Para aprender mais sobre a Amazônia

Se você ainda não entende a importância da preservação da Floresta Amazônica ou qual a relação que isso tem com a sua vida, por favor, assista esses vídeos, são produzidos pelo Google e tem um dedo do Fernando Meirelles, são curtinhos.


Aliás, essa experiência imersiva do Google chamada de Eu sou Amazônia tá incrível. Você pode ver os 15 videos curtos no Youtube que lembram, ensinam e demonstram a importância dessa floresta para o mundo.

O site que usa o Google Earth como plataforma tem a localização de várias histórias incríveis da Amazônia, você pode escolher temas como água, alimento, inovação, mudança, etc, cada um desses temas é localizado geograficamente na floresta com várias informações como vídeos, descrições, fatos históricos, notícias, reprodução 3D, tudo relacionados ao local e ao tema.

amz_landingpage_pt

Eu sou Amazônia no Google Earth.

Sério, minha cabeça explodiu e me fez lembrar do tempo que eu dizia que ferramentas de GIS (sistema de informação geográfica) eram pra dominar o mundo. Até agora foi o melhor uso que já vi para GIS de forma pública, grátis e como ferramenta de ensino e informação.

Tenho críticas infinitas a gigantes multinacionais como o Google, mas quando eles fazem coisas desse tipo eu quase tenho esperança de que eles podem ser melhores do que realmente são.

Fica a dica: para aquele trabalho de escola sobre a Amazônia? Ou pra ser menos ignorante sobre esse lugar distante chamado Amazônia, explore essa experiência.

Esse NÃO é um post patrocionado.

Curso A Era do Desenvolvimento Sustentável

No início desse ano me inscrevi para fazer o curso The Age of Sustainable Development no Coursera com o professor Jeffrey Sachs. E desde que o curso terminou era pra eu escrever um post sobre isso e acabei esquecendo, pois bem agora que uma nova turma do curso vai se iniciar estou aqui para falar dele.

coursera

São 14 semanas de curso, infelizmente ainda sem legendas em português, e como já haviam me dito sobre os cursos do Coursera, se você quiser fazer tem que escolher algumas das atividades, todas é difícil dar conta. Posso dizer que a base desse curso são as vídeo-aulas com o próprio professor Jeffrey Sachs, são vídeos ótimos, com média de 15-20 minutos cada e muito bem produzidos, som impecável, imagens bem selecionadas, gráficos bem feitos, cada semana tem 4-5 videos desses além de um texto em pdf, foi basicamente o que eu mais aproveitei do curso, assisti as aulas e li os textos.

Tinha também hang-outs com o professor e com seus assistentes onde basicamente eram respondidas perguntas dos alunos, com o professor acho que foram 2 ou 3 hang-outs e com os assistentes foram mais, que eu me lembre consegui participar de 1 dos hang-outs com o professor, mas achei cansativo demais ficar olhando e só ouvindo ele falando sozinho.

Outra ferramenta que usei pouco foi o fórum, esse eu já sabia que não ia aproveitar muito e se resolvesse usá-la me sentiria perdida e acabaria desistindo de qualquer forma, são muitas discussões acontecendo, é muita opinião e blablabla, cansa e nem sempre é muito produtivo, é interessante pois tem gente do mundo todo participando e assim você consegue ter exemplos e perspectivas bem diferentes, mas confesso que ler no computador textos muito longos me cansa rápido.

O curso é super bem organizado, os dados excelentes, tem toda uma ordem lógica e bem concatenada e a fala de Jeffrey Sachs sempre empolga quando ele mostra resultados de sucesso de redução da pobreza na Ásia e na África. O Jeffrey Sachs além de professor da Universidade de Columbia, é consultor da ONU, diretamente ligado ao Ban Ki-moon e praticamente tudo que ele mostra no curso são práticas aplicadas pela ONU em algum lugar do mundo e que deram certo para a redução da pobreza, aliás o ponto crucial para o desenvolvimento sustentável para o professor Sachs é a erradicação da pobreza extrema, sem isso, pra ele não existe desenvolvimento sustentável e ele me convenceu disso durante o curso. Mas enquanto a gente erradica a pobreza os ricos continuam vivendo como ricos e pronto? Consumindo a maioria dos recursos como sempre? E quando eu falo rico não falo apenas dos bilionários com suas ilhas e jatos particulares, mas de toda a classe média ocidental que consome coisas comuns como energia, água e alimentos como qualquer outro ser vivo por ai, como vamos fazer quando o cara que vivia na pobreza extrema e passa a ter acesso à eletrecidade e quer comprar um celular? Será que vai ter recursos pra todo mundo?

