Ah, Belo Monte…

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Eu não quero discutir Belo Monte, aliás já disse uma vez o que eu realmente defendo em relação a essa obra, principalmente depois de ler essa entrevista. Pra mim Belo Monte nada mais é do que o bode na sala, fica todo mundo falando disso e esquece de discutir o que realmente é importante para o futuro, o país, as pessoas. Brigar contra ou a favor de Belo Monte é apagar incêndio, é pensar em curto prazo, bem típico de brasileiro que não faz planejamento direito. E isso eu deixo para os ecochatos, os políticos que querem viabilizar essa obra e quem mais quiser, eu me abstenho, vou ficar em cima do muro mesmo, pois eu acho que pra essa questão nunca vamos encontrar o certo ou o errado, sempre vão existir ótimos argumentos para fazer e não fazer essa obra.

O que eu quero debater é: qual o nosso modelo de desenvolvimento? O dia que tivermos isso claro e de forma consensual a discussão de Belo Monte não existirá. Simplesmente por que se decidirmos que o nosso modelo é de explorar todos e quaisquer recurso até o fim sem pensar se haverá amanhã fazer essa obra é tudo de coerente, mas se o nosso modelo é de preservação, eficiência e tecnologia provavelmente Belo Monte não é parte dessa discussão. Simples assim. Ok, discutir esse modelo e chegar a esse consenso pode não ser tão simples, mas pra mim é a discussão que realmente interessa, o resto é só confirmação de que ainda não estamos maduros o suficiente pra sabermos de fato o que queremos como nação.

Belo Monte mais uma vez

Depois de alguns comentários no post Belo Monte, um ponto de vista, tive a impressão que talvez a capacidade de me expressar pela escrita estivesse falhando absurdamente. Mas achar isso foi um exagero meu, afinal eu não escrevo tão mal assim, então resolvi escrever outro post a respeito e tentar ser mais clara agora, pra quem sabe não restar dúvidas sobre meu ponto de vista em relação à obra.

Outro dia zapeando pela TV vi o final do programa que está aqui em cima (infelizmente os conteúdos das globo tem tempo de vida na internet) e hoje buscando mais informações sobre Belo Monte pude assistí-lo e compartilhá-lo. Achei sensacional colocarem 2 pessoas para debater sobre o assunto, uma a favor e outra contra. Conheço o Roberto Smeraldi pessoalmente, inclusive sigo-o no twitter.

Hoje na Folha de S. Paulo, coincidentemente ou não, saiu na seção debate um ponto de vista a favor e outro contra sobre a usina (infelizmente exclusivo para assinantes). Mudou apenas a pessoa a contra , dessa vez o Marcelo Furtado, do Greenpeace. Seria Luiz Pinguelli Rosa o maior e único defensor da Usina?

De verdade, em ambos debates achei que o Luiz se saiu melhor, tanto no discurso do Roberto Smeraldi como no do Marcelo Furtado encontrei falhas em seus argumentos, achei suas argumentações fracas e insuficientes para me convencer que fazer aquela hidrelétrica é pior coisa que pode acontecer. Mas nem por isso acho que a usina tem que ser feita, só constatei que os argumentos de quem a defende são melhores e mais consistentes.

Quais argumentos do Roberto Smeraldi e do Marcelo Furtado são fracos? Estamos falando de uma mega obra de engenharia que por si só gera um impacto enorme independente de onde for feita, falar que o local não está preparado para receber uma obra dessas é chover no molhado, existe algum lugar no mundo que estaria? Ela causaria impactos de todos tipos onde quer que fosse instalada, imagine fazer uma obra desse porte no Estado de São Paulo (lugar mais impactado e desmatado do Brasil, achismo meu), ela causaria tantos impactos, diferentes dos que serão causados na Amazônia, mas causariam também. Marcelo cita um estudo do Greenpeace chamado de (R )evolução energética, ainda não li, mas  a maneira como ele fala parece que para termos energia eólica e solar é a mágica que ninguém descobriu ainda, só Greenpeace! Por favor, energia causa impacto não importa de onde venha, ou você acha que os painéis solares são feitos de que? E as hélices das usinas eólicas? E que fazendas de captação de energia eólica não causa impacto nenhum? Não existe mágica nem mundo perfeito e duvido que as energias alternativas sejam tão cor-de-rosa assim.

Roberto Smeraldi também cita argumentos dos quais eu concordo como a inacessibilidade à energia gerada por essas grandes hidrelétricas para as pessoas da região norte, a falta de subsídio de igual tamanho para energia eólica ou a falta de efeciência na geração, tramissão e consumo da energia. Mas esses argumentos não são especificamente relacionados à Belo Monte, são argumentos para serem usados para criticar a política energética do país, entao ao meu ver não cabem necessariamente nessa discussão.

A grande maioria das pessoas que entraram no post anterior para defender o fim de Belo Monte apontam fatores sociais para a não construção da Usina. Ok, entendo que é um dos fatores mais delicados da obra e de verdade a única solução que eu vejo pra esse caso ao invés de se sair bradando contra a usina (ou talvez essa seja uma boa alternativa, depende do ponto de vista), eu defendo que a Amazônia como um todo tem de ser defendida, defendida com um desenvolvimento tecnológico e científico agressivo para toda a floresta, só assim todos envolvidos poderão se defender de projetos impactantes como esse de forma coerente e inteligente, não como já foi feito 2 vezes pelos índios com agressões e ameaças físicas. De verdade, antes de ser contra ou a favor de Belo Monte eu defendo tecnologia, ciência e educação da mais alta qualidade para todaa as pessoas da região norte do país, sem isso tudo me parece atrasado e incoerente.

Belo Monte, um ponto de vista

USINA DE BELO MONTE NO XINGU Rio Xingu

Sobre a obra de Belo Monte, de verdade, a única certeza que eu tenho é que temos dúvidas demais. Pelo menos tudo que tenho lido a respeito me leva a crer nisso. Mas com todo o bafafá da licença que foi liberada para a construção do canteiro de obras resolvi dar uma olhada em alguns dados.

Essa licença parcial polêmica que saiu autoriza a supressão de 238 hectares de vegetação, entre outras ações. E será que isso é muito? Talvez a questão nem seja discutir isso, mas vou me ater a esse dado. 238 hectares equivale a 2,38 km2, isso é uma área de aproximadamente 1,5km x 1,5km.

Considerando que só nos meses de novembro e dezembro de 2010 foram desmatadas na Amazônia 135 mil km2 (13,500ha), desmatar 238ha para uma obra do tamanho que é Belo Monte é quase ridículo.

Ok, ok, essa é só a licença de instalação e a área total da obra são 51,600 ha, ou seja, mais desmatamento por conta da obra vem por ai. Mas vamos combinar que pra quem já desmatou em um único mes, só na Amazônia, 48,500ha, desmatar por conta de uma obra um pouco mais que isso em aproximadamente 4 anos não me parece tão absurdo assim. A gente desmata, queima e destrói provavelmente ilegamente um número absurdo de floresta e agora para construir uma hidrelétrica fica todo mundo fazendo drama? Energia tem que vir de algum lugar e infelizmente tem seus custos e alguém tem que pagar.

Calma! Antes que comecem a me apedrejar aqui é o seguinte, eu nao to dizendo que a obra de Belo Monte tá tudo certo e vamos que vamos construir mais uma hidrelétrica, não é isso! O que eu to querendo demonstrar aqui é que a gente destrói de floresta sem construir nada em troca e muitas vezes ilegalmente muito mais floresta do que vão desmatar com  Belo Monte, percebe a lógica? Belo Monte tem vários outros problemas além do desmatamento? Sim, com toda a certeaza, só pra começar uma licença parcial que inexiste na legislação ambiental brasileira para caso de hidrelétricas, mas também não podemos esquecer de outros argumentos para esse discussão, todo mundo quer falar de crescimento, desenvolvimento, mas tudo isso tem um custo e alguém tem que pagar por ele. Torço e espero de verdade que os técnicos do IBAMA e do Ministério do Meio Ambiente estejam fazendo o melhor para que essa obra não se torne um arrependimento ambiental no futuro. Eu só tenho percebido que o debate tem ficado somente de um lado e não podemos esquecer que tudo pode ter vários lados.

Leia um artigo muito bem ponderado sobre a usina: Pela imparcialidade em Belo Monte.

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