Jogos Olímpicos Rio 2016

E para completar o ciclo de trabalho voluntário em grandes eventos (voluntariei na Rio+20 e na Copa do Mundo), obviamente que estava nas Olimpíadas Rio 2016.

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Após o evento fiquei com vários tópicos na minha cabeça para talvez escrever aqui, não tinha certeza se faria, mas depois de ler Rio 2016 Olympics: A sustainability summary achei que valia contar um pouco do que vi lá.

Esse texto da Ann Duffy é super otimista com relação aos jogos e todas as ações de sustentabilidade que foram feitas ao longo do planejamento dos jogos (falei um pouco disso quando visitei o Comitê em 2014). Mas o que me intrigou mesmo é a realização dos jogos em si, o evento durante e como o tema resíduo foi encarado.

Quando fiz a minha primeira caminhada no Parque Olímpico no primeiro domingo dos jogos a tarde meu primeiro choque foi a quantidade de gente que tinha ali. Sinceramente, fiquei assustada, aquilo parecia um formigueiro de gente e o primeiro pensamento que me veio a cabeça foi: um grande evento nunca será sustentável. Reunir aquela quantidade absurda de gente de todos os cantos do mundo, hospedá-las, alimentá-las e transportá-las é algo sem noção e insustentável.

Eu trabalhei no estádio da Lagoa, na equipe da área de protocolo que consistia em receber os membros da família olímpica (leia-se membros dos comitês olímpicos nacionais e internacionais, membros das federações de esporte, ministros, chefes de estado, etc), cuidar do local onde eles se reuniam (um lounge que cabia umas 100 pessoas) e organizar e indicar os assentos dessas pessoas para assistir a competição, ao todo éramos uns 20 voluntários, comandados por 2 funcionários contratados do comitê organizador. Qual o maior problema ambiental dessa operação? Resíduos. Nesse lounge tinha bebidas do patrocinador a vontade e algumas comidas. Tínhamos lixeira de recicláveis e não recicláveis, adivinha se respeitavam? Muitos até tentavam, mas e a garrafa meio cheia que não foi consumida até o fim o que fazer, lixeira de reciclável ou orgânicos? Inúmeras vezes me vi na dúvida: copo sujo de refrigerante vai em qual lixeira? Coisas que poderia ser planejadas como não usar descartáveis não foi algo pensado, pergunta se os copos, pratos e tralheres eram descartáveis? Claro! Coisas banais como essas ninguém pensou para diminuir a quantidade de resíduo gerado. Me doía o coração cada vez que eu via as lixeiras com os resíuos todos misturados e uma garrafa de refrigerante cheia até a metade sem saber em qual das lixeiras usar… (Pra esse “problema” mostrei aqui a solução encontrada por um shopping em São José dos Campos.)

E os resíduos do almoço dos voluntários e funcionários? Prato, copo, talheres descartáveis e uma lixeira única com tudo misturado. Mas a carne que comemos não era proveniente de desmatamento e o peixe era sustentável. É o que dá pra fazer num evento dessa magnitude. Tá bom, é suficiente? Não tenho a resposta. Essas são as experiências que eu vivi no Estádio da Lagoa, o evento tinha instalações em tantos outros locais e não sei como funcionou em cada um deles, pode ser que tenha sido melhor ou pior, esse foi a única amostra que eu coletei.

Achei essa reportagem do The Guardian, contam da utilização dos catadores para a gestão dos resíduos durante os jogos. Mas duvido que o lixo gerado no meu almoço tenha ido parar em alguma coperativa, tenho quase certeza que foi tudo parar no aterro com garrafas, talheres e pratos de plásticos que em tese deveriam ser reciclados. Afinal, ninguém merece ter que revirar o lixo sujo de comida e bebida de niguém para retirar os descartáveis, nem pelos R$80 por dia pagos pelo comitê organizador.

Por que o lixo é tão negligenciado? Por que acreditam que colocar 2 tipos de lixeiras e chamar os catadores ou cooperativas de catadores o problema tá resolvido e equacionado? É impressão minha ou numa escala de prioridades o lixo sempre vem em último? Será que foi muito diferente em Londres, Pequim ou Atenas?

