A frustração do descarte

Eu não tenho outra definição para o meu sentimento no momento: frustração, impotência, indignação.

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Pra uma pessoa que está aqui há 11 anos falando de meio ambiente, sustentabilidade, lixo, novas formas de economia e etc isso é um tapa na cara. Mas a única coisa que eu posso fazer é manifestar esse sentimento, né? Pois bem, aqui está:

Isso sem contar os R$200 q terei q desembolsar tb por conta do tampo traseiro trincado. É justo um produto tão caro durar tão pouco? E simplesmente a manutenção não valer a pena?

Eu como ativista de meio ambiente, preocupada c/ os resíduos gerados nesse planeta pensei q o investimento tão alto num aparelho top de linha seria uma solução inteligente p/ gerar menos resíduos, mas vejo q não, essa lógica não funciona p/ o produto de vcs.

Ou talvez eu seja uma estúpida mesmo em querer comprar um produto de luxo e não querer bancar um novo a cada estação. Agora como deve agir uma pessoa preocupada c/ o impacto q deixa no planeta?

Desembolsar um valor maior do mesmo produto novo p/ evitar que mais resíduos sejam gerados ou simplesmente ignorar essa preocupação e comprar um produto novo?

E não, não me venha c/ o papo de descarte ecologicamente correto pois isso é balela. É a lógica do descarte aqui q estou tentando combater, a ideia de q se é reciclável ou vai ser reciclado tudo bem consumir mais.

É muito mais do que apenas mandar o produto p/ um destino melhor q o lixão. É sobre ser responsável pelo q se consome e como se consome.

Mas o meu caso deve ser um número irrelevante p/ vc, né Afinal, qtos dos produtos de vcs dão problema como o meu depois de 1 ano e meio de uso? Quantas pessoas se dão ao trabalho de reclamar? Ficarei aqui c/ a minha frustação e indignação.

Obrigada, por não ser uma empresa melhor para o mundo. Só mais uma como tantas outras.

A culpa é sua

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Saiu um estudo na Science of The Total Environment que mostra dados de monitoramento de lixo no assoalho oceânico dos mares do noroeste da Europa (mais precisamente mares em torno do Reino Unido). Esse estudo mostra dados do período de 1992-2017 com redes espalhadas pelos mares que coletam o lixo. Confesso que não li o artigo original inteiro, mas na reportagem que fala desse estudo no The Guardian eles apontam que há uma queda no número de sacolas plásticas encontradas nessas redes de monitoramento. A reportagem fala em aproximadamente 30% de queda a partir de 2010 em áreas próximas da Noruega e Alemanha até a nordeste da França e oeste da Irlanda.

Desde 2003 países como Irlanda e Dinamarca tem cobrado taxas sobre as sacolas plásticas. Será apenas coincidência que o número de sacolas plásticas no mar diminuiu desde então? Ou o fato de cobrar taxas sobre as sacolas fez com que as pessoas as usassem com mais parcimônia e consequentemente menos dessas sacolas foram parar nos mares? Eu não acho que isso é apenas coincidência e o próprio autor do paper, Thomas Maes, diz na reportagem: “Quanto menos sacolas usamos, menos nós descartamos, menos nós as colocamos no ambiente”.

Esse tipo de política funciona tanto que o governo do Reino Unido vem estudando a possibilidade de que essa taxa seja aplicada também às garrafas e latas.

Eu não faria um post só para contar isso, mas por conta de uma resposta de um twitt meu a essa reportagem eu tive que vir aqui e escrever, na verdade é quase que uma continuidade do meu último post quando achava covardia das empresas colocar no cidadão comum a responsabilidade de serem melhores.

Ai eu recebo isso de resposta:

Esse perfil que me respondeu não apenas empurra para o cidadão a responsabilidade de reciclar um produto como sem nenhum pudor estimula e incentiva o uso sem qualquer problema.

Então tá, a culpa é da população que não sabe reciclar. E você acha que estimular o consumo é que vai ensiná-las a cuidar do seu lixo, né?

Tá bom, indústria do plástico, por favor seja melhor do que empurrar a responsabilidade de reciclar o lixo para o consumidor. Ensinar as pessoas das 1001 utilidades do plástico (que é o que vocês propõem no perfil de vocês) é meio que chover no molhado, todo mundo já sabe das benesses e utilidades do plástico, isso num tem nada de novidade para ninguém. Isso também não colabora em nada com o problema do mal descarte do plástico.