A resposta é sempre a chamada economia verde, mas eu acredito nos limites do planeta e acho difícil conseguir a tal sustentabilidade com economia crescendo pra sempre. Há limites e devemos nos preocupar com ele, coisa que vejo pouco por ai.

Outra coisa legal que descobri por causa do curso é o SDSN (Sustainable Development Solutions Network) uma organização (não sei se ess seria o nome mais adequado) dentro da ONU sediada na Universidade de Columbia que tem o Sachs como um dos diretores e que também oferece cursos sobre o tema sustentabilidade e mudanças do clima, já me inscrevi nos 2 próximos que virão: Climate Change Science & Negotiations e Planetary Boundaries and Human Opportunities, ambos de graça, assim como esse que eu fiz no Coursera.

Se você sabe inglês ou até mesmo quer treinar e gosta do tema desenvolvimento sustentável super recomendo esse curso, acredito que em breve o curso terá legendas em português, eu até andei trabalhando como voluntária pra legendar alguns cursos do coursera, mas esse ainda não apareceu na lista, o que eu ajudei a legendar foi o Introduction to Sustainability, que também me pareceu bom mas bem mais básico e sem o mesmo padrão nos videos que eu vi nos videos do curso do Sachs.

Xingu

Lembro de quando estava no ginásio na aula de história a professora passou um filme sobre o Xingu (na verdade me parecia muito mais preguiça da professora de dar aula do que qualquer outra coisa), não me lembro quase nada do filme, lembro das imagens clássicas dos índios, das aldeias e forçando muito a memória talvez fosse um documentário para retratar o estilo de vida dos índios naquele local, nada mais que isso…

Cartaz_Xingu_O_Filme

Semana passada, a convite da Brazucah, fui assistir a pré-estreia do  Xingu, o filme e fiquei super contente de conhecer a história da criação do Parque Nacional do Xingu. Aliás, o filme só me fez perceber a minha total ignorância em relação a esse parque e como o Brasil trata e tem tratado seus verdadeiros primeiros habitantes.

Você sabe quem foram os irmãos Vilas Boas? Eu não tinha ideia (vergonha total). Você sabe como e por que o Parque Nacional do Xingu foi criado? Pra mim era só mais uma reserva que tinha índios, como tantas outras devem ter por ai, mas não é só isso. Você sabe quando esse parque foi criado e toda a sua importância? Provavelmente o Google poderá responder essas perguntas, mas o filme as explica de uma forma muito mais interessante e viva. Ele conta uma parte de quase sucesso da nossa política indigenista. Eu digo quase porque não foi perfeita, cometeram-se muito erros, muitas coisas deram erradas e não aconteceram como deveriam, mas de modo geral a criação do Parque do Xingu foi um grande sucesso dessa política. E esse filme é mais do que merecido para que mais brasileiros saibam e tenham orgulho dessa história e dos ilustres irmãos Vilas Boas que tanto lutaram pela preservação da cultura indígena no Brasil.

O filme estreia nessa sexta dia 06/04/2012 e é altamente recomendado se você não sabe (como eu não sabia) muito sobre o Parque Nacional do Xingu. Mas até se você sabe sobre a história do Parque eu recomendo o filme, é uma boa dose de nacionalismo quando a maioria dos filmes brasileiros de sucesso sempre tratam de violência, corrupção e pobreza.

