Lixo, plástico, oceano e a logística reversa

Se tem uma coisa que eu gosto é reparar no que as empresas andam fazendo sobre ser sustentável depois que a moda da sustentabilidade passou. Na verdade, eu não sei bem se a moda passou ou estagnamos e não conseguimos fazer muito mais que não usar sacolinhas plásticas e talvez separar o lixo.

Hoje no Daily Planet descobri que a Adidas se juntou a Parley for the Oceans (Negocição pelos Oceanos). E criou uma campanha que coletou usou o plástico de redes de pesca encontrados próximos às Ilhas Maldivas e usando uma impressora 3D fez um tênis para fazer um tênis usando uma impressora 3D. A coleta dessas redes de pesca foi feita pela Sea Sheperd. O interessante é que é possível ganhar um dos 50 pares de tênis produzidos, basta fazer um video, postar no Instagram com a hashtag #ParleyAIR e #adidascontest dizendo porque você ama os oceanos, fazer uma promessa para ajudar a combater a poluição do plástico nos oceanos e mostrar que você deixou de usar algum plástico de uso único. Achei a campanha bem legal e queria ser criativa o suficiente para fazer esse vídeo para concorrer a um dos pares. Mas eu não sou (e o Brasil não é um país que pode participar da campanha :/) e o que eu sei fazer é pesquisar mais sobre a empresa e lembrei que eles tinham um programa de coleta de tênis velhos e queria saber como andava isso. De que adianta um campanha dessas que deve custar milhões se ela não se preocupa com sua logística reversa? Eu por exemplo tenho um par de tênis velho da Adidas encostado pois não estão em condições de uso nem de doação e não sei o que fazer com eles.

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Essa pesquisa me deixou feliz pois descobri que desde o ano passado em algumas lojas da Adidas no Brasil eles estão aceitando pares de tênis velhos (e roupas esportivas) de qualquer marca e ainda dão 15% de desconto para novas compras para quem levar um par/roupa usad@. Ok que esse recolhimento ainda não é em 100% das lojas da marca no Brasil, mas é um começo, eu ficaria bem decepcionada se visse essa campanha deles toda linda sobre salvar os oceanos e eles não estivessem nem fazendo a lição de casa pensando no lixo que o próprio produto deles gera por ai.

Vejo as empresas dando passos bastante tímidos com relação à logística reversa, algo super importante e que está na nossa Política Nacional de Resíduos Sólidos (que existe desde 2010), também continuo vendo as pessoas pouco preocupadas com o destino de seu lixo. Quando as empresas vão investir a mesma quantidade de dinheiro que usam para promover um tênis provenientes de lixo oceânico em campanhas para promover o destido correto do seu tênis velho e sem uso?

Best Global Green Brand

bestglobalgreen

Saiu essa pesquisa sobre a percepção das pessoas sobre o quão verde as marcas são. Achei esse estudo interessante porque não apenas mede qual a percepção das pessoas, mas também compara com as ações da empresa, ou seja, o quanto as pessoas percebem as marcas como “verdes” e o quanto as empresas são de fato. Eles mediram a diferença entre como as marcas se vendem e qual o real desempenho delas nesse quesito. Não é simplesmente um ranking de quem é mais verde, eles também comparam a distância entre a percepção e o desempenho.

Como o estudo foi feito

O desempenho das empresas foi medido por 6 aspectos: governança, engajamento dos stakeholders, operações, cadeias de suprimento, tranporte e logística, produtos e serviços. Esses dados foram coletados de fontes públicas como relatórios anuais, respostas para CDP/WDP e a Thomson Reuters ASSET4 database (tentei descobrir o que são esses 2 últimos, mas não entendi bem). A percepção da marca foi feita numa pesquisa com mais de 10 mil consumidores de cada uma das 50 maiores marcas do mundo, nas 10 maiores economias do mundo (baseado no PIB). Para cada marca mais de 100 pessoas em cada país foram convidadas a avaliar os seguintes aspectos: autenticidade, relevância, consistência, presença, diferenciação e seu entendimento do apelo ambiental.

Para as marcas que a pontuação no desempenho é maior ou igual a pontuação na percepção, eles calcularam uma média simples para dar a pontuação. No caso das marcas em que a pontuação na percepção é maior do que a pontuação no desempenho, a empresa responsável pelo estudo calculou uma média simples e aplicou um fator de desconto com base na diferença entre percepção e desempenho. O fator de desconto é dado para penalizar as marcas que não estão vivendo à altura das expectativas das pessoas.

O raking das marcas você vê aqui: http://www.interbrand.com/en/best-global-brands/Best-Global-Green-Brands/2012-Report/BestGlobalGreenBrandsTable-2012.aspx

Fiquei sabendo desse estudo pelo Milton Jung que entrevistou o presidente do Brasil da Interbrand, empresa responsável pelo estudo, e uma coisa que chamou a atenção foi o fato de empresas de automóveis estarem tão bem no ranking, fato que não me surpreende, afinal carro híbrido, flex, combustível renovável e tantas outras alternativas que inventam faz o maior sucesso por ai como se fosse a solução dos problemas. Ou seja, a percepção das pessoas tem que ser alta mesmo. Só fiquei assustada com o o gap positivo que existe da Mercedes, o que será que ela tem feito tanto no quesito sustentabilidade e não tem divulgado? Tudo bem que o desempenho das marcas é medido a partir de declarações próprias, mas pra ser diferente quem estaria disposto a pagar por uma pesquisa dessa?

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