Me conta, produtores de plástico, de todo plástico que vocês já produziram na vida, qual a porcentagem dele de fato foi reciclado? Já que a grande (e parece que única) solução que vocês apontam é o descarte correto dos resíduos. Tá vou ser legal, não precisa ser de todo o plástico já produzido na vida, pode ser a taxa de reciclagem dos últimos 5 anos.

Se o cidadão mora numa cidade que não tem reciclagem do lixo como ele faz? (realidade de 69.6% das cidades brasileiras) Você vai lá buscar as sacolinhas infinitas que ele pegou no supermercado para reciclá-las para ele? Ah, claro que não, afinal o cidadão que tem que ter conscientização. Então, caro cidadão a minha dica é: se a sua cidade não tem coleta seletiva de lixo, use menos sacolas plásticas, ok? O ambiente agradece e as tartarugas mandam um beijo!

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Se todas as sacolas produzidas por vocês de fato virassem sacos de lixo e fossem para aterros sanitários, por que será que ainda tem tanta sacola plástica encontrada no estômago de tartaruga ou nas redes de monitoramento dos pesquisadores?

Cara indústria do plástico, não é continuando com os mesmos hábitos de consumo que vamos conseguir diminuir a poluição de plástico ou qualquer problema ambiental que temos. Conscientizar as pessoas sobre descarte do lixo é parte da solução, mas diminuir o consumo também é, uma coisa não elimina a outra. Aliás a diminuição do consumo resolve muitos problemas além da poluição dos mares, pode ter certeza.

Pelo visto o interesse de vocês não é ser uma indústria correta, preservar o meio ambiente ou conscientizar as pessoas a darem um destino correto para seus resíduos. O objetivo de vocês é que as pessoas continuem a usar sacolas plásticas sem nenhum pensamento crítico sobre o assunto, como foi durante muito tempo. Mas o meu consolo é que se o mundo está um lugar mais poluído, com menor biodiversidade e sujo, esse mundo não será usufruído só por mim, mas por vocês e seus descendentes também e saibam que vocês foram os grandes colaboradores dessa sujeira toda.

Sobre cápsulas de café

Eu realmente estou com preguiça de escrever qualquer julgamento de valor diante do ocorrido, vou apenas descrever e você leitor e consumidor pensa o que quiser a respeito.

Foto: Reprodução / Thomas Guignard / Flickr

Foto: Reprodução / Thomas Guignard / Flickr

De vez em quando eu recebo releases de uma empresa de comida. Um dos últimos que recebi foi sobre a reciclagem das cápsulas de café que a empresa tem feito, nesse caso ela contava que por conta da reciclagem das cápsulas a empresa doaria 1,6 milhão de tubetes de mudas de café para agricultores de café que fazem parte do um certo programa deles. (Eu poderia reproduzir o release aqui, mas você pode encontrá-lo nesse link)

Ai, eu enviei as seguintes perguntas para o remetente do mail:

Esses 1.6 milhão de tubetes que serão doados representam qtas cápsulas recicladas? Mais um dado importante que não encontrei: qual a porcentagem das cápsulas produzidas no Brasil pela Nestlé são recicladas? Uma vez que vcs não possuem pontos de coleta no Brasil todo creio que apenas uma parte é reciclada, gostaria de saber qual esse valor.

Infelizmente no site que vc indicou no release não encontrei mais informações sobre o processo de reciclagem das cápsulas, na verdade gostaria de saber mais sobre as empresas que recebem essa cápsulas: elas já existiam e fazem reciclagem de outros produtos ou foram criadas especificamente para reciclar as capsulas? Foi feito algum investimento da Nestlé para o desenvolvimento do processo de reciclagem das cápsulas?

Vc teria fotos do processo de reciclagem das cápsulas?

A resposta demorou e tive que me esforçar para obtê-la. Primeiro, sempre recebi esses emails sem solicitá-los, ai qdo veio mais um release sem ter nenhuma resposta do anterior eu reclamei e falei para não me enviarem mais uma vez que não estava rolando uma comunicação. A assessora pediu desculpas, falou para eu reenviar o mail e 2 dias depois veio a seguinte resposta:
Por questões estratégicas a Nestlé não divulga a quantidade de cápsulas comercializadas, coletadas e recicladas.
 
As cápsulas coletadas são processadas pela marca em parceria com a Boomera, que tem unidades industriais em Itapevi (SP) e em Cambé (PR).
 
Baseado no conceito de economia circular, onde os resíduos se transformam em insumos pra produção de novos produtos, as cápsulas descartadas pelos consumidores nos pontos de coleta passam por um processo de extrusão e são transformadas em uma resina plástica. Essa resina se transforma em matéria prima para produção de novos produtos, sendo o porta-cápsulas Renove o primeiro produto de Nescafé Dolce Gusto feito com materiais 100% reciclados (15% de cápsulas pós uso).
Olha, por uma questão estratégica eu não vou comentar essa resposta. Você leitor querido que me acompanha aqui deve saber o que estou pensando a respeito, aliás, a caixa de comentários está aberta para seus comentários. Eu prefiro evitar a fadiga dessa vez.

Jogos Olímpicos Rio 2016

E para completar o ciclo de trabalho voluntário em grandes eventos (voluntariei na Rio+20 e na Copa do Mundo), obviamente que estava nas Olimpíadas Rio 2016.

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Após o evento fiquei com vários tópicos na minha cabeça para talvez escrever aqui, não tinha certeza se faria, mas depois de ler Rio 2016 Olympics: A sustainability summary achei que valia contar um pouco do que vi lá.

Esse texto da Ann Duffy é super otimista com relação aos jogos e todas as ações de sustentabilidade que foram feitas ao longo do planejamento dos jogos (falei um pouco disso quando visitei o Comitê em 2014). Mas o que me intrigou mesmo é a realização dos jogos em si, o evento durante e como o tema resíduo foi encarado.

Quando fiz a minha primeira caminhada no Parque Olímpico no primeiro domingo dos jogos a tarde meu primeiro choque foi a quantidade de gente que tinha ali. Sinceramente, fiquei assustada, aquilo parecia um formigueiro de gente e o primeiro pensamento que me veio a cabeça foi: um grande evento nunca será sustentável. Reunir aquela quantidade absurda de gente de todos os cantos do mundo, hospedá-las, alimentá-las e transportá-las é algo sem noção e insustentável.

Eu trabalhei no estádio da Lagoa, na equipe da área de protocolo que consistia em receber os membros da família olímpica (leia-se membros dos comitês olímpicos nacionais e internacionais, membros das federações de esporte, ministros, chefes de estado, etc), cuidar do local onde eles se reuniam (um lounge que cabia umas 100 pessoas) e organizar e indicar os assentos dessas pessoas para assistir a competição, ao todo éramos uns 20 voluntários, comandados por 2 funcionários contratados do comitê organizador. Qual o maior problema ambiental dessa operação? Resíduos. Nesse lounge tinha bebidas do patrocinador a vontade e algumas comidas. Tínhamos lixeira de recicláveis e não recicláveis, adivinha se respeitavam? Muitos até tentavam, mas e a garrafa meio cheia que não foi consumida até o fim o que fazer, lixeira de reciclável ou orgânicos? Inúmeras vezes me vi na dúvida: copo sujo de refrigerante vai em qual lixeira? Coisas que poderia ser planejadas como não usar descartáveis não foi algo pensado, pergunta se os copos, pratos e tralheres eram descartáveis? Claro! Coisas banais como essas ninguém pensou para diminuir a quantidade de resíduo gerado. Me doía o coração cada vez que eu via as lixeiras com os resíuos todos misturados e uma garrafa de refrigerante cheia até a metade sem saber em qual das lixeiras usar… (Pra esse “problema” mostrei aqui a solução encontrada por um shopping em São José dos Campos.)

E os resíduos do almoço dos voluntários e funcionários? Prato, copo, talheres descartáveis e uma lixeira única com tudo misturado. Mas a carne que comemos não era proveniente de desmatamento e o peixe era sustentável. É o que dá pra fazer num evento dessa magnitude. Tá bom, é suficiente? Não tenho a resposta. Essas são as experiências que eu vivi no Estádio da Lagoa, o evento tinha instalações em tantos outros locais e não sei como funcionou em cada um deles, pode ser que tenha sido melhor ou pior, esse foi a única amostra que eu coletei.

Achei essa reportagem do The Guardian, contam da utilização dos catadores para a gestão dos resíduos durante os jogos. Mas duvido que o lixo gerado no meu almoço tenha ido parar em alguma coperativa, tenho quase certeza que foi tudo parar no aterro com garrafas, talheres e pratos de plásticos que em tese deveriam ser reciclados. Afinal, ninguém merece ter que revirar o lixo sujo de comida e bebida de niguém para retirar os descartáveis, nem pelos R$80 por dia pagos pelo comitê organizador.

Por que o lixo é tão negligenciado? Por que acreditam que colocar 2 tipos de lixeiras e chamar os catadores ou cooperativas de catadores o problema tá resolvido e equacionado? É impressão minha ou numa escala de prioridades o lixo sempre vem em último? Será que foi muito diferente em Londres, Pequim ou Atenas?

O cinismo da humanidade com relação ao lixo tem que mudar, ou vamos eternamente fingir que o lixo não existe e não nos pertence uma vez que o colocamos numa lata de lixo?

Lixo, plástico, oceano e a logística reversa

Se tem uma coisa que eu gosto é reparar no que as empresas andam fazendo sobre ser sustentável depois que a moda da sustentabilidade passou. Na verdade, eu não sei bem se a moda passou ou estagnamos e não conseguimos fazer muito mais que não usar sacolinhas plásticas e talvez separar o lixo.

Hoje no Daily Planet descobri que a Adidas se juntou a Parley for the Oceans (Negocição pelos Oceanos). E criou uma campanha que coletou usou o plástico de redes de pesca encontrados próximos às Ilhas Maldivas e usando uma impressora 3D fez um tênis para fazer um tênis usando uma impressora 3D. A coleta dessas redes de pesca foi feita pela Sea Sheperd. O interessante é que é possível ganhar um dos 50 pares de tênis produzidos, basta fazer um video, postar no Instagram com a hashtag #ParleyAIR e #adidascontest dizendo porque você ama os oceanos, fazer uma promessa para ajudar a combater a poluição do plástico nos oceanos e mostrar que você deixou de usar algum plástico de uso único. Achei a campanha bem legal e queria ser criativa o suficiente para fazer esse vídeo para concorrer a um dos pares. Mas eu não sou (e o Brasil não é um país que pode participar da campanha :/) e o que eu sei fazer é pesquisar mais sobre a empresa e lembrei que eles tinham um programa de coleta de tênis velhos e queria saber como andava isso. De que adianta um campanha dessas que deve custar milhões se ela não se preocupa com sua logística reversa? Eu por exemplo tenho um par de tênis velho da Adidas encostado pois não estão em condições de uso nem de doação e não sei o que fazer com eles.

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Essa pesquisa me deixou feliz pois descobri que desde o ano passado em algumas lojas da Adidas no Brasil eles estão aceitando pares de tênis velhos (e roupas esportivas) de qualquer marca e ainda dão 15% de desconto para novas compras para quem levar um par/roupa [email protected] Ok que esse recolhimento ainda não é em 100% das lojas da marca no Brasil, mas é um começo, eu ficaria bem decepcionada se visse essa campanha deles toda linda sobre salvar os oceanos e eles não estivessem nem fazendo a lição de casa pensando no lixo que o próprio produto deles gera por ai.

Vejo as empresas dando passos bastante tímidos com relação à logística reversa, algo super importante e que está na nossa Política Nacional de Resíduos Sólidos (que existe desde 2010), também continuo vendo as pessoas pouco preocupadas com o destino de seu lixo. Quando as empresas vão investir a mesma quantidade de dinheiro que usam para promover um tênis provenientes de lixo oceânico em campanhas para promover o destido correto do seu tênis velho e sem uso?

Retrospectiva – Onde os navios morrem

Esse blog já é bem velhinho para os padrões da internet, 8 anos! E provavelmente ninguém acompanha desde o início como eu e vez ou outra lembro de coisas que postei e ninguém viu. Ai pensei que seria tempo de falar novamente de algumas coisas e a primeira que me veio a cabeça foi um post de 2008 sobre o Destino dos Navios.

Simplesmente copiar e colar o antigo post aqui não faria sentido então resolvi rever o assunto, fazer uma nova pesquisa e ver o que aparecia, pois bem, depois de muitas reportagens no mundo rico e ocidental (National Geographic 2014, Deutsche Welle 2015, Daily Mail 2015, Vice 2015, BBC 2012, CNN 2010), o mundo tem se preocupado com o que acontecia por lá e uma ONG para lutar por mais direitos aos trabalhadores e cuidados ambientais apareceu. Tá rolando uma maior conscientização mas pra mudar alguma coisa mesmo ainda vai tempo, apesar de estarmos falando de Bangladesh, lugar onde nasceu o Grameen Bank, do ganhador do Nobel da Paz, Muhammad Yunus, a miséria e a pobreza são gigantes e como diz meu pai, nesses lugares a vida vale menos.

Espero que com a quantidade de notícias recentes sobre o local que eu achei em grandes veículos internacionais alguma mudança mais significativa aconteça em breve. E olha, sinceramente em alguns videos que eu vi algumas pessoas estavam usando botas! O que é uma evolução perto das fotos que eu vi em 2008, quando escrevi o primeiro post.

Foto: https://flic.kr/p/7gAfbh (CC BY-NC-ND 2.0)

Foto: https://flic.kr/p/7gAfbh
(CC BY-NC-ND 2.0)

Um festival de comida com lixo mínimo

Acabei de voltar de férias e se teve uma coisa que me chamou muito a atenção nessa viagem foi o Festival de Filmes que estava rolando na praça da prefeitura de Viena. Não pela curadoria do festival, pela qualidade dos filmes ou por causa do local onde acontece. Pra falar a verdade eu nem vi nada do festival em si, o que eu vi foi a praça de alimentação (que é a parte gastronômica) que foi feita em frente ao local do evento.

São vários quiosques de comida e bebida de vários lugares do mundo, desde comida austríaca local, até de outras partes da Europa e do mundo.  E por que esse festival gastronômico chamou a minha atenção já que esse não é um blog de turismo e cultura? Quando eu penso nesse tipo de feira gastronômica ou até qualquer praça de alimentação eu já penso em pratos, copos e talheres descatáveis e uma tonelada de lixo gerado sem nenhum tipo de tratamento ou destino adequado. Só que dessa vez eu fui surpreendida com pratos de porcelana, talheres de inox (ou qualquer outro material que o valha) e copos de vidros, apenas os guardanapos eram de papel.

É possível fazer um festival desse tipo numa cidade turística e grande como Viena sem gerar sacos, sacos e mais sacos de lixo repletos de materiais descartáveis? Sim! É! E o Festival de Filmes de Viena me mostrou isso.

O festival de filmes é o maior festival de cultura e comida da Europa, eles recebem por volta de 750 mil visitantes.

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Clique na foto para ver o prato de porcelana e os copos de vidro! 😉

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Ainda era cedo quando tirei essa foto e não estava tão cheio.

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Uma visão geral do que é o festival de comida. Clique na foto para ver os copos de vidro.

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A louça e os talheres são recolhidos pelos “garçons” e vão para essa estação. Aí eles retiram os restos de comida e enviam a louça para um local onde são lavados.

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O transporte dos copos.

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Meu prato de porcelana e meus talheres de inox! 😀

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora eu me pergunto será que esse sistema é tão mais caro do que se vê por ai com os descartáveis? Apesar dos descartáveis não precisarem de limpeza eles também não vão sozinhos para o aterro.

Mas nem tudo é perfeição na cidade… No dia seguinte na estação de trem almocei numa praça de alimentação típica de shoppings em que talheres e pratos eram todos descartáveis e jogados numa mesma lata de lixo… 🙁

A crise da água ou as consequências dela.

Então, de verdade, eu não sei o que escrever específicamente sobre a atual crise da água que o sudeste está passando. Tenho lido um monte de coisas, acompanhado vários movimentos e qualquer coisa que eu escreva me parecerá mais do mesmo e não precisamos disso (eu acho).

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Foto: https://flic.kr/p/7kVnCH (CC BY-NC 2.0)

 

O que me assola é ver algumas soluções que as pessoas estão buscando para a crise. Hoje fui numa confeitaria que eu gosto muito e um dos motivos que gosto dessa confeitaria é que eles não usam talheres de plástico (o pratinho infelizmente é de plástico, descartável :/), eis que peço um pedaço de bolo, um capuccino e tudo me aparece na mesa com talheres de plástico! Na hora de pagar reclamei e obviamente ouvi a desculpa que era para economizar água… Acrescentei que não adianta economizar água e gerar mais lixo, a pessoa que ouviu concordou, mas não soube dizer mais nada. Ouvi também de uma amiga que uma hamburgueria adotou a mesma estratégia, usar talheres de plástico para economizar água. Para tudo! Estamos tentando resolver um problema (a falta de água) gerando outro problema (aumento da quantidade de lixo), será que é muito difícil de perceber?

Pensar em como lavar louça gastando menos água ninguém faz, né? E sabe qual o meu maior medo nessa história de usar descartável? Virar a regra. Com o “conforto” de não ter que lavar mais a louça, mesmo que a situação da água se normalize os restaurantes vão continuar usando descartáveis porque é “mais prático”. Ai, os otimistas de plantão vão me dizer: “Mas Claudia, os descartáveis podem ser reciclados.” Ok, podem, mas quantos de fato serão? Segundo essa pesquisa apenas 17% dos municípios brasileiros tem coleta seletiva, e só para constar isso não quer dizer que essa coleta seletiva seja regra para 100% do lixo. Você realmente acredita que o que pode ser reciclado é de fato reciclado? Nem preciso comentar, né?

Bom, mas se a falta de água for severa como espero que seja (sim estou sendo pessismita) posso me tranquilizar por que nem restaurante aberto para ir teremos! Só por favor, não use descartáveis em casa.

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A Copa do Mundo

Eu sei que ainda tem muita Copa para rolar ainda, mas resolvi já escrever algumas coisas importantes que vi na minha participação na Copa do Mundo.

Tô trabalhando de voluntária, sim, pode dizer o que você quiser, mas adoro Copa do Mundo e não queria ficar de fora dessa festa no meu país, tentei comprar ingressos para poder ir em algum jogo, mas não consegui, então me sobrou a opção de trabalhar como voluntária e até agora não me arrependo, a emoção de estar no estádio na abertura da Copa no meu país, é indescritível. Eu não ligo para futebol, mas Copa do Mundo é uma coisa que mexe comigo, sempre. #mejulguem

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Pois bem, meu trabalho de voluntária é de serviço ao espectador, ou seja, tenho a função de orientar, ajudar e dar informações para quem vai ao estádio ver os jogos. No jogo de abertura fiquei no início do jogo numa das entradas para a arquibancada e no fim fui para uma das saídas orientar para metrô e trem.

É stressante! Gente perguntando para você o tempo todo como chegar em algum lugar, você atento para que ninguém entre com garrafas ou latas nas arquibancadas e ajudando a colocar todo o líquido dentro de um copo (cantei o hino fazendo exatamente isso), atenta para pedir para as pessoas não fumarem ali, gente reclamando que não acha a entrada para seu lugar e quando você indica ela fala que já foi lá e disseram que não era; gente de mau-humor por que não acha o lugar, gente reclamando por que a área vip dela é longe do local onde ela tá sentada, gente reclamando por que não pode entrar com garrafa na arquibancada, gente pedindo para você tirar fotos para ela, e no meio disso o Brasil faz um gol contra, gente reclamando que a fila da bebida tá grande, gente querendo praticar seu italiano reclamando que não tem comida, bêbados valentes, bêbados engraçados, bêbados querendo dançar, gente querendo bater papo, pessoas da limpeza fazendo corpo mole quando você fala que o chão tá molhado e precisa secar e mais gente reclamando que só tem pipoca, ou que a comida acabou. Tudo isso direcionado a você, voluntário! Não, não é nenhum pouco fácil e acho realmente que a Fifa abusa da boa vontade dos voluntários, principalmente desses que como eu ficam ali na linha de frente com os espectadores.

Entre essas e mais outras situações acontecendo meus olhos para a sustentabilidade não se fecharam e de alguma forma sofri impactos dela. Por exemplo essa bela lixeira da Coca-cola para lixo reciclável e não-reciclável.

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Lixeiras bonitonas, né?

Bonitonas, né? Mas com pouca ou nenhuma praticidade. Quando você está na mão com umas 4 ou 5 garrafas, com pressa e mais gente querendo fazer o mesmo que você, ter que ficar procurando esses buracos é absolutamente um saco! Além de serem pequenas, num estádio com 60 mil pessoas elas enchem em minutos e essas tampas são de uma dificuldade para encaixar e desencaixar que você não imagina, demora, e enquanto o pessoal da limpeza está encaixando e desencaixando essa tampa para esvaziar a lixeira as garrafas e latas não param de chegar.

Um jeito bem fácil de reduzir o lixo e evitar o problema das garrafas é simplesmente fornecer os refrigentes de máquina, como nas lanchonetes de fast food, será que a logística dessas máquinas é tão mais difícil que o lixo gerado pelas garrafas?

Infelizmente mudei de posto antes do fim do jogo e não sei como ficaram as arquibancadas depois do jogo, mas o exemplo do povo japonês não tem precedentes aqui no Brasil. Vou trabalhar no próximo jogo na quinta em São Paulo e no fim do jogo se o cansaço permitir vou lembrar de olhar as arquibancadas. Na verdade o fato das pessoas irem para as arquibancadas só com os copos ajuda na limpeza porque os copos são bonitos e todo mundo vai querer levar um pra casa de lembrança. Resta saber se elas recolhem o pacote de pipoca, a embalagem do chocolate, a garrafa de água que por ser mais leve pode ser levada para a arquibancada…

E tudo isso foi só o meu primeiro jogo, que venham os próximos…

Num passado remoto (6 anos atrás)…

Lá em julho de 2008 eu resolvi questionar a Epson sobre o que fazer com os cartuchos de tinta velhos que eu tinha deles. Recebi uma resposta esdrúxula e guardei os cartuchos em casa esperando o dia que pudesse descartá-los de maneira digna. Eis que esse dia chegou! Depois de 6 anos com esses cartuchos jogados numa gaveta qualquer aqui em casa resolvi novamente entrar no site da Epson e procurar alguma novidade sobre o descarte de cartuchos de tinta. E não que eu achei?

Confesso que tive que dar vários cliques no site até encontrar o programa de coleta da empresa (não é assim visível e fácil de achar), ligar num telefone de assistência e perguntar onde eu poderia descartar meus cartuchos. Descobri que deveria levar na assistência técnica aqui da minha cidade onde eles recolhem, por sorte é bem perto da minha casa. Infelizmente esqueci de tirar foto do totem de coleta dentro da loja, mas tá lá bem visível, quem frequenta essas lojas já deve ter visto.

Lá eles não souberam me dizer quanto tempo faz que existe esse programa e disseram que a Epson vai lá recolher os cartuchos, eles também recebem cartuchos genéricos da impressora deles, não apenas os originais, mas não perguntei de cartuchos de outras marcas.

Ultimamente aqui em casa não temos mais comprado cartuchos de tinta novos para a impressora, meu pai tem ele mesmo recarregado-os e provavelmente por isso os cartuchos vazios ficaram tanto tempo na minha gaveta sem eu me lembrar de dar um destino.

Só resta saber agora o que de fato acontece com esses cartuchos depois que a Epson leva embora lá da loja… São reciclados? Reaproveitados? Ou apenas mandandos para um aterro sanitário? Se eu ficar esperando uma resposta deles por conta desse post já sei quando a resposta virá, né? Nunca… E sinceramente tenho um pouco de receio em escrever para eles perguntando, depois da resposta tosca que recebi da última vez que escrevi para eles… Mas mandei um mail perguntando, quando tiver uma resposta volto aqui para contar.

Enquanto isso fico esperando que esse projeto de cartucho de tinta feito de papelão vire realidade. No site que encontrei essa foto dizia que eles tinham sido projetados por Kevin Cheng para a Epson, são feitos de papelão reciclável, com laminado biodegradável, a única área plástica é a área do chip e além disso o cartucho dispensava outras embalagens, na época (2010) eles ainda estavam em fase de testes, 4 anos e ainda não vi nada parecido no site deles… Pelo menos não no site brasileiro. Aliás, nem o modelo da minha multifuncional ou cartuchos de tinta para ela eu encontrei no site. É, melhor eu me preocupar mesmo com o destino que darão para os cartuchos de tinta que eu deixei lá na loja.

UPDATE: A Epson respondeu meu email! Veja a resposta:

Os cartuchos vazios coletados são encaminhados para co-processamento, que é um processo de geração de energia por meio da queima de resíduos para produção de cimento.

Andreia Maffeis Campbell
Coordenadora Ambiental Epson
Programa de Coleta

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