Esse post é parte da Blogagem Coletiva de comemoração aos 10 anos do ScienceBlogs Brasil. O tema dessa semana é Os blogs morreram? Hoje quem escreve é Maria Leticia Bonatelli do Blog Ciência Informativa.

Se você quiser participar acesse: http://bit.ly/SBBr10anos

os blogs morreram2

O que você faz para atingir o seu público alvo? Você conhece as pessoas que consomem o produto que você oferece? Existe uma fórmula ideal para uma divulgação científica que realmente contemple TODOS?

Bom, essas são perguntas que passam (ou deveriam passar) pela cabeça de qualquer pessoa que produz conteúdo. Aqui eu vou falar de nós, divulgadores científicos. Como muitos de vocês, eu tenho um passado na pós-graduação (mestrado e doutorado) e sempre tive interesse em compartilhar o meu conhecimento com o público que, muitas vezes, não tem acesso ao que é discutido na academia.

Foi então que em meados de 2014, eu e um grupo de colegas iniciamos um projeto de divulgação científica chamado Ciência Informativa. O projeto incluía a criação de um blog de divulgação, no qual textos abordando diferentes tópicos da ciência seriam publicados semanalmente e, além disso, o mesmo espaço seria oferecido para que QUALQUER pesquisador ou aluno pudesse publicar textos de divulgação científica sobre a sua pesquisa.

E se você observar a data de criação do blog – 2014 – vai ver que não foi exatamente no auge dos blogs. Outras mídias – vlogs, podcasts – estavam surgindo e ganhando muita, ou até mais, atenção que os blogs. Eu já ouvi de colegas da área que deveria mudar de mídia, que eu precisava ir para o Youtube e que os blogs já eram.

Mas, calma lá. Se pensarmos nas três perguntas iniciais que fiz, existe uma mídia que contemple todos? Um conteúdo que seja acessado por muitos públicos distintos? Crianças, jovens e adultos? E você, qual o produto que você mais consome na hora de se informar? Vlogs, podcasts ou blogs?

Particularmente, eu sou uma pessoa que gosta de ler para me manter informada. Consumo outros tipos de produtos também, mas de longe prefiro ler artigos e análises. E, então, será que não é assim com as outras pessoas também? Será que diferentes conteúdos não podem ser produzidos para contemplar diferentes públicos?

Um artigo publicado pela revista Nature em janeiro deste ano leva o título “Why science blogging still matters” e levanta diferentes pontos sobre a importância e as dificuldades da blogagem – se você ainda não leu, recomendo. Segundo o artigo, blogar pode ser um desafio por conta da disponibilidade de tempo (ainda mais se você também é pesquisador) e ainda por competir com outras mídias que acabam diluindo o impacto dos posts produzidos. Mas ainda assim, pode ser uma interessante forma de networking e, claro, de disseminação do conhecimento científico – seja entre pares ou não.

Nesses quase 4 anos de blogagem – o Ciência Informativa assopra velinhas em setembro de 2018 – nós vimos muitas mudanças acontecerem no mundo da internet. De fato, é difícil dizer qual será a nova mídia do momento ou qual app que usaremos daqui a seis meses. A mudança parece ser a única constante do mundo em que vivemos. E o blog, assim como as outras mídias, tem que se adaptar a essa realidade.

Se você me pergunta: o Ciência Informativa atinge números de visualizações de Youtube? Minha resposta é não. Nosso crescimento é mais lento e orgânico. Conquistamos nosso público ao longo desses anos, assim como os nossos colaboradores: cerca de 10% do conteúdo do blog foi escrito por pesquisadores e alunos que utilizaram a plataforma para realizar divulgação científica.

Sabemos sobre o que o nosso público mais se interessa: textos sobre meio ambiente são os mais acessados. Textos sobre linguagem e comportamento, que são tópicos com conteúdo mais escasso na internet, também são muito acessados. Além disso, sabemos que o nosso público chega aos nossos textos, muitas vezes, por meio de pesquisa nos buscadores online – utilize as palavras “Rio Doce História” no Google e você poderá ver o feature snippet do Ciência (Imagem abaixo).

rio doce historia

Tentar conhecer o seu público talvez seja uma das coisas mais importantes que você pode fazer para aprimorar o conteúdo que produz. Nós sempre tentamos aprimorar o conteúdo e o formato do texto, assim como diversificar os assuntos abordados. Como muito de vocês, nós também aprendemos fazendo. E essa também não seria uma função importante do blog? Capacitar pessoas para fazer divulgação científica?

Então se a ideia era responder se os blogs morreram, a minha resposta é um sonoro não. Diferentes conteúdos contemplam diferentes públicos e está tudo bem ser assim. No mundo da divulgação científica, você está aberto à experimentação e pode procurar qual mídia se encaixa mais. Claro que sempre há a necessidade de pensar em formas de melhorar o conteudo do seu blog, vlog, podcast ou outros, mas assim como eu prefiro ler, outras pessoas também irão preferir. E você, também é de ler?

marialeticia

Maria Letícia Bonatelli do blog Ciência Informativa

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