Sobre cápsulas de café

Eu realmente estou com preguiça de escrever qualquer julgamento de valor diante do ocorrido, vou apenas descrever e você leitor e consumidor pensa o que quiser a respeito.

Foto: Reprodução / Thomas Guignard / Flickr

Foto: Reprodução / Thomas Guignard / Flickr

De vez em quando eu recebo releases de uma empresa de comida. Um dos últimos que recebi foi sobre a reciclagem das cápsulas de café que a empresa tem feito, nesse caso ela contava que por conta da reciclagem das cápsulas a empresa doaria 1,6 milhão de tubetes de mudas de café para agricultores de café que fazem parte do um certo programa deles. (Eu poderia reproduzir o release aqui, mas você pode encontrá-lo nesse link)

Ai, eu enviei as seguintes perguntas para o remetente do mail:

Esses 1.6 milhão de tubetes que serão doados representam qtas cápsulas recicladas? Mais um dado importante que não encontrei: qual a porcentagem das cápsulas produzidas no Brasil pela Nestlé são recicladas? Uma vez que vcs não possuem pontos de coleta no Brasil todo creio que apenas uma parte é reciclada, gostaria de saber qual esse valor.

Infelizmente no site que vc indicou no release não encontrei mais informações sobre o processo de reciclagem das cápsulas, na verdade gostaria de saber mais sobre as empresas que recebem essa cápsulas: elas já existiam e fazem reciclagem de outros produtos ou foram criadas especificamente para reciclar as capsulas? Foi feito algum investimento da Nestlé para o desenvolvimento do processo de reciclagem das cápsulas?

Vc teria fotos do processo de reciclagem das cápsulas?

A resposta demorou e tive que me esforçar para obtê-la. Primeiro, sempre recebi esses emails sem solicitá-los, ai qdo veio mais um release sem ter nenhuma resposta do anterior eu reclamei e falei para não me enviarem mais uma vez que não estava rolando uma comunicação. A assessora pediu desculpas, falou para eu reenviar o mail e 2 dias depois veio a seguinte resposta:
Por questões estratégicas a Nestlé não divulga a quantidade de cápsulas comercializadas, coletadas e recicladas.
 
As cápsulas coletadas são processadas pela marca em parceria com a Boomera, que tem unidades industriais em Itapevi (SP) e em Cambé (PR).
 
Baseado no conceito de economia circular, onde os resíduos se transformam em insumos pra produção de novos produtos, as cápsulas descartadas pelos consumidores nos pontos de coleta passam por um processo de extrusão e são transformadas em uma resina plástica. Essa resina se transforma em matéria prima para produção de novos produtos, sendo o porta-cápsulas Renove o primeiro produto de Nescafé Dolce Gusto feito com materiais 100% reciclados (15% de cápsulas pós uso).
Olha, por uma questão estratégica eu não vou comentar essa resposta. Você leitor querido que me acompanha aqui deve saber o que estou pensando a respeito, aliás, a caixa de comentários está aberta para seus comentários. Eu prefiro evitar a fadiga dessa vez.

Pecados ambientais

em 2008 eu fiz uma confissão dos meus pecados ambientais. Já está mais do que na hora de rever essa lista, quase 10 anos e será q alguma coisa mudou? Vamos ver…

Imagem "roubada" daqui: http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=23&Cod=1471

Imagem “roubada” daqui: http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=23&Cod=1471

