Odebrecht, mostra a tua cara

Provavelmente eu devo ser a única pessoa que acompanha esse blog desde seu início e portanto as 2 pessoas que passam por esse blog as vezes não devem saber que em 2008 eu tive um problema com a Odebrecht. Bom, vale a pena contar o acontecido, é o case desse blog inclusive! hahaha

Odebrecht Ambiental - Companhia Siderurgica do Atlantico - CSA, Santa Cruz, Rio de Janeiro

No segundo semestre de 2007 a Revista Ideia Sustentável publicou um artigo falando sobre líderes da Sustentabilidade e entre os entrevistados estava Norberto Odebrecht, pouco antes de ler a revista um amigo de faculdade tinha me contado da experiência dele pouco agradável de trabalhar em uma obra na República Dominicana, a obra era gerenciada por quem? Pela Odebrecht! Ai, eu escrevi um email para o editor da revista contando dos absurdos vividos pelo meu amigo naquela obra, recebi um email do editor dizendo que iria entrar em contato com a empresa. 3 meses se passaram e por algum motivo não recebi nenhuma resposta, então resolvi publicar no blog o email trocado com o editor. Pronto, meu inferno começou alguns dias depois…

Primeiro foi o editor me mandando um mail dizendo que sim, tinha me respondido, ai publiquei a resposta aqui. Tudo parecia “resolvido”, pois além de ter uma resposta “oficial” da emrpesa, eles ficaram de investigar e blablabla. Só que 3 dias depois uma outra pessoa também da comunicação da empresa me mandou e mail “ameaçador” falando de um site chamado Ambiente Já e uma resposta um tanto quanto grosseira publicada naquele site com relação às minhas denúncias. Eu não fazia ideia do que estava acontecendo! Nem que raios de site era aquele. Resumo da ópera, o tal Ambiente Já tinha publicado o meu post no site deles sem que eu soubesse, essa pessoa da empresa leu meu relato, não gostou, mandou uma resposta para o site e mandou para mim via email com ameaças nas entrelinhas. Na época eu fiquei bem chateada e de saco cheio com tudo, dei a coisa toda como encerrada e de fato foi o que aconteceu, a empresa nunca mais entrou em contato comigo para dar qualquer satisfação (uma estratégia acertada, afinal, quem é essa blogueira na fila do pão?). Mas pessoalmente eu e meu amigo tivemos uma vitória (ainda que minúscula) que eu nunca contei aqui no blog porque essa história já tinha me esgotado muito. Logo depois da recuperação do meu amigo ele acabou voltando para República Dominicana para uma outra empreiteira que também prestava serviços para a Odebrecht e a publicação do post sobre a história dele e todo o bafafá que ele gerou aconteceu quando ele estava lá, mas numa outra obra. Eis que um belo dia o diretor geral das obras da Odebrecht da República Dominicana manda chamar meu amigo para uma conversa em Santo Domingo (capital do país), ele sem entender nada foi, chegou lá e qual a foi surpresa de saber qual era a pauta? A publicação no meu blog! No fim meu amigo ficou muito contente em saber que meu bloguinho de alguma forma incomodou uma das maiores construtoras do mundo e no mínimo deixou-os com a pulga atrás da orelha sobre para quantas outras Claudias os funcionários deles podem contar histórias como aquelas.

Eu sei que provavelmente devo estar na lista de persona non grata da Odebrecht, em 2013 eles convidaram vários blogueiros para a entrega do Prêmio Odebrecht para o desenvolvimento sustentável e obviamente não me chamaram! hihihi

Mas o motivo desse post não é só relembrar esse case, mas pra dizer que eu não deveria ser tão mentirosa assim em 2008 já que em 2015 o Grupo Odebrecht é condenado a pagar R$50 milhões por trabalho escravo em obras em Angola. E dessa vez, querida Odebrecht não é uma blogueira maluca ambientalista quem está dizendo, nem o amigo dela, é o Ministério Público mesmo.

Acho que todo esse post e o meu “relacionamento” com a referida empresa dispensa quaisquer comentários sobre o envolvimento da construtora na Operação Lava-jato da Polícia Federal, né?

