entre grupos diversos da internet. Para isso eles estão oferecendo 99 vagas para participar da Conferência Ethos que acontece agora em maio em São Paulo e para tentar ganhar uma das vagas você deve responder a pergunta: Qual a sua visão de um mundo melhor?

Eu já fui uma das 99 pessoas escolhidas para participar e colaborar com meu olhar. Eu não precisei necessariamente responder a pergunta em questão, mas acho que o blog deve responder isso a cada post. E baseado neles eu acho que a minha visão de um mundo melhor tem a ver com menos propagandas enganosas dizendo que consumir mais pode ser sustentável, me preocupando com o lixo das cidades e tentando encontrar alternativas, questionando “ações sustentáveis” sem fundamento, lendo livros que falam do assunto, pesquisando e desmistificando alguns dogmas ambientalistas, indo em eventos e relatando minhas inquietações e impressões, verificando se as tentativas das empresas tem sucesso ou são sérias entre mais um outro monte de coisas…. Acho que a cada post nesse blog eu respondo um pouco o que é a minha visão de um mundo melhor e a sua? Qual é? Se não quiser participar da promoção e responder nos comentários vou achar interessante saber sua opinião, afinal a minha eu tenho compartilhado aqui já tem 3 anos!

Brasil querendo ficar bem na fita, te convence?

Hoje quando abri o portal Globo.com apareceu um pop-up do Governo Brasileiro que levava para um site falando da participação do Brasil na COP-15.

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Numa das páginas do site chamada Panorama que fala de matriz energética limpa eles afirmam (no texto) que 45,9% da produção de energia brasileira vem de fontes renováveis. Ai mostram 2 gráficos, um mostrando a matriz energética brasileira separada em renovável (46,4%, afinal qual o número correto?) e não renovável (53,6%) e outro gráfico as fontes de geração de eletricidade. Mais de 75% é de origem em hidrelétricas.

Ai o Brasil resolve falar em investimentos, é essa parte que mais me irrita. “A estimativa do Ministério de Minas e Energia para o período 2008-2017 indica aportes públicos e privados da ordem de R$ 352 bilhões para a ampliação do parque energético nacional.” “Para a área hidrelétrica estão previstos cerca de R$ 83 bilhões.” “Outros R$ 23 bilhões devem ser aplicados na expansão da produção e oferta de biocombustíveis como etanol e biodiesel.”

Ótimo, são R$106 bilhões que serão investidos hidrelétricas e biocombustíveis, ou seja, 30,12% do total dos investimentos. Tá e os outros R$ 246 bilhões? Vão investir em que? Vento? Nuclear? Gás Natural? Petróleo e derivados? Vejam bem são praticamente 70% de todo o dinheiro e eles não falam onde vão investi-lo, por que será? Não pega bem num site que fala de desenvolvimento sustentável e matriz energética limpa dizer que 70% dos investimentos em matriz energética não terão nada a ver com fontes alternativas de energia. Espero realmente estar errada e que o texto foi feito as pressas e esqueceram de mencionar o quanto vão investir em outras fontes renováveis.

A ideia do site de mostrar o que o Brasil tem feito pelo seu “desenvolvimento sustentável” é louvável, mas não precisava entrar na maquiagem verde, né? Tá querendo enganar quem, Brasil, ainda mais depois do pré-sal?

Eu não me iludo

Maior burburinho onde quer que eu leia sobre a COP-15 e eu aqui quieta só assistindo.

De verdade não queria me manifestar a respeito pois de verdade eu serei bem pessimista… Não acredito que veremos grandes mudanças, acordos ou algo que o valha em mais uma Conferência das Partes. Mudança de paradigma, distribuição de renda, educação e tudo mais que o mundo precisa pra ser melhor não se faz, não se decide em encontros diplomáticos ou por decreto, a coisa precisa ser muito mais profunda e verdadeira.

Me desculpe, mas enquanto as pessoas ficarem esperando decretos, acordos, normas para verem as coisas seguirem um caminho melhor e continuarem vivendo suas vidas normalmente sem alterar nada – como andar a pé, evitar sacolas plásticas, economizar energia, reciclar, consumir menos – e digo tudo isso junto ao mesmo tempo, não apenas algumas dessas alternativas – vão ser necessárias mais umas 50 COPs para podermos mudar alguma coisa efetivamente.