  1. não sou vegetariana; (continuo não sendo vegetariana, apesar de ter voltado pro Schumacher College e a comida por aqui ser vegetariana)
  2. meu apartamento não tem água individualizada; (desde os fins de janeiro não estou mais nesse apartamento, mas é lá que eu chamo de casa, então continua tudo igual e sem muitas perspectivas de mudanças)
  3. uso sacos plásticos (não biodegradáveis) para colocar meu lixo; (aqui no Schumacher eu sei que alguns desses sacos são biodegradáveis, mas não todos, mas fato é que aqui uso menos sacos plásticos para dispor lixo)
  4. uso absorvente descartáveis; Agora uso o MoonCup (sim, esse item pode sair da lista pois continuo usando o coletor)
  5. às vezes deixo a TV do meu quarto em stand by; (no momento tô sem tv no quarto, mas no Brasil tinha e ficava na tomada todo o tempo depois do advento da smart tv)
  6. como em restaurantes todos os dias e por isso… (nesse momento não é mais assim)
  7. não faço idéia de onde vem a carne/ vegetais/ frutas que como; (aqui a maior parte da comida é local e tudo orgânico)
  8. compro revistas em papel que algumas vezes poderia ler on-line; (hoje em dia cada vez mais raro eu comprar revistas)
  9. compro produtos chineses, alguns legais, outros não; (disso não consigo fugir muito, é invevitável, mas quando tem opção eu escolho a que julgo menos impactante)
  10. só ás vezes fecho o chuveiro para me ensaboar enquanto tomo banho, no inverno sem chances, não faço isso mesmo; (aqui na Inglaterra sem chances…)
  11. Apesar de usarmos sabão em pedra feito de óleo de cozinha para lavar a louça todos os outros produtos de limpeza da casa não são nada ecológicos. (aqui todos os produtos de limpeza são ecológicos, pelo menos é isso que eles prometem nos rótulos)
  12. nenhuma das minhas roupas são feitas de algodão orgânico; (continua igual e tenho alguns produtos de grandes marcas como Nike, Columbia, Adidas, etc)
  13. descobri que a empresa que fabrica meu creme dental faz teste em animais, mas a pasta que eu compro doa uma parte do lucro para o SOS Mata Atlântica, não muda nada, eu sei…(a pasta que doava dinheiro pra SOS Mata Atlântica num vi mais pra vender, portanto não comprei mais. Na verdade esse item vai mudar para: nem todos os meus cosméticos e produtos de higiene pessoal são orgânicos e naturais)

Adicionando novos itens:

  • Não consigo não ligar o aquecedor aqui toda noite, detesto passar frio sabendo que tem aquecimento na casa;
  • Não me preocupo com as emissões de carbono quando escolho uma viagem, escolho a que for mais conveniente, tipo mais rápido, mais barato ou mais confortável;
  • Não são todas as minhas viagens aéreas que eu compenso as emissões de carbono.

Na verdade acho que vou parar com essa lista, vou tentar mudar o lado da equação. Ao invés de ficar olhando para os meus pecados e defeitos vou fazer a lista de coisas que eu faço para ter menos impacto no ambiente, talvez sim essa lista ajude alguém a se inspirar e a mudar um pouco também.

Prometo fazer essa lista e publicá-la em breve.

10 anos!

10 anos de blog!

10 anos de blog!

E no próximo dia 03 de fevereiro esse blog completa 10 anos! Gente, pra um blog é muito tempo! Ok que a frequência de posts aqui não tem sido nem um pouco o forte desse blog, mas em tempos de redes sociais efêmeras como Snapchat ter um lugar com textos meus desde 2007 é muito tempo mesmo!

Eu gostaria de comemorar essa data dignamente com uma retrospectiva de posts relevantes por ano ou fazer um video meu contando tudo isso ou pelo menos postar mais frequentemente, mas não rola uma empolgação para isso. Hoje escrevo esse blog só por desabafo, só para manifestar minha indignação ou contentamento de descobrir coisas legais que acontecem a favor de uma mudança de paradigma, não acho mais que esse blog ou minhas opiniões tem algum poder de influência em quem quer que seja (já tive essa ilusão um dia, mas passou, ainda bem!).

Escolhi alguns posts favoritos para listar aqui, sim, eles são da história recente do blog, infelizmente depois de 395 posts (sem contar esse aqui) e 10 anos eu não lembro mais de tudo que eu escrevi e por isso só escolhi um post de 2014, 2015 e 2016. Aliás, nos primeiros anos do blog eu fazia um certo tipo de restrospectiva de melhores posts do ano, segue também o link para esses posts.