O óleo de palma e a publicidade

Quem lembra desse video? Jurava que eu tivesse compartilhado aqui no blog em algum momento da história, mas procurei e não achei…

Essa foi uma campanha do Greenpeace em 2008 sobre o uso indiscriminado de óleo de palma vindo das florestas do sudeste asiático (basicamente da Indonésia). Pra quem não sabe: florestas nativas são desmatadas lá para plantar um certo tipo de palma que faz óleo para os cosméticos da Unilever. Ai, o Greenpeace pressionou e parece que tem surtido efeito… Em 2009 o Greenpeace anunciou que a empresa tinha rompido com fornecedor de óleo de palma que era desmatador. Em 2012 a Unilever anunciou que até o fim daquele ano 100% do óleo de palma usado na sua produção seria certifcado, adiantando a meta em 3 anos.

(Parenteses rápido aqui: Em 2013 morei 4 meses no sudeste asiático, minha base era Cingapura e durantes muitos dias a cidade-estado sofria com uma neblina de fumaça vinda da Indonésia (ilha de Sumatra) por conta do desmatamento das florestas de lá. Aliás, acabei de olhar no site de Cingapura que informa sobre a situação e hoje (12/09) eles detectaram 53 focos de incêndio em Sumatra e o ar estava qualificado como pouco saudável. Isso é só um dado, não tô dizendo que todo desmatamento que acontece na Indonésia é por causa da palma plantada para a multinacional produtora do Dove.)

Mas o que me chamou a atenção dessa vez foi ver a quantidade de dinheiro sendo gasta na campanha para tentar limpar a imagem da empresa. O video abaixo está sendo anunciado absurdamente na internet, eu vi centenas de vezes nos meus joguinhos, no twitter e deve estar em muitas outras redes sociais que não frequento, a campanha do Greenpeace em 2008 fez bastante barulho principalmente online e acho que por isso eles estão investindo tanto na divulgação dessa campanha de proteção de florestas juntamente com o WWF. Só não ficou claro pra mim como de fato acontece essa ajuda, qual o valor que será investido para proteger as florestas? Ao que me consta o desmatamento no SE asiático continua.  Ok, dizer que X milhões serão investidos é um começo, mas mas como? Pagamento de serviços ambientais para os moradores locais? Incentivo para certificação de pequenos produtores (se é que essa pode ser uma realidade lá). Cobrança para que todos compradores de óleo de palma só compre óleo de origem sustentável? Quero que o desmatamento acabe de verdade não apenas que a Unilever fique bem na foto!!! No que assinar um manifesto ajuda na proteção das florestas? É pra pressionar o governo indonésio a fiscalizar e incentivar a preservação das florestas dando mais educação e informação para as populações locais? Me mostre Unilever que essa campanha não é só para fazer a sua marca aparecer como empresa amiga da floresta!

Sei dos vários avanços da Unilever em busca da sustentabilidade com relação a redução de consumo de água na produção, a meta de reciclagem de embalagens, a compra de 100% do óleo de palma sustentável, etc, mas no caso dessa campanha em específico acho que vocês poderiam mostrar algo mais concreto do que um videozinho emocionante e uma petição de apoio. Isso aqui é vazio, me desculpe. (Sem contar que o video de uma árvore que foge para a cidade não significa que ela será protegida, não aqui em São Paulo, onde todos os dias árvores são cortadas sem dó nem piedade).

Mais sobre óleo de palma:

Entenda como o óleo de palma está no seu dia a dia e prejudica florestas no mundo (2013)

the palm oil debate (em inglês)

Um festival de comida com lixo mínimo

Acabei de voltar de férias e se teve uma coisa que me chamou muito a atenção nessa viagem foi o Festival de Filmes que estava rolando na praça da prefeitura de Viena. Não pela curadoria do festival, pela qualidade dos filmes ou por causa do local onde acontece. Pra falar a verdade eu nem vi nada do festival em si, o que eu vi foi a praça de alimentação (que é a parte gastronômica) que foi feita em frente ao local do evento.