Os governos deveriam fazer a sua parte? Deveriam, mas já faz 15 COPs que muito pouco tem sido feito e que mudanças você efetivamente viu? Eu vejo pouquíssimas e falar de redução de carbono sem falar na redução da população mundial e redução de consumo pra mim é uma utopia, é apenas assinar um papel para que no futuro não me responsabilizem por omissão. E se nós não queremos colocar a nossa espécie em risco no futuro nós precisamos de mais, muito mais que isso.

Vamos aceitar a hipocrisia? Workshop – Comunicação e Sustentabilidade


Ontem assisti o workshop Comunicação e Sustentabilidade do Sustentável 2009. As pessoas que falaram foram: Percival Caropreso, fundador da Setor 2½; Ricardo Voltolini, editor da revista Ideia Socioambiental e Massimo Di Felice, professor da USP.
Eu ouvi muito sobre a diferença da comunicação para a sustentabilidade e a comunicação da sustentabilidade; dos cuidados que se devem tomar quando se resolve comunicar a sustentabilidade seja para quem for, de como a sustentabilidade deve ser nas empresas e como deve ser essa comunicação. De fato foi uma aula bastante interessante em que eu vi bastante organizada várias ideias que eu acredito e acho primordial quando se fala do assunto para empresas e profissionais que querem saber do que se trata essa tal sustentabilidade.
Mas várias coisas me inquietaram… E infelizmente não pude ficar para as perguntas para que alguém lá pudesse me dar uma luz.
Uma das coisas que mais me chamou atenção foi que disseram que a mídia denuncia casos não muito corretos de sustentabilidade, eu me pergunto a mídia quem? Não a mídia tradicional, né? Os grandes jornais, revistas e portais de internet nunca vi falando mal de alguma campanha de sustentabilidade inconsistente (e olha que a gente tem um monte por ai), eles citam superficialmente alguma que não é lá muito convincente e na grande maioria o que vejo é só jogação de confete e rasgação de seda, vários prêmios pra dizer quais empresas são mais sustentáveis, qual o melhor projeto de sustentabilidade, quem foi mais sustentável no ano, quem ta só fazendo marketing também consegue entrar no bolo e fica tudo certo. Você confia na mídia? Eu só vejo denúncia mesmo a partir das ONGs (Greenpeace, Amigos da Terra Amazônia Brasileira), blogs e jornais e sites pequenos e regionais.
Me desculpe os profissionais de comunicação em sustentabilidade mas vocês vivem num mundo de faz de conta ou pior, num mundo de hipocrisia, e eu não acho que isso seja um problema, afinal antes de mais nada a gente tem que pensar na nossa sustentabilidade, se a gente não consegue pagar as contas no fim do mês de que adianta sair falando mal de todo mundo por ai? Mas assumam essa hipocrisia, por favor! Vocês escrevem relatórios de sustentabilidade com meias verdades, comunicam ações vazias, não publicam o que vêem de errado por ai e querem credibilidade, querem que as pessoas acreditem nas empresas? Lamento, não são só as empresas que estão sofrendo com a desconfiança do consumidor quando falam de suas ações sustentáveis, pra mim é a mídia que passa por esse problema.
Sim, as empresas têm ações inconsistentes, algumas acham que o lugar da sustentabilidade é no marketing, a grande maioria das pessoas não sabem diferenciar ser de fato sustentável dos “agrados socioambientais” (palavras do Percival), mas o que os profissionais de comunicação estão fazendo para combater isso? Para simplesmente defender e alertar o consumidor leigo que sabe menos ainda se o produto é de verdade verde? Acho que a resposta pra essa pergunta beira ao nada.
Tá, posso estar sendo bem exagerada, mas as pessoas que discordam completamente de mim me mostrem exemplos de que estou completamente enganada, por favor.
P.S.: Eu sei que de uns tempos pra cá eu tenho tentando ser menos pessimista e de fato isto está acontecendo comigo, mas cheguei à conclusão que ver o lado bom das coisas, a mídia tradicional faz muito bem, com certeza em várias revistas semanais você vai ver vários exemplos de empresas que são legais e ganham prêmios por isso, eu vou fazer a minha parte aqui de alertar as pessoas que nem tudo é tão verde e perfeito assim.

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