Sustainable Brands 2017

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E finalmente o Sustainable Brands veio a São Paulo, pela primeira vez desde 2014 o evento aconteceu na capital paulista semana passada. Tive a oportunidade de assistir algumas palestras no primeiro dia do evento e no segundo trabalhei como voluntária. Depois de 6 meses fora do Brasil foi interessante ver como anda a sustentabilidade para as marcas.

A primeira apresentação que eu assisti foi a que mais me empolgou, foi um workshop que falava de modelos de negócio de regeneração. Foi nessa apresentação que descobri a Guayaki Yerba Mate.

A Guayaki é uma empresa de erva mate cuja missão é restaurar 200.000 hacres de mata atlântica na América do Sul e gerar mais de 1000 empregos até 2020 usando o modelo de negócios de regeneração. O principal produto deles é a lata de chá de erva mate que é vendido no Whole Foods nos EUA. Mas eles também vendem a erva em pacotes. Todos os produtos são orgânicos, livre de transgênicos e produzido pelos princípios de comércio justo, além de serem uma empresa B. Fiquei encantada com o trabalho deles me deu esperança que empresas podem ter objetivos maiores que além de dar lucro para seus acionistas. Eles conseguiram criar um ciclo virtuoso em que quanto mais mata atlântica eles restaurarem mais eles podem produzir, uma vez que a erva mate precisa da sombra da mata atlântica para crescer e se desenvolver.

Também conheci a Boomera (antiga Wisewaste) que faz um trabalho bem interessante com grandes marcas com relação aos resíduos. Eles desenvolveram solução de reciclagem para cápsulas de café, embalagens de refresco e lixo plástico de uma lagoa no Rio de Janeiro. E ainda estão trabalhando com reciclagem de fraldas descartáveis. O único porém é que nem sempre essas práticas viram parte da vida útil do produto, por exemplo as embalagens de refrescos foi apenas um projeto e que terminou, ou seja, eles transformaram as embalagens em instrumentos musicais durante o tempo da campanha e agora acabou, a empresa não recicla mais suas embalagens. Outra coisa também é que a empresa geralmente não participa do planejamento inicial dos produtos, as marcas só lembram de procurar uma solução para o resíduo quando o problema já está instalado e não no momento do desenvolvimento do produto. Depois as marcas querem que eu acredite que a sustentabilidade já é parte da realidade da sociedade, tá, sei.

Agora o que me deixou realmente irritada foi ouvir o CEO da Pepsico. Eu tenho uma posição bem radical quando o assunto são alimentos ultraprocessados, principalmente quando eles são basicamente salgadinhos sem nenhum ou quase nenhum valor nutricional.

Pensando sobre isso pensei num post para a minha série Futuro: “Pepsico resolver encerrar sua produção até 2050 e investir em projetos sobre educação alimentar.” hahaha Será que viraliza como fakenews?

Agradeço à organização do evento pela oportunidade como participante e voluntária do evento.

Lixo, plástico, oceano e a logística reversa

Se tem uma coisa que eu gosto é reparar no que as empresas andam fazendo sobre ser sustentável depois que a moda da sustentabilidade passou. Na verdade, eu não sei bem se a moda passou ou estagnamos e não conseguimos fazer muito mais que não usar sacolinhas plásticas e talvez separar o lixo.

Hoje no Daily Planet descobri que a Adidas se juntou a Parley for the Oceans (Negocição pelos Oceanos). E criou uma campanha que coletou usou o plástico de redes de pesca encontrados próximos às Ilhas Maldivas e usando uma impressora 3D fez um tênis para fazer um tênis usando uma impressora 3D. A coleta dessas redes de pesca foi feita pela Sea Sheperd. O interessante é que é possível ganhar um dos 50 pares de tênis produzidos, basta fazer um video, postar no Instagram com a hashtag #ParleyAIR e #adidascontest dizendo porque você ama os oceanos, fazer uma promessa para ajudar a combater a poluição do plástico nos oceanos e mostrar que você deixou de usar algum plástico de uso único. Achei a campanha bem legal e queria ser criativa o suficiente para fazer esse vídeo para concorrer a um dos pares. Mas eu não sou (e o Brasil não é um país que pode participar da campanha :/) e o que eu sei fazer é pesquisar mais sobre a empresa e lembrei que eles tinham um programa de coleta de tênis velhos e queria saber como andava isso. De que adianta um campanha dessas que deve custar milhões se ela não se preocupa com sua logística reversa? Eu por exemplo tenho um par de tênis velho da Adidas encostado pois não estão em condições de uso nem de doação e não sei o que fazer com eles.

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Essa pesquisa me deixou feliz pois descobri que desde o ano passado em algumas lojas da Adidas no Brasil eles estão aceitando pares de tênis velhos (e roupas esportivas) de qualquer marca e ainda dão 15% de desconto para novas compras para quem levar um par/roupa [email protected] Ok que esse recolhimento ainda não é em 100% das lojas da marca no Brasil, mas é um começo, eu ficaria bem decepcionada se visse essa campanha deles toda linda sobre salvar os oceanos e eles não estivessem nem fazendo a lição de casa pensando no lixo que o próprio produto deles gera por ai.

Vejo as empresas dando passos bastante tímidos com relação à logística reversa, algo super importante e que está na nossa Política Nacional de Resíduos Sólidos (que existe desde 2010), também continuo vendo as pessoas pouco preocupadas com o destino de seu lixo. Quando as empresas vão investir a mesma quantidade de dinheiro que usam para promover um tênis provenientes de lixo oceânico em campanhas para promover o destido correto do seu tênis velho e sem uso?

Best Global Green Brand

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Saiu essa pesquisa sobre a percepção das pessoas sobre o quão verde as marcas são. Achei esse estudo interessante porque não apenas mede qual a percepção das pessoas, mas também compara com as ações da empresa, ou seja, o quanto as pessoas percebem as marcas como “verdes” e o quanto as empresas são de fato. Eles mediram a diferença entre como as marcas se vendem e qual o real desempenho delas nesse quesito. Não é simplesmente um ranking de quem é mais verde, eles também comparam a distância entre a percepção e o desempenho.

Como o estudo foi feito

O desempenho das empresas foi medido por 6 aspectos: governança, engajamento dos stakeholders, operações, cadeias de suprimento, tranporte e logística, produtos e serviços. Esses dados foram coletados de fontes públicas como relatórios anuais, respostas para CDP/WDP e a Thomson Reuters ASSET4 database (tentei descobrir o que são esses 2 últimos, mas não entendi bem). A percepção da marca foi feita numa pesquisa com mais de 10 mil consumidores de cada uma das 50 maiores marcas do mundo, nas 10 maiores economias do mundo (baseado no PIB). Para cada marca mais de 100 pessoas em cada país foram convidadas a avaliar os seguintes aspectos: autenticidade, relevância, consistência, presença, diferenciação e seu entendimento do apelo ambiental.

Para as marcas que a pontuação no desempenho é maior ou igual a pontuação na percepção, eles calcularam uma média simples para dar a pontuação. No caso das marcas em que a pontuação na percepção é maior do que a pontuação no desempenho, a empresa responsável pelo estudo calculou uma média simples e aplicou um fator de desconto com base na diferença entre percepção e desempenho. O fator de desconto é dado para penalizar as marcas que não estão vivendo à altura das expectativas das pessoas.

O raking das marcas você vê aqui: http://www.interbrand.com/en/best-global-brands/Best-Global-Green-Brands/2012-Report/BestGlobalGreenBrandsTable-2012.aspx

Fiquei sabendo desse estudo pelo Milton Jung que entrevistou o presidente do Brasil da Interbrand, empresa responsável pelo estudo, e uma coisa que chamou a atenção foi o fato de empresas de automóveis estarem tão bem no ranking, fato que não me surpreende, afinal carro híbrido, flex, combustível renovável e tantas outras alternativas que inventam faz o maior sucesso por ai como se fosse a solução dos problemas. Ou seja, a percepção das pessoas tem que ser alta mesmo. Só fiquei assustada com o o gap positivo que existe da Mercedes, o que será que ela tem feito tanto no quesito sustentabilidade e não tem divulgado? Tudo bem que o desempenho das marcas é medido a partir de declarações próprias, mas pra ser diferente quem estaria disposto a pagar por uma pesquisa dessa?

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