Odebrecht, mostra a tua cara

Provavelmente eu devo ser a única pessoa que acompanha esse blog desde seu início e portanto as 2 pessoas que passam por esse blog as vezes não devem saber que em 2008 eu tive um problema com a Odebrecht. Bom, vale a pena contar o acontecido, é o case desse blog inclusive! hahaha

Odebrecht Ambiental - Companhia Siderurgica do Atlantico - CSA, Santa Cruz, Rio de Janeiro

No segundo semestre de 2007 a Revista Ideia Sustentável publicou um artigo falando sobre líderes da Sustentabilidade e entre os entrevistados estava Norberto Odebrecht, pouco antes de ler a revista um amigo de faculdade tinha me contado da experiência dele pouco agradável de trabalhar em uma obra na República Dominicana, a obra era gerenciada por quem? Pela Odebrecht! Ai, eu escrevi um email para o editor da revista contando dos absurdos vividos pelo meu amigo naquela obra, recebi um email do editor dizendo que iria entrar em contato com a empresa. 3 meses se passaram e por algum motivo não recebi nenhuma resposta, então resolvi publicar no blog o email trocado com o editor. Pronto, meu inferno começou alguns dias depois…

Primeiro foi o editor me mandando um mail dizendo que sim, tinha me respondido, ai publiquei a resposta aqui. Tudo parecia “resolvido”, pois além de ter uma resposta “oficial” da emrpesa, eles ficaram de investigar e blablabla. Só que 3 dias depois uma outra pessoa também da comunicação da empresa me mandou e mail “ameaçador” falando de um site chamado Ambiente Já e uma resposta um tanto quanto grosseira publicada naquele site com relação às minhas denúncias. Eu não fazia ideia do que estava acontecendo! Nem que raios de site era aquele. Resumo da ópera, o tal Ambiente Já tinha publicado o meu post no site deles sem que eu soubesse, essa pessoa da empresa leu meu relato, não gostou, mandou uma resposta para o site e mandou para mim via email com ameaças nas entrelinhas. Na época eu fiquei bem chateada e de saco cheio com tudo, dei a coisa toda como encerrada e de fato foi o que aconteceu, a empresa nunca mais entrou em contato comigo para dar qualquer satisfação (uma estratégia acertada, afinal, quem é essa blogueira na fila do pão?). Mas pessoalmente eu e meu amigo tivemos uma vitória (ainda que minúscula) que eu nunca contei aqui no blog porque essa história já tinha me esgotado muito. Logo depois da recuperação do meu amigo ele acabou voltando para República Dominicana para uma outra empreiteira que também prestava serviços para a Odebrecht e a publicação do post sobre a história dele e todo o bafafá que ele gerou aconteceu quando ele estava lá, mas numa outra obra. Eis que um belo dia o diretor geral das obras da Odebrecht da República Dominicana manda chamar meu amigo para uma conversa em Santo Domingo (capital do país), ele sem entender nada foi, chegou lá e qual a foi surpresa de saber qual era a pauta? A publicação no meu blog! No fim meu amigo ficou muito contente em saber que meu bloguinho de alguma forma incomodou uma das maiores construtoras do mundo e no mínimo deixou-os com a pulga atrás da orelha sobre para quantas outras Claudias os funcionários deles podem contar histórias como aquelas.

Eu sei que provavelmente devo estar na lista de persona non grata da Odebrecht, em 2013 eles convidaram vários blogueiros para a entrega do Prêmio Odebrecht para o desenvolvimento sustentável e obviamente não me chamaram! hihihi

Mas o motivo desse post não é só relembrar esse case, mas pra dizer que eu não deveria ser tão mentirosa assim em 2008 já que em 2015 o Grupo Odebrecht é condenado a pagar R$50 milhões por trabalho escravo em obras em Angola. E dessa vez, querida Odebrecht não é uma blogueira maluca ambientalista quem está dizendo, nem o amigo dela, é o Ministério Público mesmo.

Acho que todo esse post e o meu “relacionamento” com a referida empresa dispensa quaisquer comentários sobre o envolvimento da construtora na Operação Lava-jato da Polícia Federal, né?