O cinismo da humanidade com relação ao lixo tem que mudar, ou vamos eternamente fingir que o lixo não existe e não nos pertence uma vez que o colocamos numa lata de lixo?

O que aprendi hoje

Hoje teve evento: “Implicações e oportunidades para o meio empresarial diante da nova INDC brasileira”

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Ai alguns dos meus tweets durante o evento:

 

A coisa foi toda meio esquizofrênica, comecei ouvindo que somos uma potência ambiental e somos respeitados por isso no mundo todo. Mas pra isso ser verdade acho que a gente não deveria ter sujado a nossa matriz energética, né não? Ouvi lá que a Alemanha aproveita mais a energia solar do que nós e o melhor potencial de incidencia solar deles não chega nem perto do nosso pior índice de incidência solar. E mesmo assim somos considerados uma potência ambiental mundial? Mas o mundo vai mal mesmo, hein?

Mas os aprendizados do dia foram:

Para as empresas mudanças climáticas resumem-se a energia e pelo visto essa é a única e maior contribuição que eles podem fazer por que o evento SÓ falou disso. Pra você ter uma noção de como o assunto do evento foi energia só o Ministro de Minas e Energia estava presente apesar da Ministra de Meio Ambiente e o Ministro da Fazenda também terem sido convidados.

E para o governo mudanças climáticas não é um problema ambiental e sim de desenvolvimento. Isso explica muita coisa do que temos vistos diante dos nossos problemas ambientais, né não?

E Boa COP-21 para todos!

Sustainable Brands

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Sustainable Brands é uma comunidade Global que desde 2006 tenta inspirar, engajar e equipar líderes de negócios e marcas de hoje para prosperar no curto e longo prazo, abrindo o caminho para um futuro sustentável abundante. Eles promovem eventos no mundo todo, já teve um no Rio mês passado e agora em junho é a vez de San Diego ai passeando pelo site vi que tem uma lista das empresas que vão participar e quais representantes das empresas vão estar presente. Achei interessante ver quais os cargos as pessoas ocupam das empresas que vão para esses eventos, por exemplo a Natura só disse que quem vai é o time, o que não diz nada, mas por exemplo a Patagônia (uma das marcas sustentáveis que mais respeito) vai mandar o VP de iniciativas ambientais (VP, Environmental Initiatives).

A Coca-cola vai mandar os Director Sustainability Communications, General Manager-Slingshot/EKOCENTER, Global Director-Human & Cultural Insights, Global Senior Marketing Sustainability Director, Global Sustainability Director-Packaging, Group Sustainability Director e Director, Sustainability – Eurasia & Africa, pelo visto a Coca tem um departamento de sustentabilidade bem forte. Já a concorrente Pepsico vai mandar só o Program Director, PepsiCo Recycling, será que a Pepsico só vai marcar presença porque a concorrente é uma das patrocinadoras do evento ou pra ela sustentabilidade se resume a reciclagem?

O interessante por exemplo é o Citibank que vai mandar o Head of Creative and Media, a Nestle América do Norte que vai mandar o Chief Procurement Officer e Nestle Purina (o braço de rações da empresa) que será representada pelo Brand Manager.

A Apple que lançou uma propaganda no dia da Terra se insinuando mais verde que a concorrente Samsung não está na lista de confirmados, nem a  Samsung.

O que me surpreendeu positivamente foi ver a participação da cidade de Palo Alto, na Califórnia, mandando seu Chief Sustainability Officer, achei sensacional uma cidade ter um posto como esse.

Eu sei que provavelmente a participação das empresas nesse evento não irá se resumir ao que está apresentado nessa lista e que também essa lista pouco representa de fato como a empresa leva o tema sustentabilidade na real, mas que é uma amostra interessante isso não deixa dúvidas.

P.S.1: Não traduzi a maioria dos cargos por que achei que deixar no original dá uma noção melhor.