Filmes sobre meio ambiente

FILM_1

Assisti O Descendentes e por conta dele resolvi fazer um post sobre filmes que falam de meio ambiente, sustentabilidade e afins. Provavelmente se você leu a sinopse ou assistiu Os Decendentes não necessariamente acha que ele fala desses assuntos, mas nas entre linhas ele toca no assunto sim de uma forma bem sutil. Um dos dilemas do personagem principal Matthew King (interpretado por George Clooney) é sobre um terreno da família situado numa ilha do Havai que estão decidindo se vendem e para quem vendem. É um terreno numa praia linda, deserta e com mata nativa preservada. Os donos do terreno (Matthew e seus primos) avaliam os projetos das empresas sobre o que fazer no local para poderem decidir melhor, eles não se basearam simplesmente no quesito quem paga mais e um dos projetos preferidos por eles é de um empreendedor havaiano que apesar de não ter a proposta mais cara é uma pessoa da “terra”.

Achei que o dilema deles é o que o Brasil passa em relação a obras como Belo Monte. Uma terra maravilhosa que é de um monte de gente e não tem como preservá-la intocada para sempre pelos mais diversos motivos. Acho que a solução mais sensata para casos como esse é fazer alguma coisa no local mas fazer de forma que tenha pouco impacto e que preservação seja o principal objetivo, mas será que isso é mesmo possível? Não sei, mas temos que trabalhar para isso.

Outros filmes que falam de meio ambiente é o Erin Brockovich (baseado em fatos reais) e o Conduta de Risco, esses filmes estão muito mais relacionados às condutas das empresas, suas responsabilidades sociais, ambientais e éticas do que decisões democráticas para beneficiar o maior número de pessoas. É um outro estilo de filme, mas que tocam no tema sustentabilidade de forma bem intrigante.

O mais sutil de todos é o Wall-E na minha opinião, por ser uma animação e mostrar o futuro sem explicar como chegamos lá e deixar tudo subentendido é um filme ambiental sensacional e muito bonito. O tema meio ambiente é tratado de forma leve e sem condenações explícitas.

Esses são os filmes que eu consigo me lembrar que tratam de meio ambienta tirando os documentários como Uma verdade inconveniente, A 11ª hora ou Quem matou o carro elétrico? Quais outros que abordam o tema sem ser o assunto principal? Ah, me lembrei de Avatar, mas vamos combinar que a história é manjada demais…

A natureza como limite da economia – Resenha

A contribuição de Nicholas Georgescu-Roegen

 

Se você quer saber mais sobre Economia Ecológica e suas origens esse é o livro. Ele resgata todo o caminho acadêmico do considerado “papa” da economia ecológica, Nicholas Georgescu-Roegen.

Além de notar que a economia não leva a natureza em consideração (detalhe simples, hã?) Roegen considera que o crescimento infinito é inviável para os seres humanos caso queiramos continuar aqui por muito mais tempo.

Entender como funciona a teoria econômica “convencional”, por que é inviável crescer infinitamente, por que esses dados são ignorados pela maioria dos economistas, os pontos fracos da teoria econômica atual e as razões de por quê existir uma economia dita ecológica são alguns dos pontos abordados por esse livro de forma simples, direta e eficiente.

O livro A Natureza como limite da economia, do Andrei Cechin foi uma cortesia da editora Senac para a autora do blog.

Poder & Amor – Resenha

Poder e amor

Quando você lê o título desse livro parece coisa de auto-ajuda ou alguma coisa até mesmo um pouco piegas como o que o poder do amor é capaz de fazer e coisas do tipo, mas não é nada disso, ainda bem! Porque afinal o que isso teria a ver com esse blog?

Nos primeiros capítulos ele dá uma boa balizada no que ele considera como amor e poder e os dois lados de cada um, basicamente ele segue a premissa definida por Martin Luther King, “O poder sem amor é imprudente e abusivo, e o amor sem poder é sentimental e anêmico. […]”. 

O que mais me surpreendeu é que uma coisa não é boa sem a outra, precisamos das duas em equilíbrio para que tudo funcione como deveria. E como ninguém é perfeito o equilíbrio entre os dois é dinâmico e nem um pouco estático, para atingir esse objetivo vai acontecer de cair e tropeçar pra que assim consigamos de fato andar e fazer as coisas darem certo.