São vários quiosques de comida e bebida de vários lugares do mundo, desde comida austríaca local, até de outras partes da Europa e do mundo.  E por que esse festival gastronômico chamou a minha atenção já que esse não é um blog de turismo e cultura? Quando eu penso nesse tipo de feira gastronômica ou até qualquer praça de alimentação eu já penso em pratos, copos e talheres descatáveis e uma tonelada de lixo gerado sem nenhum tipo de tratamento ou destino adequado. Só que dessa vez eu fui surpreendida com pratos de porcelana, talheres de inox (ou qualquer outro material que o valha) e copos de vidros, apenas os guardanapos eram de papel.

É possível fazer um festival desse tipo numa cidade turística e grande como Viena sem gerar sacos, sacos e mais sacos de lixo repletos de materiais descartáveis? Sim! É! E o Festival de Filmes de Viena me mostrou isso.

O festival de filmes é o maior festival de cultura e comida da Europa, eles recebem por volta de 750 mil visitantes.

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Clique na foto para ver o prato de porcelana e os copos de vidro! 😉

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Ainda era cedo quando tirei essa foto e não estava tão cheio.

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Uma visão geral do que é o festival de comida. Clique na foto para ver os copos de vidro.

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A louça e os talheres são recolhidos pelos “garçons” e vão para essa estação. Aí eles retiram os restos de comida e enviam a louça para um local onde são lavados.

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O transporte dos copos.

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Meu prato de porcelana e meus talheres de inox! 😀

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora eu me pergunto será que esse sistema é tão mais caro do que se vê por ai com os descartáveis? Apesar dos descartáveis não precisarem de limpeza eles também não vão sozinhos para o aterro.

Mas nem tudo é perfeição na cidade… No dia seguinte na estação de trem almocei numa praça de alimentação típica de shoppings em que talheres e pratos eram todos descartáveis e jogados numa mesma lata de lixo… 🙁

Um vídeo legal, outro nem tanto…

Sensacional esse vídeo!

Ok, que o tema não é dos mais legais, mas a abordagem é muito boa.

Acesse: quaseumdodo.com.brdodo

Essa reportagem do Jornal Nacional é realmente triste. E achei mais triste ainda a fala final da Renata Vasconcellos: “O governo do Amapá anunciou que um grupo vai estudar as causas do fim do fenômeno”. Mas só agora? Duvido que o fenômeno parou de acontecer de repente.

pororca

https://flic.kr/p/QwKKB (CC BY-NC-ND 2.0)

Código Florestal, animais abandonados…

#CodigoFlorestal3Anos

Semana passada fui num evento da ONG Iniciativa Verde sobre os 3 anos do Código Florestal. E pra variar é só desgosto que me acompanha. Se cumprir o antigo código florestal era difícil pois era muito restritivo esse novo não está sendo das tarefas mais fáceis, mesmo depois de 3 anos. Quando o Brasil vai conseguir cumprir as leis que inventa? Perguntei no twitter e continuo com a dúvida, de que adianta ter o “código florestal mais abrangente do mundo” (palavras de um dos participantes do evento) se a gente não consegue fazê-lo funcionar? Fizemos um novo código florestal para continuar tudo igual? Parece que sim…

Outra coisa do evento… A representante da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de SP falou do Programa Nascentes, fiquei até otimista, mas quando perguntei dos dados e resultados do programa, descobri que ele começou a ser implantado em abril desse ano e o decreto que deu origem a ele é do fim de fevereiro, ou seja, não há dados a apresentar, no máximo metas. Esse programa é a extensão de um outro programa chamado Programa Mata Ciliar que existe (pelo menos em decreto) desde de junho de 2014. Ou seja, a ideia que fica é que o governo do Estado só começou a se preocupar em preservar, recuperar e cuidar de matas ciliares e bacias formadoras de mananciais depois da crise iniciada ano passado. Nem preciso comentar, né?

E pra terminar ainda tivemos que ouvir que os produtores rurais precisam da ajuda de 200 bilhões de reais para poder cumprir o código florestal. Não sei exatamente de quem foi essa fala, se d@ representante da Associação Brasileira do Agronegócio ou se da Sociedade Rural Brasileira, mas isso soa pra mim quase como chantagem… É assim que os ruralistas veem o meio ambiente.

Animais abandonados

Outro dia na página do Facebook da Secretaria do Verde e Meio Ambiente da cidade de São Paulo descubro que abandonaram um filhote de Tamanduá no Parque do Ibirapuera! Bom, se a humanidade é capaz de abandonar seus próprios animais de estimação, abandonar um animal selvagem num parque no meio da maior cidade da américa latina faz parte, né? A humanidade não para nunca de me surpreender…

tamanduá

Coisas sobre a água

A gente só tem que falar de água no Dia Internacional da Água? Obviamente que não e por isso resolvi fazer esse post no dia seguinte, depois de acompanhar várias coisas interessantes na TV Cultura, que teve programação especial por conta do dia, resolvi compartilhar aqui alguns vídeos bem legais sobre o assunto. Alguns em inglês, infelizmente, até tentei achar legendados, mas não encontrei.

https://flic.kr/p/pL7GK (CC BY-NC 2.0)

https://flic.kr/p/pL7GK (CC BY-NC 2.0)

Sobre a invenção que mais salva vidas no mundo (com a narração do Matt Damon):

Sobre a falta d´água no meu canal do youtube preferido e do “Scibling” Átila, do Rainha Vermelha (esse em português):

Um vídeo da minha ONG internacional preferida, Charity Water, video de 2011, mas que continua super atual (infelizmente). Já falei dessa ONG em outro post sobre água aqui no blog.

Esse vídeo me fez lembrar de um encontro ano passado que participei pelo #VivaPositivamente que falava sobre a importância da hidratação. Esse tem legendas em Português de Portugal.

A crise da água ou as consequências dela.

Então, de verdade, eu não sei o que escrever específicamente sobre a atual crise da água que o sudeste está passando. Tenho lido um monte de coisas, acompanhado vários movimentos e qualquer coisa que eu escreva me parecerá mais do mesmo e não precisamos disso (eu acho).

seca

Foto: https://flic.kr/p/7kVnCH (CC BY-NC 2.0)

 

O que me assola é ver algumas soluções que as pessoas estão buscando para a crise. Hoje fui numa confeitaria que eu gosto muito e um dos motivos que gosto dessa confeitaria é que eles não usam talheres de plástico (o pratinho infelizmente é de plástico, descartável :/), eis que peço um pedaço de bolo, um capuccino e tudo me aparece na mesa com talheres de plástico! Na hora de pagar reclamei e obviamente ouvi a desculpa que era para economizar água… Acrescentei que não adianta economizar água e gerar mais lixo, a pessoa que ouviu concordou, mas não soube dizer mais nada. Ouvi também de uma amiga que uma hamburgueria adotou a mesma estratégia, usar talheres de plástico para economizar água. Para tudo! Estamos tentando resolver um problema (a falta de água) gerando outro problema (aumento da quantidade de lixo), será que é muito difícil de perceber?

Pensar em como lavar louça gastando menos água ninguém faz, né? E sabe qual o meu maior medo nessa história de usar descartável? Virar a regra. Com o “conforto” de não ter que lavar mais a louça, mesmo que a situação da água se normalize os restaurantes vão continuar usando descartáveis porque é “mais prático”. Ai, os otimistas de plantão vão me dizer: “Mas Claudia, os descartáveis podem ser reciclados.” Ok, podem, mas quantos de fato serão? Segundo essa pesquisa apenas 17% dos municípios brasileiros tem coleta seletiva, e só para constar isso não quer dizer que essa coleta seletiva seja regra para 100% do lixo. Você realmente acredita que o que pode ser reciclado é de fato reciclado? Nem preciso comentar, né?

Bom, mas se a falta de água for severa como espero que seja (sim estou sendo pessismita) posso me tranquilizar por que nem restaurante aberto para ir teremos! Só por favor, não use descartáveis em casa.

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Reduza e compense – Santander Brasil* #eucompenso

* Este é um publieditorial.

Se você quiser compensar sua pegada de carbono você sabe como fazer? Sabe quem ou qual órgão procurar para fazer isso? Ou ainda de uma maneira bem caseira, você saberia quantas árvores deve plantar para compensar suas emissões durante o período de um ano? Tenho certeza que a maioria das pessoas não tem essa resposta e para ajudá-lo nessa empreitada o Santander lançou ano passado uma plataforma chamada Reduza e Compense.