P.S.:2: A Aline do Inspiração Sustentável esteve no evento do Rio e estamos aguardando os posts para sabermos como foi.

Blogueiros que estiveram no evento e fizeram seu relato:

Sustainable Brands Rio 2014

Injeção de inspiração no Sustainable Brands 2014!

Reimagine, Redesenhe, Regenere e Empreenda: Sustainable Brands Rio 2014

Um grande evento depois de 4 anos

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Lembro-me que o último grande evento que participei com a temática de meio ambiente, sustentabilidade e afins foi há 4 anos, a Conferência Ethos de 2010. Essa semana que passou estive no 8o Congresso Gife, como já tinha falado aqui. Pois bem, o que mudou sobre a “arte de fazer congressos” nesses 4 anos? Basicamente nada, ou quase nada, continuamos no mesmo modelo de palestras, mesas redondas, oficinas (essas um pouco mais práticas) e plenárias (que nada mais é que um nome diferente para palestras e mesas redondas, talvez só mude o tamanho da plateia). Nesse evento em si teve o diferencial da programação aberta, eventos organizados por outras instituições geralmente na parte da manhã ou da noite (antes ou depois da programação oficial do congresso), todos de graça e sem a necessidade de estar inscrito no Congresso. Foi o caso por exemplo da palestra do Professor Jeffery Sachs que aconteceu no dia 19 à noite.

E os assuntos, temas e abordagens? Apesar de ser um congresso sobre investimento social de impacto a sustentabilidade sempre permeia os debates, mas ainda vi departamento de sustentabilidade ligado ao departamento de marketing que por sua vez estava ligado à Fundação ou o Instituto da empresa (achava q 4 anos depois coisas do tipo estavam mudando). Vi alguns cases e a grande esmagadora maioria é sobre educação e de verdade tem algo de errado com todo esse investimento. Não sei se ele é pequeno demais diante do tamanho do Brasil, se é mal empregado ou se os institutos/ fundações propagandeiam mais do que realmente fazem pois os nossos índices de educação são sempre bem vergonhosos, todo esse investimento não faz nem cócegas no nosso problema? É para pensar. Fiquei com a mesma sensação que tive quando o li o livro Doar do Bill Clinton, tanto investimento, tanto dinheiro e a sensação que temos é que  estamos bem longe de sermos o que sonhamos como nação. Será que meu sonho é muito exigente?

Um evento desses é válido pois trás as novidades do  mundo a fora,  como por exemplo a pesquisadora de Stanford Lucy Bernholz (@p2173) que pesquisa sobre o business das doações e é responsável pelo Laboratorio Digital da Sociedade Civil na mesma Universidade, nas falas dela que ouvi ela trouxe temas interessantes como a economia compartilhada e a mudança de comportamento da sociedade com as novas tecnologias. Ela ainda propôs numa roda de conversa criar uma publicação sobre o campo social brasileiro.

Gosto muito desses eventos, mas eles acabam comigo, na metade do segundo dia já me sinto esgotada de tanta informação recebida, não consegui ir no terceiro e último dia e me sinto arrependida até, mas não tenho certeza se iria aproveitar como deveria. Penso que esses eventos são de extrema importância pelos mais variados motivos e talvez dessa vez a minha sensação de que os assuntos debatibos e conversados lá  vão ainda que minimanente sair daquelas paredes me deixou mais otimista.

Eventos

Se antes os eventos do tema sustentabilidade tinham sustentável no nome hoje em dia eles ficaram um pouco  mais elaborados e na minha caixa postal tem sempre algum evento com investimentos, negócios e impacto nos nomes. É o caso do 4o Foro Latino Americano de Inversión de Impacto, promovido pela New Ventures México, dias 18, 19 e 20 de fevereiro em Mérida, no México e 8o Congresso Gife – Por um investimento social transformador, promovido pelo Gife, dias 19, 20 e 21 de março em São Paulo.

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No caso do evento no México eu não irei participar, mas a ideia de reunir toda a América Latina para falar investimentos de impacto me pareceu bem empolgante, a New Ventures é uma instituição sem fins lucrativos com o intuito de acelerar negócios sustentáveis. Parece que eles terão um livestreaming, vou tentar acompanhar.