Só para constar – Posts com links para as publicações mais acessadas de 2011

Retrospectiva – Minha seleção de melhores posts de 2009

Comemorações e Mudanças – Minha seleção de melhores posts de 2007 e 2008

Minha escolha de 2016 – Jogos Olímpicos Rio 2016, foi o grande evento do ano que eu participei

Minha escolha de 2015 – Odebrecht, mostra a tua cara, pois ser persona non grata dessa empresa não tem preço

Minha escolha de 2014 – Experiência Schumacher Brasil, essa experiência me trouxe bons frutos

Quero apenas ser grata a tudo que esse blog me proporcionou: amizades, experiências, momentos, viagens, encontros, eventos, todos incríveis e inesquecíveis. Não sei se esse blog dura mais 10 anos, mas até onde ele me levou até hoje já me deixou muito feliz e provavelmente foi além do que eu esperava. Ele vai continuar sendo o canto de desabafos de uma pessoa preocupada com os rumos que a humanidade tem dado a sua única casa, o planeta Terra.

Fairphone

Você acredita que os produtos que você consome são éticos? Desde aquele chocolate gostoso ou aquela blusinha você acha que foi produzido com ética, responsabilidade ambiental e social?

Hoje em dia muitos produtos que consumimos são produzidos nos mais diversos lugares do mundo, fica quase impossível saber se a legislação trabalhista de cada país segue critérios minimamente aceitáveis ou se existem leis ambientais que são cumpridas e fiscalizadas. E dependendo do produto rastrear cada uma das cadeias de suprimentos é algo até difícil de imaginar como fazer, mesmo em tempos de internet.

Pensando na ética e responsabilidade de seus produtos muitas empresas investem em suas cadeias de suprimento, principalmente na matéria-prima de seu produto principal, como por exemplo a Starbucks ou a Natura. Ok, pode ser só marketing da parte deles, mas pelo menos eles vendem a ideia de que se preocupam com isso ou fingem que se preocupam.

fairphone

Mas e no caso de produtos de tecnologia que não são feitos apenas de uma única matéria-prima? Por exemplo seu telefone celular, seu computador ou sua televisão que contém partes oriundas dos mais diversos lugares do mundo? Pensando em toda essa cadeia que surgiu o Fairphone.

O mais legal é que ele não é apenas uma linha de produto de uma grande empresa, a Fairphone uma empresa social holandesa tem como premissa criar um telefone que melhore a cadeia de valores dos eletrônicos.

Para produzir o telefone deles eles trabalham com a mineração, tentando estimular a economia local e não conflitos armados; o design, pensando em produtos duráveis e que dê aos compradores maior controle aos produtos; a fabricação, proporcionando mais qualidade de vida aos trabalhadores que montam o telefone; o ciclo de vida do produto, pensando em toda a vida útil do telefone: uso, reuso e reciclagem segura, eles acreditam que a responsabilidade deles não termina na venda e trabalham também o empreendedorismo social tentando criar uma nova economia baseada em valores sociais. Compartilhando a história da Fairphone eles acreditam que podem ajudar os consumidores a ter mais consciência em suas compras.

Uma das coisas mais legais da Fairphone é que depois de alguns investimentos iniciais por meio de instituições que investem em projetos de teconologia criativa para desenvolvimento social, um prêmio do Banco Mundial, uma grana de um boot camp e um fundo privado financiar a fabricação das primeiras encomendas do telefone, nenhuma outra grana de grandes empresas ou capital de risco entrou na empresa pois a ideia é preservar os valores sociais. Afinal, quando uma empresa que se diz sustentável, ética, socialmente responsável e tem suas ações negociadas na bolsa fica um tanto refém de acionistas que querem lucros mais altos a cada ano e não é novidade para ninguém das atrocidades que as empresas são capazes de fazer por esses lucros (Alguns exemplos: Mitsubish, Renner, Volkswagen).

fairphone2

O Fairphone custa 529,38 euros (algo em torno de R$2200,00) um pouco mais caro que a média dos smartphones aqui no Brasil, mas como eles tem uma produção toda preocupada com causas justas, acho que valeria pagar.

Precisamos de mais empresas que tenham a preocupação não apenas de produzir produtos bons, mas que pense em todo impacto na sua produção e super torço para que a Fairphone prospere (eles estão produzindo o Fairphone 2). Quando vejo iniciativas eu consigo ter um pouquinho mais de fé no mundo, mas só um pouquinho.

Sustentabilidade na televisão

Sou dessas que quando ve a palavra sustentabilidade e derivadas em algum lugar vai procurar saber o que é e do que se trata.