Essa plataforma ajuda a calcular as suas emissões de carbono com transporte terrestre e aéreo e as suas emissões na sua residência com resíduos, aquecimento e eletricidade. Depois de calculado quantas toneladas de carbono você emitiu eles calculam o valor disso em R$ para que você possa comprar créditos de carbono e compensar a sua emissão. Esses créditos de carbono são originados de 3 projetos no Brasil: uma cerâmica do Oeste Paulista (Irmãos Fredi) que substituiu a madeira originária do desmatamento do cerrado por bagaço de cana-de-açúcar e serragem como combustível para seus fornos; uma outra cerâmica, essa na Amazônia (Cerâmica Menegalli) que deixou de usar lenha nativa em sua produção e passou a alimentar seus fornos com caroços de açaí e resíduos industriais e por fim um grupo de 3 cerâmicas do interior do Rio de Janeiro (Guaraí, Itabira e Santa Izabel) que substituiu o uso de combustíveis fósseis por resíduos industriais. Você pode escolher de qual projeto você quer comprar seus créditos e ai comprar por eles na própria plataforma. Por exemplo eu compensei todas as minha viagens aéreas de 2014, foram 0,93 toneladas, num total de R$14,88 e escolhi usar os créditos de carbono da cerâmica Irmãos Fredi (escolhi essa pois é aqui no Estado de SP). Segue o certificado que eu recebi depois do pagamento (clique na imagem para ver maior).

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Mas aí você me pergunta: “Claudia, isso não é tão 2010? Pegada de carbono, compensação de emissões, crédito de carbono? Faz tanto tempo que não se fala nisso que achei que isso nem era mais problema…” É car@ colega isso deixou de ser assunto porque o Protocolo de Kioto expirou e ninguém mais tem obrigação de compensar nada, nem tem metas nem nada, como ninguém manda e não tem mais “incentivo” dos governos parece até que o problema de emissões de carbono da humanidade está resolvido, né? Só que não! As emissões continuam aumentando (veja também esse infográfico), o clima continua mudando, mas os países continuam acreditando num milagre. Se você quer fazer a sua parte e não acredita que um milagre vai acontecer nos próximos anos, considerar compensar suas emissões de carbono pode ser uma boa ideia, se o governo ou a ONU não incentivam, você pode incentivar empresas a serem mais eficientes e emitirem menos carbono comprando os créditos de carbono delas.

Para estimular as pessoas a pensarem mais sobre o assunto o Santander resolveu compensar as emissões de carbono de  100 bilhões posts em redes sociais, até dezembro de 2015 (o que vier primeiro), basta usar a hashtag #eucompenso em posts públicos de qualquer rede social que esse post terá sua emissão de carbono compensada! Participe, é só usar a hashtag nas suas publicações!

COP-20 – Peru, Lima

Só hoje me dei conta que tem 2 anos que o protocolo de Kioto expirou e simplesmente não há mais metas para redução de emissões de carbono. Bom, não que essas metas algum dia de fato fizeram muita diferença no mundo (já que o principal emissor não tinha meta nenhuma), mas pelo menos existia um compromisso assinado, né? Agora ninguém tem…

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Abertura da COP-20 Foto: https:[email protected]/15736749298/in/set-72157649549283121

E dezembro chegou e mais uma COP começa, dessa vez aqui na América do Sul, em Lima no Peru. E as poucas notícias que li dizem que desse encontro sai um rascunho de acordo e que provavelmente será assinado no ano quem vem na COP-21 em Paris para então entrar em vigor só em 2020.

Ai você como eu se pergunta: mas por que isso demora tanto? Ensaio de acordo pra ser assinado daqui um ano para entrar em vigor daqui 6 anos? O que essa gente espera que aconteça até lá? Aliás, o que essa gente tá esperando desde 2012 quando o protocolo de Kioto expirou? Um milagre! Literalmente um milagre! Sério gente é isso que eles pensam… Vamos empurrando o problema até que uma tecnologia barata e simples surja, vamos administrando as emissões aqui e ali até que os cientistas encontrem a solução para o problema. Simples assim.

Só eu mesmo na minha santa ingenuidade acreditava que eles queriam salvar o clima do planeta! Olha, eles talvez até queiram, mas não querem gastar nenhum dinheiro com isso (de preferência querem ganhar muito dinheiro com isso) e não querem mudar nada. Mudar matriz energética? Poxa, trabalhão, hein? (leia-se quanto custo!) Diminuir consumo? Pirou? Como ganhar dinheiro sem mais consumo? É aquela velha história: tudo deve mudar para que tudo permaneça como está.

Claudia Chow, tentando entender conferências do clima desde a COP-15.

Experiência Schumacher Brasil

A Experiência Schumacher que vivi é de fato uma experiência, esquece, não é necessariamente um curso, não são necessariamente aulas com super conteúdos, não do jeito que você está acostumado. Quando alguém me pergunta como foi eu não tenho uma resposta rápida, simples ou fácil. Sei dizer com precisão que o exercício de tango (sim, a dança) e complexidade foi sensacional, nunca pensei que pudesse relacionar dança com os mais variados relacionamentos que temos na vida, foi enriquecedor.

Entendi muita coisa da essência do Schumacher College, eles são mais do que uma escola ou um local em que as pessoas vão para aprender conteúdos, percebi que eles são uma comunidade, são um jeito de viver e ver o mundo, é muito mais que um conceito, é um jeito de ser, cheio de tradições e algumas manias, mas bem diferente do jeito dentro da caixa que estamos acostumados a ver por ai… Chega a rolar um viés de que tudo que rola lá é legal, bom e bem feito? Sim, eu senti isso, mas pode ser impressão, também não cheguei a perguntar para ninguém que fez algum curso lá se tinha alguma coisa de ruim, tá aí uma coisa para perguntar pra eles.

O que de fato fizemos lá? Além de tratar de assuntos como Complexidade (aprendendo com ajuda do tango), Economia para transição e Ecologia profunda ajudamos a fazer as refeições sob a batuta de uma chef do movimento Slow Food, Claudia Mattos, conhecemos a experiência da Fazenda da Toca com a biodinâmica, demos uma ajuda nos jardins da escola  mantida pela Fazenda da Toca para os filhos de funcionários.

O único tópico abordado que mais pareceu com aula foi a economia para transição, Mari del Mar e Tomas de Lara fizeram apresentações ótimas e ainda tivemos a participação de um dos professores lá da Inglaterra, o Tim Cabtree, via skype.

Para termos uma noção de ecologia profunda fizemos uma caminhada chamada “Deep Time Walk” que relaciona nossa distância percorrida com a linha do tempo de formação do planeta terra. Nessa parte eu até dei uma ajudinha com meus conhecimentos geológicos. [fora do assunto] depois dessa “aula” descobri esse aplicativo sensacional que mostra bem como foi a evolução da terra e a formação dos continentes. [fora do assunto]. Fiquei surpresa de ver a surpresa das pessoas quando ela se dão conta de como é pífio o tempo que o ser humano existe no Planeta, esse é o meu viés geológico, passei 5 anos lidando com essa informação que acho estranho quando as pessoas se dão conta disso…

Schumacher Experience 10

Foto: Fernanda Freire.

Foi uma experiência rica, super válido ver um monte de gente que também tem inquietações parecidas com a sua, que sofre as contradições do mundo e está tentando a lidar com elas de maneira mais leve e com menos sofrimento. Conhecer a Fazenda da Toca também trouxe muito dessas inquietações e contradições do mundo, questões como é possível ser orgânico em escala industrial? Até que ponto vale ser orgânico em escala industrial? A biodinâmica, permacultura cabe nessa escala? Dá lucro? Pra quem?

Ano que vem está sendo desenhado um Certificado em Ciências Holísticas e Economia para Transição, será uma versão estendida dos temas que exploramos nessa experiencia que participei. Ainda não tenho maiores detalhes, mas compartilho quando tiver.

O fato de termos algo como o Schumacher College aqui no Brasil me enche de alegria, assim mais gente pode ter acesso e compartilhar dessa experiência sem a desculpa de que é inglês, é muito longe ou em outro país.

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