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Já o Congresso Gife vou fazer parte da rede de comunicação e mobilização, vou participar do evento e fazer uma cobertura in loco. O Gife é uma rede de instituições que investem em projetos de finalidade pública e tem como missão aperfeiçoar e difundir conceitos e práticas do uso de recursos privados para o desenvolvimento do bem comum. Ou seja, é o grupo das fundações e institutos das empresas querendo entender e saber como e quanto cada uma delas investe no social. São mais de 100 instituições nessa rede.

Dois eventos sobre investimentos para um mundo melhor. Será que esses investimentos ainda não chegam nem perto do que precisamos e só vamos conseguir o tão sonhado mundo melhor quando instituições como essa pararem de bater seus próprios recordes de lucro?

Rio+20 – Eventos Paralelos

Portugese

Durante o evento no Riocentro um milhão de coisas aconteceram na cidade sobre o mesmo tema ao mesmo tempo e claro que trabalhando todos os dias no Parque dos Atletas pedir muita coisa. Consegui ir 1 dia no Forum on Science, Technology and Innovation for Sustainable Development. Eles estavam com transmissão ao vivo pela internet o que eu achei ótimo, apesar de não ter conseguido acompanhar muita coisa. Aliás se você quiser assistir os videos já estão disponíveis aqui. Como eu só fui em um dos paineis não posso falar do evento como um todo, mas pelos comentários que vi na rede acho que foi bastante proveitoso. O presidente do Conselho Internacional para a Ciência chegou a uma conclusão óbvia para mim: “A evidência científica demonstra de forma convincente que o nosso modo de desenvolvimento está a minar a resistência do nosso planeta “, disse Yuan Tseh Lee, presidente do International Council for Science (ICSU). “Temos de encontrar um caminho diferente para um futuro seguro e próspero. Com todo o conhecimento e criatividade que temos é absolutamente possível. Mas estamos correndo contra o tempo. Precisamos de uma liderança real, soluções práticas, e ação concreta para definir o nosso mundo em um caminho sustentável. ” Pra quem a gente precisa endereçar essa conclusão para que as coisas aconteçam mais rápido? Bom, nesse caso só consigo concluir que a humanidade anda a passos de formiga, infelizmente.

Também fui visitar a exposição Humanindade 2012 no Forte de Copacabana, adorei a exposição e pelo visto não fui a única pois as pessoas estavam esperando até 2 horas para pode visitá-la. Uma pena que só durou o período do evento. Veja algumas fotos e um videozinho que fiz em uma das salas.

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Também fui no Rio+Social, teve um monte de gente legal, paineis interessantes, mas foi tudo muito rápido, um monte de gente legal falando por um tempo curtinho, isso me decepcionou bastante, mas não deixou de ser bom. Um evento que tem nomes como Muhammad Yunus, Ted Turner, Richard Branson, Ronaldo Lemos, Matthew Shirts, Pete Cashmore, Fabien Cousteau, Gro Brudtland, entre outros, não pode ser um evento ruim, né?

O discurso da Severn Suzuki foi feito colaborativamente, você podia mandar seu twitt com o que achava que era importante ser lembrado e uma equipe elaborou o texto a partir dos twitts, veja como ficou o discurso:

Eu não fui na Youth Blast, nem na Cúpula dos Povos, mas Bibiana Maia foi e também tá contando aos poucos lá no blog dela. A Aline Kelly também conta sobre a experiência dela na Rio+20 e ambas só foram nos eventos paralelos.

Rio+20–Comida, Consumo e Comportamento

Portugese

De todos os posts que eu me propus a escrever esse me pareceu o mais fácil de começar, vamos lá.

Um dos pontos que ouvi muita reclamação foram as praças de alimentação, todas com preço altos e com poucas opções verdadeiramente sustentáveis ou saudáveis, mas lá no Rio Centro o pessoal tinha uma opção a mais, uma pequena loja do supermercado Pão de Açúcar, com opções a um preço como os das lojas fora do evento e com produtos locais, naturais ou orgânicos e brasileiros. Senti inveja de quem estava no Riocentro por eles terem essa opção, achei a sacada dessa loja sensacional, tentei encontrar alguma coisa na internet que falasse mais disso, mas não vi nada (olha só como eles estão perdendo a oportunidade…). Antes que falem que o Pão de Açúcar é um supermercado caro eu quero dizer que dentro das opções dadas na praça de alimentação do Rio Centro essa era a mais coerente com o evento, afinal esse era um evento sobre desenvolvimento sustentável e não vender somente fast food e comidas de puro carboidratos já é um bom começo. Infelizmente não tirei fotos, mas pelo que ouvi dizer, foi um sucesso.

Em alguns momentos essa conferência não se diferencia em nada de outras que eu já foi por ai, tem um monte de stands e um monte de gente e não pude deixar de reparar em como o lixo foi tratado (pelo menos no parque dos atletas). Na maioria dos locais você via 2 tipo de lixeira, uma azul para materiais recicláveis e uma cinza para materiais não recicláveis e as vezes uma laranja para pilhas e baterias. Bem fácil, nao? É a separação que eu faço aqui em casa, mas quem disse que as pessoas sabem ou se preocupam com em jogar o lixo certo no lugar certo? Como já disse, as pessoas precisam mudar a relação delas com o lixo para ai sim vermos a coleta ser efetiva por aqui.

Lixeiras - rio+20

Lixeira cinza de materiais não recicláveis e lixeira azul para materiais recicláveis. Reparem que até a cor do saco de lixo é diferente.

Lixo - Rio+20

Material dentro da lixeira de materiais não recicláveis

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Material dentro da lixeira de materiais recicláveis

Uma coisa que me deixou chocada foi o desespero das pessoas por brindes! Impressionante! Cheguei a ter momentos de vergonha alheia ao ver os brasileiros esfomeados por pen-drives, ecobags, mudas de plantas, bibelôs e coisas afins, como queremos um mundo com menos consumismo se as pessoas querem qualquer quinquilharia desde que seja de graça (ou talvez só por ser barato demais)?

Vi gente reclamando do excesso de papel do evento, mas enquanto reclamava disso estava carregando sacolas e sacolas cheia deles… Bom, se papel realmente te encomoda recuse-os, mas eu ouvi: ah, mas eu queria a informação e não tinha de outro jeito, bom, é fácil colocar a culpa nos outros, né? Eu numa situação dessas recusaria o papel e ainda diria para a pessoa por que estava recusando ou simplesmente pegaria e não reclamaria depois, acredito que a gente sempre tem escolha e até não escolher é uma delas.

Rio+20 – Um post sem foco

Portugese

Eu queria ter feito desse blog o meu diário da Rio+20, gostaria de ter colocado um post por dia contando tudo que vi e senti nesses dias, mas infelizmente fazer isso não seria assim tão simples como eu imaginava. O Parque dos Atletas fica longe pra caramba da Zona Sul (onde estou hospedada) e nenhum dos dias eu sai do meu trabalho às 16h e voltei direto para casa, sempre ficava por lá pra ver alguma palestra, passear pelos stands, conversar com alguém ou simplesmente ir para um happy hour com os voluntários. Convenhamos que frequência e regularidade nunca foi o forte desse blog, agora não seria diferente.

No dia 18 eu consegui ir assistir um dos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável, na verdade só vi esse por que ninguém sabia me informar de fato se era aberto ao público, a assessoria de imprensa me dizia que sim, as pessoas que estavam trabalhando lá diziam que não ou que não tinham certeza, até que uma das minhas amigas voluntárias foi lá tentar e conseguiu, segui os passos dela e foi ótimo pois conhecer o Riocentro foi muito legal.

Cheguei no fim dos diálogos sustentáveis sobre a água e nem vi muita coisa, mas entre um diálogo e outro eu acabei descobrindo lá perto do palco um cara que eu admiro muito: Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz de 2006. Li esse ano um dos livros dele e fiquei mais encantada com toda a história dele, o pai do microcrédito.

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Eu e Muhammad Yunus.

O Diálogos que assisti foi o sobre Cidades Sustentáveis e Inovação moderado pelo André Trigueiro. Achei uma forma muito legal de debater assuntos, mas vou ser sincera, a democracia às vezes me cansa, mas é sensacional vê-la acontecendo. Acho que o processo dos diálogos me encantou mais do que o assunto debatido ou a que conclusões foram chegadas. Achei tudo superficial e genérico demais.

Se você quiser um rápido resumo da Rio+20 do ponto de vista das cidades, acho que o Cidades e Soluções tem uma resumo bem bom: Um giro pelos eventos paralelos da Rio+20.

Como esse post foi sem foco vou fazer um listinha de outros posts (ou talvez faça um só mesmo) que quero fazer sobre a Rio+20 pra eu não esquecer:

  • ser voluntária num grande evento;
  • as impressões das pessoas que foram/ participaram do evento;
  • comida, consumo e comportamento;
  • eventos paralelos.

Caso algum outro assunto apareça ele entra depois.

Rio+20 – Primeira semana

Portugese

Esse post está saindo atrasado…

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Eu "vestida" de voluntária no Parque dos Atletas

Eis que a brincadeira de voluntária de verdade começou  mesmo na quarta (13), ainda tivemos um treinamento dia 12 mas o trabalho dos voluntários começou mesmo no primeiro dia oficial do evento.

O primeiro dia nem deveria ter sido aberto ao público, tudo ainda sendo montado e as informações dispersas e desencontradas, mas pra um evento desse porte acho que é até normal, bom, talvez para mim que sou brasileira seja normal, para um alemão aparente simplesmente desorganização mesmo.

Vou falar das coisas legais que já vi no Parque dos Atletas.

O stand da cidade de Brasília tem um projeto muito legal de plantio de árvores nos parques da cidade e não é só plantar árvore pura e simplesmente, eu posso ir lá no totem da campanha, escolher a árvore que eu quero plantar, escolher em qual parque quero que ela seja plantada e até setembro ela será plantada e não é só isso, essa árvore vai receber uma plaquinha com o meu nome e ainda vou receber por e-mail um certificado e uma foto da mudinha plantada! Tudo isso eu fiz num telão touchscreen muito interativo.

Projeto de plantio de árvores de Brasília

É muito interessante as soluções que alguns países, cidades, organizações ou empresas encontraram para montar seu stand ou atrair a atenção do público. Por exemplo a Itália utilizou paineis solares que capturam energia solar em todo o entorno de seu pavilhão, uma organização vegana distribui comida vegana de graça para que mais gente experimente esse modo de vida, o stand da Coreia ensina as pessoas a fazerem bolsas de lenços, alguns stands apostaram no videos 3D e até 5D e a distribuição de ecobags dos mais variados tipos já é bem default.

Painéis solares do pavilhão da Itália

Uma ideia bem nova (pelo menos para mim) são os moços distribuindo água pelo evento.

Ainda tá dificil de se livrar dos papeis! Ah, o papel, caderninhos, livrinhos e panfletos ainda existem aos montes, alguns até inovaram e doam DVDs e pen-drives, mas sinceramente eu imagino que isso é só disperdício de dinheiro e energia, duvido que alguém leia tudo quanto é informação que receba em papel dessas feiras ou abram o DVD para ver o que tem dentro e o pen-drive a galera usa para armazenar seus dados e talvez eles abram um ou outro arquivo para ver do que se trata.

Essa é a primeira vez que eu vou num evento tão focado em sustentabilidade… É um verdadeiro paraíso para mim, mas se eu fosse só um dia visitar acharia bem superficial e não teria fôlego para conhecer tudo. Palestras por exemplo eu quase não vi nenhuma, é tão exaustivo que chega no fim do dia que eu não tenho forças para me concentrar numa palestra.

O trabalho em si

Quando eu contei no último post como seria meu trabalho, parecia tudo muito lindo e simples, né? Pois bem, não está sendo tão lindo e simples assim, na mídia também parace fácil, mas não está funcionando tudo assim as mil maravilhas e eles tem 1001 explicações para isso e resta aos voluntários terem paciência. De qualquer modo o foco está sendo o Rio Centro e acho que lá as coisas estão fluindo melhor.

Ainda não consegui vender muitas compensações de carbono para as pessoas, mas meus amigos voluntários na mesma impreitada estão se saindo melhor que eu! Winking smile

Rio +20 e a sustentabilidade do evento

Portugese

O treinamento específico para os voluntários da Coordenação de Sustentabilidade foi bastante proveitoso e já deu para ter uma noção do quão preocupados eles estão com a sustentabilidade do evento. Não sei se pelo fato de fazer parte eu senti que existe uma preocupação real com esse tema ou se é por que o evento tem que ser um exemplo para o mundo todo. Outros eventos que já participei sobre meio ambiente ou sustentabilidade tinham um preocupação  meio secundária com a sustentabilidade do acontecimento, estavam todos sempre preocupados com a realização do evento em si (os palestrantes, os participantes, os assuntos) e tudo que rolava em volta que envolvesse a sustentabilidade ficava em segundo plano e nunca tinha uma equipe envolvida e dedicada apenas pra isso. Se bem que nos últimos tempos não tenho participado de muitos eventos sobre o assunto, pode ser que isso tenha mudado, eu espero.

Durante o treinamento eu twittei as coisas que achava mais interessantes como por exemplo o fato da Presidente Dilma assinar um decreto durante a conferência sobre compras públicas sustentáveis, sobre catadores trabalharem no evento como educadores ambientais ou a Rio+20 ser o maior evento da ONU com a participação de 50 mil delegados.

Outra coisa que achei super importante do treinamento foi o esclarecimento de alguns conceitos. A Rio+20 não é um evento apenas sobre meio ambiente, esta é uma conferência sobre desenvolvimento sustentável e para o Brasil o desenvolvimento sustentável está relacionado diretamente à erradicação da pobreza.

Nesse treinamento eu descobri o que de fato farei no meu trabalho de voluntária! Pois bem, vou fazer parte da equipe que  irá oferecer aos participantes a possibilidade de compensar suas emissões de carbono para chegar até a conferência. Durante todo o evento voluntários estarão disponíveis com um tablet com um aplicativo que calcula sua emissão de carbono para chegar até o Rio de Janeiro, por exemplo, se você pegou um avião de São Paulo até o Rio o aplicativo vai calcular qual a sua emissão de caborno, por exemplo 0,5 ton de CO2, o aplicativo também vai calcular qual o valor de 0,5 ton de CO2 e se você quiser fazer a compensação de carbono dessa viagem você poderá na hora fazer uma doação para que o PNUMA compre os créditos de carbono equivalente à sua pegada. As doações só poderão ser feitas com cartão de crédito e débito.

Outros voluntários da coordenação de sustentabilidade vão também peguntar aos participantes qual foi a percepção deles em relação aos aspectos de sustentabilidade relacionadas à logística do evento, eles querem saber se os participanrtes perceberam a preocupação em fazer um evento com um impacto menor. Uma terceira equipe cuidará de monitorar todos os aspectos sustentáveis do evento, há vazamento de água em algum banheiro? Há disperdício de energia em algum local? Falta coletores de resíduo? Ou indicação de qual resíduo deve ser colocado no coletor? Quais as soluções sustentáveis encontradas pelos expositores depois das sugestões da coordenação? Estão utilizando o squeeze distribuidos aos delegados? Entre outras coisas…

Bom, dia 09 tem a formatura, dia 12 mais treinamento, dessa fez com o tablet e o aplicativo e começamos dia 13! Eu estarei no Parque dos Atletas (em frente ao Rio Centro), das 12 as 16 horas. Espero ao longo do evento contar mais novidades tanto do meu trabalho como do evento como todo, quem quiser saber mais da programação é só acessar: http://www.onu.org.br/rio20/eventos/

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