O óleo de palma e a publicidade

Quem lembra desse video? Jurava que eu tivesse compartilhado aqui no blog em algum momento da história, mas procurei e não achei…

Essa foi uma campanha do Greenpeace em 2008 sobre o uso indiscriminado de óleo de palma vindo das florestas do sudeste asiático (basicamente da Indonésia). Pra quem não sabe: florestas nativas são desmatadas lá para plantar um certo tipo de palma que faz óleo para os cosméticos da Unilever. Ai, o Greenpeace pressionou e parece que tem surtido efeito… Em 2009 o Greenpeace anunciou que a empresa tinha rompido com fornecedor de óleo de palma que era desmatador. Em 2012 a Unilever anunciou que até o fim daquele ano 100% do óleo de palma usado na sua produção seria certifcado, adiantando a meta em 3 anos.

(Parenteses rápido aqui: Em 2013 morei 4 meses no sudeste asiático, minha base era Cingapura e durantes muitos dias a cidade-estado sofria com uma neblina de fumaça vinda da Indonésia (ilha de Sumatra) por conta do desmatamento das florestas de lá. Aliás, acabei de olhar no site de Cingapura que informa sobre a situação e hoje (12/09) eles detectaram 53 focos de incêndio em Sumatra e o ar estava qualificado como pouco saudável. Isso é só um dado, não tô dizendo que todo desmatamento que acontece na Indonésia é por causa da palma plantada para a multinacional produtora do Dove.)

Mas o que me chamou a atenção dessa vez foi ver a quantidade de dinheiro sendo gasta na campanha para tentar limpar a imagem da empresa. O video abaixo está sendo anunciado absurdamente na internet, eu vi centenas de vezes nos meus joguinhos, no twitter e deve estar em muitas outras redes sociais que não frequento, a campanha do Greenpeace em 2008 fez bastante barulho principalmente online e acho que por isso eles estão investindo tanto na divulgação dessa campanha de proteção de florestas juntamente com o WWF. Só não ficou claro pra mim como de fato acontece essa ajuda, qual o valor que será investido para proteger as florestas? Ao que me consta o desmatamento no SE asiático continua.  Ok, dizer que X milhões serão investidos é um começo, mas mas como? Pagamento de serviços ambientais para os moradores locais? Incentivo para certificação de pequenos produtores (se é que essa pode ser uma realidade lá). Cobrança para que todos compradores de óleo de palma só compre óleo de origem sustentável? Quero que o desmatamento acabe de verdade não apenas que a Unilever fique bem na foto!!! No que assinar um manifesto ajuda na proteção das florestas? É pra pressionar o governo indonésio a fiscalizar e incentivar a preservação das florestas dando mais educação e informação para as populações locais? Me mostre Unilever que essa campanha não é só para fazer a sua marca aparecer como empresa amiga da floresta!

Sei dos vários avanços da Unilever em busca da sustentabilidade com relação a redução de consumo de água na produção, a meta de reciclagem de embalagens, a compra de 100% do óleo de palma sustentável, etc, mas no caso dessa campanha em específico acho que vocês poderiam mostrar algo mais concreto do que um videozinho emocionante e uma petição de apoio. Isso aqui é vazio, me desculpe. (Sem contar que o video de uma árvore que foge para a cidade não significa que ela será protegida, não aqui em São Paulo, onde todos os dias árvores são cortadas sem dó nem piedade).

Mais sobre óleo de palma:

Entenda como o óleo de palma está no seu dia a dia e prejudica florestas no mundo (2013)

the palm oil debate (em inglês)

Um festival de comida com lixo mínimo

Acabei de voltar de férias e se teve uma coisa que me chamou muito a atenção nessa viagem foi o Festival de Filmes que estava rolando na praça da prefeitura de Viena. Não pela curadoria do festival, pela qualidade dos filmes ou por causa do local onde acontece. Pra falar a verdade eu nem vi nada do festival em si, o que eu vi foi a praça de alimentação (que é a parte gastronômica) que foi feita em frente ao local do evento.

São vários quiosques de comida e bebida de vários lugares do mundo, desde comida austríaca local, até de outras partes da Europa e do mundo.  E por que esse festival gastronômico chamou a minha atenção já que esse não é um blog de turismo e cultura? Quando eu penso nesse tipo de feira gastronômica ou até qualquer praça de alimentação eu já penso em pratos, copos e talheres descatáveis e uma tonelada de lixo gerado sem nenhum tipo de tratamento ou destino adequado. Só que dessa vez eu fui surpreendida com pratos de porcelana, talheres de inox (ou qualquer outro material que o valha) e copos de vidros, apenas os guardanapos eram de papel.

É possível fazer um festival desse tipo numa cidade turística e grande como Viena sem gerar sacos, sacos e mais sacos de lixo repletos de materiais descartáveis? Sim! É! E o Festival de Filmes de Viena me mostrou isso.

O festival de filmes é o maior festival de cultura e comida da Europa, eles recebem por volta de 750 mil visitantes.

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Clique na foto para ver o prato de porcelana e os copos de vidro! 😉

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Ainda era cedo quando tirei essa foto e não estava tão cheio.

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Uma visão geral do que é o festival de comida. Clique na foto para ver os copos de vidro.

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A louça e os talheres são recolhidos pelos “garçons” e vão para essa estação. Aí eles retiram os restos de comida e enviam a louça para um local onde são lavados.

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O transporte dos copos.

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Meu prato de porcelana e meus talheres de inox! 😀

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora eu me pergunto será que esse sistema é tão mais caro do que se vê por ai com os descartáveis? Apesar dos descartáveis não precisarem de limpeza eles também não vão sozinhos para o aterro.

Mas nem tudo é perfeição na cidade… No dia seguinte na estação de trem almocei numa praça de alimentação típica de shoppings em que talheres e pratos eram todos descartáveis e jogados numa mesma lata de lixo… 🙁

Um vídeo legal, outro nem tanto…

Sensacional esse vídeo!

Ok, que o tema não é dos mais legais, mas a abordagem é muito boa.

Acesse: quaseumdodo.com.brdodo

Essa reportagem do Jornal Nacional é realmente triste. E achei mais triste ainda a fala final da Renata Vasconcellos: “O governo do Amapá anunciou que um grupo vai estudar as causas do fim do fenômeno”. Mas só agora? Duvido que o fenômeno parou de acontecer de repente.

pororca

https://flic.kr/p/QwKKB (CC BY-NC-ND 2.0)

Código Florestal, animais abandonados…

#CodigoFlorestal3Anos

Semana passada fui num evento da ONG Iniciativa Verde sobre os 3 anos do Código Florestal. E pra variar é só desgosto que me acompanha. Se cumprir o antigo código florestal era difícil pois era muito restritivo esse novo não está sendo das tarefas mais fáceis, mesmo depois de 3 anos. Quando o Brasil vai conseguir cumprir as leis que inventa? Perguntei no twitter e continuo com a dúvida, de que adianta ter o “código florestal mais abrangente do mundo” (palavras de um dos participantes do evento) se a gente não consegue fazê-lo funcionar? Fizemos um novo código florestal para continuar tudo igual? Parece que sim…

Outra coisa do evento… A representante da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de SP falou do Programa Nascentes, fiquei até otimista, mas quando perguntei dos dados e resultados do programa, descobri que ele começou a ser implantado em abril desse ano e o decreto que deu origem a ele é do fim de fevereiro, ou seja, não há dados a apresentar, no máximo metas. Esse programa é a extensão de um outro programa chamado Programa Mata Ciliar que existe (pelo menos em decreto) desde de junho de 2014. Ou seja, a ideia que fica é que o governo do Estado só começou a se preocupar em preservar, recuperar e cuidar de matas ciliares e bacias formadoras de mananciais depois da crise iniciada ano passado. Nem preciso comentar, né?

E pra terminar ainda tivemos que ouvir que os produtores rurais precisam da ajuda de 200 bilhões de reais para poder cumprir o código florestal. Não sei exatamente de quem foi essa fala, se [email protected] representante da Associação Brasileira do Agronegócio ou se da Sociedade Rural Brasileira, mas isso soa pra mim quase como chantagem… É assim que os ruralistas veem o meio ambiente.

Animais abandonados

Outro dia na página do Facebook da Secretaria do Verde e Meio Ambiente da cidade de São Paulo descubro que abandonaram um filhote de Tamanduá no Parque do Ibirapuera! Bom, se a humanidade é capaz de abandonar seus próprios animais de estimação, abandonar um animal selvagem num parque no meio da maior cidade da américa latina faz parte, né? A humanidade não para nunca de me surpreender…

tamanduá

Experiência Schumacher Brasil

A Experiência Schumacher que vivi é de fato uma experiência, esquece, não é necessariamente um curso, não são necessariamente aulas com super conteúdos, não do jeito que você está acostumado. Quando alguém me pergunta como foi eu não tenho uma resposta rápida, simples ou fácil. Sei dizer com precisão que o exercício de tango (sim, a dança) e complexidade foi sensacional, nunca pensei que pudesse relacionar dança com os mais variados relacionamentos que temos na vida, foi enriquecedor.

Entendi muita coisa da essência do Schumacher College, eles são mais do que uma escola ou um local em que as pessoas vão para aprender conteúdos, percebi que eles são uma comunidade, são um jeito de viver e ver o mundo, é muito mais que um conceito, é um jeito de ser, cheio de tradições e algumas manias, mas bem diferente do jeito dentro da caixa que estamos acostumados a ver por ai… Chega a rolar um viés de que tudo que rola lá é legal, bom e bem feito? Sim, eu senti isso, mas pode ser impressão, também não cheguei a perguntar para ninguém que fez algum curso lá se tinha alguma coisa de ruim, tá aí uma coisa para perguntar pra eles.

O que de fato fizemos lá? Além de tratar de assuntos como Complexidade (aprendendo com ajuda do tango), Economia para transição e Ecologia profunda ajudamos a fazer as refeições sob a batuta de uma chef do movimento Slow Food, Claudia Mattos, conhecemos a experiência da Fazenda da Toca com a biodinâmica, demos uma ajuda nos jardins da escola  mantida pela Fazenda da Toca para os filhos de funcionários.

O único tópico abordado que mais pareceu com aula foi a economia para transição, Mari del Mar e Tomas de Lara fizeram apresentações ótimas e ainda tivemos a participação de um dos professores lá da Inglaterra, o Tim Cabtree, via skype.

Para termos uma noção de ecologia profunda fizemos uma caminhada chamada “Deep Time Walk” que relaciona nossa distância percorrida com a linha do tempo de formação do planeta terra. Nessa parte eu até dei uma ajudinha com meus conhecimentos geológicos. [fora do assunto] depois dessa “aula” descobri esse aplicativo sensacional que mostra bem como foi a evolução da terra e a formação dos continentes. [fora do assunto]. Fiquei surpresa de ver a surpresa das pessoas quando ela se dão conta de como é pífio o tempo que o ser humano existe no Planeta, esse é o meu viés geológico, passei 5 anos lidando com essa informação que acho estranho quando as pessoas se dão conta disso…

Schumacher Experience 10

Foto: Fernanda Freire.

Foi uma experiência rica, super válido ver um monte de gente que também tem inquietações parecidas com a sua, que sofre as contradições do mundo e está tentando a lidar com elas de maneira mais leve e com menos sofrimento. Conhecer a Fazenda da Toca também trouxe muito dessas inquietações e contradições do mundo, questões como é possível ser orgânico em escala industrial? Até que ponto vale ser orgânico em escala industrial? A biodinâmica, permacultura cabe nessa escala? Dá lucro? Pra quem?

Ano que vem está sendo desenhado um Certificado em Ciências Holísticas e Economia para Transição, será uma versão estendida dos temas que exploramos nessa experiencia que participei. Ainda não tenho maiores detalhes, mas compartilho quando tiver.

O fato de termos algo como o Schumacher College aqui no Brasil me enche de alegria, assim mais gente pode ter acesso e compartilhar dessa experiência sem a desculpa de que é inglês, é muito longe ou em outro país.

Experiência Schumacher Brasil

*Este não é um post patrocinado.

Não sei ao certo quando foi que eu descobri o Schumacher College, mas falei dele aqui no blog pela primeira vez em setembro de 2008, quando sugeri cursos de sustentabilidade. Eis que no próximo fim de semana irei viver uma experiência do Schumacher College aqui no Brasil!

A Experiência Schumacher College Brasil é inspirada no Schumacher Experience Week que acontece lá na Inglaterra, aqui foi pensada e realizada por ex-alunos brasileiros. Tudo acontecerá na Fazenda da Toca, em Itirapina (interior de São Paulo), uma fazenda de produção 100% orgânica.

fazenda-da-toca

Foto: Fazenda da Toca.

Sempre tive vontade de fazer um curso no Schumacher College lá na Inglaterra, principalmente o mestrado de Economia para Transição, agora vou poder conhecer pessoas que foram e estiveram lá para me contar como é a experiência, além de viver uma amostrinha do que pode ser o curso. Estou muito empolgada!

Infelizmente quando soube desse curso só restavam 2 vagas, achei que seria chato divulgar um curso que quase não tinha mais vagas! Mas avisarei quando e se tiver próximos.

Para saber mais como será esse curso veja aqui.

Conto tudo na volta! Open-mouthed smile

Embalagem reprovada

Não, esse não é um blog de beleza ou produtos do gênero. É um blog de meio ambiente e sustentabilidade e mesmo sendo assim eu não uso só produtos orgânicos, ditos ecológicos e amigos do meio ambiente, ainda não atingi esse patamar de vida, até por que não acredito na maioria dos produtos que se proclamam assim, todos tem problemas.

E hoje usando um creme  da Nivea fiquei super preocupada com o que vi, é um creme para o rosto com embalagem do tipo bisnaga que é um exemplo do que não deveria ser feito. Segue a foto do produto.

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Eis que não saia mais creme da bisnaga quando eu apertava, isso já devia estar assim há uma semana pelo menos, mesmo eu batendo para sair mais. Hoje cansada de tentar tirar o máximo da bisnaga fiz o que faço com praticamente 100% dos produtos que uso e chegam no fim, peguei uma tesoura e abri a bisnaga no meio e veja a minha surpresa (clique a imagem para ver melhor):

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É! Tinha creme pra caramba lá dentro ainda, olhando bem, acho que consigo usar esse “resto” por mais uma semana ou mais! Como eu disse, to acostumada a fazer isso com TODOS os meus produtos que chegam ao fim (uma amiga até me diz q isso é coisa de pobre, não ligo) e eu nunca tinha visto sobrar tanto creme ainda dentro da bisnaga depois que aparentemente o creme tivesse acabado, fiquei chocada e fiquei me perguntando se essa “perda” é calculada na hora de colocarem o volume/peso do produto da embalagem, eu comprei 50ml, mas será que eu consegui usar os 50ml do produto? Será que existe alguma norma para isso?

Agora imagina quantos desses cremes não são vendidos no mundo e quantas são as pessoas que fazem isso que eu faço? Você consegue imaginar a quantidade de produto que poderia muito bem ser utilizado que é simplesmente jogado fora? Será que testes de eficiência de embalagem não são feitos? Será por isso que esses cremes são tão caros, porque jogamos boa parte deles fora por causa de embalagens mal feitas?

Pra mim é simplesmente inadmíssivel em tempos que se falam de eficiência energértica, escassez de recursos naturais, diminuição da miséria e afins a gente jogue fora produtos que custaram energia, recursos e dinheiro por conta de embalagens ruins. Nivea, seu produto é bom, mas não passou no teste mínimo de usabilidade da embalagem, desperdício é feio e eu não pretendo mais comprar esse produto de vocês. Lamento,  melhorem o design da sua embalagem, isso é insustentável.

Livros infantis sobre meio ambiente

Tenho amigos brasileiros que casaram com estrangeiros e foram morar fora do país e sempre que quero presentear os filhos deles gosto de dar presentes que tenham a cara do Brasil e essa sempre é uma tarefa trabalhosa. Quando são bebês acho (mas não com muita facilidade) alguma roupinha com a as cores do Brasil ou a bandeira do país (sim, se for ano de Copa do Mundo é bem fácil, do contrário só encontro se sobrou alguma coisa no estoque), quando são maiores já procurei pelúcias de bichos brasileiros e também, não é assim fácil e geralmente são caréssimas ou feias, trabalho árduo.

Acho que em 2011 quando eu trabalhava pertinho da Livraria Cultura lá na Av. Paulista fui atrás de livros infantis sobre a fauna brasileira e pasmem, não achei nada… Não sei se eu não soube procurar, se a moça que me ajudou não entendeu o que eu queria ou se realmente não existia nada do gênero e fiquei bem frustada. Conversei com mães e uma delas me indicou a livro da Turma da Mônica sobre lendas brasileiras, o que eu gostei bastante, mas ainda não era o que eu queria.

Eis que esse ano apareceram 2 lindas surpresas literárias que eu tanto queria e com o trabalho de 2 pessoas super queridas para mim. O primeiro é o livro multimídia Bichos de Cá com ilustrações da Tati Clauzet, uma artista plástica que mora lá em Itatiaia e que tenho o prazer de frequentar o ateliê sempre que vou até lá, o livro tem toda uma proposta diferente pois fala de bichos brasileiros cantando música com ritmos nacionais. Além do CD que acompanha o livro com as músicas ainda tem um app pra baixar no smartphone ou tablet, achei a proposta bem inovadora com um tema que me encantou muito!

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A segunda grata surpresa foi saber que a Maria do blog Ciência e Ideias fez parte do Brasil 100 Palavras,um livro que não só fala dos bichos brasileiros mas também dos biomas, das plantas e das paisagens do nosso país. Esse livro ainda não tive a oportunidade de folhear, mas deve ser muito lindo.

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Mas qual a importância de falar dos nosso bichos e da nossa natureza para as crianças? Não só as estrangeiras que foi que gerou a minha motivação para procurar livros a respeito, mas as nossas crianças também precisam saber mais como é e o que temos na nossa tão famosa biodiversidade! Depois que vi esse relato no TED, essa preocupação ficou ainda maior (Veja só os 2 primeiros minutos se você estiver com pressa)

A Copa do Mundo

Eu sei que ainda tem muita Copa para rolar ainda, mas resolvi já escrever algumas coisas importantes que vi na minha participação na Copa do Mundo.

Tô trabalhando de voluntária, sim, pode dizer o que você quiser, mas adoro Copa do Mundo e não queria ficar de fora dessa festa no meu país, tentei comprar ingressos para poder ir em algum jogo, mas não consegui, então me sobrou a opção de trabalhar como voluntária e até agora não me arrependo, a emoção de estar no estádio na abertura da Copa no meu país, é indescritível. Eu não ligo para futebol, mas Copa do Mundo é uma coisa que mexe comigo, sempre. #mejulguem

copa 013

Pois bem, meu trabalho de voluntária é de serviço ao espectador, ou seja, tenho a função de orientar, ajudar e dar informações para quem vai ao estádio ver os jogos. No jogo de abertura fiquei no início do jogo numa das entradas para a arquibancada e no fim fui para uma das saídas orientar para metrô e trem.

É stressante! Gente perguntando para você o tempo todo como chegar em algum lugar, você atento para que ninguém entre com garrafas ou latas nas arquibancadas e ajudando a colocar todo o líquido dentro de um copo (cantei o hino fazendo exatamente isso), atenta para pedir para as pessoas não fumarem ali, gente reclamando que não acha a entrada para seu lugar e quando você indica ela fala que já foi lá e disseram que não era; gente de mau-humor por que não acha o lugar, gente reclamando por que a área vip dela é longe do local onde ela tá sentada, gente reclamando por que não pode entrar com garrafa na arquibancada, gente pedindo para você tirar fotos para ela, e no meio disso o Brasil faz um gol contra, gente reclamando que a fila da bebida tá grande, gente querendo praticar seu italiano reclamando que não tem comida, bêbados valentes, bêbados engraçados, bêbados querendo dançar, gente querendo bater papo, pessoas da limpeza fazendo corpo mole quando você fala que o chão tá molhado e precisa secar e mais gente reclamando que só tem pipoca, ou que a comida acabou. Tudo isso direcionado a você, voluntário! Não, não é nenhum pouco fácil e acho realmente que a Fifa abusa da boa vontade dos voluntários, principalmente desses que como eu ficam ali na linha de frente com os espectadores.

Entre essas e mais outras situações acontecendo meus olhos para a sustentabilidade não se fecharam e de alguma forma sofri impactos dela. Por exemplo essa bela lixeira da Coca-cola para lixo reciclável e não-reciclável.

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Lixeiras bonitonas, né?

Bonitonas, né? Mas com pouca ou nenhuma praticidade. Quando você está na mão com umas 4 ou 5 garrafas, com pressa e mais gente querendo fazer o mesmo que você, ter que ficar procurando esses buracos é absolutamente um saco! Além de serem pequenas, num estádio com 60 mil pessoas elas enchem em minutos e essas tampas são de uma dificuldade para encaixar e desencaixar que você não imagina, demora, e enquanto o pessoal da limpeza está encaixando e desencaixando essa tampa para esvaziar a lixeira as garrafas e latas não param de chegar.

Um jeito bem fácil de reduzir o lixo e evitar o problema das garrafas é simplesmente fornecer os refrigentes de máquina, como nas lanchonetes de fast food, será que a logística dessas máquinas é tão mais difícil que o lixo gerado pelas garrafas?

Infelizmente mudei de posto antes do fim do jogo e não sei como ficaram as arquibancadas depois do jogo, mas o exemplo do povo japonês não tem precedentes aqui no Brasil. Vou trabalhar no próximo jogo na quinta em São Paulo e no fim do jogo se o cansaço permitir vou lembrar de olhar as arquibancadas. Na verdade o fato das pessoas irem para as arquibancadas só com os copos ajuda na limpeza porque os copos são bonitos e todo mundo vai querer levar um pra casa de lembrança. Resta saber se elas recolhem o pacote de pipoca, a embalagem do chocolate, a garrafa de água que por ser mais leve pode ser levada para a arquibancada…

E tudo isso foi só o meu primeiro jogo, que venham os próximos…

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