Sobre o chão que pisamos

Tenho abordado em vários posts aspectos do controle da qualidade do ambiente exercido pelos solos. Noto agora que talvez algumas destas informações não sejam completamente entendidas porque ainda não dei uma definição decente de solo. Vamos a esta tarefa, então. O solo, ao contrário do que muitos podem pensar, não é apenas poeira. É na verdade um compartimento da natureza de extrema complexidade. Como já foi dito por aqui, os solos originam-se da decomposição ou intemperismo das rochas. Este intemperismo é causado pela água, pelas mudanças de temperatura e pelos organismos. Podemos assim dizer que o solo é resultado da interação da litosfera (rocha), atmosfera (água e temperatura) e biosfera (organismos). Depois de formado, o solo pode ser subdividido em uma fração sólida, uma líquida e uma gasosa. A parte sólida divide-se em fração mineral (minerais do solo) e fração orgânica (matéria orgânica do solo, composta de material de origem predominantemente vegetal em vários estágios de decomposição); a fração gasosa é o ar do solo, cuja composição é um pouco diferente do ar que respiramos: devido à respiração dos organismos do solo (animais, microrganismos e raízes de plantas) o ar do solo é mais rico em gás carbônico, por exemplo; a fração líquida é a água do solo ou solução do solo, rica em minerais, de onde as plantas absorvem os nutrientes que precisam e a própria água. A fração sólida é a mais visível e poucos imaginam que é devido à sua existência que a vida na Terra existe na forma e diversidade atuais, principalmente a nossa. Esta fração divide-se em três subfrações de acordo com o tamanho das partículas: a maior é chamada de areia, a intermediária de silte e a menor recebe a denominação de argila. A argila é possivelmente a mais importante em termos de manutenção da vida: devido a seu tamanho minúsculo (partículas menores que 2 micrômetros, considerando-se que um micrômetro é um metro dividido um milhão de vezes) ela possui propriedades específicas como a exposição de cargas elétricas. Estas cargas são responsáveis pela retenção dos elementos químicos no solo (os elementos no solo estão quase sempre na forma carregada ou ionizada). (Continua)

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Discussão - 2 comentários

  1. Ítalo Moraes Rocha Guedes disse:

    Obrigado pelo elogio. É ótimo notar que o que se tenta fazer é útil e, principalmente, que há quem nos leia.

  2. nunocavaco disse:

    Excelente blog. Muito interessante e com muita utilidade.

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