Não existe resposta fácil

Se alguém disser que tem a solução fácil para algum problema difícil da humanidade duvide, a cada dia que passa só me convenço que viver em sociedade num planeta com alguns bilhões de seres humanos não tem solução rápida e fácil para nenhuma questão.

Sempre penso sobre isso depois que leio os posts do Sakamoto, concordo com quase tudo que ele escreve e a grande maioria das coisas que ele escreve me deixa deprimida pois só me faz chegar a conclusão de que falhamos como sociedade, falhamos como humanidade, deixamos que pessoas sejam escravizadas seja por outros seres humanos, seja para comprar, ter bens de consumo que na grande maioria das vezes poderiam viver bem sem, deixamos que animais de estimação ocupem muitas vezes lugares mais importantes que o de muitos seres humanos, deixamos de dar educação, oportunidade e informação para uma parcela enorme das pessoas e deixamos que o machismo, o fanatismo e a ignorância tomem conta de tudo. Parece exagerado? Mas não é, pense num grande problema da humanidade hoje, qualquer um, a razão pela qual estamos passando por esse problema se explica pela nossa falha como sociedade.

Vamos pensar num problema do mundo hoje: aquecimento global. Solução? Diminuir consumo? Pensa que é fácil convencer as pessoas que não podem mais trabalhar de carro, que é melhor não usar o ar condicionado ou devem comer menos carne? Ah, sim, tem uma enorme parcela da população que ainda não tem carro próprio, não imaginam o que seja um ar condicionado e comem carne uma vez por semana, se é que comem. E há quem diga que usar menos sacolas plásticas pode ajudar…

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Com tantos problemas saltando aos olhos todos os dias nas manchetes brasileiras e ver as pessoas sugerindo respostas fáceis para cada um desses problemas me causa mais depressão ainda e só mostra o quanto seres humanos são imediatistas e que querem acreditar que é fácil resolver problemas como violência, aborto, trabalho escravo, drogas, aquecimento global, etc. Bom, do melhor jeito não é fácil, mas se você quer apenas que o problema desapareça da sua vista, pode ser que sua solução fácil seja suficiente.

Será que estou entrando em outra fase como a que passei em 2008? É a fase dos 6 anos de blog? Espero que passe e eu possa voltar a ser mais otimista.

A dúvida

sacrificio

Foto: cortesia Andrea Corsi

Esses dias estou a pensar se as poucas coisas que eu acho que faço a favor do meio-ambiente, como consumir menos, por exemplo, realmente faz alguma diferença. De verdade a única diferença que eu tenho sentido é a minha insatisfação e sensação de impotência.

Por exemplo, eu não troco meu telefone celular faz 3 anos, ao longo de 7 anos, tive três aparelhos, 1 está engavetado, meio capenga, mas ainda funcionando, o outro em uso com meu irmão e o atual comigo. Pois bem, até penso em trocar de aparelho, mas eu fico com peso na consciência pois estou substituindo um item que ainda está em funcionamento, e me pergunto se realmente é necessário. Só que ao me redor parece que eu sou a única pessoa que pensa alguma vez antes de trocar seu aparelho celular… As pessoas simplesmente trocam seus aparelhos, por que apareceu um modelo novo mais legal, por que a bateria acabou, por que o atual aparelho tá velho ou por que deu vontade…

Outra coisa, comida… Só eu me privo de comer salmão, cação, frango, aquele sorvete Melona, o Häagen-Dazs e outras tantas coisinhas porque considero a pegada de carbono, ou a biodiversidade, ou o mínimo de respeito aos animais, nao vejo ninguém por ai dizendo que não come camarão por princípios, aliás a única coisa que eu já ouvi alguém dizendo é que não come é foie gras, que convenhamos, não acho que faça parte do prato cotidiano de muitos brasileiros.

Me pergunto: toda essa chatice minha serve pra quê? Para fazer parte do clube das pessoas que se sacrificam em prol de um mundo melhor e não ganham nada com isso? De verdade eu não vou dormir mais feliz por causa disso, nem me sinto uma pessoa que faz alguma diferença no mundo. É, talvez tudo isso seja uma grande bobagem mesmo e eu tô me sacrificando à toa.

Ser sustentável é difícil, acredite!

4597080456_dc0820dbb8_b Imagem: http://goo.gl/UMfKX

Quantas pessoas você conhece que podem ser consideradas preocupadas com a causa ambiental? Eu conheço poucas, mas poucas mesmo, aliás, devo conhecer muitas que se preocupam, mas por preguiça, desinteresse ou desinformação (quero muito acreditar que é pelo terceiro motivo) fazem pouco ou fazem pela metade.

Outro dia li num comentário de algum vídeo que as pessoas eram hipócritas pois não trocavam o prato num restaurante de buffet para evitar lavar mais um prato, mas quando iam tomar banho ligavam o chuveiro e ficava brincando com o cachorro ao invés de entrar logo no banho. Bom, já ouvi dizer que essa de não trocar de prato é lenda pois ao usar o mesmo prato você aumenta a chance de contaminação e é preferível gastar mais água que a chance de transmissão de doenças entre as pessoas e/ou estragar a comida.

Mas esse tipo de exemplo é o mais comum de se ver. Eu por exemplo conheço pessoas que separam o lixo de casa, mas vão de carro na padaria da esquina, ou ainda separam o lixo da cozinha, mas esquecem do lixo do resto da casa, como por exemplo o rolo de papelão do papel higiênico, a embalagem do shampoo ou o papel da mala direta que chegou pelo correio. Compram comida orgânica, mas deixam todas as luzes da casa acesa o tempo todo. Não comem carne vermelha por conta do desmatamento ou pelos maus tratos dos animais, mas comem salmão que vem lá do Chile e deve ter uma pegada de carbono monstro

E ai, como faz? Não faz nada já que fazer tudo beira o impossível? Eu não tenho essa resposta, mas acho que se você quer ser ecologicamente correto e todo o blablabla que foi criado de uns tempos pra cá por conta do aquecimento global, da sustentabilidade, da responsabilidade socioambiental, comece a prestar atenção em TODAS as suas ações e tente reformá-las, eu tenho plena consciência que não é nada fácil, eu mesma não dou conta de tudo por uma série de motivos e tenho alguns dos meus pecados ambientais confessados. O que não dá é pra ser ecochato, encher a boca para dar sermão nas pessoas que não fazem isso ou aquilo sabendo que ninguém é capaz de ser impacto zero e ações individuais e isoladas significam pouco para mudar de fato os rumos da humanidade.

Perguntas que eu não sei a resposta

Ser ambientamente correto, responsável e sustentável não é das tarefas mais fáceis que existe, sempre existirá uma dúvida, uma incerteza e nenhuma prova de que a opção que você escolher é de fato a melhor. Na maioria das vezes você tem apenas o bom-senso.

Eis algumas perguntas que eu não sei a resposta e espero que alguém me ajude a respondê-las. Talvez até faça um post de cada uma delas para tentar encontrar a melhor solução. Em itálico coloquei minhas respostas rápidas baseadas em bom-senso, mas não tenho nada que as comprove como de fato uma melhor opção.

  • Qual a melhor opção produtos orgânicos de longe ou produtos normais de perto? Normais próximos à minha casa, baixa pegada de carbono, apesar do impacto que os agrotóxicos possam ter no ambiente e na minha saúde.
  • Lenços/ guardanapos de papel ou de pano? Esse texto tenta ajudar na resposta, mas não me convenceu muito (em inglês). Como na conclusão do texto também acho que depende, mas em restaurante por exemplo sempre prefiro (quando tenho opção) guardanapos de pano.
  • Carros elétricos são realmente a melhor opção quando a matriz energética é suja (petróleo, carvão)? Eu ACHO que não, mas é apenas achismo.
  • Xícaras de porcelana/cerâmica são realmente a melhor opção quando se recicla os copinhos de plástico? Porcela/cerâmica não se recicla e também são materiais não renováveis. Essa pergunta eu não faço idéia da melhor opção, ainda mais com o condicionante de se reciclar os copinhos plásticos.
  • A água gasta para lavar canecas compensa o uso delas? Não sei mesmo! Materiais novos x água é sempre uma dúvida cruel pra mim…
  • Compensa trocar produtos velhos (geladeira, ar condicionado, carro) com baixa eficiência energética por novos e que gastem menos energia? A princípio sim para diminuir o consumo de energia, mas e o lixo gerado com os produtos velhos? Quem cuida?
  • Usar papel higiênico ou ducha na hora de usar o banheiro? Essa dúvida se responde com outra pergunta: O que é mais barato tratar água ou fazer papel? Bom, papel gera lixo, mas também pode virar energia ou humus... (colaboração do amigo Igor Santos).