Quando vi esse logo no fim dos créditos de uma das minhas séries favoritas (Downton Abbey) fui lá ver o que era esse tal de Albert+ sustainable production.

albert_plus

Achei o site desse órgão que cuida do impacto ambiental da indústria de artes visuais do Reino Unido. Eles tem como objetivo guiar essa indústria para a economia de baixo carbono. Começaram calculando a pegada de carbono da indústria e hoje é complementada com treinamento, certificação e comunicação. Quem banca esse órgão é um consórcio das 13 maiores empresas de produção e transmissão do Reino Unido.

Pelos cases deles dá pra ver que está tudo muito no início, por exemplo, Downton Abbey recebeu o selo deles por usar iluminação de LED nas gravações. Uma outra produção que teve um programa gravado na Patagonia usou um cameraman local para diminuir a pegada de carbono, evitando assim o transporte do material a ser usado para a filmagem e a viagem de alguém do Reino Unido até o Chile/Argentina. Outra coisa que eles fazem também é encontrar fornecedores da cadeia de produção deles que tenham preocupação ambiental.

Me pareceu um passo bem discreto, mas válido, na verdade pra mim bem realista, eles não são megalomaníacos dizendo que o selo deles entregam uma produção verde e sustentável, eles garantem 3 coisas quando você ve no selo deles numa produção:

  • a direção dos assuntos de sustentabilidade são conduzidos por alguém do topo;
  •  é feita a medição precisa da pegada ambiental da produção e
  • que existe procedimentos para que exista uma redução da pegada ambiental.

Fico feliz que passos sejam dados nessa direção, espero que cresca e com o tempo essas preocupações sejam parte da rotina de qualquer serviço e não seja necessário uma instituição que precisa cuidar e estimular esse tipo de atitude. Mas para a mudamça de hábito isso é necessário e importante.

A Copa do Mundo

Eu sei que ainda tem muita Copa para rolar ainda, mas resolvi já escrever algumas coisas importantes que vi na minha participação na Copa do Mundo.

Tô trabalhando de voluntária, sim, pode dizer o que você quiser, mas adoro Copa do Mundo e não queria ficar de fora dessa festa no meu país, tentei comprar ingressos para poder ir em algum jogo, mas não consegui, então me sobrou a opção de trabalhar como voluntária e até agora não me arrependo, a emoção de estar no estádio na abertura da Copa no meu país, é indescritível. Eu não ligo para futebol, mas Copa do Mundo é uma coisa que mexe comigo, sempre. #mejulguem

copa 013

Pois bem, meu trabalho de voluntária é de serviço ao espectador, ou seja, tenho a função de orientar, ajudar e dar informações para quem vai ao estádio ver os jogos. No jogo de abertura fiquei no início do jogo numa das entradas para a arquibancada e no fim fui para uma das saídas orientar para metrô e trem.

É stressante! Gente perguntando para você o tempo todo como chegar em algum lugar, você atento para que ninguém entre com garrafas ou latas nas arquibancadas e ajudando a colocar todo o líquido dentro de um copo (cantei o hino fazendo exatamente isso), atenta para pedir para as pessoas não fumarem ali, gente reclamando que não acha a entrada para seu lugar e quando você indica ela fala que já foi lá e disseram que não era; gente de mau-humor por que não acha o lugar, gente reclamando por que a área vip dela é longe do local onde ela tá sentada, gente reclamando por que não pode entrar com garrafa na arquibancada, gente pedindo para você tirar fotos para ela, e no meio disso o Brasil faz um gol contra, gente reclamando que a fila da bebida tá grande, gente querendo praticar seu italiano reclamando que não tem comida, bêbados valentes, bêbados engraçados, bêbados querendo dançar, gente querendo bater papo, pessoas da limpeza fazendo corpo mole quando você fala que o chão tá molhado e precisa secar e mais gente reclamando que só tem pipoca, ou que a comida acabou. Tudo isso direcionado a você, voluntário! Não, não é nenhum pouco fácil e acho realmente que a Fifa abusa da boa vontade dos voluntários, principalmente desses que como eu ficam ali na linha de frente com os espectadores.

Entre essas e mais outras situações acontecendo meus olhos para a sustentabilidade não se fecharam e de alguma forma sofri impactos dela. Por exemplo essa bela lixeira da Coca-cola para lixo reciclável e não-reciclável.

2014-06-12 10.24.16

Lixeiras bonitonas, né?

Bonitonas, né? Mas com pouca ou nenhuma praticidade. Quando você está na mão com umas 4 ou 5 garrafas, com pressa e mais gente querendo fazer o mesmo que você, ter que ficar procurando esses buracos é absolutamente um saco! Além de serem pequenas, num estádio com 60 mil pessoas elas enchem em minutos e essas tampas são de uma dificuldade para encaixar e desencaixar que você não imagina, demora, e enquanto o pessoal da limpeza está encaixando e desencaixando essa tampa para esvaziar a lixeira as garrafas e latas não param de chegar.

Um jeito bem fácil de reduzir o lixo e evitar o problema das garrafas é simplesmente fornecer os refrigentes de máquina, como nas lanchonetes de fast food, será que a logística dessas máquinas é tão mais difícil que o lixo gerado pelas garrafas?

Infelizmente mudei de posto antes do fim do jogo e não sei como ficaram as arquibancadas depois do jogo, mas o exemplo do povo japonês não tem precedentes aqui no Brasil. Vou trabalhar no próximo jogo na quinta em São Paulo e no fim do jogo se o cansaço permitir vou lembrar de olhar as arquibancadas. Na verdade o fato das pessoas irem para as arquibancadas só com os copos ajuda na limpeza porque os copos são bonitos e todo mundo vai querer levar um pra casa de lembrança. Resta saber se elas recolhem o pacote de pipoca, a embalagem do chocolate, a garrafa de água que por ser mais leve pode ser levada para a arquibancada…

E tudo isso foi só o meu primeiro jogo, que venham os próximos…

Sustainable Brands

SB_Rio_14_Sustainable_Brands_Conference

Sustainable Brands é uma comunidade Global que desde 2006 tenta inspirar, engajar e equipar líderes de negócios e marcas de hoje para prosperar no curto e longo prazo, abrindo o caminho para um futuro sustentável abundante. Eles promovem eventos no mundo todo, já teve um no Rio mês passado e agora em junho é a vez de San Diego ai passeando pelo site vi que tem uma lista das empresas que vão participar e quais representantes das empresas vão estar presente. Achei interessante ver quais os cargos as pessoas ocupam das empresas que vão para esses eventos, por exemplo a Natura só disse que quem vai é o time, o que não diz nada, mas por exemplo a Patagônia (uma das marcas sustentáveis que mais respeito) vai mandar o VP de iniciativas ambientais (VP, Environmental Initiatives).

A Coca-cola vai mandar os Director Sustainability Communications, General Manager-Slingshot/EKOCENTER, Global Director-Human & Cultural Insights, Global Senior Marketing Sustainability Director, Global Sustainability Director-Packaging, Group Sustainability Director e Director, Sustainability – Eurasia & Africa, pelo visto a Coca tem um departamento de sustentabilidade bem forte. Já a concorrente Pepsico vai mandar só o Program Director, PepsiCo Recycling, será que a Pepsico só vai marcar presença porque a concorrente é uma das patrocinadoras do evento ou pra ela sustentabilidade se resume a reciclagem?

O interessante por exemplo é o Citibank que vai mandar o Head of Creative and Media, a Nestle América do Norte que vai mandar o Chief Procurement Officer e Nestle Purina (o braço de rações da empresa) que será representada pelo Brand Manager.

A Apple que lançou uma propaganda no dia da Terra se insinuando mais verde que a concorrente Samsung não está na lista de confirmados, nem a  Samsung.

O que me surpreendeu positivamente foi ver a participação da cidade de Palo Alto, na Califórnia, mandando seu Chief Sustainability Officer, achei sensacional uma cidade ter um posto como esse.

Eu sei que provavelmente a participação das empresas nesse evento não irá se resumir ao que está apresentado nessa lista e que também essa lista pouco representa de fato como a empresa leva o tema sustentabilidade na real, mas que é uma amostra interessante isso não deixa dúvidas.

P.S.1: Não traduzi a maioria dos cargos por que achei que deixar no original dá uma noção melhor.

P.S.:2: A Aline do Inspiração Sustentável esteve no evento do Rio e estamos aguardando os posts para sabermos como foi.

Blogueiros que estiveram no evento e fizeram seu relato:

Sustainable Brands Rio 2014

Injeção de inspiração no Sustainable Brands 2014!

Reimagine, Redesenhe, Regenere e Empreenda: Sustainable Brands Rio 2014

Sustentabilidade é impossível até que as empresas admitam o custo ambiental

Fazia tempo que eu não colocava um texto traduzido aqui no blog (confesso que sou uma péssima tradutora), mas quando li esse vi que precisava compartilhar! E com a ajuda do Google Translate resolvi postar aqui. A versão original em Inglês: Sustainability is impossible until companies admit environmental cost.

 Enquanto o impacto das empresas no meio ambiente permanecer ignorado a questão de como a sociedade lida com as consequências dos danos permanecerá sem resposta

Por Joseph Zammit-Lucia

Salmon-009

Relatório sobre salmão de viveiro afirmou que “os peixes de viveiro é o produto mais tóxico da Noruega.” Foto: Tatyana Makeyeva/AFP/Getty Images

De férias, recentemente, visitei a área sagrada japonesa de Kumano Kodo. Milhas de caminhadas marcam rotas de peregrinação da antiga capital de Kyoto para uma série de santuários localizados em torno da península Wakayama.

Nós estávamos andando em um alto cume e paramos para olhar e ouvir os sons da floresta – o canto dos pássaros , uma variedade de ruídos de insetos e grandes borboletas .

Mas havia algo de estranho. O som estava vindo para nós em mono, não em estéreo. Um dos lados do cume caiu vertiginosamente. A floresta era exuberante, variada e cheia de vida animal e de insetos. Foi a partir deste lado que a cacofonia de som estava vindo. O outro lado do cume era menos íngreme e tinha sido explorada comercialmente como uma plantação de madeira: a monocultura de pinheiros. Nenhum ou muito pouco de vida além dos pinheiros -se poderia sobreviver aqui.

De acordo com algumas normas, as plantações de pinheiros pode ser considerado “sustentável”. Elas são bem geridas, o re- plantio ocorre e o solo é mantido em boas condições. Mas o que acontece a grande quantidade de outras formas de vida que foram expulsas e destruídas no processo de transformar cadeias de montanhas inteiras em florestas manejadas? Quem banca os custos disso? A gestão de “externalidades” – como tal dano é um- emocionalmente marcado por economistas – tem provado ser uma das questões mais difíceis no caminho para a sustentabilidade.

Não só a capacidade das empresas a fazer danos ou despejar seus resíduos sem impedimentos prejudicar o meio ambiente. Ela pode levar à criação de produtos que podem ser prejudiciais à saúde humana. Pegue a indústria de criação de salmão norueguês – e a maioria das agriculturas de salmão em outro lugar, muitas delas controladas por empresas norueguesas. Um relatório sobre salmão de viveiro pelos Guerreiros Verdes da Noruega, afirmou que “os peixes de viveiro é o produto mais tóxico da Noruega.” Por quê?

Algumas fazendas de salmão despejam resíduos tóxicos em rios e oceanos . Além dos danos óbvios e significativos, tanto para os oceanos e para a vida do oceano, a capacidade de despejar resíduos sem impedimentos permite que os produtores de salmão usem antibióticos e substâncias químicas cancerígenas nas fazendas, a fim de “otimizar ” o valor comercial de seu produto.

A proporção desses produtos químicos permanecem no peixe e, como resultado, o salmão que comemos pode ser muito longe da limpo, saudável , natural (produto que se posiciona como). Até mesmo a coloração típica salmão é frequentemente adicionada quimicamente, o salmão de viveiro tem a carne cinza. A questão da imposição de custos sobre os outros tem sido um dos mais intratáveis ​​no debate sobre a sustentabilidade. As tentativas para avançar foram criticadas por todos os lados. As empresas têm resistido a assumir a totalidade dos custos de suas atividades. Mesmo quando as tecnologias alternativas que poderiam eliminar e reduzir significativamente o impacto já existem e são acessíveis – como na criação de salmão – produtores se recusam a adotá-las.

Reguladores preferem manter o status quo em vez de descarregar as responsabilidades com o ambiente e a saúde humana. Por outro lado , alguns grupos ambientalistas se opuseram às tentativas de compensar alguns dos custos externalizados da indústria como representando uma mercantilização da natureza.

A indústria não pode absorver custos anteriormente externalizados da noite para o dia. É também claro que continua a ignorar as consequências, o que também não é aceitável.

Um primeiro passo seria uma exigência para todas as empresas a serem transparentes sobre as externalidades que geram em termos de finanças, meio ambiente e saúde. Podemos, então, iniciar uma discussão aberta perguntando: se as empresas não querem arcar com estes custos que elas geram, como deve a nossa sociedade lidar com eles? Enquanto esses custos permanecerem ocultos e largamente ignorado, tal discussão é impossível.

Há sinais de progresso. A nova exigência do Reino Unido para as empresas informarem sobre as emissões de gases de efeito estufa a (GEE ) é um passo bem-vindo. Mas a exigência deve ser estendida para incluir todo o tipo de impacto ambiental externalizada em toda a cadeia de abastecimento.

Algumas empresas já começaram este processo. Puma é provavelmente o mais conhecido por sua demonstração de resultados do meio ambiente. Patagônia é outra empresa que leva a sério as suas responsabilidades ambientais . Eles têm feito grandes progressos, mas ainda não totalmente transparente e responsáveis por todos os custos impostos ao meio ambiente e à saúde humana.

Estamos todos chocados quando vemos imagens de aberto de lixo nas ruas ou pilhas de resíduos nas cidades de muitos países em desenvolvimento. No entanto, a discussão sobre a grande quantidade de custos externalizados pelas indústrias em todo o mundo recebe pouca atenção.

Até as corporações começarem a ser totalmente transparente sobre os custos totais que eles impõem sobre o meio ambiente e os reguladores começarem a tomar tal despejo a sério, grande parte da conversa sobre a criação de negócios sustentáveis ​​permanecerá apenas da boca para fora. Transparência e um debate aberto sobre como, como sociedade, deve cobrir os custos externalizados estão ambos muito atrasadas.

O problema é só a escala…

Eu realmente gostaria de terminar o ano com um post otimista dizendo o quanto eu vejo no futuro um mundo melhor, mas não, o mundo adora me contrariar e só me diz que tudo só tende a piorar… Eu queria muito ter terminado o ano sem ter lido esse artigo do Valor Econômico: Choque de escala. Nunca li tanta barbaridade atrás da outra numa reportagem que se dize sobre  sustentabilidade, num suplemento do jornal chamado “Negócios sustentáveis”. PARA A PORRA DO MUNDO QUE EU QUERO DESCER!!!!!!!!

A começar para a chamada da reportagem: “Marina Grossi, presidente do Cebds: “As soluções para os principais dilemas já existem, mas precisam ser difundidas e ganhar escala, com base em metas mensuráveis, para que tenham viabilidade””. Cara Marina Grossi de quais dilemas você se refere? Eu não vejo solução para a obssessão do mundo por crescimento, não vejo solução para a sociedade consumista que estamos inseridos e nem vejo solução para a destruição em massa da biodiversidade mundial. Para mim esses são dilemas essenciais que temos no mundo hoje e que não vejo nenhuma solução que precisa ser apenas difundida e ganhar escala. Se você tem essa resposta, por favor me escreva e me conte para que eu não ache que tudo continua perdido.

all-you-need-is-less1

Outra pérola da reportagem  veio da gerente de sustentabilidade da Unilever, Ligia Camargo: “”Queremos dobrar de tamanho e reduzir pela metade o impacto ambiental até 2020″, conta . A empresa pretende contribuir para um planeta saudável vendendo mais produtos, principalmente aqueles ligados a aspectos socioambientais, aumentando o faturamento anual de € 40 bilhões para € 80 bilhões.” Planeta saudável vendendo mais produtos!!!! Que planeta essas pessoas vivem? E ainda imenda “Com o sabonete bactericida, por exemplo, o plano é estimular o hábito de lavar as mãos, com reflexos na redução da mortalidade infantil e no bem-estar de 1 bilhão de pessoas no mundo.” Pra que sabonete bactericida se as pessoas nem água encanada tem??? Se apenas 57% dos domicílios brasileiros estão ligados a redes de esgoto? Já tô vendo o povo tomando banho com sabonete bactericida naqueles açudes lamacentos do nordeste brasileiro e da África no relatório de sustentabilidade da empresa. E por fim, mas não menos importante, querida Unilever, se você quer de fato diminuir seu impacto, para dobrar de tamanho você tem que anular seu impacto ambiental, não apenas reduzí-lo pela metade, de que adianta gastar 5 ao invés de 10 para produzir se vcoê tá produzindo o dobro? Pra mim a conta continua não fechando.

E o último achado da reportagem: “”O resultado financeiro é uma das metas de sustentabilidade“, argumenta Soto.  Ele cita o economista indiano Pavan Sukhdev, autor do livro “Corporação 2020”, no qual traça as condições para o desenvolvimento de empresas mais responsáveis e destaca a importância da viabilidade econômica.  “Não podemos esperar até 2050 ou 2100 para fazer mudanças no desempenho ambiental; as transformações devem ocorrer na próxima década se quisermos manter a esperança de construir uma economia sustentável”.” Eu não li o livro Corporação 2020, apenas vi a promoção do livro no site Planeta Sustentável, mas pelo que eu pude entender o que tá em jogo nesse trecho da reportagem é a sustentabilidade financeira das empresas, a economia sempre em primeiro lugar, se tiver ganho ambiental, social e o que for, legal, mas não é o primeiro objetivo, nunca.

Ontem li essa entrevista ‘O capitalismo sustentável é uma contradição em seus termos’ diz Eduardo Viveiros de Castro e com a reportagem de hoje só comprovei, mais uma vez, que a sustentabilidade é mesmo coisa de hippie, por que quem manda no dinheiro, quem compra, quem consome e vende tá pouco preocupado com o futuro do seres humanos, ninguém tá muito interessado em mudar seu estilo de vida para ter um planeta mais habitável. Então por favor, vamos parar de nos enganar, empresas digam logo: Nós queremos lucros estratosféricos nem que isso comprometa a existência dos seres humanos no longo prazo e seres humanos assumam: Num tô nem ai para o resto do mundo e para as futuras gerações, quero consumir muito e sempre mais.

Que venha 2014.

Cartão verde da Coreia do Sul

Durante a Rio+20 um dos stands dos países no Parque dos Atletas que eu mais visitava era o da Coreia do Sul, por ser fã da revolução educacional que eles fizeram eu fiquei super interessada em conhecer mais sobre o que eles pensam sobre meio ambiente.

Entre os amigos voluntários conheci o André que fez um semestre lá na Coreia durante a graduação e o que ele contou sobre o país no quesito ambiental não é das coisas mais empolgantes 🙁 Assim como qualquer outro lugar do mundo (com raríssimas exceções) meio ambiente não é a prioridade deles e nem sempre as decisões levam a melhor solução ambiental em conta (coisas da democracia?).

De tanto ir no stand eu ganhei um pen drive com vários documentos e vídeos e um dos vídeos que eu vi me deixaram meio “assustada” seguem:

Por que eu fiquei assustada? Ele é um pouco complicado por que não tem legenda, mas não dá uma sensação de consuma a vontade, desde que seja com selo verde tudo bem. Economia verde é consumir produtos verdes e só? Nem passa perto da redução de consumo ou repensar hábitos? Me decepcionei um pouco com isso, mas…

Ai ontem lendo a Página 22 vi a entrevista do presidente do Instituto de Tecnologia e Indústria Ambiental da Coreia do Sul (Keiti, na sigla em inglês) falando do cartão verde do país.

E aí os videos abaixo fizeram mais sentido.



Um mascote fofo (que eu ganhei de pelúcia) pedindo para as pessoas economizarem água e energia.

Será que um cartão desses cria consciência nas pessoas? Pensando na forma de consumir talvez faça as pessoas escolherem melhor o que consomem e como consomem, mas será que isso evolui para consumir menos, que na minha opinião é o mais importante de fato? Alguém conhece algum coreano (a)?

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM