A Amazônia, por Adrian Cowell

Está em cartaz no Cinesesc, em São Paulo, até quinta-feira (12/7), uma mostra dos filmes de Adrian Cowell, um britânico formado em história pela Universidade de Cambridge que pisou pela primeira vez na Amazônia em 1957 e produziu, ao longo dos 50 anos seguintes, mais de 30 documentários, a maioria deles para a TV britânica e ainda inéditos no Brasil.

A mostra Amazônia 50: meio século de cinema documental de Adrian Cowell homenageia este documentarista que morreu em outubro do ano passado, aos 77 anos, de ataque cardíaco, às vésperas de mais uma viagem ao Brasil para finalizar seu derradeiro filme. Cowell nos deixou um registro farto e sem precedentes da história da floresta amazônica, contido em cerca de 3.500 latas de filme de valor incalculável.

Imagino que quem assistiu a Xingu (2012), de Cao Hamburguer, terá gosto de rever, como eu tive, muitas situações vividas pelos irmãos Claudio e Orlando Villas Bôas – em ótima interpretação de João Miguel e Felipe Camargo, respectivamente – na pele real dos próprios.

Vi no sábado A tribo que se escondia do homem, de 1970 (passará de novo na quarta às 21h), que é uma espécie de Xingu 2, só que de verdade. O filme começa exatamente no ponto onde termina o longa de Hamburger, ou seja (isso não é spoiling), quando Claudio e Orlando partem numa missão de resgate dos arredios índios Kreen-akore, antes que uma estrada passe por cima deles.

Embora pouco conhecidos por aqui, os filmes de Cowell foram muito vistos no Reino Unido e na Europa, onde receberam alguns prêmios. Seu registro do trabalho dos irmãos Villas Bôas de salvamento dos povos indígenas do Brasil central contou muito para as duas indicações ao Nobel da Paz que eles tiveram na década de 1970. Prêmio que teria sido muito merecido.

Cowell conviveu também com Chico Mendes e ao lado dele, nos anos 1980, documentou o estado de violência da floresta, tão tristemente atual.

Toda sua obra está sob a guarda do Instituto Goiano de Pré-história e Antropologia da PUC de Goiás, colaborador na produção de vários filmes, e que restaurou diversos títulos. No site deles é possível conferir todas as sinopses, mas não baixar os documentários, que, segundo anunciado, em breve serão vendidos em DVD. No Youtube se encontra vários trechos curtos e um ou outro filme na íntegra, raramente em português.

A mostra no CineSesc (rua Augusta, 2075) começou no dia 5 e, repetindo, vai até a próxima quinta (12). Entrada grátis. Por favor, ajudem a divulgar.

Programação no CineSesc

Acervo na PUC de Goiás

Homenagem na Globo News

Matando por terras, no blog de Eliane Brum

Dois longos obituários (em inglês): Telegraph e Guardian

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