O que eu mais gostei do livro foram os relatos práticos dados pelo autor e ele divide esses relatos em três tipos: cair, tropeçar e caminhar. O cair ele conta sobre o fracasso de um de seus trabalhos, de como desprezar o poder ou o amor nas relações não é muito inteligente e não leva a resolução dos problemas Ele conta sobre um trabalho na Índia sobre nutrição infantil que não obteve sucesso.

O relato do tropeçar conta de um caso em Israel, onde vários setores da sociedade judaico-israelense se juntaram para discutir os rumos do país e o outro caso sobre a democracia na África do Sul, em que o país seria discutido entre seus principais atores. Tropeçar pode não te fazer cair, mas é um andar trôpego, instável e inseguro. Quando acontece o tropeço um dos lados (amor ou poder) está mais forte que o outro.

A experiência sobre o andar é sobre o Laboratório de Alimentação Sustentável (em inglês) onde ele pôde presenciar o equilíbrio entre poder e amor e perceber que esse equilíbrio acontece de forma dinâmica, pois estamos sempre errando e tentando acertar o tempo todo.

Esse livro me fez ver que Poder e Amor tem de estar juntos e em equilíbrio na hora de falarmos de sustentabilidade, um sem o outro não funciona pois o amor sem poder é ingênuo e bobo, é como quando pensamos que sustentabilidade é coisa de hippie, xiita, que ser verde é bonitinho ou que é fazer caridade. E o poder sem amor é como o desenvolvimento selvagem praticado até pelas empresas (não que ainda não seja assim, mas existe uma tentativa de ser um pouquinho diferente em alguns casos). Seria a sustentabilidade o amor que falta nesse nosso desenvolvimento que é ecologicamente predatório, socialmente perverso e economicamente injusto?

 

No Xis-Xis a Ísis conta sobre a palestra que o autor deu na Conferência Ethos.

O novo manual de negócios sustentáveis – Resenha

livro

Se você espera alguma coisa nova nesse manual, esqueça, não tem nada muito novo ou diferente do que você já tem ouvido, visto e lido sobre sustentabilidade, ou melhor, sobre negócios sustentáveis por ai. O novo do título se refere ao manual anterior, lembra apenas que esse é mais recente que o anterior. Um amigo me lembrou que de fato o objetivo de um manual não é trazer nada novo, manuais são sistematizações de coisas que já existem, mas uma vez se tratando de sustentabilidade (um tema bem novo) eu esperava mais novidades, confesso, me empolguei com o título esperando coisas realmente novas e não foi o que aconteceu.

O livro serve como um ótimo início para quem não tem muita noção do que é sustentabilidade e quer aplicá-la ao seu negócio. É uma ótima base, dá pra ter uma noção bem real do que deveriam ser negócios sustentáveis.

O que eu acho que faltou no livro foram exemplos, eu realmente esperava mais cases, muitas vezes é mais fácil entender por meio de exemplos, mesmo que fictícios.

“Mais e mais, sustentável é escolhido para indicar tudo o que desejamos, mas não sabemos como definir exatamente: uma forma aparentemente mais sofisticada para dizer bom ou justo. Só que bom e justo parecem conceitos ingênuos ou simples demais para muitos diplomatas, ativistas ambientais ou empresários, enquanto sustentável e suficientemente obscuro para deixar entender que se trata de algo bem mais complexo e elaborado, sem dizer o quê.” Roberto Smeraldi

A única coisa que achei um pouco desnecessária no livro foi o último capítulo: Como montar um plano de negócios sustentáveis, não o capítulo todo, mas a parte prática que ele ensina exatamente como fazer um plano de negócios, explicando Forças de Poter, análise SWOT, valor presente líquido, taxa interna de retorno, eu espero esse tipo de coisas num livro de estratégia de empresas, finanças, esses detalhes são perfeitamente dispensáveis num manual de negócios sustentáveis, eu acho. Tudo bem um plano de negócios é um plano de negócios e provavelmente nenhum investidor vai te dar muita bola se você não fizer isso como manda o figurino, mas estamos falando de negócios sustentáveis, ele poderia ir direto ao ponto.

 

Esse livro foi gentilmente cedido pela Publifolha. Obrigada, Reinaldo pelo contato!

Haverá a idade das coisas leves – Design e desenvolvimento sustentável – Resenha

livro_design.jpg

Sabe daqueles livros que você pega pra ler e conforme vai passando as páginas não tem muita certeza se está folheando um livro ou uma revista de tão bem ilustrado e uma diagramação toda diferente? Esse é um livro assim com várias fotos, ilustrações e muitas cores. Se nota que é um livro de design e que aborda a sustentabilidade de uma forma bastante inusitada.

Bastante inusitada por que é bastante criativo, a parte mais interessante do livro é a apresentação de 7 empresas fictícias que pertence, cada uma delas, a uma área essencial  e cotidiana da vida: água, alimentação, energia, habitação, esporte e multimídia. São idéias como por exemplo utilizar toda a energia produzida com os exercícios das pessoas, em academias de ginásticas, em energia para abastecer pilhas, baterias e a própria academia ou então, um sistema de utilização coletiva de automóveis, que em alguns aspectos é bastante parecido com o que já existe na França com as bicicletas.

Numa outra parte do livro ele mostra dados bastante interessantes como por exemplo: você sabia que a renda de um francês médio hoje em dia dá acesso à mesma profusão de equipamentos que de um milionário na década de 30? Ou que nos EUA, 99% dos materiais utilizadas na produção das mercadorias são descartados nas 6 semanas seguintes à venda?

Outra coisa bastante interessante do livro é que no fim da apresentação de cada empresa fictícia existe uma entrevista com um representante de empresas francesas líderes nos setores de atividades daquela ideia, é um confronto interessante não só do ponto de vista para saber a opinião dessas pessoas sobre um novidade, mas o que elas realmente pensam sobre sustentabilidade.

É um livro recomendadíssimo para novos empreendedores que querem começar um negócio de uma forma diferente e ideias novas.

Esse livro foi gentilmente cedido pela Editora Senac SP.

Doar – Resenha

Doar -Bill Clinton
Como cada um de nós pode mudar o mundo

Confesso que jamais leria esse livro se ele não tivesse me sido enviado pela Editora Ediouro (via agência Frog).
O livro basicamente conta as infinitas histórias bem sucedidas sobre ONGs e trabalhos voluntários pelo mundo, dá algumas dicas para quem quer ajudar a salvar o mundo e deve ter rendido algum dinheiro ao ex-presidente dos EUA, Bill Clinton.
Um dos pontos que mais me chamou a atenção no livro é perceber como existem ONGs nos EUA e como lá eles precisam delas tanto como nos países pobres. É impressionante a idéia equivocada de país que o mundo tem deles, talvez a única diferença é que eles tenham dinheiro, muito dinheiro e como em qualquer outro lugar, extremamente mal distribuído.
A parte do livro que na minha opinião mais vale a pena é o ultimo Capítulo: Quanto você deve doar, e por quê? Não sei se vai convencer alguém muito rico a doar algum dinheiro, mas os dados são bastante interessantes como: “a partir dos dados fiscais de 2004 (…) se os 14.400 contribuintes (americanos) que compõem o 0,01% dos mais ricos doassem um terço de sua renda (12.775 mil dólares em média) para combater os problemas mais graves do mundo, o total ficaria em torno de 61 bilhões de dólares. Se os 129.600 contribuintes que compõem o 0,1% mais ricos dessem um quarto da sua renda (pouco mais de 2 milhões de dólares), a doação totalizaria quase 65 milhões.” E esse é o exercício mais radical que ele faz, se as doações fossem na casa do 1% da renda, mesmo assim chegariam fácil aos bilhões de dólares. Mas por que será que os ricos sempre tem que ter mais e mais dinheiro? Pensando nisso meu irmão me deu uma idéia bastante interessante, as riquezas pessoais deveriam ser limitadas a um certo valor, afinal quem precisa de mais de alguns milhões de dólares para ter uma vida boa e proporcioná-la aos seus filhos? Aliás com bem menos que isso já é possível ter uma vida bastante confortável.
A pergunta que eu mais me fiz lendo esse livro foi: Com tanto dinheiro sendo doado para boas ações pelo mundo por que será que ainda temos tantos problemas? Eu não tive o trabalho de somar todos os milhões de dólares que ele fala que são investidos em trabalhos sociais, mas caso alguém faça isso vai ver que não é pouca coisa não, deve chegar fácil na casa dos bilhões. E mesmo assim o mundo está do jeito que está, onde está o furo? Onde que está a falha uma vez que os problemas só crescem a cada dia? Será que eles estão apenas combatendo os efeitos dos problemas e não as causas? Temos aqui uma fábula do hipopótamo?
Mas o que mais me deixou revoltada com esse livro foi a hipocrisia do Bill Clinton, isso é impagável!! Chega a ser vergonhoso! É tão ridículo ele falando das ações humanitárias em locais devastados pela guerra, e ainda cita a guerra de Kosovo!!! Promovida com a ajuda de quem??
E pra finalizar… Ele fala tanto em doar tempo, dinheiro, conhecimento, etc. Será que ele doou os lucros de venda do livro para alguma ONG? Afinal, bastante estranho ganhar dinheiro com um livro chamado Doar, que utiliza histórias essencialmente de ONGs… Pra mim soa no mínimo contraditório. Ok, provavelmente ele deve doar o dinheiro arrecadado com o livro para a própria fundação.
P.S.: Mudando de tema, mas não de assunto… Se tem uma coisa que me surpreendeu muito foi quando entrei em contato com a Fundação Clinton no ano passado, eles são de uma organização ímpar, isso é admirável. Mandei uma mensagem de um desses formulários de site pedindo informações sobre as ações da Fundação Clinton em São Paulo em relação as mudanças climáticas, em questão de dias a pessoa da fundação que estava trabalhando aqui me mandou um e-mail. Exemplar!