Provavelmente deve ter mais 1001 dúvidas que passam pela minha cabeça, mas no momento são essas que me lembro. A Tatiana Nahas, do Ciência na Mídia também levantou questões sem respostas bem interessantes no post o lixo, o consumo e a matemática.

Embalagens

Recebi esse mail e achei muito interessante, será que alguma Cia aérea está pensando a respeito? E não são só as Cias aéreas, as Cias de ônibus estão igualzinhas, utilizando até as mesmas marcas dos produtos. Uma dessas marcas por exemplo até hoje ainda mantém as gorduras trans nos seus produtos, provavelmente suas vendas para as cias de ônibus e aéreas são tão maiores que a dos consumidores normais que ela nem se preocupou com esse detalhe. E geralmente os viajantes não pensam muito antes de aceitarem os “lanchinhos”.

Segue o mail… Com autorização do seu autor para a publicação, sintam-se livres para reprodução…

Amigos/as

Compartilho com vocês uma mensagem que acabo de enviar a uma
companhia aérea. Como aguardo a resposta, vou omitir o nome da
empresa e a marca dos produtos mencionados.

Prezado Sr.

No dia 27/09/2007 viajei por esta companhia de Fortaleza a Curitiba,
com conexão em Brasília. Num dos trechos foi servido um café da
manhã. Gostaria de ponderar alguns detalhes acerca das embalagens e
dos conteúdos.

O conjunto se compunha de:
* 1 embalagem plástica quadriculada;
* 1 bandeja plástica transparente para acondicionar os demais itens;
* 1 embalagem plástica transparente para acondicionar uma faca
plástica e um guardanapo;
* 1 embalagem plástica para acondicionar duas torradas (15 gr.de
alimento);
* 1 embalagem plástica para acondicionar uma bolacha recheada (30 gr.
de alimento);
* 1 embalagem plástica para acondicionar um cubinho de requeijão (20
gr. de alimento);
* 1 embalagem plástica de um potinho de marmelada (15 gr. de
alimento);

Ao todo foram 80 gramas de alimento e 7 embalagens plásticas, somadas
a uma faquinha plástica, um copo plástico e um guardanapo de papel.

Abrindo-se o conjunto das embalagens em uma superfície plana e
colocando-as uma ao lado da outra podemos formar com essas embalagens
e recipientes uma espécie de quadrado, medindo 50 cm por 45cm.

Para ficarmos apenas nos itens plásticos, deixando de lado a área do
guardanapo de papel, temos uma superfície de quase meio metro
quadrado de lixo gerado por passageiro para a ingestão de 80 gramas
de alimento.

Ora, de janeiro a março do ano passado (2006) esta companhia
transportou 5,55 milhões de passageiros. Se esse nível se mantivesse
(não sei se o foi ou foi superado) até o final do ano, ela teria
transportado 22,2 milhões de passageiros. Mas como em muitos vôos há
escalas e conexões e o serviço de bordo é repetido, o número de
lanches servidos seria bem maior que 22 milhões. E igualmente a
superfície de lixo plástico gerada.

Mas considerando que cada passageiro fosse servido apenas uma vez,
independentemente das escalas e conexões, e que o meio metro quadrado
de plásticos de cada um fosse colocado um ao lado do outro, formando
uma espécie de passarela de meio metro de largura, teríamos uma
trilha de 11 milhões de metros de comprimento ou, o que dá no mesmo,
de 11.000 quilometros. Como a costa brasileira mede 9.198 km –
considerando todos os recortes do litoral – o lixo plástico gerado em
um ano pela companhia permitiria formar uma passarela acompanhando
toda a costa do país e ainda sobraria quase dois mil quilometros!

Se considerarmos ainda que o diâmetro equatorial da Terra é de 12.756
km, com as embalagens plásticas do serviço de bordo descartadas pela
companhia em 14 (quatorze) meses seria possível concluir uma
passarela de embalagens plásticas abertas que daria uma volta
completa no planeta. Isso considerando apenas um serviço de bordo por
passageiro, como detalhado acima, sem contar os serviços de bordo das
escalas e conexões.

Ao final dessas considerações, a minha pergunta é muito simples: não
é possível encontrar uma solução mais ecológica para embalar 80
gramas de alimento?

Atenciosamente,

Euclides André Mance
[email protected]

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