Ainda sobre lixo

Na visita à ONG Doe seu Lixo uma das maiores dificuldades encontradas pelas coperativas e onde é o gargalo deles é a coleta do material. Fazer o material chegar no local de triagem é a maior dificuldade, devido à logística, não é barato ter caminhões para coleta e quando ela é feita no braço (o que eu acredito ser a realidade da maioria das cidades brasileiras) esse serviço está sujeito às intempéries e todas as dificuldades que um serviço feito por uma pessoa casa à casa pode ter.

Mas vocês sabiam que ter o lixo coletado na porta de casa é um luxo que muitos países ricos não tem?

Pois é, se você tem coleta de lixo na porta da sua casa considere-se um privilegiado, se for coleta de material reciclável então, saiba que isso não acontece nem em países como a Suíça.

E como é feito, então? As pessoas tem que levar seu lixo até o local designado para tal.

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Levando o lixo separado para local.

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Local onde todos os moradores levam seu lixo, na Suíça.

As fotos são em uma pequena cidade da Suíça, mas esse sistema de “coleta” de lixo acontece em vários países da Europa, é você quem leva seu lixo. Em algumas cidades é montado até um depósito para que você possa levar móveis usados que não quer mais e deixá-los lá para quem estiver precisando.

Perguntei para o Júlio César Santos, o coordenador nacional da ONG, se eles tinham alguma experiência de entrega voluntária do material, ele respondeu que não pois a dificuldade deles era manter esse material guardado e seguro para evitar roubos de catadores individuais. Realmente manter aqui no Brasil um local como esse ai das fotos não deve ser fácil, reparem na limpeza do local, reparem que o local não tem nenhuma “cara”de lixão, agora veja essa foto que eu achei aleatoriamente na internet, essa aqui no Brasil.

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Local de armazenamento de materias recicláveis, no Brasil.

Percebe a diferença? O brasileiro precisa mudar a sua percepção do lixo, provavelmente o fato de você ter que levar seu material até algum outo local e ter de armazená-lo em casa por algum tempo faz com que a sua relação com o lixo e todo o material acumulado seja diferente. O que faz uma embalagem de iogurte ser considerada lixo ou uma embalagem que pode ser usada como copo? A sujeira! Pense, você teria na sua mesa durante dias um copo de iogurte vazio e limpo, mas ele não duraria nem uma hora em cima da sua mesa se estiver sujo (desde é claro que você não seja uma pessoa porca e desleixada), percebe a relação?

Sem dúvida tudo isso  muda por conta da educação e do conhecimento. A limpeza e a organização dos materiais e do local reflete diretamente na relação das pessoas com o lixo, a educação e conhecimento faz toda a diferença, desde de quem produz o lixo em casa, na hora de separá-los, até quem vai recebê-los e como irá armazenar. Sem dúvida nenhuma existirá uma preocupação em levar os materiais mais organizados e limpos num local que é minimamente agradável de se ir do que se a única obrigação é deixá-lo na porta para alguém pegá-lo.

A reciclagem começa  em casa, no seu consumo e descarte, só por que você pode largar o problema para trás não quer dizer que ele não será mais seu.

A realidade da reciclagem no Brasil

Na terça passada, a convite da Coca-cola, conheci a ONG Doe Seu Lixo no Rio de Janeiro que junto com o Instituto Coca-cola ajuda coperativas de reciclagem do Brasil inteiro a se profissionalizarem. É sensacional o trabalho que eles fazem, dignificando a profissão de catador de materiais recicláveis, oferecendo cursos e profissionalização para as coperativas e gerando renda.

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Qualquer pessoa que estuda um pouco sobre reciclagem no Brasil sabe que ela só deu “certo” por causa da miséria, ou seja, se a reciclagem no Brasil hoje existe não é por conscientização ambiental ou por preocupação da administração pública com o meio ambiente, ela existe mal e porcamente por conta de pessoas que viram no lixo uma alternativa de sobrevivência. São poucos os exemplos de cidades que implantaram um sistema de coleta seletiva eficiente, a coleta seletiva e a reciclagem no Brasil ainda não é regra geral. Segundo dados do IBGE na região norte do país, por exemplo, a coleta seletiva praticamente inexiste (Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – 2008).

Portanto, falar de coleta seletiva no Brasil ainda não é uma realidade, a reciclagem pode até acontecer, como no caso das latinhas de alumínio que conseguimos reciclar mais de 90%, mas os outros materiais variam em torno de 45% a 55% ainda, mas uma coleta organizada e efetiva ainda é muito incipiente na grande maioria das cidades brasileiras.

E a reciclagem dos 3% do lixo brasileiro como acontece na grande maioria das vezes? Por meio das coperativas de catadores de materias recicláveis, são essas pessoas que por causa da miséria encontraram no lixo uma alternativa de vida digna.

Esse evento que participei na semana passada foi para promover a Semana do otimismo que transforma da Coca-cola. Não vou dizer o que penso sobre esse “evento”, já falei sobre a empresa em outros posts, não é de hoje que a marca vem tentando se associar ao tema sustentabilidade e portanto vou dar um voto de confiança que ela tem tentado, não sei se da melhor forma ou de forma acertada, mas é uma preocupação e o que ela fez e faz por meio do Instituto Coca-cola para as coperativas atendidas pela ONG Doe Seu Lixo me pareceu muito legítimo. Pelas palavras da diretora-executiva, Claudia Lorenzo, do Instituto Coca-cola ainda é muito pouco o que é feito perto da importância e da relevância da marca Coca-cola para o mundo (são 125 anos de empresa no mundo e 70 anos no Brasil), ela sabe que tem um desafio monumental pela frente e diante dos apenas 5 anos do Instituto acho que tem seguido um bom caminho.

O destino dos aviões

Em 2008 descobri por acaso o destino dos navios e me choquei com o que vi. Dessa vez vi no Jornal Nacional de ontem (16/04/2011) o destino dos aviões e fiquei um pouco mais contente com o exemplo mostrado, veja a seguir:

Infelizmente isso não é realidade aqui no Brasil, achei essa reportagem do Fantástico falando dos aviões abandonados. Veja:

Nos EUA os “cemitérios” de aviões são chamados de Aircarft boneyard,  na Wikipedia eles falam que são retiradas partes das aeronaves que são vendidas ou reutilizadas, não citam nada a respeito de reciclagem completa do avião ou algo que o valha, tanto que são várias as fotos de enormes áreas repletas de aeronaves armazenadas, inclusive virou até reportagem da BBC. Aliás esses locais servem até como locação de filmes, comenciais, encontrei até alguns depoimentos de pessoas que visitaram um cemitério na Califórnia.

Veja no video a seguir com fotos de um cemitério desses no Texas:

 

Acho válida a ideia de transformar alguns desses aviões em museus e atrações turísticas, mas creio que não deve ser possível nem a melhor solução fazer isso com todos, desperdício é algo que realmente me aborrece e não consigo parar de pensar que abandonar esse aviões e largá-los lá para ver o tempo destruí-los não é digno de muita inteligência.

Aliás, navios e aviões são coisas distantes de seres humanos comuns, mas alguém já parou para pensar o que aconteceu com todos os carros que a sua família já teve? Será que estarão até hoje rodando ou foram parar em algum ferro velho ou  abandonado em algum lugar como todo esses aviões?

Torço que num futuro próximo eu possa escrever um post para contar que alguma montadora resolveu se preocupar com o ciclo de vida completo de seus carros e caminhões e resolveu cuidar e garantir que todos os carros, caminhões e ônibus produzidos por ela tenha um destino inteligente.

A embalagem, o lixo e o ciclo de vida

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Acho que aqui no blog nunca critiquei as embalagens de plástico de origem vegetal, então chegou a hora de falar. Plásticos que são de origem vegetal e não são biodegradáveis não tem meu apoio.

O “bioplástico” mais famoso e falado que tem é o da Braskem, feito de cana-de-açúcar, tá, ótimo, origem renovável e o destino dele qual é? O lixão da cidade, o córrego, o bueiro… E ai? Que vantagem Maria leva? Ah, o plástico é reciclável… Convenhamos, a grande maioria dos plásticos são recicláveis, o problema não é ele ser ou não reciclável e sim, ele ir de fato para a reciclagem. Acho que ele seria muito mais útil se fosse biodegradável, tipo, depois de 3 meses ele já está reintegrado ao ambiente. E não falo de micropartículas de plástico que ficarão lá eternamente, eu falo de decomposição que contribua e agregue alguma coisa ao solo, se é que isso seja possível.

Uma dúvida de ignorante, será que na hora da reciclagem esse plástico de origem vegetal se integra totalmente ao plástico de origem fóssil? Pois afinal, quando você compra algum objeto de plástico e manda-o pra reciclagem você não sabe qual a origem dele e na hora que mistura todos os tipos de plásitco não atrapalha na reciclagem? Eu sei que cor de vidro é uma coisa séria, assim como a cor do plástico na hora da reciclagem e a origem do plástico alguém já sabe? Se ele for examente igual ao plástico de origem fóssil você já sabe o que acontece quando ele não vai pra reciclagem, né?

Há algumas semanas a Pepsico lançou sua embalagem ecológica dizendo que são 100% recicláveis, tá, até onde eu sei todas as garrafas PET também são, mas isso nunca garantiu que 100% delas fossem recicladas e será que se eu mandar essas garrafas pra reciclagem junto com as PET convencionais vai ter algum problema?

Não entendo com tanto blablabla de sustentabilidade as empresas ainda estão pensando ainda só de um lado da questão. É bom lembrar que agora temos a Política Nacional de Resíduos Sólidos que resposabiliza todos pelos resíduos gerados, será que só agora vão se dar conta que olhar só a origem do produto ou da embalagem já não é mais suficiente?

Sugiro para as empresas que ao invés de ficar gastando dinheiro em como fazer produtos e embalagens com matéria-primas renováveis e alternativas por que não pensam em tentar reciclar, reutilizar ou abolir embalgens? Que tal venda de sorvete, refrigerante e bolachas a granel? Quando eu vejo essa ausência de inovação que fará com que as pessoas mudem de fato seu comportamento para um mundo mais sustentável eu quase desacredito na sustentabilidade, eu chego a acreditar que quando as empresas falam desse assunto é, de fato, apenas marketing. Vejo que ninguém quer mudar comportamento, o máximo que fazem é mudar a matéria-prima e continuam fazendo o resto tudo igual. De verdade o mundo não vai ser melhor e mais sustentável se ao invés de continuar consumindo milhares de escovas de dente, garrafas ou copos de plástico de origem fóssil, a partir de agora o plástico for de origem renovável. Resolver só um lado da equação não resolve o problema, a vida do produto não acaba depois que você o joga fora.

Alternativa para o lixo

Diante da realidade da grande maioria das cidades brasileiras, que pode ser vista no vídeo a seguir:

Veja no vídeo a seguir a alternativa lançada pela Novociclo em Florianópolis para aumentar a coleta de materiais recicláveis da cidade.

 

Como no Brasil a realidade de coleta seletiva ainda é extremamente pequena, segundo dados do IBGE – Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – Brasil 2004, “somente 2% do lixo produzido no país é coletado seletivamente. Apenas 6% das residências são atendidas por serviços de coleta seletiva, que existem em apenas 8,2% dos municípios brasileiros.” Fazer as pessoas levarem seu lixo para trocar por pontos e assim serem recompensadas é uma ideia bastante plausível.

Até na minha cidade eu encontro lixo largado na rua… E olha que aqui é um exemplo de cidade no que diz respeito a coleta seletiva, ela existe há 20 anos e atinge 95% da população. De certa forma é triste pensar que o ser humano só se comporta bem se for recompensado…

lixo_rua Rua Pedro de Toledo, 212, São José dos Campos, SP, em 28/04/2010.

Não use a ignorância como desculpa

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Esse post vai ser bastante polêmico, acredito eu, mas é o que estou pensando sobre o assunto agora, acho até que estou pegando pesado demais, mas pode ser que eu mude de idéia, ou não.

Meu amigo Francisco deixou o seguinte comentário no post das lixeiras de shopping: “Posso estar enganado, mas muitas vezes, os próprios consumidores não sabem direito como agir diante da opção de coleta seletiva. Por exemplo, muitas pessoas podem ficar em dúvida na hora de descartarem um guardanapo totalmente sujo com alimentos. A pessoa pode pensar: "será que posso jogar este papel com restos orgânicos na cesta de lixo reciclável?" Eu, como não sou especialista neste assunto tenho este tipo de dúvida e acredito que a maioria da população leiga como eu também.”

Quando conversei sobre o assunto com o Chico eu falei claramente: “Chico, pra mim ignorância não é desculpa.” E nesse caso de coleta seletiva e lixo reciclável não aceito de forma alguma alguém dizer que não separa o lixo porque não sabe, ainda mais num shopping.

Por que eu penso assim? As pessoas que frequentam um shopping são pessoas que podem muito bem se informar a respeito e não ficar por muito tempo com a dúvida de onde jogar o lixo, se elas não se interessam pelo assunto e não procuram saber a respeito são outros quinhentos e o argumento é outro. As pessoas tem plenos direitos de simplesmente não se importarem em separar o lixo e achar que isso não é necessário. Pronto, fim, eu não faço pois não me importo e não por que não sei.

Ah, mas e as pessoas mais humildes que não tem acesso a educação, internet e etc? E não tem pra quem perguntar? Bom, posso estar sendo simplista demais mas eu chego a duvidar se realmente existem pessoas que não tem acesso a internet, todo mundo que eu conheço tem orkut, como assim existem pessoas que não tem acesso a internet? E outra, MUITAS mas MUITAS mesmo, dessas pessoas ditas excluídas digitalmente fazem o que? São catadores de lixo, de sucata e quem melhor do que eles pra saber qual lixo serve pra reciclar e qual não serve? Se elas não souberem desculpe, para tudo porque tá tudo errado mesmo.

Gente, mais uma vez eu peço aqui: vamos assumir a hipocrisia! Não utilizem argumentos falsos, fracos e sem sentido pra justificar uma coisa que você não se importa. Se você não sabe como fazer melhor a sua parte na hora de ser mais sustentável, mais responsável assuma que você não sabe isso porque nunca procurou saber, não por que não te ensinaram e ponto final. Isso é dar uma de João sem braço. E isso não serve só para o lixo que você não separa, mas também para a sacola plástica que você não substitui, a economia de água e energia que você não faz, o carro que você não consegue nunca deixar na garagem e etc, etc etc.

Outro dia comentei com o Vitor que eu tenho o péssimo costume (estou me policiando para acabar com ele) de querer defender as pessoas delas mesmas, apostar que as pessoas não sabem é exatamente isso. A ignorância é uma benção e as pessoas gostam de ser agraciadas por ela e muitas vezes optam que assim seja e não há nada que ninguém possa fazer a respeito. Eu poderia ficar aqui até amanhã argumentando sobre isso, mas esse não é o tema do blog.

 

Em tempo: Guardanapos, lenços de papel, papel higiênico usados são lixo orgânico, na verdade nem sei se é correto utilizar essa definição mas isso quer dizer não-reciclável. Se você não sabe o que fazer com algum determinado resíduo você tem 2 opções: 1) guardar o lixo até ter certeza para onde encaminhá-lo ou 2) descartá-lo como lixo orgânico que irá para um aterro sanitário, o que não é de todo ruim uma vez que uma parcela muito pequena do lixo no Brasil é de fato reciclada.

 

Imagem: http://www.flickr.com/photos/arycolorize/3702752024/

Lixeiras em Praças de Alimentação

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Quando você vê lixeiras como essas no shopping você não fica contente? Eu fico! “Poxa, que legal eles separam o lixo aqui.” Mas eu não sou ingênua e fui lá conferir se as pessoas realmente separavam o lixo de forma correta.

 

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A foto não ficou lá muito boa, mas deu pra ver um pedaço de papel e um copo com um canudo na lixeira de orgânico? É nem tudo é perfeito…

 

Num outro shopping eu até encontrei um cesto só para latinhas, o que pra mim já parece um pouco mais eficiente. Veja:

P1908090006 Um outro diferencial nesse shopping é que eles também fizeram um cesto separado para líquidos. Olha só:

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Em qual shopping você acredita que realmente se preocupe em separar seu lixo?

 

Vou ser bem cética, não tenho certeza se depois que o lixo sai da praça da alimentação ele realmente se mantém separado e vai ser reciclado, mas o fato deles terem tido o cuidado de colocar mais 2 lixeiras mostra uma preocupação a mais, não?  Acho que são essas sutilezas na hora de tentar se preocupar com meio ambiente que fazem você distinguir uma empresa que tenta SER verde da que só PARECE verde.

Eu sei que meu amigo Ítalo vai ainda achar que isso não muda nada, afinal é um shopping, um templo do consumo e a gente tem que consertar a raiz do problema, mas como eu tenho certeza que os shoppings não deixarão tão cedo de existir, acho interessante que esse lugar que reúne tanta gente todos os dias, pelo menos, separe seu lixo adequadamente e de alguma forma tente mostrar sua preocupação para as pessoas.

Mutirão Lixo Eletrônico


Uma bela iniciativa do Governo do Estado de São Paulo!
Vamos participar, divulgue!
Confira a lista de locais aqui.
Visto aqui.

O destino dos navios

Ai, por que eu me preocupo com coisas que acontecem do outro lado do planeta? Num lugar que eu muito provavelmente nunca irei, com pessoas nunca conhecerei? Eu gostaria de verdade de poder fazer alguma coisa além de publicá-las aqui no blog…

 

Por acaso achei esse link. Mostra o destino dos navios quando eles são “descartados”. Nunca tinha parado pra pensar o que acontecia com um navio quando ele é considerado inoperante. Sim, sabemos dos casos que naufragam, acho até que pensei que isso pudesse acontecer com todos (consegue imaginar o imenso lixão que se encontra nos fundos dos oceanos?), mas alguns vão para esse lugar que você vai ver nas fotos desse link. Ah, clique nos links que mostram as imagens no google maps, acho que torna mais real para os céticos.

Ai vendo essas fotos me lembrei de outros casos que recebi por mail ano passado, muito parecidos.

Nesta notícia (em inglês, e veja bem do NYT) clique no link multimídia e veja as fotos. Não tem o que dizer, é absurdo ver isso acontecer nos dias de hoje. Vendo essas fotos me senti voltando ao século XVIII.

E o último caso foi um ppt., chamado o milagre do custo baixo, que recebi por mail e não sei como faço para colocar aqui (alguém tem alguma sugestão?). É na China e mostra a linha de produção de velas de ignição numa fábrica de lá. Esse caso não é nada perto dos anteriores. Quem quiser posso enviar por mail enquanto não tenho uma saída melhor.

É, quando vejo esses casos eu me pergunto, sustentabilidade? Pra quem? Onde? A humanidade vai dar conta do recado de fazer isso ser banido do planeta? Dá pra ser otimista? Eu simplesmente não consigo, não acho que fazer só a minha parte é suficiente pra mudar alguma coisa.

Embalagens

Recebi esse mail e achei muito interessante, será que alguma Cia aérea está pensando a respeito? E não são só as Cias aéreas, as Cias de ônibus estão igualzinhas, utilizando até as mesmas marcas dos produtos. Uma dessas marcas por exemplo até hoje ainda mantém as gorduras trans nos seus produtos, provavelmente suas vendas para as cias de ônibus e aéreas são tão maiores que a dos consumidores normais que ela nem se preocupou com esse detalhe. E geralmente os viajantes não pensam muito antes de aceitarem os “lanchinhos”.

Segue o mail… Com autorização do seu autor para a publicação, sintam-se livres para reprodução…

Amigos/as

Compartilho com vocês uma mensagem que acabo de enviar a uma
companhia aérea. Como aguardo a resposta, vou omitir o nome da
empresa e a marca dos produtos mencionados.

Prezado Sr.

No dia 27/09/2007 viajei por esta companhia de Fortaleza a Curitiba,
com conexão em Brasília. Num dos trechos foi servido um café da
manhã. Gostaria de ponderar alguns detalhes acerca das embalagens e
dos conteúdos.

O conjunto se compunha de:
* 1 embalagem plástica quadriculada;
* 1 bandeja plástica transparente para acondicionar os demais itens;
* 1 embalagem plástica transparente para acondicionar uma faca
plástica e um guardanapo;
* 1 embalagem plástica para acondicionar duas torradas (15 gr.de
alimento);
* 1 embalagem plástica para acondicionar uma bolacha recheada (30 gr.
de alimento);
* 1 embalagem plástica para acondicionar um cubinho de requeijão (20
gr. de alimento);
* 1 embalagem plástica de um potinho de marmelada (15 gr. de
alimento);

Ao todo foram 80 gramas de alimento e 7 embalagens plásticas, somadas
a uma faquinha plástica, um copo plástico e um guardanapo de papel.

Abrindo-se o conjunto das embalagens em uma superfície plana e
colocando-as uma ao lado da outra podemos formar com essas embalagens
e recipientes uma espécie de quadrado, medindo 50 cm por 45cm.

Para ficarmos apenas nos itens plásticos, deixando de lado a área do
guardanapo de papel, temos uma superfície de quase meio metro
quadrado de lixo gerado por passageiro para a ingestão de 80 gramas
de alimento.

Ora, de janeiro a março do ano passado (2006) esta companhia
transportou 5,55 milhões de passageiros. Se esse nível se mantivesse
(não sei se o foi ou foi superado) até o final do ano, ela teria
transportado 22,2 milhões de passageiros. Mas como em muitos vôos há
escalas e conexões e o serviço de bordo é repetido, o número de
lanches servidos seria bem maior que 22 milhões. E igualmente a
superfície de lixo plástico gerada.

Mas considerando que cada passageiro fosse servido apenas uma vez,
independentemente das escalas e conexões, e que o meio metro quadrado
de plásticos de cada um fosse colocado um ao lado do outro, formando
uma espécie de passarela de meio metro de largura, teríamos uma
trilha de 11 milhões de metros de comprimento ou, o que dá no mesmo,
de 11.000 quilometros. Como a costa brasileira mede 9.198 km –
considerando todos os recortes do litoral – o lixo plástico gerado em
um ano pela companhia permitiria formar uma passarela acompanhando
toda a costa do país e ainda sobraria quase dois mil quilometros!

Se considerarmos ainda que o diâmetro equatorial da Terra é de 12.756
km, com as embalagens plásticas do serviço de bordo descartadas pela
companhia em 14 (quatorze) meses seria possível concluir uma
passarela de embalagens plásticas abertas que daria uma volta
completa no planeta. Isso considerando apenas um serviço de bordo por
passageiro, como detalhado acima, sem contar os serviços de bordo das
escalas e conexões.

Ao final dessas considerações, a minha pergunta é muito simples: não
é possível encontrar uma solução mais ecológica para embalar 80
gramas de alimento?

Atenciosamente,

Euclides André Mance
[email protected]

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