O mundo é o que você come – Resenha

O mundo é o que você come – Barbara Kingsolver
Uma família prova que você pode comer cuidando da sua saúde e da saúde do planeta.

Se você gosta de relatos de experiências esse livro é pra você. Bárbara Kingsolver a autora do livro relata a experiência de mudar-se com a família para uma fazenda e viver apenas de comida local, não apenas comida produzida nas redondezas de sua casa como também cultivando-a, tanto animais como vegetais. Aliás, o título do livro em inglês é: Animal, Vegetable, Miracle: A Year of Food Life.
Uma das coisas bem interessante do livro é que ele não apenas conta como foi a experiência da família, mas discute várias questões sobre alimentos e alimentação. Qual a produtividade de uma fazenda familiar x fazenda de escala industrial? Como são criados os animais destinados ao abate na indústria alimentícia? Comer ou não comer carne? Até qual distância você pode considerar uma comida dita local?
O que pode deixar as pessoas um pouco cansadas ao ler o livro é que toda essa experiência contada só contém exemplos pra quem vive no hemisfério norte, senti falta de poder saber sobre laranjas, abacates e bananas. Mas ao mesmo tempo é bem interessante perceber como são as diferenças não apenas de tipos de alimentos mas também de como é enfrentar o frio rigoroso e a escassez de comida nessa época do ano. O que para nós aqui abaixo da linha do Equador é bastante raro.
Esse livro me remeteu várias vezes ao post que falei da importância das abelhas, é impressionante como seres urbanos como eu somos tão distantes da realidade da natureza, de como as coisas de fato funcionam. Outro detalhe, é triste ver como a nossa sociedade menospreza esse tipo de informação, quem realmente já perdeu tempo querendo saber como se desenvolve a cana-de-açúcar que produz o álcool que abastece seu carro? Mas provavelmente ver o último modelo de carro e suas novidades é sempre interessante. Essa desconexão do homem com a natureza é absurda pois dependemos dela para continuar andando de carro, seja ele abastecido por álcool, gasolina ou diesel.
Talvez a consciência dessa importância da natureza em nossas vidas seja o primeiro passo para que as pessoas se sensibilizem com a importância de preservá-la, acho que na maioria das vezes as pessoas não estão entendendo muito bem por que separam o lixo, por que se preocupar com alimentos vindo de tão longe, economizar energia elétrica ou a importância das abelhas. Falta conexão.
Este livro foi uma cortesia da Editora Ediouro.

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM